Uso do gesso agrícola na cultura da soja em solos da região de Cerrado

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Os solos ácidos e pobres em nutrientes da região do Cerrado eram imprestáveis à agricultura. Formas de limpeza e preparo do terreno, e de correção da acidez dos solos, foram desenvolvidas, assim como fórmulas de fertilização, processo reconhecido internacionalmente como “a construção do solo agrícola do Cerrado”. Há que se ter em conta que a região do Cerrado tem aproximadamente 80% de sua área com algum problema de acidez – como excesso de alumínio associado a baixos teores de cálcio, neste contexto a solução tecnológica ganha ainda mais importância. Além disso, em solos ácidos a deficiência de cálcio não ocorre apenas na camada superficial, sendo o problema constatado também abaixo dos primeiros 20 centímetros do solo. Sendo assim, apesar da tecnologia ter sido desenvolvida em diferentes experimentos baseados na cultura do milho, da soja, do café e de pastagens, em razão da exigência do rigor científico que pauta o trabalho da Embrapa, a tecnologia é aplicável de forma genérica para o preparo e manutenção de solos de Cerrado para cultivos em geral.

A deficiência de cálcio, associada ou não a toxidez de alumínio, ocorre também abaixo da camada arável. Na camada arável é utilizado o calcário. Mas a calagem não corrige a acidez e a deficiência de cálcio da subsuperfície em tempo razoável para evitar o risco de perda de produtividade devido aos veranicos, pois as raízes das plantas só crescem onde o calcário foi incorporado e, consequentemente, onde têm acesso a um volume pequeno de água. A tecnologia desenvolvida, baseada no gesso agrícola (sulfato de cálcio), permite proporcionar plantas com um sistema radicular mais desenvolvido, mais profundo, sendo capazes de explorar um volume maior de solo em busca de água e nutrientes, melhorando a produtividade e a resistência a períodos de estiagem.

Tecnicamente, ao se aplicar o gesso agrícola no solo cuja acidez da camada arável foi corrigida com calcário, depois de sua dissolução, o sulfato movimenta-se para camadas inferiores acompanhado por cátions, especialmente, o cálcio. Com a movimentação de cátions para a subsuperfície, o teor de cálcio e magnésio aumenta, e a toxidez de alumínio diminui. Isso melhora o ambiente do solo para as raízes se desenvolverem. Os efeitos são observados no ano agrícola de aplicação do gesso.

Uma das grandes vantagens da tecnologia é que permite a manutenção do sistema de plantio direto em longo prazo, sem interrupção por aração para incorporação de calcário, uma vez que viabiliza a melhora do perfil químico do solo em profundidade dadas às propriedades combinadas do gesso agrícola e dos solos de Cerrado.

Quem ganha com isso

Produtores de soja e cultivos em geral da região dos Cerrados.

Abrangência geográfica

Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Distrito Federal, bem como áreas de Cerrado existentes em outros estados.

Benefício econômico

O uso do gesso agrícola na cultura da soja na região do Cerrado representou uma economia estimada em R$ 319 milhões na safra 2014/2015.

Parceiros

Embrapa Cerrados, Agronelli e Nutrion.

Esta solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições.

Prática agropecuária: Prática agropecuária Ano de Lançamento: 1995

Bioma: Cerrado

Onde Encontrar:
Embrapa Cerrados
BR 020 Km 18
Planaltina, DF - Brasil - CEP 73310-970
Caixa Postal: 08223
Fone: (61) 3388-9898 - Fax: (61) 3388-9879