03/12/18 |   Transferência de Tecnologia

Embrapa demonstra 30 seleções e variedades na Festa do Pêssego de Pelotas/RS

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Foto: Paulo Lanzetta

Paulo Lanzetta -

A Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) participou, no último domingo (2), da 2º edição da Festa do Pêssego de Pelotas/RS. Em seu estante institucional, além de livros e material informativo, apresentou 30 tipos de pêssego resultantes do trabalho de melhoramento genético, entre variedades já em uso pelos produtores, variedades com lançamento próximo e seleções ainda em avaliação pela pesquisa. A Festa ocorreu durante todo o dia, no Rincão da Caneleira, 8º distrito do município.

Dentre os destaques, a apresentação da BRS Jaspe, variedade com foco na indústria e que deve ser lançada em 2019; e da seleção Cascata 1651, material de mesa para consumo fresco e produção em locais mais frios. “São seleções em testes avançados e em produção, para decidir junto dos produtores se vamos lançar”, explica a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Maria do Carmo Raseira, que mantém relação próxima com produtores e indústria para avaliar os materiais de pesquisa.

A pesquisadora também participou do comitê de avaliação do Concurso do Pêssego, promovido pela Embrapa e Emater/RS-Ascar, que elegeu a melhor fruta de cada variedade – Esmeralda, Granada, Chimarrita, Sensação, BRS Fascínio, BRS Rubimel e BRS Kampai – e o primeiro lugar geral entre elas, considerando critérios como cor, tamanho, ausência de deformidades, uniformidade e apresentação. “São atributos que o consumidor trata como qualidade”, explicou o extensionista da Emater Rodrigo prestes. Ao todo, foram 27 inscrições.

Vencedores:

  • Cv. Esmeralda: Loiva Schiller
  • Cv. Granada: Alvino Nuremberg
  • Cv. Chimarrita: Alvino Nuremberg
  • Cv. Sensação: João Carlos Bender
  • BRS Fascínio: João Carlos Bender (1º lugar geral)
  • BRS Rubimel: Alvino Nuremberg
  • BRS Kampai: João Carlos Bender

Abertura oficial

Em fala breve, o presidente da Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), Mauro Scheunemann, afirmou que o preço pago é um dos aspectos que desanima os produtores. Ainda assim, foi otimista quanto à produção. “Vai melhorar”, afirmou.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (Sindocopel), Paulo Crochemore, também comentou a situação difícil da cadeia e falou que o pêssego poderia estar em outro patamar. Segundo ele, houve quebra de 35% a 40% no consumo da fruta, o que teve consequências para a região. “Produtores e indústrias devem se unir”, disse. Ele ainda ressaltou a necessidade de apoio do poder público e de ações para aumentar o consumo de pêssego no país.

Já o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Clenio Pillon, comentou que existem ciclos bons e ruins ao abordar essa a fase da cadeia. Por isso, também reforçou a necessidade de união. E destacou a importância da cultura localmente. “A história de Pelotas se confunde com a cultura do pêssego”, disse. 

Além disso, agradeceu à equipe de melhoramento da Embrapa por seu trabalho e valorizou a importância do publico urbano no espaço rural. Também cumprimentou todos aqueles que trabalham para manter a cadeia viva e forte. E, por fim, mencionou algumas novas variedades que devem ser lançadas pela pesquisa no ano que vem. “A Embrapa está junto”, completou.

O gerente-adjunto do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Pelotas, Ronaldo Maciel, apresentou alguns dados sobre a produção na região. E falou sobre a possibilidade de tornar a festa regional ou até mesmo nacional, como era no passado.

A possibilidade de expandir a produção de pêssego de mesa na região esteve na fala do titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) de Pelotas, Jair Seidel. Ele também apresentou alguns dados sobre a produção e destacou os quase 150 anos de cultivo do pêssego em Pelotas. “É a cadeia mais importante do agronegócio do nosso município”, afirmou.

Por fim, o vice-prefeito de Pelotas, Idemar Barz, e a prefeita, Paula Mascarenhas, abordaram algumas conquistas do poder público para os moradores da zona rural e reforçaram a união da cadeia para superação desse momento difícil para o setor. 

Eles também destacaram a proximidade da pesquisa da Embrapa e da extensão da Emater, bem como seus esforços, para desenvolver a cultura na região. “A Embrapa é uma instituição importantíssima. A presença em Pelotas faz toda a diferença e os produtores sabem disso. A pesquisa não para”, concluiu Paula.

O ato ainda contou com a participação surpresa da primeira rainha da então Festa Nacional do Pêssego, em 1963, Neiva Heidrich Fehlberg. Além disso, boa parte dos integrantes do dispositivo fez agradecimento especial à pesquisadora Maria do Carmo Raseira e equipe pelas contribuições à cadeia ao longo dos anos. Atualmente, 100% das variedades de pêssego para a indústria utilizadas pelos produtores são resultado do trabalho de pesquisa da Embrapa.

Abertura da colheita

A festa também abrigou a abertura oficial da safra, pela manhã, que ocorreu na propriedade de Dari Bosembecker. Participaram do ato o vice-prefeito, o titular da SDR, a pesquisadora da Embrapa, o presidente da APPRP, o chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Francisco Arruda; e a rainha e princesa da Festa, Diana Bohrer e Tamires Mattozo.

A expectativa para a safra na região, que já está 35% colhida, é de 30 mil toneladas de frutas. Isso representa metade do volume obtido na safra passada. Segundo os técnicos, adversidades climáticas e a morte-precoce dos pessegueiros foram os principais fatores que contribuíram para as perdas nos pomares.

Na região de Pelotas, são 1,3 mil produtores que vivem diretamente da cultura, totalizando pouco mais de 6 mil hectares cultivados. A cadeia produtiva conta com oito municípios, que são responsáveis por produzir 95% de todo o pêssego destinado à indústria do país. Com 13 agroindústrias, a produção média anual chega a 50 milhões de latas. 

Apenas em Pelotas, responsável por 50% dessa produção, são 600 produtores – cerca de 1/3 dos agricultores da zona rural – e cerca de três mil hectares plantados. Nos pomares mais profissionalizados, segundo a Emater, a produtividade chega a 15 toneladas por hectare. O que movimenta cerca de 350 milhões de reais por ano só no município, gerando 25 mil empregos diretos e indiretos.

Atualmente, o preço pago aos produtores pela indústria varia entre 1,10 reais para o tipo 1 e 0,90 centavos para o tipo 2. E o da fruta valor in natura, segundo a APPRP, vai de 1,50 a 2,50 reais.

Festa do pêssego

Esta é a segunda edição do evento, que busca valorizar e potencializar a cultura e os produtores envolvidos, além de aproximar zona rural e urbana. Ligada à Quinzena do Pêssego, que vai de 24 de novembro a 10 de dezembro, a Festa contou com venda de fruta in natura e derivados, além de atividades culturais. A Festa Municipal do Pêssego é uma promoção da SDR, Prefeitura Municipal de Pelotas, Emater/RS-Ascar e Embrapa Clima Temperado.
 

Francisco Lima (13696 DRT/RS)
Embrapa Clima Temperado

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