14/10/21 |   Agroecologia e produção orgânica  Transferência de Tecnologia

Seminário Grãos na Agroecologia começou no dia 13 de outubro

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Foto: Rodrigo Peixoto

Rodrigo Peixoto -

A Embrapa e parceiros iniciaram na quarta-feira, 13 de outubro, a primeira parte do Seminário Grãos na Agroecologia. O evento, que é gratuito e realizado virtualmente pela internet, promoveu o encontro entre agricultores, pesquisadores e técnicos que apresentaram suas experiências sobre a inserção do feijão em áreas de pousio dentro de sistemas de produção de hortaliças em propriedades da região de Anápolis (GO). 

Para assistir ao Seminário, acesse aqui.

Um dos coordenadores do Seminário, o pesquisador Agostinho Didonet, contou, durante a transmissão do evento, que esse trabalho surgiu com a demanda de produtores orgânicos de hortaliças por tecnologias que permitissem a inserção do grão em pequenas áreas dentro de suas propriedades com o objetivo do feijão cumprir o papel de rotação e diversificação de culturas, agregando mais uma fonte de renda. 

Para tanto, essa ação preconizou, conforme Agostinho, a observação de princípios agroecológicos, tais como o aumento da ciclagem de nutrientes do solo; o incremento da biodiversidade funcional das áreas, com inimigos naturais, antagonistas de insetos considerados pragas; a melhoria do solo via manejo de matéria orgânica; a diminuição de perdas de energia, água e recursos genéticos, aumentando a conservação e regeneração da agrobiodiversidade, dentre outros.

As práticas de manejo que envolvem esses princípios agroecológicos são, por exemplo, a adubação verde, o cuidado com a proteção e cobertura do solo, a rotação de culturas e o uso de defensivos naturais orgânicos. Para aplicar essas práticas de manejo, foram selecionadas duas propriedades nesse projeto, uma localizada em Gameleira e outra no Piancó, ambas na região de Anápolis.   

De acordo com o analista da Embrapa, Glays Matos, que também participou do Seminário, foi montada em cada uma dessas duas propriedades uma Unidade de Construção do Conhecimento (UCC), que serve para desenvolver, validar e ser pólo irradiador de conhecimento para as comunidades próximas que queiram seguir o mesmo caminho. “São locais onde há a troca de saberes, o compartilhamento do conhecimento científico e do conhecimento dos agricultores, em um processo participativo, desde o planejamento à execução, com autonomia para a tomada de decisão entre as partes”, disse Glays. Como consequência, para cada localidade, as práticas de manejo variaram, mas sempre dentro de preceitos agroecológicos. 

O agricultor Edson Porto abrigou uma das UCC em sua propriedade em Gameleira. Durante o Seminário no dia 13 de outubro, ele comentou um pouco sobre sua experiência com a introdução do feijão em área de pousio utilizada para produção de hortaliças. Edson afirmou que o custo de produção do feijão é baixo porque não há gasto com produtos químicos, contudo, ele considerou que, quando o plantio ocorreu na safra de verão, o que mais demandou cuidado foi a limpeza das áreas, por causa do mato. Outro ponto crítico para ele foi a chuva que ocorreu com muita frequência durante o período de colheita, ocasionando perdas. Já no cultivo de inverno a situação foi diferente. “Para mim, é mais interessante trabalhar com o feijão no período de seca (no inverno), principalmente, se utilizar o sistema de irrigação por gotejamento porque há menos competitividade do mato e diminuem as capinas, o manejo fica mais fácil”, afirmou.

Para o agricultor Sebastião Ferreira e seu filho Guilherme Ferreira, de Piancó, local onde foi implantada a outra UCC, eles relataram que a maior dificuldade foi com a mão de obra que acabou pesando no custo de produção, mas, mesmo assim, a atividade foi rentável. “A gente tem que colocar tudo na ponta da caneta, o gasto com energia para irrigação, a preparação do solo com grade aradora, o custo da mão de obra, tudo foi anotado até o final para a gente poder ter um valor que permitisse o lucro. Quando a gente vai vender, tem cliente que questiona, acha o valor caro e quer comparar com o preço de um feijão de mercado, mas não tem comparação. A gente explica para o cliente como foi produzido o feijão, o conhecimento que foi usado e o cuidado que tivemos na produção. O cliente se convence e compra, leva para casa e, após consumir, acaba voltando porque percebe a diferença”, explicou Guilherme. Geralmente, o feijão produzido em pequenas propriedades é vendido em feiras e pode ser de grãos bem tradicionais e de grupos como mulatinho e roxo, bem diferentes das qualidades do carioca e preto.

O supervisor da unidade local da Emater Anápolis e diretor técnico da Associação dos Produtores Agroecológicos de Anápolis e Região (Aproar), Álvaro Gonçalo, fez uma participação no Seminário e considerou a experiência com o projeto de introdução do feijão em sistemas de produção de hortaliças muito valorosa. “Eu acho que deu muito certo e conseguimos altas produtividades, provando também que é possível produzir de forma agroecológica”, pontuou. Álvaro é um entusiasta do assunto, sendo um dos pioneiros e criadores de uma unidade de produção de alimentos orgânicos na antiga Escola Agrícola de Anápolis. Atualmente, com a Aproar, ele é um dos divulgadores da Feira Agroecológica (FeAgro), que reúne uma série de agricultores familiares e que acontece no Parque Ipiranga, em Anápolis. 

O Seminário Grãos na Agroecologia terá ainda mais duas etapas: uma no dia 20 de outubro e outra no dia 27 de outubro.

Para saber mais, clique aqui.

Rodrigo Peixoto (MTb/GO 1.077)
Embrapa Arroz e Feijão

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