16/11/18 |   Segurança alimentar, nutrição e saúde

Projeto Focus encerra série de oficinas sobre bioeconomia

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Foto: Kátia Marsicano

Kátia Marsicano -

O futuro desafiador para a produção de alimentos, as demandas por produtos mais saudáveis, a conscientização e a mudança de práticas que contribuam com a redução das alarmantes estatísticas de perdas e desperdício de alimentos, a necessidade da elaboração de políticas públicas que garantam -, não só a segurança alimentar e nutricional como a inclusão de famílias e perspectivas de mercado -, foram alguns dos principais assuntos abordados na mesa-redonda da última oficina da série promovida pelo Projeto Especial Focus, da Embrapa. O evento, realizado na sede da Empresa, em Brasília, nos dias 13 e 14 de novembro, contou com a participação de representantes do Governo Federal, instituições parcerias e unidades descentralizadas de várias partes do país.

O encontro, cujo tema central foram os diversos aspectos relacionados à bioeconomia brasileira, reforçou a preocupação e a urgência da adoção de estratégias que revertam uma realidade que ameaça a sustentabilidade e põe em risco a crescente população mundial. Durante um dia e meio de trabalho, pesquisadores e profissionais dos mais diversos segmentos se dedicaram ao levantamento de indicadores e iniciativas que contribuam com o enfrentamento de desafios tecnológicos e não tecnológicos relacionados à segurança do alimento, diversificação e agregação de valor a produtos alimentares e redução de perdas e desperdício.

Segundo o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, presente à abertura da oficina, a importância da discussão sobre o assunto num momento em que o mundo está voltado à superação do risco de desabastecimento de alimentos, principalmente no horizonte de 2050, é fundamental. “Estamos diante da projeção de incremento de pelo menos mais dois bilhões de pessoas em todo planeta e trabalhamos com a estimativa de uma demanda alimentar de pelo menos mais 70% a mais, por isso será necessário produzir mais cerca de 1 bilhão de toneladas de grãos”, disse. Na sua opinião, o Cone Sul, e não só o Brasil, deverá se preparar para atender aproximadamente 40% da demanda global por alimentos.

Soares lembrou as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pela Embrapa, em especial o programa de biofortificação, liderado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com outras unidades descentralizadas que, entre os exemplos de sucesso, está a batata-doce Beauregard, que apresenta dez vezes mais carotenoides - pró-vitamina A - do que as demais.

A secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Lilian Rahal, também chamou a atenção sobre a necessidade de mobilização de instituições, com o objetivo de desenvolver políticas e ações que contribuam com a inserção desde pequenos agricultores até a indústria de alimentos, bem como incentivem a produção agrícola integrada.

Na mesa, estiveram presentes também a representante do Banco Mundial, analista sênior Fátima Amazonas -, que abordou a necessidade de políticas nacionais voltadas à bioeconomia e abertura de oportunidades que atraiam e motivem também o setor privado nesse desafio -, o diretor de Administração e Finanças do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Vinicius Lages, e o consultor legislativo do Senado Federal, Marcus Peixoto. Também participou do último dia de evento o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, que destacou, entre outras questões, a importância da mudança de padrões de consumo, como forma de garantir condições de acesso mais igualitárias às populações.

Para a secretária de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire), Rita Milagres, a questão da rotulagem de alimentos é um dos temas que merece atenção. “É fundamental evitar que o assunto assuma viés ideológico”, comentou, referindo-se aos critérios de classificação na escala de níveis de processamento. “É necessário melhorar a nutrição, a saúde, estar atento aos problemas relacionados à obesidade, mas também devem ser considerados os impactos que a indústria de alimentos é capaz de causar sobre a geração de empregos e sobre as exportações brasileiras”, alertou.

Mudanças do clima

Na oficina dos dias 8 e 9, segunda da série de eventos promovida pelo Projeto Focus, o tema Mudanças do clima, uso e manejo de recursos naturais e serviços ecossistêmicos, estiveram na pauta principal dos trabalhos. A segunda oficina também reuniu especialistas de diversas instituições ligadas ao assunto, como o coordenador interino de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, André Nahur. “Temos grandes oportunidades que precisam ser exploradas nos temas da bioeconomia”, disse. “Têm sido muitas as exigências do mercado internacional e nós temos diferencial de produtos e commodities de baixo impacto ambiental que abre essas oportunidades”, comentou, destacando no entanto a falta de apoio ao empreendedorismo na inovação de iniciativas de impacto socioambiental no Brasil, como, por exemplo, com a promoção de startups. “Mas também é preciso fomentar setores demandantes desses produtos, mapear tecnologias de comunidades”.

A gerente do Departamento de Meio Ambiente do Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Odette Campos, alertou sobre os riscos das mudanças climáticas para o agronegócio, segmentos que, na sua opinião, deverá enfrentar dificuldades já em curto e médio prazos. “Nesse sentido, o BNDES tem desenvolvido iniciativas e parcerias e institucionais voltadas ao tema, algumas delas com os Ministérios do Meio Ambiente e do Planejamento, isso porque a sustentabilidade é uma das diretrizes de um processo longo de revisão de planejamento estratégico do Banco, lançado no início deste ano”, afirmou. “E para que o Banco possa contribuir mais são necessários projetos bem estruturados para que se possa tentar chegar ainda mais na ponta, com iniciativas desenhadas em conjunto com os implementadores”.

Produtos das oficinas
Os trabalhos das três oficinas, no entanto, não acabam por aqui. Depois de todos os debates, discussões e troca de experiências e conhecimento, a gerente de Macroestratégia da Sire, Daniela Lopes, explica que os dados resultantes dos trabalhos em grupo serão compilados e, posteriormente devolvidos para os participantes para validação, sintetização e publicação para conhecimento dos atores que não tiveram a oportunidade de contribuir neste momento. "As discussões dos três eventos foram muito ricas e podem contribuir para uma discussão mais ampla sobre a estruturação de uma estratégia nacional sobre bioeconomia, como muitos países já fizeram, organizando e coordenando políticas públicas relacionadas a esse novo paradigma de desenvolvimento", explica.

Segundo ela, internamente, os desafios que foram mapeados e priorizados serão usados para alimentar o processo de planejamento corporativo. O material já foi distribuído para os grupos que estão reorganizando os portfólios e está disponível para usar como insumo das oficinas. "O trabalho também vai orientar o mapeamento das relações institucionais, que, por sua vez, precisam ser fortalecidas ou buscadas para enfrentar esses desafios", comenta.

Sobre o projeto Focus
A proposta do Focus é estabelecer ações estruturantes para a elaboração de metas de impacto e indicadores associados aos eixos de impacto e o desdobramento destas metas nos demais níveis do mapa estratégico, considerando os projetos existentes de gestão estratégica e de desempenho institucional. Tem ainda como objetivo estabelecer as bases e métricas para que pessoas, processos e estruturas sejam orientados a impactos, entendidos como melhorias mensuráveis, percebidas pelos públicos-alvo.

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Kátia Marsicano (MTb DF 3645)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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Mais informações sobre o tema
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