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Sugestões de Pautas

A Embrapa possui, em seu acervo científico-tecnológico, resultados de pesquisas com impacto social, econômico e ambiental para o Maranhão, estado de grande potencial para o  desenvolvimento agropecuário onde quase metade da população vive e trabalha no meio rural. São cerca de 220 mil estabelecimentos rurais espalhados nos 33 milhões de hectares que compõem o estado maranhense.

Em parceria com diversas instituições, dentre as quais destacam-se a Universidade Estadual do Maranhão - UEMA o Instituto Estadual do Maranhão – IEMA,  o Instituto Federal do Maranhão - IFMA, Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão - Agerp, Secretaria de Agricultura Familiar – SAF e Secretaria de Agricultura Pecuária e Pesca - SAGRIMA, a Unidade da Embrapa no Maranhão desenvolve projetos de pesquisa e transferência de tecnologia. Importante citar a participação da Embrapa Cocais em projetos e programas em rede nacional liderados pela Embrapa e presentes no Maranhão, a exemplo da Integração Lavoura Pecuária Floresta – ILPF, Embrapa & Escola, Minibibliotecas da Embrapa, Projeto Hortas Pedagógicas, Balde Cheio, Bem Diverso, Fundo Amazônia, entre outros.

Vamos conhecer parte do trabalho de pesquisa e transferência de tecnologia, desenvolvido pela Unidade da Embrapa no estado, bem como os impactos na realidade local.

A biofortificação de alimentos no Brasil, coordenada   pela Embrapa, tem como essência enriquecer alimentos que já fazem parte da dieta da população mais carente, como arroz, feijão, feijão-caupi, mandioca (macaxeiras), batata-doce, milho, abóbora e trigo, a partir do aumento dos teores de ferro, zinco e vitamina A, introduzindo alimentos mais nutritivos na dieta dessas pessoas. O objetivo é diminuir a desnutrição e garantir maior segurança alimentar, além de combater fortemente a chamada “fome oculta”, que é a carência específica de micronutrientes. Para isso, busca também a promoção do aumento da produção e do consumo de alimentos biofortificados nas diversas regiões do Brasil, por intermédio do fortalecimento de uma rede para a transferência de tecnologias com abrangência nacional. A recomendação, no Maranhão, baseia-se nos cultivos de feijão-caupi (BRS Araçê e BRS Tumucumaque), mandioca (BRS Dourada, BRS Jari e BRS Gema de Ovo), batata-doce (Beauregard), milho (BRS 4104). Um arroz rico em micronutrientes – o arroz biofortificado - está em processo de desenvolvimento pela Embrapa. Além da qualidade nutricional, são também incorporadas boas características agronômicas, como produtividade, resistência à seca e a pragas, o que, por sua vez, gera boa aceitação pelo mercado, consumidores e produtores. Atualmente, os cultivos biofortificados no estado estão presentes em praticamente todos os municípios, beneficiando muitas famílias. Saiba mais em https://biofort.com.br/rede-biofort/

Um arroz rico em zinco – o arroz biofortificado - está em processo de desenvolvimento pela Embrapa Cocais em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Agroindústria de Alimentos no âmbito da Rede BioFORT. Uma das ações de pesquisa foi a caracterização para teor de zinco dos 550 genótipos da coleção nuclear da Embrapa, que representam toda variabilidade genética do banco de germoplasma da Empresa. O teor de zinco variou entre 11,2 e 45,7 ppm (partes por milhão). Nas cultivares de arroz mais plantadas no estado do Maranhão, o teor médio de zinco encontrado é de 16 ppm. Foi encontrada uma linhagem com valor máximo de 45 ppm e os cruzamentos com as cultivares comerciais estão em andamento, visando testar essas progênies no Maranhão. O objetivo é obter uma cultivar com o conteúdo de zinco no grão superior a 28 ppm e que agregue todas as características desejáveis de uma boa cultivar - como alta produtividade, resistência a pragas e doenças e qualidade de grãos, e que produza grãos com boa aceitação pelo mercado. A expectativa é chegar à cultivar biofortificada em até 10 anos. O processo de biofortificação é feito a partir do cruzamento entre as melhores linhagens de plantas da mesma espécie, conhecido como melhoramento genético convencional.

