30/05/22 |   Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Colaboração da Embrapa a países africanos é discutida em evento do Banco Islâmico de Desenvolvimento

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Foto: reprodução internet

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A ciência é o principal caminho para a garantia de segurança alimentar no mundo nas próximas décadas. Essa foi a tese defendida pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, na manhã deste domingo, dia 29, durante o evento virtual das reuniões anuais do Banco Islâmico de Desenvolvimento (IsDB) 2022, sediado em Sharm El-Sheikh, Egito. O principal objetivo do IsDB na África é reduzir a pobreza no continente. 

A partir do relato da experiência brasileira, que em quase cinco décadas transformou a capacidade produtiva do País, Celso Moretti demonstrou como foi possível a a transição do Brasil da condição de mercado importador para se tornar um dos maiores players exportadores de alimentos do planeta. “Por meio do investimento em pesquisa, o Brasil testemunhou a mudança de um cenário de pobreza rural, ausência de tecnologia e desconhecimento limitado dos nossos biomas, em uma verdadeira revolução agropecuária, pautada pela ciência, tecnologia e inovação”, disse.

Celso Moretti citou os três pilares estratégicos que transformaram a agricultura no Brasil: Transformação dos solos ácidos em férteis, tropicalização de espécies e plataforma de agricultura sustentável com diferentes atores (governo, universidades, setor privado). Durante o evento, representantes do IsDB propuseram a assinatura de um Memorando de Entendimentos com a Embrapa. O assunto agora será discutido buscando sua viabilização. 

Sobre as possibilidades de contribuição entre a Embrapa e países da África, o presidente lembrou a trajetória de cooperação com o continente e o potencial de transferência de tecnologia desenvolvida no País para região do cinturão tropical. “Adaptamos soja, milho e diferentes gramíneas, além de raças de vacas indianas e europeias, e até um híbrido entre essas duas raças: o Girolando, que permitiu que o Brasil se tornasse o maior exportador de carne bovina e autossuficiente na produção de leite, sem contar o sucesso da produtividade do trigo adaptado”, destacou. “A cultivar de trigo irrigado, desenvolvida pela Embrapa, bateu recorde mundial de produtividade: 9.630 kg/ha”, disse.  

Moretti relatou que, nas duas últimas décadas, a Embrapa participou de projetos no Togo, Mali, Burkina Faso, Chade e Benin com foco na produção de algodão e, em parceria com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), desenvolveu iniciativas em Moçambique, Maputo e no vale de Nacala. “Há três semanas participei de reuniões no Egito, onde houve interesse em testar o trigo tropical da Embrapa, e onde assinamos um Memorando de Entendimento com o Centro de Pesquisa Agrícola (ARC)”, reforçando a importância da identificação de projetos estratégicos bilaterais.

 

Apoio à segurança alimentar pós-pandemia

Intitulado “Beyond Recovery: Leveraging ARD Innovations & Agro-preneurships to Safeguard Food”, o encontro teve como objetivo contribuir para o conhecimento global relacionado à importância das inovações da ARD (Agricultural Research for Development) do agronegócio para lidar com as mudanças no período pós-pandemia da covid-19, no que se refere à agricultura e à segurança alimentar.  

Um dos principais destaques dos debates foi a construção de sistemas alimentares nos países membros do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a partir da troca de experiências que subsidiem a identificação de futuros  investimentos do banco, para a adoção da estratégia do IsDB para o período de 2023-2025.

Além da pandemia e dos impactos econômicos associados, que repercutiram na situação sobre a vida de mais de 120 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza globalmente em 2020, este ano o conflito entre Ucrânia elevou os preços de alimentos e fertilizantes, representando, segundo o ICBA,  uma ameaça à capacidade de recuperação de países em desenvolvimento.

De acordo com a organização, no início de 2022, o BID iniciou a adoção de estratégicas para readequar prioridades de investimento em países membros, com o objetivo de potencializar a recuperação, combater a pobreza e a construção da capacidade de adaptação e impulsionar o crescimento econômico. Para isso, no período de 2023-2025, está sendo planejado o apoio com base na agricultura inteligente, para o aumento da produtividade e a segurança alimentar, no melhoramento do acesso de pequenos produtores a mercados remunerado e o investimento em cadeias de valor da pecuária, com a participação do setor privado.

Participaram da reunião a diretora de Práticas Agrícolas Globais do IsDB, Nur Abdi, do vice presidente de Operações Nacionais, Mansur Muhtar, da enviada especial para Sistemas Alimentares da Organização das Nações Unidas  (ONU) e presidente da Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra), Agnes Kalibata, do ministro da Agricultura, Indústria Animal e Pesca de Uganda, Frank Tumwebaze, do ministro da Agricultura, Pecuária e Pescas de Benim, Gaston Dossouhoui, Diretor-Geral Adjunto ONU FAO Próximo Oriente e Norte da África na FAO, Abdul Hakim Elwaer, do vice-presidente da OCP África, Moulay Lahcen Ennahli,do vice-presidente e chefe de Negócios da Olam International, Arjit Jain, e da diretora geral interina da ICBA, Tarifa Al Zaabi, instituição que coordenou o evento.

 

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