08/11/18 |   Recursos naturais

Pesquisadores analisam cenários atuais e perspectivas de abastecimento dos aquíferos brasileiros

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Foto: Arquivo Embrapa

Arquivo Embrapa - Recarga Aquifero Guarani

Recarga Aquifero Guarani

A partir de informações e análises atualizadas, os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Marco Gomes e Lauro Pereira, fazem um alerta sobre a situação dos aquíferos no Brasil, que são conhecidos como reservas de água subterrânea de grande relevância para o abastecimento da população. De acordo com eles, a exploração desses aquíferos tem ocorrido de forma descontrolada, colocando em risco a reserva subterrânea que é considerada estratégica para as gerações futuras. Assim, é preciso repensar o modelo atual de captação de água subterrânea, com critérios mais rigorosos para preservar esse imenso potencial hídrico. Ações, por exemplo, no sentido de aproveitar ao máximo as águas superficiais, são fundamentais para não sobrecarregar (pressão de uso) as reservas subterrâneas.

Conforme Marco Gomes, o cenário sobre a situação das águas subterrâneas no país tem se agravado muito e pode até piorar em um futuro relativamente próximo, pois o controle dos poços clandestinos, abertos diariamente, é muito difícil devido à grande extensão territorial do país, aliada à escassez de profissionais nas áreas de fiscalização.

As reservas subterrâneas, segundo os pesquisadores, são imensas e o potencial aumentou, ainda mais, com as novas descobertas nos estados do Pará e do Amazonas, formando um grande reservatório subterrâneo conhecido como Sistema Aquífero Grande Amazonas, com a sigla de SAGA. As reservas brasileiras que antes eram de 112.300 km3 passaram agora para 231.900 km3.

Porém, todo esse volume hídrico acumulado em profundidade não pode ser retirado para consumo, pois ele precisa ocupar espaços vazios das rochas para evitar que ocorram os desabamentos ou colapsos de ordem geológica; em segundo lugar, não existe no mundo tecnologia que permita a retirada de tanta água, diz Gomes.

Estudos sobre os aquíferos têm mostrado que a retirada de água deve ser equivalente à quantidade que entra anualmente pelas chuvas, quando então é estimado o seu potencial de recarga. Por questões de segurança, principalmente para aquíferos sedimentares (água acumulada nas rochas sedimentares, principalmente arenitos), a fim de evitar os possíveis colapsos já citados, recomenda-se a retirada de apenas 25% do total do potencial de recarga, conhecida como reserva explotável, ou seja, aquela que não compromete a reserva total de água. Isso significa uma quantidade de água muito inferior ao que normalmente se imagina, considerando os números citados sobre o SAGA, por exemplo.

Outras reservas subterrâneas importantes no país estão distribuídas pelas regiões centro-oeste, sudeste/sul e parte do nordeste. O Aquífero Guarani, por exemplo, representa o principal potencial hídrico subterrâneo da região sudeste e parte do sul, com uma espetacular reserva de 40 km3/ano. Outras regiões como o Pantanal mato-grossense e a Bacia Sedimentar do Parnaíba (estados do Piauí e Maranhão) merecem também atenção por possuírem aquíferos de grande relevância, que juntas, possuem uma reserva potencial de cerca de 15 km3/ano de água. Juntando-se ao SAGA, esses aquíferos tornam o Brasil como um dos países com maiores reservas de água subterrânea do mundo.

"Apesar desse estudo mostrar que existe muita água subterrânea no Brasil, a população não pode se dar ao luxo de consumi-la de forma desordenada, pois o cenário retratado mostra a dependência total dos aquíferos em relação a um regime regular de chuvas, explicam os pesquisadores Gomes e Pereira. Isso significa que qualquer mudança no regime de chuvas, compromete seriamente as reservas subterrâneas. Soma-se a isso, a lentidão no deslocamento interno dos fluxos subterrâneos, o que contribui para a reposição lenta, principalmente em locais onde há retirada excessiva de água, motivo do rebaixamento frequente e quase constante do nível de muitos poços tubulares profundos, em diversas regiões do país.

Tem-se, ainda nesse cenário, a má distribuição da população em relação a esses reservatórios, ou seja, a concentração de pessoas é desproporcional à disponibilidade de água subterrânea, o que vale também para a água superficial no caso brasileiro", alerta  Gomes.

A região norte, por exemplo, possui somente 12% da população brasileira e detém 70% da reserva de água subterrânea. Já a região centro-sul (sudeste/sul e centro-oeste) possui uma população em torno de 65% do total, com 22% de toda reserva de água subterrânea do país. O Nordeste, com cerca de 23% da população, possui apenas 8% de toda água subterrânea brasileira.

Tais informações são fundamentais para o planejamento na oferta de água para consumo no país, tanto no presente quanto no futuro.

Fonte consultada:
https://hal.brgm.archives-ouvertes.fr/hal-00786182/document
http://www.imasul.ms.gov.br/disponibilidade-hidrica-subterranea/
https://pt.scribd.com/document/165713992/VOLUME15-Sistema-Aquifero-Guarani-SP-MS-PR.pdf
https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html
https://aguassubterraneas.abas.org/asubterraneas/article/view/27831

Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

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