07/11/18 |   Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Artigo - Granizo na Serra Gaúcha

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Foto: Henrique Pessoa dos Santos

Henrique Pessoa dos Santos - Parreiral com perda de 100% em decorrência do granizo de 30/31 de outubro de 2018, no distrito de Tuiuty (Bento Gonçalves-RS).

Parreiral com perda de 100% em decorrência do granizo de 30/31 de outubro de 2018, no distrito de Tuiuty (Bento Gonçalves-RS).

Henrique Pessoa dos Santos - Pesquisador da Embrapa Uva e Vinho

Apesar do inverno deste ano ter favorecido um acúmulo de frio adequado para as plantas atingirem uma brotação uniforme e sem riscos de geada tardia, a primavera não tem sido  muito favorável para algumas propriedades na Serra Gaúcha. Pelas condições impostas pelo fenômeno climático ‘El Niño’, esta primavera tem sido mais instável e chuvosa. Além disso, na noite de 30 para 31 de outubro tivemos a ocorrência de uma precipitação de granizo em uma grande extensão de área na região, com impactos de até 100% de perda na maioria das propriedades atingidas (fotos).

As recomendações de manejo para recuperação das videiras irá depender do grau de danos que o vinhedo sofreu. Portanto, é muito importante que os produtores inspecionem as áreas e identifiquem a extensão dos danos o mais rápido possível após o evento, pois o nível de dano pode ser obscurecido pelo crescimento subsequente. Todos produtores com seguro agrícola também devem contatar sua seguradora e providenciar a avaliação de danos o mais breve possível, para obter uma análise o mais fidedigna possível.

            Como as plantas estavam predominantemente na floração, este evento de granizo afetou a folhagem, as flores e os ramos do ano (crescidos neste ciclo). É importante destacar que, embora esses danos possam ser extremos e com perdas totais de produção em algumas áreas, as plantas de videira conseguem se recuperar. Contudo, se nenhuma intervenção de manejo for feita neste momento nas áreas afetadas a produção do próximo ciclo poderá também ser impactada, gerando perdas para dois ciclos. As lesões por granizo no início da estação, como ocorreram agora, permitem ainda que as plantas possam dispor de novas brotações com gemas férteis para o próximo ciclo. Contudo, se nada for feito, as plantas irão dispor de uma brotação aleatoria e principalmente nas gemas apicais dos sarmentos, o que irá impactar diretamente no manejo de poda e, consequentemente, na produção do ciclo seguinte.

O granizo pode também ter causado lesões que prejudicam as videiras jovens, em áreas ainda em formação (plantios jovens). Se os brotos que se estendem até o fio de produção estiverem muito marcados pelo impacto dos granizos, recomenda-se cortá-los abaixo dos ferimentos para induzir uma nova brotação. Se isto não for considerado, a cicatrização das lesões neste broto, que eventualmente irá se tornar um tronco, poderá gerar pontos de restrição no fluxo de seiva para parte aérea. Além disso, esses ferimentos são portas para inoculação das doenças de tronco, reduzindo a vida útil destas plantas.

MANEJO DAS ÁREAS COM FORTES DANOS

Quando ocorrem perdas próximas a 100%, os produtores deverão efetuar uma poda curta (esporão) de formação. Como nesta etapa os sarmentos ainda estão verdes, após o corte o sarmento tende a secar. Portanto, visando duas gemas ativas por esporão, deve-se podar os sarmentos acima da terceira gema visível. A seguir, devem efetuar a aplicação de fungicidas de contato, para a proteção e cicatrização dos ferimentos, tais como tiofanato metílico (cercobin), folpet (Folpan), dithianon (Delan), tebuconazole (Folicur) e captan (Orthocide). Em áreas em formação e em plantas com baixo vigor, recomenda-se uma adubação nitrogenada para favorecer o crescimento de novas brotações e o acúmulo de reservas. Entretanto, em áreas com plantas vigorosas e já em produção, não necessita aplicação suplementar de adubação nitrogenada. Outro detalhe, caso já tenha sido feita uma adubação orgânica antes do granizo, não há necessidade de repeti-la.

MANEJO DE ÁREAS COM DANOS MODERADOS

Em vinhedos que apresentarem menor intensidade de dano (<40% dos sarmentos e cachos afetados), a recomendação fica centrada na aplicação de fungicidas de contato, para proteção dos ferimentos, sendo a poda focada na limpeza da área, retirando apenas os brotos mais afetados para haver estímulo de novas brotações para podas seguintes.
 

OBS.: Tanto em caso de danos fortes ou de danos moderados, sempre é importante a manutenção de pulverizações com fungicidas nos vinhedos até o fim do ciclo, para que as plantas possam manter as folhas e as novas brotações com boa sanidade para o acúmulo de reservas para os ciclos seguintes. Se esse manejo sanitário não for mantido, a videira irá apresentar variabilidade na maturação dos sarmentos, na fertilidade de gemas e no nível de dormência, prejudicando a brotação, o vigor e o potencial de produção do ciclo seguinte. Além disso, o descaso no manejo das áreas pós granizo, poderá também favorecer os problemas de declínio e morte de plantas, causados por fungos de madeira, o qual restringe significativamente a vida útil dos parreirais. 

 

Embrapa Uva e Vinho

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