O Maranhão é o 1º estado produtor de arroz da Região Nordeste e o 5º produtor nacional, porém não é autossuficiente na produção deste cereal. No entanto, tem grande potencial de desenvolvimento, áreas, solo, clima, além de ser o arroz um alimento tradicional no estado. A Embrapa Cocais, em parceria com outras Unidades da Embrapa, instituições estaduais e municipais, universidades e ainda iniciativa privada, vem desenvolvendo grande esforço para alavancar a cadeia produtiva do arroz no Maranhão. Para isso, tem feito a transferência do conhecimento científico e tecnológico da Embrapa, especialmente de princípios e práticas agronômicas recomendadas para manejo integrado. São tecnologias sustentáveis de manejo adaptadas à realidade do Maranhão que vêm promovendo a gradativa elevação da produtividade dessa cultura e melhoria da qualidade dos grãos produzidos. Denominada Lavoura de alta tecnologia - LavTec, o acesso a esse conhecimento científico e tecnológico passa pela construção de Unidades de Referência Tecnológica – URTs, instrumento que permite produtores e técnicos vivenciarem, na prática, os efeitos das tecnologias aplicadas. As culturas são beneficiadas por arranjos de produção que englobam correção do solo, preparo de área, adubação equilibrada, espaçamento, densidade de semeadura, uso de cultivares mais adaptadas e rústicas, rotação de culturas, delineamento de cultivo, controle de plantas invasoras, manejo de pragas e doenças, colheita e pós-colheita. Entre as cultivares de arroz recomendadas para as variadas condições edafoclimáticas do estado estão a BRS Pepita, BRS Monarca, BRS Sertaneja, BRS Esmeralda, BRS MA 357, BRS Catiana e BRS Pampeira. Esse conjunto de informações tecnológicas ajudam o produtor na tomada de decisão e promovem o uso racional dos insumos com elevação da produtividade e da qualidade do arroz, com redução de custos e consequente melhoria da sua renda. Saiba mais em https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1035337/lavtec-lavoura-de-arroz-irrigado-com-aplicacao-de-alta-tecnologia-na-baixada-maranhense.

É uma tecnologia que busca a diversificação da produção na propriedade do agricultor familiar e permite organizar a produção da família em faixas, separando as espécies cultivadas de forma que não haja competição entre elas por nutrientes, água, luz e espaço. Planta-se arroz, milho, feijão-caupi, mandioca e batata doce, com ênfase nas variedades em uso na região e incluindo variedades bioforticadas. Além do consórcio, o sistema preconiza a rotação de culturas com uso de “safrinha”, prática que intensifica o uso da terra e maximiza o aproveitamento do período chuvoso. São repassadas a pequenos produtores técnicas de manejo do solo, manejo de pragas e doenças, fertilidade e arranjos espaciais, permitindo o uso mais eficiente da terra com sustentabilidade, conservação e manejo adequados do solo. A adoção do CRIAF propicia também a redução da carga de trabalho. A transferência da tecnologia é feita diretamente nas comunidades rurais familiares por meio de Unidades de Referência Tecnológica - URTs e com a participação dos técnicos e produtores das regiões. O objetivo é a construção do conhecimento e a promoção do desenvolvimento regional pelo empoderamento dos atores locais envolvidos. O retorno social é a melhoria da produtividade, segurança alimentar e renda do pequeno produtor familiar. Em termos ambientais, ao incentivar o consórcio e a rotação de culturas, a tecnologia permite incremento na ciclagem de nutrientes, melhor e maior manutenção da biodiversidade, melhoria da conservação do solo, controle de ervas daninhas, manejo de pragas e doenças das culturas. Essa é a grande lógica do sistema: diversificar com sustentabilidade e aprender fazendo.

Embora o estado do Maranhão tenha reconhecido potencial para a produção de mandioca, no cenário atual no Estado prevalece à baixa produtividade das lavouras, com a média de 8.706 kg por hectare, muito abaixo da média nacional, que é de 14.356 kg por hectare (IBGE 2019). Para exemplificar ainda mais a baixa produtividade das lavouras maranhenses, entre os 217 municípios que possuem área plantada com mandioca, apenas três apresentam produtividade acima da média nacional. Se compararmos a produtividade das lavouras maranhenses com as lavouras do estado do Acre, estado que ocupa o primeiro lugar no ranking de produtividade no País, a produtividade no Maranhão é aproximadamente um terço da produtividade acreana. Outra característica da mandiocultura - não só no Maranhão, mas também em todo o Brasil - é uma grande participação da mão de obra no custo de produção da cultura. Assim, a viabilização da cultura da mandioca no Norte-Nordeste brasileiros passa inevitavelmente pela redução dos custos de produção, o que, por sua vez, passa por diminuir a dependência do trabalho humano a partir da mecanização de algumas atividades, a exemplo do plantio e da colheita. Há ainda outros gargalos da cultura no estado, como ausência de maniva-semente na época de cultivo e o cultivo tradicional (corte e queima, com mistura de várias espécies sem espaçamento definido), Para modificar essa realidade da mandiocultura maranhense, a Embrapa Cocais executa conjuntamente o  projeto Rede de multiplicação e transferência de manivas-semente de mandioca com idade genética e fitossanitária  (RENIVA) e o Consórcio Rotacionado para Inovação na Agricultura Familiar  (CRIAF). Nos experimentos em Belágua, as variedades locais obtiveram produtividade maior com o uso dessas técnicas, o que comprova que o problema não é a variedade, mas a forma de cultivo. Também faz parte do trabalho de transferência de tecnologia a realização de cursos para técnicos e agricultores em municípios maranhenses, inclusive sobre processamento da raiz de mandioca. A análise dos impactos ambientais, sociais e econômicos da incorporação de práticas agroecológicas e variedades biofortificadas tem sido positiva.

