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Pesquisadores implementam atividades do Projeto de Cooperação Embrapa - EEFRI na Etiópia

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Foto: Patrícia Mattos

Patrícia Mattos -

Os pesquisadores da Embrapa Florestas, Patrícia Póvoa de Mattos, Annete Bonnet e Gustavo Ribas Curcio estiveram em missão técnica em Addis Abeba, na Etiópia, de 17 de novembro a 2 de dezembro de 2018. A missão faz parte das atividades previstas no Projeto de Cooperação Internacional Embrapa – EEFRI, “Fortalecimento da capacidade técnica etíope na exploração e manejo sustentável de florestas”, realizado via Agência Brasileira de Cooperação (ABC), há cerca de 4 anos, com o objetivo de transferir tecnologia para a Etiópia sobre o manejo já usado no Brasil.

A contraparte da Etiópia no Projeto inclui os pesquisadores Tesfaye Bekele, Mindaye Teshome e Nesru Hassen. Em junho de 2017, o pesquisador Mindaye Teshome esteve no Brasil participando de capacitação em dendrocronologia aplicada ao manejo florestal sustentável, sob a coordenação de Patrícia Mattos e Evaldo Braz, realizada na Embrapa Florestas.

A missão, desenvolvida no instituto EEFRI e nos arredores de Addis Abeba, inclusive nas florestas de Chilimo e Menagesha Suba, teve objetivos distintos, atendendo às especificidades de cada atividade prevista no Projeto:

-Para Patrícia Mattos, os objetivos foram a instalação do laboratório de dendrocronologia do EEFRI, a capacitação dos técnicos para seu uso, e a participação em discussão técnica sobre o potencial de aplicação das séries de crescimento obtidas por dendrocronologia, principalmente em manejo florestal das espécies com potencial econômico mais importantes localmente.

-Para Annete Bonnet e Gustavo Curcio, o objetivo foi visitar florestas consideradas degradadas pelos pesquisadores etíopes e registrar suas características para subsidiar futuro treinamento no Brasil, com repasse de metodologias e técnicas de recuperação.

 

Dendrocronologia e manejo sustentável

Além da instalação do laboratório de dendrocronologia e da capacitação dos técnicos para o uso adequado dos equipamentos, Patrícia Mattos foi responsável por treinamento técnico em coleta de amostras para estudos dendrocronológicos incluindo seleção das árvores, preparo adequado (polimento) das amostras, marcação e medição de anéis de crescimento para datação.

Entre os dias 21 a 23 de novembro, foi realizado trabalho de campo com a coleta de amostras de discos de Juniperus procera (17 amostras) e de Olea africana (2 amostras) na reserva florestal de Menagesha Suba. “Durante os três dias discutiu-se sobre os cuidados necessários para a coleta das amostras de forma correta, a seleção de árvores para a retirada dos discos, evitando-se troncos com podridão interna e discussão sobre excentricidade da medula em árvores em terreno acidentado”, explica Mattos.

Para a pesquisadora, seu objetivo com a missão foi cumprido integralmente: “os equipamentos foram instalados e testados, com exceção da lixadeira, mas o ajuste da parte elétrica para sua instalação está encaminhado. Não houve dificuldades para execução da atividade e a contraparte etíope forneceu todo o suporte de infraestrutura e logística necessário à execução da missão de acordo com o estipulado pelo projeto”.

Como próximos passos, Mattos aponta a continuidade do trabalho de obtenção de séries de crescimento, seguida pela orientação quanto ao procedimento de ajuste de modelos e análise da estrutura da floresta e crescimento nas diferentes classes de diâmetro, para o planejamento do manejo sustentável. “Também serão realizados treinamentos em técnicas de silvicultura em plantios florestais e em melhoramento genético em função da necessidade observada em campo e da demanda expressa pelo pesquisador Mindaye Teshome que me acompanhou na missão”, finaliza.

 

Áreas degradadas, metodologias e técnicas de recuperação

Annete Bonnet explica que a missão deu início à atividade já prevista desde o início do Projeto. Foram visitadas oito áreas distintas com diferentes processos de degradação da floresta, instaladas em Addis Abeba, Yerer Mountain, Gibe Valley, e nas florestas de Chilimo e Menagesha Suba.

Dentre os resultados, Bonnet destaca a realização de discussão com técnicos do EEFRI sobre as necessidades de avanço e organização do conhecimento existente na Etiópia a respeito da sucessão da vegetação nativa, além da premência de intervenção técnica em áreas com erosão dos solos e regeneração estagnada. As florestas das regiões visitadas possuem espécies conhecidas e estudadas pelos etíopes, muitas delas importantes como fonte de madeira e carvão para as comunidades rurais e urbanas. Também foi realizado o planejamento das atividades de treinamento dos técnicos etíopes em técnicas de recuperação de florestas degradadas para o próximo ano: “Houve entendimento sobre o conteúdo e período da próxima fase, que será o treinamento a ser ministrado no Brasil pelos pesquisadores da Embrapa Florestas”, relata.

Na avaliação da pesquisadora, a atividade foi executada com sucesso e efetivada integralmente. Para ela, as discussões permitiram a troca de experiências, mesmo que parciais, entre as equipes, demonstrando compreensão de ambas as partes sobre a abrangência da problemática instalada nos ambientes florestais etíopes.

 

Paula Saiz (CONRERP 3453)
Embrapa Florestas

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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