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Mariangela Hungria recebe Prêmio Norman Borlaug da ABAG

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Foto: Jorge Duarte

Jorge Duarte - Mariângela recebe o prêmio da superintendente da OCB Tania Zanella

Mariângela recebe o prêmio da superintendente da OCB Tania Zanella

O Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em São Paulo (SP), neste dia 1 de agosto, homenageou a pesquisadora da Embrapa Soja Mariangela Hungria, com o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade. Durante o evento, o presidente da Embrapa, Celso Moretti, moderou o painel entitulado Agronegócio: Tecnologia e Integração, que contou com três debatedores: Ana Helena de Andrade, Presidente da ConectarAGRO, Luis Pogetti, presidente do Conselho de Administração do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e Renato Ribeiro Rodrigues, conselheiro da Rede ILPF.

Durante o painel sobre Agronegócio: Tecnologia e Integração, Moretti ressaltou que a tecnologia, está no cerne do desenvolvimento do agronegócio brasileiro, tanto que a ciência e a inovação foram capazes de transformar o Brasil, de grande importador de alimentos, nas últimas cinco de décadas, na maior potencial agrícola e ambiental. “Vale lembrar que, usando 30% do nosso território (lavoura, pecuária e florestas), alimentamos mais de 800 milhões de pessoas e preservamos 2/3 do nosso território na forma de matas e florestas nativas”, afirma. “Isso não é pouco e precisamos mostrar essa realidade para o público urbano, para os tomadores de decisão e também para o público internacional. Precisamos levar essa mensagem do que é o agro brasileiro: um setor moderno e pujante”, diz.

Ao abordar a questão da integração, também presente na temática do painel, Moretti enfatizou a necessidade de integração do território brasileiro ao se adotar uma logística mais moderna. “Além do investimento em logística, penso que integração lembra também a adoção das tecnologias que usamos no agro brasileiro (tecnologia digital, biotecnologia, nanotecnologia) e que permitem produzir com mais sustentabilidade. A integração está presente ainda nos sistemas integrados de lavoura, pecuária e florestas”, reforça. As discussões no painel foram permeadas pela necessidade de investimento em infraestrututra de telecomunicação para tornar o campo conectado e ainda mais produtivo. Também foram debatidos dois grandes desafios globais: o aquecimento do planeta e a demanda crescente por maior produção de alimentos, de forma sustentável. Neste sentido, a recuperação das pastagens degradadas, por meio da adoção dos sistemas de Integração Lavoura, Pecuária, Floresta, foi apontada como estratégia para mitigação dos gases de efeito estufa e até mesmo para a conversão dessas pastagens, em créditos de carbono.

Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade
Ao receber o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade, Mariangela passa a fazer parte de uma galeria que hoje conta com 11 contemplados, sendo o primeiro deles o idealizador da Embrapa, Eliseu Alves. Outros dois embrapianos também já foram contemplados: o pesquisador João Kluthcouski, da Embrapa Arroz e Feijão, e o presidente Celso Moretti. “Quando fui informada que havia sido contemplada com o prêmio, um filme passou pela minha mente e pelo meu coração e percebi que a sustentabilidade sempre esteve presente na minha vida”, afirma. Desde pequena, a pesquisadora conta que esteve envolvida com a preservação dos rios, oceanos e, principalmente, do solo. “Solo pelo qual me apaixonei e que tem sido amor fiel, aquele que é para toda vida”, afirma. “Não consegui acreditar que estivesse à altura de antigos contemplados, a começar pelo Dr. Eliseu Alves, idealizador da empresa à qual dediquei minha vida científica, a Embrapa”, diz emocionada. 

A pesquisadora Mariangela Hungria foi contemplada com Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade, por sua carreira dedicada às pesquisas que usam microrganismos em substituição total ou parcial aos fertilizantes químicos. A sua trajetória científica é marcada pelo desenvolvimento de pesquisas sobre biodiversidade microbiana, microbiologia do solo e fixação biológica do nitrogênio. Vale ressaltar sua contribuição para os avanços da cultura da soja, em especial, pelo desenvolvimento de tecnologias relacionadas à fixação biológica do nitrogênio (FBN). Essa tecnologia utiliza bactérias que retiram o nitrogênio da atmosfera e o disponibilizam para a soja. Somente na safra passada, a solução gerou economias de cerca de R$ 38 bilhões em importações de adubos nitrogenados.

Além dessa contribuição para a cultura da soja, Mariangela também coordenou pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) para a cultura do feijoeiro, Azospirillum para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias e coinoculação de rizóbios e Azospirillum para as culturas da soja e do feijoeiro e pastagens.  “A meta é inovar em tecnologias para produzir cada vez mais com menos, ou seja, aumentando a eficiência no uso da terra, água, energia e insumos. Sem dúvida, o solo, com seus microrganismos fantásticos, é o ponto inicial da jornada rumo à segurança alimentar que todos almejam”, destaca Mariangela.

Reconhecimento profissional
Em 2020, Mariangela Hungria foi classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com estudo da Universidade de Stanford (EUA). Intitulado “Updated science-wide author databases of standardized citation indicators”, o trabalho foi realizado a partir de um banco de dados mundial com sete milhões de cientistas e publicado no prestigioso periódico PLOS Biology. 
Em 2022, a pesquisadora ficou na primeira posição brasileira no recém-lançado ranking dos 100 principais cientistas em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) publicado pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial. A pesquisadora também recebeu o Prêmio FPA, outorgado pelo Instituto Pensar Agro e pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), durante a cerimônia de comemoração pelos dez anos do Código Florestal. Além disso, o Prêmio Fundação Bunge anunciou os contemplados para sua 66ª edição, em 2022. Mariangela Hungria será homenageada na categoria “Vida e Obra”, em Crédito de carbono e agricultura regenerativa. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada em 10 de novembro, em São Paulo (SP).

Currículo
Mariangela possui graduação em Engenharia Agronômica (Esalq/USP), mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ) e pós-doutorado em três universidades: Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla. A pesquisadora é comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Integra o quadro da Embrapa desde 1982 e está lotada na Embrapa Soja desde 1991. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina e do curso de Bioinformática na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Mariangela foi representante da área ambiental e do solo da Sociedade Brasileira de Microbiologia por 20 anos, foi a primeira presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e atuou como vice-presidente e presidente da Relare (Reunião da Rede de Laboratórios para a Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola), que reúne representantes da pesquisa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do setor privado. Também faz parte do comitê coordenador do projeto N2Africa, financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates para projetos de fixação biológica do nitrogênio na África, além de projetos com praticamente todos os países da América do Sul e Caribe, além de países da Europa, Austrália, EUA e Canadá.

 

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