No Maranhão, a Embrapa Cocais lidera projeto de pesquisa e transferência de tecnologia que objetiva melhorar a produtividade das lavouras de mandioca e a qualidade das raízes, matéria-prima para a produção da cerveja Magnífica, cerveja tipicamente maranhense feita com mandioca produzida no estado do Maranhão. A cervejaria Ambev fez a demanda à Embrapa Cocais, que propôs testar 250 clones e 12 cultivares da Embrapa, além de variedades locais já usadas pelos produtores do estado, para selecionar genótipos com alto teor de amido. O projeto, além de selecionar genótipos adaptados para as mais diferentes condições edafoclimáticas do Maranhão, inclui o treinamento de agricultores, técnicos e multiplicadores em mecanização da cultura (plantio mecanizado e colheita semimecanizada), manejo da cultura da mandioca, cooperativismo, associativismo e empreendedorismo comunitário e ainda produção de manivas sementes. O trabalho de avaliação das características agronômicas dos genótipos e definição de tecnologias para maximizar o potencial das lavouras e raízes repercutirá também na qualidade dos demais subprodutos de mandioca. Em 2020, foram iniciados os experimentos e as capacitações em práticas de manejo para recomendar, no final do projeto, pelo menos uma cultivar com alta produtividade de raízes e alto teor de amido. Procura-se produtividade acima de 30 toneladas por hectare e teor de amido igual ou maior a 30%. Os trabalhos serão desenvolvidos em diferentes polos de produção, como Magalhães de Almeida, Itapecuru Mirim e Pedro do Rosário (em quatro safras distintas), totalizando 12 experimentos em quatro anos de projeto. Acredita-se que a pesquisa irá contribuir para o estabelecimento de um novo mercado, a partir do desenvolvimento das cadeias produtivas e economia local. Entre as tecnologias da Embrapa que serão transferidas no decorrer do projeto estão a Rede de multiplicação e transferência de maniva-semente de mandioca com qualidade genética e fitossanitária (RENIVA) e o Consórcio Rotacionado para Inovação na Agricultura Familiar (CRIAF). Serão implantadas Unidades de Referência Tecnológica – URTs das cultivares que demonstrarem maior potencial produtivo para treinamento de técnicos e produtores tanto no monocultivo da mandioca como no sistema consorciado, em cada município de abrangência do projeto.  

O Projeto Rede de multiplicação e transferência de maniva-semente de mandioca com qualidade genética e fitossanitária (RENIVA), possibilita produzir cultivares comprovadamente livres de doenças e pragas; disponibilizar manivas de plantas de mandioca para serem multiplicadas em larga escala; validar genótipos de mandioca em diversos ambientes; resgatar variedades tradicionais, entre outros benefícios. Para se ter ideia do ganho propiciado pela tecnologia, uma planta madura gera cerca de dez manivas-sementes e, com as técnicas de multiplicação do Reniva, esse número pode chegar a 400 mudas. A inovação é a mudança na forma de plantio da maniva (caule da mandioca). Em vez de enterrar todo o caule-semente de forma desordenada no solo, e de uma só vez, o a iniciativa ensina a cortar esse caule por etapas, replantando a semente para que ela se multiplique. Além do ganho de produtividade e qualidade no sistema de produção da mandioca, o Reniva proporciona sustentabilidade e competitividade para a cultura ao disponibilizar manivas em quantidade suficiente e nos períodos de maiores demandas, em função das melhores épocas de plantio. O projeto, no Maranhão, iniciou em 2015 com a instalação de oito Unidades de Aprendizagens - UAs nos Território da Cidadania do Baixo Parnaíba e dos Cocais, nos seguintes municípios: Araioses, Brejo do Maranhão, Chapadinha, Urbano Santos, Codó, Caxias e Matões.

