Manejo de açaizais nativos de florestas de várzea para produção de frutos

Informe múltiplos e-mails separados por vírgula.

imagem

Foto: Rosa, Ronaldo

Visa aumentar a população de açaizeiros que ocorrem naturalmente na floresta de várzea, por meio de três ações de manejo, que proporcionam incremento de produção e na renda dos produtores. Baseia-se na eliminação das plantas de espécies arbustivas e arbóreas de baixo valor comercial, cujos espaços livres são ocupados por plantas de açaizeiros oriundas de sementes que germinam espontaneamente, de mudas preparadas ou transplantadas das proximidades e por outras espécies produzidas especialmente para esse fim. Não exige investimento em infra-estrutura, consiste na realização das seguintes práticas: Limpeza da área (roçagem da vegetação de menor porte e eliminação de parte das árvores maiores); desbastes dos perfilhos/estipes das touceiras de baixo vigor vegetativo; preparo/aquisição e plantio de mudas de açaizeiros, frutíferas e florestais; manutenção do açaizal. Com a técnica de manejo, a produtividade do açaizeiro pode dobrar de 4,2 t/ha para 8,4 t/ha de frutos.

As maiores concentrações de açaizais na Amazônia ocorrem em solos de várzeas e igapós, compondo ecossistemas de floresta natural ou em forma de maciços. No sistema tradicional (não manejado) as plantas de açaí e de outras espécies espontâneas se distribuem na área de maneira irregular, favorecendo a competição por espaço e luz, e há uma inadequação do manejo das touceiras que prejudicam o desenvolvimento da planta e, por conseguinte, afetam o potencial de produção. Todos esses fatores provocam sobremaneira a baixa produtividade da planta por unidade de área.

A tecnologia consiste em três ações de manejo. A primeira é conduzir o açaizal para a manutenção de 400 touceiras de açaizeiros por hectare, com 5 estipes adultos (produzindo), 4 estipes Jovens (estipes > 2m ) que ainda não produziu e 3 perfilhos (estipes > 30cm < 2m). A segunda é manter a diversidade florestal com 200 árvores: 120 finas (CAP entre 15 e 60cm), 40 médias (CAP entre 60 e 120cm) e 40 grossas (CAP > 120cm), além de 50 palmeiras de outras espécies, sendo 30 jovens e 20 adultas (produzindo). Por fim, é necessário manejar o ambiente florestal para transformá-lo em açaizal, combinando os açaizeiros com as demais espécies vegetais existentes na floresta utilizando-se de técnica, trabalho e consciência ecológica.

Quem ganha com isso: Agricultores familiares, pequenos proprietários de agroindústrias, médios proprietários de agroindústrias, associações, sindicatos e cooperativas.

Benefícios econômicos e sociais: Do ponto de vista econômico, o resultado positivo foi expressivo, apresentando benefício estimado de aproximadamente 127 milhões de reais, no ano de 2015, sendo que esse efeito se refere apenas ao segmento primário, não sendo apropriados os reflexos sobre os demais elos da cadeia. O ganho unitário por hectare ficou em torno de R$ 4.284,94, o que demonstra o excelente retorno econômico da tecnologia. Por sua vez, a área de adoção está estimada em 59.280 hectares. Estima-se que foram acrescentados 220 postos de trabalho com a adoção da tecnologia ao longo da cadeia produtiva, além de gerar efeito positivo na renda, proporcionando maior segurança e estabilidade ao produtor.

A Região Norte, com uma produção de 184.253 toneladas, em 2014, concentra quase que a totalidade da produção extrativa de açaí em âmbito nacional, com aproximadamente 93%. Desse total, o Estado do Pará foi responsável pela produção de 109.759 toneladas, cerca de 60% da produção. Estima-se que, em 2015, a área de adoção da tecnologia esteja em torno de 59.280 hectares implantados, seguindo as práticas preconizadas pela tecnologia.

Parceiros: A participação complementar decorre das ações de outras instituições, como o Museu Paraense Emílio Goeldi, na geração de pesquisa e de outras instituições governamentais, não-governamentais e empresas privadas, como a EMATER e agroindústrias que participam das etapas de treinamento e organização dos produtores.

Prática agropecuária: Prática agropecuária Ano de Lançamento: 1999

Bioma: Amazônia

Onde Encontrar:
Embrapa Amazônia Oriental
Trav. Dr. Enéas Pinheiro s/nº
Caixa Postal, 48 Belém, PA - Brasil CEP 66095-100
Fone: (91) 3204-1000 - Fax: (91) 3276-9845

Galeria de imagens