14/10/21 |   Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação  Segurança alimentar, nutrição e saúde  Transferência de Tecnologia

Embrapa apresenta tecnologias sustentáveis em agricultura tropical a 32 países africanos

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Foto: Fernanda Diniz

Fernanda Diniz - O diretor de P&D, Guy de Capdeville, e o pesquisador Alexandre Amaral participaram do painel voltado à cooperação tecnológica

O diretor de P&D, Guy de Capdeville, e o pesquisador Alexandre Amaral participaram do painel voltado à cooperação tecnológica

Evento “O Brasil e a África no Agro”, promovido pelo MRE, abordou várias formas de cooperação de forma a disseminar o modelo agrícola brasileiro para aquele continente

A Embrapa apresentou tecnologias sustentáveis em agricultura tropical para embaixadores de 32 países africanos no evento “O Brasil e a África no agro”, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), nesta quarta-feira (13/10), no Palácio do Itamaraty. O encontro teve como objetivo apresentar aos representantes diplomáticos várias formas de cooperação – técnica, acadêmica, tecnológica, financeira e empresarial – com vistas a disseminar o modelo de sucesso do Brasil na área de agricultura tropical para aquele continente. A Empresa esteve representada pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Guy de Capdeville.

Durante o painel voltado à cooperação tecnológica, o pesquisador Alexandre Amaral apresentou tecnologias sustentáveis com potencial de transferência para a África. Entre elas, destacam-se os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), adotados em mais de 11 milhões de hectares no Brasil, com capacidade de aumentar a produtividade sem expansão do uso de terras. Além da ILPF, Amaral ressaltou os benefícios do Sistema de Plantio Direto (SPD), o uso de tecnologias digitais na agricultura, como drones e robôs, e a biofortificação. Sobre essa última, o pesquisador afirmou que é uma solução tecnológica com grande potencial de benefício para os países africanos, pois não depende de mudanças nos hábitos alimentares da população, visto que se baseia na fortificação de produtos que já fazem parte da sua dieta.

Amaral enfatizou ainda as vantagens da Embrapa como parceira internacional. Segundo ele, a Empresa tem permissão para manter representações no exterior, o que permite a rápida e diferenciada resposta da Embrapa às oportunidades de cooperação científicas e negócios. O pesquisador destacou ainda que as parcerias com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), além de centros de pesquisa e universidades têm permitido importantes interações tanto no âmbito de cooperação para o desenvolvimento, quanto para a interação na fronteira do conhecimento, quanto para o licenciamento de ativos no exterior e a atração de investimentos estrangeiros. “Hoje temos mais de 150 acordos internacionais com 127 instituições de mais de 50 países”, pontuou, lembrando que a África é uma das prioridades para a Embrapa no que se refere à cooperação hoje.

O assessor da DE apresentou um breve histórico do desenvolvimento da agricultura no Brasil nas últimas cinco décadas que se mistura com a criação da Embrapa. “A pujança do agro brasileiro é fruto de investimentos em C&T e capacitação de pessoal nessa área”, afirmou. A ciência que move a agricultura do País resultou em números impactantes, entre os quais destacam-se: o aumento de 65 vezes na produção de carne de frango; 509% de grãos; 315% de arroz e 240% de milho e trigo.

Os três principais pilares do desenvolvimento agrícola brasileiro são: a transformação de solos ácidos e pobres em terras férteis, a tropicalização de plantas e animais e a criação de uma plataforma de desenvolvimento sustentável. Amaral afirmou que estamos vivenciando hoje o fenômeno de tropicalização do trigo no Cerrado. “Há resultados impressionantes na região que mostram uma produtividade de 8 toneladas por hectare, o que é o dobro da média internacional, de aproximadamente 3 a 4 toneladas por hectare, além da qualidade altíssima do grão para o processamento”, complementou.

No mesmo painel, participou a CEO da startup NAILA IoT, Nayana Machedo. Ela apresentou as soluções tecnológicas desenvolvidas pela empresa, que aliam robótica e sustentabilidade para reduzir o uso de água e fertilizantes na agricultura.