é uma alternativa de produção que muda a forma de uso da terra para recuperar áreas degradas ou alteradas e atingir patamares cada vez mais elevados de qualidade do produto, qualidade ambiental e competitividade ao integrar diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. Possibilita que o solo seja usado economicamente durante todo o ano, favorecendo o aumento na oferta de grãos, carne e leite a um custo mais baixo, preservando e melhorando, ao mesmo tempo, a estrutura, a umidade e a matéria orgânica dos solos. O ILPF é reconhecidamente viável também por contribuir para melhorar a capacidade produtiva dos animais (fertilidade, ganho de peso e produção de leite) e das pastagens (melhoria da fertilidade e conservação do solo). A tecnologia ainda permite a redução do uso de agroquímicos, da abertura de novas áreas para fins agropecuários e do passivo ambiental, pois possibilita aumentar a biodiversidade e controlar os processos erosivos com a manutenção da cobertura do solo. No Maranhão, há Unidades de Referência Tecnológica - URT da tecnologia em diversos municípios com foco na recuperação de áreas degradadas de pastagem e a redução das emissões de gases de efeito estufa, alguns dos compromissos ambientais firmados pelo Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Mais recentemente, está em processo pesquisa com a palmeira babaçu como componente florestal do sistema. Saiba mais em https://www.redeilpf.org.br/

Dados de pesquisas, ainda em andamento, mostram que a palmeira babaçu pode ser usada em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-floresta - ILPF com resultados promissores, comprovando vantagens da manutenção dessa palmeira nativa nas áreas de pastagem e, consequentemente, do extrativismo do babaçu como atividade produtiva das comunidades tradicionais do entorno de propriedades voltadas à criação de gado bovino de corte. A ILPF é uma tecnologia de produção agrossilvipastoril desenvolvida pela Embrapa e em pleno processo de expansão no Brasil que permite o uso da terra de maneira integrada para produção de lavoura, pecuária e floresta em consórcio e/ou sucessão em uma mesma área. O experimento foi implantado em 2017 na Fazenda Muniz, no município de Pindaré-Mirim, estado do Maranhão. Os resultados obtidos até o momento demonstram que a utilização do sistema ILPF com a palmeira babaçu como componente florestal possui alto potencial de impacto social, uma vez que valores substanciais de renda podem ser gerados pelas comunidades do entorno a partir da extração e aproveitamento integral dos frutos da palmeira. Além disso, o sistema pode gerar impactos agronômicos e zootécnicos positivos. A descoberta abre perspectivas para a integração das pastagens com o babaçu no estado do Maranhão e em outros ambientes da Amazônia e de Cerrado onde há ocorrência natural da palmeira babaçu com as pastagens.

Em 2018, o Brasil assumiu, na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), o compromisso de reduzir 37% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) até o ano de 2025 e uma redução de 43%  até o ano de 2030, em comparação com o que o País emitiu no ano base para os cálculos, o ano de 2005. Para alcançar essa meta, comprometeu-se em fortalecer o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), o qual contempla a recuperação de pastagens degradadas e a adoção de sistemas integrados de produção como medida mitigatória. A iniciativa também dissemina práticas de agricultura de baixa emissão de carbono e sensibiliza produtor rural para que invista na sua propriedade para obter retorno econômico ao mesmo tempo que preserva o meio ambiente. Na Embrapa Cocais, acaba de ser encerrado o projeto ABC Monitor, iniciado em 2016, cujo objetivo foi monitorar sistemas de produção no Cerrado maranhense e indicar tecnologias a serem implantadas para sequestro de carbono. Entre elas, as refere¬ntes à recuperação de pastagens degradadas, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e de Sistemas Agroflorestais (SAFs), Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Florestas Plantadas (FP) e Tratamento de Dejetos Animais (TDA). O estudo foi feito em parceria com a Embrapa Cerrados. Foram implantadas Unidades de Referência Tecnológicas – URTs e capacitações em 153 fazendas. Comprovou-se que, em fazendas que não houve intervenção, ocorreu mais emissão de carbono. A partir dessa iniciativa, surgiram outras pelo País apoiadas pelo Banco Mundial em estados que possuem o Cerrado como vegetação. Esse projeto que se encerra cria condições para futuros trabalhos, em parceria com a Embrapa Gado de Corte, no Programa Carne Carbono Neutro, que visa atestar a carne bovina produzida em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta), por meio de uso de protocolos específicos que possibilitam o processo de certificação.

