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Dia de Campo mostra produção leiteira em sistemas ILPF

Foto: Liliane Castelões

Liliane Castelões -

Cerca de 250 pessoas participaram, em 2 de março, do  Dia de Campo sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) na Pecuária Leiteira, no Centro de Transferência de Tecnologias de Raças Zebuínas com Aptidão Leiteira (CTZL), unidade da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), localizada no Gama (DF).

A Chefia da Unidade foi representada no evento pelo chefe de Pesquisa e Desenvolvimento Marcelo Ayres e pelo chefe de Transferência de Tecnologias Sebastião Pedro. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) teve como representante o coordenador de Agropecuária Conservacionista, Florestas Plantadas e Mudanças Climáticas, Elvison Ramos.

Em quatro estações, os pesquisadores da Embrapa Cerrados abordaram os seguintes temas: Produtividade e conforto leiteiro em sistema ILPF, Opções de consórcios de milho com forrageiras - Sistema Santa Fé, Produção de leite em área de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Opções de cultivares e manejo de pastagens.

Uma das áreas onde ocorreu o Dia de Campo é uma Unidade de Referência Tecnológica – URT de ILPF. O histórico da URT foi apresentado pelo analista Luiz Carlos Balbino. A implantação teve início em 2013, com o plantio de sorgo forrageiro e de eucaliptos. No ano seguinte, foi plantado o capim Brachiaria brizantha – BRS Piatã. No período de 2015/2016 foi realizado o cultivo de soja, seguida, em 2016/2017, pela formação da pastagem utilizando capim Panicum maximum cv. Mombaça e capim Brachiaria brizantha - BRS Paiaguás. Atualmente há 1.963 árvores de eucaliptos no local.

Em 2017 teve início o experimento que avalia a produtividade e conforto térmico dos animais em sistema ILPF, tanto na área em pleno sol quanto na área sombreada. De acordo com a pesquisadora Isabel Ferreira, as medições, feitas no período de janeiro a junho de 2017, indicaram menor produção de forragem (39%) na sombra e também menor produção (10%) de leite do sistema. Já a produção individual de leite foi maior (mais 2 kg vaca/dia), na sombra, nos meses mais quentes (setembro-outubro).

A menor produção de leite do sistema se justifica pela menor taxa de lotação na área de sombra. Como as árvores ocupam espaço, 16 vacas estão nessa área, enquanto que em pleno sol estão 20 animais. Para o produtor a compensação financeira virá futuramente com a comercialização da madeira. A parte florestal do sistema é considerada a “poupança” do produtor.

Para calcular o índice de conforto térmico dos animais, a pesquisadora mediu a temperatura ambiente, umidade, vento e radiação solar. A temperatura corporal das vacas foi avaliada por termografia por infra-vermelho e apresentou diferença de um grau entre os ambientes. O período da tarde é o mais desfavorável tanto no ambiente de pleno sol quanto o de sombra.

A influência da sombra é notada pelo comportamento dos animais. As vacas que estão na sombra ficam em pé nos piquetes e ruminam por mais tempo, com isso, elas têm menos gasto energético que é direcionado para a produção de leite. Já as que estão no sol passam a maior parte do tempo deitadas em ócio. Outra observação é a de que as vacas com pelagem escura procuram mais a sombra.

Produção de leite em ILP – o sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP) foi implantado, em 2012/2013, nos 13 hectares onde é realizada a Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro. A área foi preparada com milho e capim Brachiaria brizantha - BRS Piatã e é dividida em 16 piquetes. Em média, o rebanho passa dois dias em cada um dos piquetes, e 32 dias no descanso.

A pastagem nessa área, de acordo com o analista Álvaro Moraes Neto, é mantida com adubação de manutenção e com ajuste de carga. O manejo alimentar dos animais que estão na prova inclui suplementação de acordo com a necessidade dos animais. Essa alimentação (pasto mais suplementação) pode alterar alguns elementos que compõem o leite, principalmente, a gordura e proteína.

A média de produção de leite dos animais, classificados como superiores, que participaram da 1ª Prova foi de 12.43 kg leite/dia. Entre os animais intermediários foi 9.81 kg leite/dia. Os percentuais de gordura e proteína no leite foram considerados altos nos 20 animais da Prova. A média foi de 4% de gordura e 4,66% de proteína.
Os atributos do leite, como gordura, proteína e contagem de células somáticas, na opinião do pesquisador Carlos Frederico Martins, deveriam ser bonificáveis pelo laticínio. Outro componente do leite, a proteína Beta Caseína, está em estudos. A fração A2 é menos alergênica e com esse leite pode ser produzidos produtos diferenciados, como leite e queijo artesanal.

“A maior parte das alergias é proveniente da Beta Caseína A1. Nós estamos triando a fração A2, que causa menos alergias. Para isso fazemos exames de DNA nas vacas para identificar esta característica”, explicou Martins.

O pesquisador avaliou que o manejo alimentar (pastejo rotacionado associado à suplementação) garantiu que todos os animais participantes da 1ª Prova expressassem seu potencial genético para produção de leite de qualidade e bonificável.

Sistema agropastoril - os pesquisadores João Kluthcouski e Luiz Adriano Maia Cordeiro apresentaram alguns dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) desenvolvidos pela Embrapa. Entre eles, Barreirão, Santa Fé, Santa Brígida, Santa Ana, Vacaria e Feno Tropical. Em todos há diversificação de culturas na mesma área em rotação, consórcio ou sucessão.

Estima-se que 11,5 milhões de hectares no Brasil estão em sistema ILP. Entre os pecuaristas que adotam o sistema, a agricultura é usada em benefício da sua atividade principal (pecuária). Isso porque após a colheita dos grãos, a pastagem apresenta maior qualidade e quantidade.

Em muitos casos, a ILP é utilizada para recuperação de pastagens degradadas. Outros benefícios para os pecuaristas são a maior produção de carne ou leite, redução do uso de suplementação alimentar, maior liquidez e rentabilidade da pecuária.

Opções de cultivares e manejo de pastagens - para o pecuarista usufruir da qualidade do pasto é preciso saber manejar a pastagem e também escolher as cultivares adequadas às condições de sua propriedade. Os pesquisadores Gustavo Braga e Allan Kardec Ramos abordaram as recomendações de uso de algumas variedades de forrageiras, entre elas, BRS Zuri, BRS Quênia, BRS Ipyporã, BRS Tamani e BRS Paiaguás.

Quanto maior é a oferta de forragem, maior o desempenho animal. Por isso, é tão importante o manejo da pastagem. O conceito, como frisou Allan Kardec Ramos, é amplo, envolve solo, planta forrageira, animal, instalações e equipamentos. O pesquisador chamou a atenção da necessidade do produtor gerenciar a entrada e saída do animal no pasto. “Se não der para controlar nos dois momentos, escolha a saída para evitar o superpastejo que leva a degradação do pasto ou a depressão na produtividade animal”, aconselhou.

 

 

Liliane Castelões (16.613 MTb/RJ)
Embrapa Cerrados

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