Estreitar laços em segurança alimentar e desenvolvimento sustentável

O Ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, destacou na abertura do evento que o objetivo é estreitar os laços entre o Brasil e os países africanos, especialmente com foco na segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. Dados das Nações Unidas apontam que apenas 13% do continente terá condições alimentares até 2030. Ele afirmou aos embaixadores presentes que: “O Brasil dispõe de práticas a oferecer. A trajetória do País na agricultura tropical ao longo das últimas cinco décadas, quando passou de importador de alimentos para um dos mais importantes players do agro mundial, está à disposição do continente para enfrentar os desafios alimentares”.

O Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Marcos Montes, que representou a Ministra Tereza Cristina no evento, ressaltou que a agricultura é o principal vetor de desenvolvimento dos países para cumprir os objetivos previstos pela Agenda 2030. Segundo Montes, dois pilares são fundamentais para aliar segurança alimentar e desenvolvimento sustentável: a elaboração de políticas pró-desenvolvimento e o fortalecimento de um ambiente que estimule a inovação tecnológica. “Vale destacar que a parceria é uma via de mão-dupla, ou seja, paralelamente a transferência de conhecimentos e tecnologias por parte do Brasil, é fundamental que a África se abra como mercado para comercialização de produtos nacionais”, afirmou o Secretário.

O Embaixador de Camarões e decano do grupo africano, Martin Mbeng, ressaltou que a cooperação entre o Brasil e o continente já vem sendo implementada com sucesso há mais de 20 anos. “Muitas tecnologias da Embrapa foram transferidas para beneficiar os cultivos de algodão e milho, por exemplo, e estão em uso na agricultura africana, que é a atividade de maior importância econômica, responsável por 15% do PIB do continente”, frisou. Mbeng lembrou ainda que hoje há 250 milhões de pessoas na África em condições de insegurança alimentar. “Ao mesmo tempo, o continente mantém 6% de todas as áreas agricultáveis do Planeta. A colaboração com o Brasil pode nos tornar a cesta de alimentos do mundo”, pontuou.

A deputada federal Bia Kicis (PSL/DF) e o vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gedeão Pereira, também ressaltaram a importância da Embrapa para o fortalecimento do agro brasileiro e reforçaram a necessidade da maior interação entre Brasil e África para o desenvolvimento sustentável do agro mundial e cumprimento da Agenda 2030.

 

Cooperação técnica é um instrumento privilegiado de desenvolvimento

O presidente da ABC, Embaixador Ruy Pereira, apresentou a importância da cooperação técnica para os diplomatas africanos. Segundo ele, a cooperação técnica é um instrumento privilegiado de desenvolvimento. Desde o início dos anos 2000, a África tem crescido como polo econômico fundamental nesse sentido. Segundo Pereira, a transferência de conhecimento é capaz de estimular o desenvolvimento de capacidades autônomas.

O Embaixador ressaltou que hoje há 32 acordos de cooperação técnica com os países africanos, com 75 projetos em andamento. “A África ocupa lugar de destaque na cooperação internacional brasileira, com um terço dos projetos em execução atualmente no exterior”, pontuou.

Cooperação acadêmica, financeira e empresarial

Durante o evento, foi realizado ainda um painel sobre cooperação acadêmica, com a participação do representante do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Daniel Vargas, e da professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) Jaqueline Sgarbi. Ela ressaltou oportunidades de capacitação para alunos de países africanos e ele falou sobre a necessidade de fortalecer a cooperação em ações de PD&I capazes de acelerar a transição para a economia verde.

No painel sobre cooperação financeira, a CEO do Standard Bank, Natália Dias, apresentou as oportunidades de financiamento para agricultores africanos de todos os portes, pequeno, médio e grande. Segundo ela, a instituição financeira é a única de origem africana presente em outros países. “Hoje o setor de agronegócio é o que possui maior potencial para avançar e a África pode ser vista como um grande mercado para exportação dos produtos brasileiros”, acrescentou.

O último painel reuniu representantes de empresas e associações para apresentar aos embaixadores africanos possibilidades de cooperação empresarial. Participaram o gerente de agronegócios da Apex-Brasil, Márcio Rodrigues, e os representantes da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Icce Garbelini; Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Isis Sardela; Instituto Daniel Franco, Daniel Franco (presidente) e da Sempre Sementes, Igor Reis (diretor). Eles destacaram tecnologias e capacitações disponíveis nas áreas de suínos, aves e melhoramento genético.

Todos os painéis foram moderados pelo Diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do MRE, Embaixador Alexandre Ghislene.

Fernanda Diniz (MtB/DF 4685/89)
Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD)

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