é uma iniciativa conduzida em rede nacional pela Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para manejo e uso sustentável da biodiversidade e de sistemas agroflorestais (SAFs). Trabalhando em seis territórios e com diversas plantas e produtos extrativos, o projeto visa assegurar os modos de vida das comunidades tradicionais e agricultores familiares, gerando renda e melhorando a qualidade de vida. No Maranhão, o Território do Médio Mearim, na região dos Cocais, é o espaço onde se desenvolve as ações do projeto Bem Diverso. O Território compreende 16 municípios onde mais de 40% da população vive na área rural e tem como fonte complementar de renda o extrativismo do babaçu, espécie definida como prioritária pelo Bem Diverso. No Estado, o projeto foi iniciado em 2015 e tem atividades planejadas até 2020. Em diagnóstico analítico realizado no âmbito do Bem Diverso e durante a última edição do BabaçuTec  - evento que discute a pesquisa de forma participativa, buscando a produção conjunta de conhecimento para atender as demandas das quebradeiras de coco - a Embrapa Cocais, em parceria com outras Unidades da Embrapa e instituições locais de pesquisa do Maranhão, propôs o desenvolvimento das seguintes atividades de pesquisa, em andamento: formulação de rações balanceadas contendo coprodutos agroindustriais de babaçu (torta de babaçu, subproduto restante da extração do óleo) para pequenos ruminantes (caprinos e ovinos); desenvolvimento e adaptação de protótipos para quebra do coco e extração de mesocarpo, em fase de validação; formulação de sabonete de babaçu e construção de perfil agroindustrial mínimo para sua produção (com apoio de consultoria); novos processos alimentícios com babaçu; e, ainda, organização, sistematização e disponibilização de informações sobre procedimentos para formulação e operação de organizações de extrativistas de babaçu. Mais informações sobre o Bem Diverso em http://bemdiverso.org.br/.

Projeto da Embrapa Cocais com recursos do Bem Diverso cujo objetivo é desenvolver novos processos e produtos alimentícios feitos com a amêndoa de babaçu visando ocupar novos nichos de mercado a partir da agregação de valor ao produto. O propósito é promover a interação de conhecimentos técnicos e tradicionais, aumentando o valor agregado da produção artesanal com a inclusão das quebradeiras de coco no desenvolvimento desses processos e produtos. Entende-se o crescente interesse por alimentos artesanais abre oportunidades de mercado ao babaçu como matéria-prima, inclusive para a alta gastronomia. O objetivo é desenvolver produtos considerando as condições específicas das quebradeiras de coco e suas práticas tradicionais, sem imprimir muitas modificações à forma como elas vêm praticando o processo, mas estabelecendo melhorias, padronizações - incluindo as de qualidade e segurança alimentar - tendo em vista também aceitação sensorial do produto, agregação de valor às amêndoas quebradas e diversificação de produção. Os principais produtos a serem obtidos das amêndoas pelo projeto são o leite (extrato hidrossolúvel) e o queijo de amêndoa. O estudo abarca diferentes exigências do mercado de alimentos: nutrição, saúde, qualidade e segurança alimentar, serviço ambiental, valorização dos produtos da culinária regional e da cultura regional, gastronomia e turismo, entre outros, além de permitir a inclusão social das quebradeiras de coco. Como parte do projeto, a Embrapa Cocais, a Embrapa Agroindústria Tropical e a Cooperativa das Quebradeiras de Coco Babaçu de Itapecuru-Mirim – Coobavida assinaram acordo de cooperação em projeto de inovação social da Embrapa para melhorar as potencialidades alimentícias do coco babaçu. Há ainda outros estudos sobre alimentos com o babaçu, como é o caso do biscoito e do sorvete, criações das quebradeiras de coco a serem analisadas do ponto de vista sensorial e tempo de prateleira.

A inclusão da torta de babaçu surge como uma alternativa alimentar para cabritos em terminação, visando agregar qualidade e influenciar no desempenho e composição de ácidos graxos, é tema de pesquisa da Embrapa Cocais e parceiros. O estudo busca avaliar o desempenho, qualidade e o perfil de ácidos graxos da carne de cabritos alimentados com níveis de torta de babaçu na dieta. A dieta com níveis crescentes de torta de babaçu apresentou aumento de ácido láurico e místico que influenciaram positivamente a fermentação ruminal contribuindo consequentemente com a composição e qualidade de ácidos graxos na carne, o que é desejável para o consumidor que busca uma carne cada vez mais saudável. Com base nessa avaliação, a inclusão de até 18% de torta de babaçu na dieta de cabritos é recomendada.

