12/12/18 |   Gestão Estratégica

Embrapa discute projeto de Centro Logístico Alimentar na fronteira

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Foto: Nicoli Dichoff

Nicoli Dichoff - Comércio de alimentos entre Brasil e Bolívia motiva parcerias binacionais

Comércio de alimentos entre Brasil e Bolívia motiva parcerias binacionais

Uma reunião binacional realizada no último mês abordou a aproximação Brasil-Bolívia no que diz respeito à comercialização de alimentos em regiões de fronteira como a de Corumbá (MS) e Puerto Quijarro (província de Germán Busch). Do encontro participaram representantes do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do Brasil, da chefia e equipe da Embrapa Pantanal, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), governo boliviano e brasileiro, organizações sociais, políticas, cooperativas e produtores rurais dos dois países.

“Este é um projeto binacional para favorecer tanto produtores brasileiros quanto bolivianos. Esperamos trabalhar com um modelo que possa se repetir em outras cidades fronteiriças”, afirma o Embaixador do Estado Plurinacional da Bolívia no Brasil que presidiu o encontro, José Kinn. “Nós realizamos um trabalho há cerca de dois anos para avaliar o sistema de abastecimento da fronteira, analisando a questão das feiras e como esse desenvolvimento se reflete no desenvolvimento agrícola e pecuário local”, conta o consultor da FAO, Altivo Andrade.

Levando tecnologias e conhecimentos do Brasil para o país vizinho, a Embrapa atua nesse contexto discutindo a agroecologia com produtores bolivianos e brasileiros. A unidade de pesquisa pantaneira da instituição e parceiros realizaram várias atividades ligadas ao tema ao longo do ano nos dois países. Uma das mais recentes foi um dia de campo na Bolívia sobre agroecologia realizado como parte de um projeto do Núcleo de Agroecologia do Pantanal, liderado por Edgar da Costa, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – campus Corumbá.

“Nós combinamos a atividade na ida do agricultor boliviano Mateo Flores Cáceres na Feira do Cerrado, em outubro”, relata o pesquisador Alberto Feiden, da Embrapa Pantanal. O dia de campo, que aconteceu na propriedade de Mateo, recebeu uma palestra do pesquisador sobre uso dos adubos verdes para manejar a fertilidade do solo e seu efeito no controle de pragas – “principalmente nematoides de solo de algumas espécies”, diz. Também foi realizado o plantio de uma unidade demonstrativa com adubos verdes que será avaliada em fevereiro de 2019 e a entrega de kits de sementes das espécies aos participantes para multiplicação nas propriedades.

De acordo com Alberto, o acompanhamento da situação alimentar na fronteira é realizado há cerca de dez anos pela unidade de pesquisa junto à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “Há dez anos, a Bolívia produzia em menor quantidade, com mais problemas de contaminação e uso excessivo de aditivos químicos. O que temos observado nos últimos anos é uma mudança muito forte nesse sentido com a adoção significativa das boas práticas recomendadas pela assistência técnica boliviana”.

O consultor da área de abastecimento, comercialização, e segurança alimentar da FAO, Altivo Andrade, analisou por cerca de dois anos a dinâmica do comércio de alimentos na fronteira Brasil-Bolívia. “Houve a compreensão de que seria necessário um centro que cumprisse o papel que aqui no Brasil têm as Ceasas, as Centrais de Abastecimento que recebem o produto de produtores ou seus representantes e permitem a sua aquisição por parte de feirantes, varejistas ou minoristas”. Com base nessa necessidade, o alcaide (posição semelhante ao prefeito) de Puerto Quijarro, Ybar Antelo, afirmou que o município deverá ceder cerca de um hectare e meio para a construção de um Centro Logístico Alimentar na cidade.

“Para que todo este trabalho que vai ser realizado e reproduzido na Bolívia tenha mais controle e maior facilidade de entrada e saída entre os dois países, certificado por instituições confiáveis de pesquisa na Bolívia e a Embrapa no Brasil”, diz Ybar. Para Theodor Friedrich, representante da FAO na Bolívia, a importância desse projeto aumenta por estar situado em uma região de fronteira. “Nessas duas cidades tão próximas, a atividade agrícola é uma das mais importantes atividades comerciais para promover o desenvolvimento rural na fronteira. A importância dessa iniciativa não é somente para a troca ou fiscalização da produção, mas também para levantar os dados da produção local para, assim, desenvolver a economia e ajudar os produtores”.

Lucy França Frota, coordenadora de cooperação internacional da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, que pertence ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) afirma que será utilizado um acordo de cooperação técnica entre os dois países para formalizar as atividades. “Por meio desse acordo serão desenvolvidos o projeto e as atividades relacionadas à sustentabilidade, cooperativismo, talvez questões de gênero e ações para jovens”.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Pantanal, Jorge Lara, a união real dos países acontece no dia a dia das fronteiras “Esse tipo de convivência deve ser explorado não apenas em um nível técnico, mas estratégico”, destaca. “Um dos pontos cruciais não é apenas a transferência de tecnologias, mas a troca de experiências entre as nações, agricultores e entre pesquisadores e técnicos de campo”.

 

Nicoli Dichoff (Mtb 3252/SC)
Embrapa Pantanal

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