Atendendo demanda das quebradeiras de coco babaçu identificada durante as oficinas regionais do Babaçutec (evento da Embrapa Cocais que discute temas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação - P&D&I para a cadeia de valor do babaçu), está sendo  desenvolvido (em fase de validação) um protótipo de uma ferramenta de uso individual para quebra do coco. O resultado é uma ferramenta ergométrica que permite que a extração das amêndoas seja feita com a pessoa sentada em uma estação de trabalho em posição ergonômica correta, evitando problemas de saúde decorrentes do sistema tradicional para quebrar o coco. Os recursos para o desenvolvimento da ferramenta vieram da Fundação de Amparo e Desenvolvimento Científico do Maranhão (Fapema) e do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), por meio do Projeto Bem Diverso, fruto da parceria entre Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A ferramenta está sendo testada pelas quebradeiras de coco nas regiões do Vale do Itapecuru, Pindaré-Mirim e Médio Mearim para sugestão de ajustes e adequações às suas necessidades de trabalho e de rendimento da produção. A ferramenta é uma tecnologia social, pois pode contribuir na melhoria das condições de trabalho e renda de milhares de mulheres que vivem do extrativismo do babaçu.

é um evento realizado pela Embrapa Cocais com a participação de quebradeiras de coco e outros agroextrativistas para construir iniciativas em benefício da cadeia do babaçu. Nas primeiras edições, debatia temáticas estritamente técnico-científico e, ao longo do tempo, se tornou espaço de diálogo e troca de conhecimentos destinado ao planejamento, avaliação e validação de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para comunidades agroextrativistas no intuito de agregar valor aos produtos e coprodutos da palmeira babaçu. O BabaçuTec estimulou a Embrapa Cocais a priorizar uma abordagem metodológica que valoriza e garante a participação efetiva das comunidades tradicionais desde o princípio na definição de projetos de pesquisa. Todos os projetos e atividades de PD&I da Embrapa Cocais relacionados ao babaçu atualmente em execução foram elaborados a partir das demandas desse evento: as atividades do Bem Diverso, ILPF com babaçu, novos alimentos feitos de babaçu, ferramenta para quebra de coco, “torta” de babaçu, entre outros. Essa experiência mostrou ser possível articular demandas coletivas em projetos e ações institucionais, a partir de espaços de diálogos com os principais beneficiários. O evento também representa um espaço de valorização das mulheres quebradeiras de coco babaçu, trazendo a discussão de políticas públicas, inovações tecnológicas, geração de renda e negócios, tendo se tornado destaque na plataforma Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas – ONU como exemplo de experiência inovadora e bem sucedida. Saiba mais em https://www.embrapa.br/cocais/busca-de-noticias/-/noticia/45392888/experiencia-da-embrapa-e-destaque-em-plataforma-ods-da-onu.

A participação é realizada por meio de atividades variadas e palestras realizadas por seus pesquisadores, analistas e técnicos desde a primeira edição do evento. Tudo começou quando a Embrapa Cocais propôs projeto para os chefs de cozinha conhecerem resultados da pesquisa agropecuária de impacto na culinária maranhense. A visita foi feita à comunidade de Pedrinhas e ao assentamento Cristina Alves com os chefs, o que gerou receitas originais com produtos culinários genuinamente maranhenses, como arroz torrado, feijão biofortificado e produtos do babaçu - incluindo a “torta” de babaçu para alimentar caprinos com resíduos do babaçu - todos com potencial de valor agregado mediante técnicas de alta gastronomia. O objetivo do Festival é incentivar o potencial e as peculiaridades da culinária de origem maranhense, tornando-se um elo entre o produtor, a cozinha tradicional e o consumidor final e permitindo ainda a troca de conhecimento entre a pesquisa, os chefs, as comunidades agroextrativistas e os consumidores. A participação da Embrapa Cocais no Festival tem contribuído para integrar as cadeias produtivas ao conectar e valorizar seus integrantes, desde os produtores e as comunidades extrativistas de quebradeiras de coco e quilombolas que produzem os alimentos, os chefs que os transformam em obra de arte até o consumidor final.

Desenvolvido e coordenado pelo Ministério da Cidadania e pela Embrapa, com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, é uma política para a segurança alimentar e nutricional por meio da educação e ainda ferramenta de aprendizagem para estudantes do 1º ao 9º do Ensino Fundamental. O projeto Hortas Pedagógicas forma cidadãos conscientes da importância da alimentação saudável, conhecedores dos processos para obtenção dos alimentos, passando do manejo da terra, plantio, cultivo, colheita, armazenamento, preparo etc. até chegada ao prato dos consumidores. Nas escolas, as hortaliças são consumidas na merenda escolar. Do ponto de vista pedagógico, é uma ferramenta educativa prática,  interativa, interdisciplinar, transversal, integradora (escola – aluno – família – comunidade) e multifuncional (vertentes social, econômica, ambiental, entre outras), que contribui para conscientização alimentar e ambiental e ainda pode ajudar a formar multiplicadores de boas práticas e futuros empreendedores. No Maranhão, a etapa piloto foi implantada pela Embrapa Cocais e parceiros municipais e estaduais. Inicialmente, duas escolas públicas municipais de São Luís, uma na área urbana e outra na zona rural, receberam o projeto, que tem perspectiva de expansão para mais escolas da capital e do estado. São responsáveis pela execução do projeto no estado a Embrapa Cocais, secretarias municipais da Prefeitura de São Luís, como a Secretaria Municipal de Educação – SEMED, por meio do Núcleo de Educação Ambiental – NEA, a Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento – Semapa e a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão – Agerp, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura Familiar – SAF, Secretaria Municipal de Segurança Alimentar – SEMSA, Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento de São Luís - Seplan e outras secretarias municipais associadas.

Na região metropolitana de São Luís, capital do Estado do Maranhão, visando contribuir com o desenvolvimento da agricultura urbana e periurbana, nos municípios de São Luís, Raposa, São Jose de Ribamar e Alcântara, a Embrapa Cocais está iniciando o Projeto de Hortas Comunitárias, com recursos financeiros do Ministério da Cidadania e em parceria com instituições locais e atores interessados. O objetivo é a inclusão socioprodutiva de famílias que se encontram em condições de vulnerabilidade econômica e de insegurança alimentar e a ampliação de ações de práticas agrícolas urbanas em espaços públicos abertos, em busca de mais garantia de alimentação saudável e incremento de renda. A iniciativa também pretende formalizar um número maior de parcerias públicas e privadas e pode contribuir para uma divulgação dos impactos positivos da agricultura urbana. O projeto tem a duração de um ano e serão instaladas Unidades de Aprendizagens – UAs de 2000 a 3000 m2, sendo cinco hortas comunitárias e três hortas pedagógicas compostas de canteiros de hortaliças, área de compostagem e telado para produção de mudas, com sistema de irrigação e cercados. As hortas comunitárias serão instaladas em organizações formais (associações, cooperativas e centro terapêutico) e em estabelecimento de ensino da rede pública. O trabalho utilizará metodologias participativas, “aprender e fazendo”, capacitações e oficinas com os parceiros locais e atores sociais e educativos.   

É uma metodologia inovadora de transferência de para promover o desenvolvimento sustentável da pecuária leiteira, atendendo a demanda de extensionistas de entidades públicas e privadas e de produtores de leite de todo o Brasil. Para tal, usa-se pequena propriedade produtora de leite, usualmente de base familiar, participante do projeto como ‘sala de aula prática’, para apresentar como a propriedade se tornou exemplo de desenvolvimento sustentável em todos os aspectos: técnico, econômico, social e ambiental. No Maranhão, o projeto teve início em 2008, em uma parceria entre a Embrapa Pecuária Sudeste (Unidade da Embrapa líder do projeto) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE-MA, Regional de Imperatriz-MA. Desde então, mais de 2 mil produtores de leite foram beneficiados no Maranhão. Atualmente, cerca de 60 propriedades participam do projeto em 16 municípios da Região Tocantina, mais os municípios de Presidente Dutra e Bacabal, incluídos nessa nova fase do projeto. Trabalha-se para expandir o projeto no estado. As propriedades participantes são monitoradas quanto aos impactos ambientais, econômicos e sociais no sistema de produção após a adoção das tecnologias. Nas Unidades Demostrativas – UDs, os técnicos são treinados em temas como manejo intensivo de pastagens, irrigação de pastagens, produção e conservação de forragens (feno e silagem), balanceamento da dieta, manejo alimentar do rebanho, manejo reprodutivo e sanitário, conforto e bem-estar animal, boas práticas para retirada do leite etc.  O principal resultado esperado é que os produtores se tornem gerentes da propriedade e possam tomar decisões acertadas para obter retorno econômico da atividade e ainda recuperar a autoestima e a dignidade, permitindo a fixação da família no meio rural. Em relação ao extensionista, o resultado é o restabelecimento da importância da extensão rural como fator essencial para o desenvolvimento sustentável da atividade leiteira no País.

é uma fonte de financiamento de projetos de integração da Amazônia que atuam nos diferentes estados componentes dessa região. Unidades da Embrapa na Amazônia e ainda outras que tenham expertise para complementar os estudos da região atuam na execução de 19 projetos do Fundo. Os recursos são oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e Fundo Amazônia, geridos pela Fundação Eliseu Alves – FEA. No Maranhão, a Embrapa Cocais participa de projetos com as seguintes vertentes para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal. Na Vertente 1- Monitoramento do desmatamento e da degradação florestal e serviços ecossistêmicos, estão sendo executados os projetos ASEAM TERRAmz. O Projeto ASEAM que visa a construção do conhecimento e sistematização de experiências sobre valoração e pagamento por serviços ecossistêmicos e ambientais no contexto da agricultura familiar amazônica. O Projeto TERRAmz visa contribuir com a Gestão Territorial Local (GTL) em áreas-piloto prioritárias na Amazônia, a partir da análise e monitoramento de dados sobre uso da terra, degradação florestal, emissões de gases de efeito estufa e disponibilidade de recursos naturais, por meio de metodologias participativas, bases de dados disponíveis e conhecimentos compartilhados. Na Vertente 2: Restauração, Manejo florestal, e Extrativismo, estão sendo executados os projetos MFE_AMAZON, +SEMENTES e INOVAFLORA. O projeto MFE_AMAZON visa promover a troca entre o conhecimento científico sobre manejo florestal e o conhecimento local sobre extrativismo para a conservação da biodiversidade, a geração de renda e qualidade de vida para as populações locais e o desenvolvimento de territórios rurais na Amazônia. O projeto +SEMENTES visa fornecer subsídios para o fortalecimento da cadeia produtiva de sementes e mudas de espécies nativas da Amazônia. O projeto INOVAFLORA visa constituir um ambiente para promover a inclusão sócio produtiva, o intercâmbio de conhecimentos, avaliar e validar tecnologias florestais de baixo carbono que favoreçam os processos de conversão de áreas abandonadas e degradadas em áreas produtivas, e a ampliação de oferta de serviços ambientais pela pequena produção familiar no Bioma Amazônia. Na Vertente 3: Tecnologias Sustentáveis para a Amazônia estão sendo executados os projetos TECFRUTI, MANDIOTec e HORTAMAZON. O projeto TECFRUTI visa desenvolvimento territorial com ações participativas (pesquisa – agricultor) que propiciem conhecimentos, estratégias e práticas tecnológicas sustentáveis, com base nos principais problemas que limitam o crescimento da fruticultura levantados nas oficinas realizadas nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. O projeto MANDIOTec visa transferir e introduzir tecnologias para o aumento da produtividade, viabilidade socioeconômica e ambiental com agregação de valor a cadeia produtiva da mandioca no bioma Amazônia como alternativa ao sistema tradicional da agricultura na Amazônia (sistema corte e queima) e disponibilizar conhecimentos sobre estratégias diferenciadas de manejo e conservação do solo para o cultivo de mandioca. O projeto HORTAMAZON visa promover a adoção de inovações tecnológicas por agricultores de hortaliças na Amazônia, com vistas a aumentar a produtividade dessas espécies e, com isso, proporcionar aumento da oferta de alimentos no mercado, da renda familiar, da segurança alimentar e da qualidade de vida dessas populações. Para execução desses projetos na Amazônia maranhense, estão sendo articuladas parcerias: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, organizações não governamentais, secretarias de Estado da Agricultura Familiar – SAF, de Meio Ambiente – SEMA e da Agricultura e Pecuária – SAGRIMA, Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural- AGERP,  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, Fundação Nacional do Índio - FUNAI, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Saiba mais em https://www.embrapa.br/fundo-amazonia.

O projeto tem duração até 2020 e está sendo conduzido no município de Belágua, no território da cidadania do Baixo Parnaíba. Esse município encontra-se entre aqueles com mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) no estado do Maranhão, fazendo parte do programa estadual Mais IDH. O projeto objetiva ter agricultores familiares treinados e capacitados para a utilização de técnicas de cultivo sustentável da mandioca biofortificada, voltada para o mercado consumidor local e regional, com qualidade superior e valor agregado. Em avaliação de impacto -  com a introdução e incorporação do consórcio de culturas anuais, adubação verde, adubação de cobertura e variedades de macaxeira biofortificadas - os resultados apresentaram um alto desempenho socioambiental, com destaque positivo para a redução do uso do fogo para o preparo de área, a agregação de valor e o aumento da gestão e administração da propriedade.

O projeto visa à construção do conhecimento e transferência de tecnologias sustentáveis e à recuperação dos sistemas agroflorestais, com ênfase em fruticultura, por meio de implantação das Unidades de Referência Tecnológicas (URTs), capacitações e intercâmbio de agentes multiplicadores, buscando o desenvolvimento territorial e redução de impactos no Maranhão. Em 2019, foram selecionados quatro municípios para participarem do projeto - Zé Doca, Itapecuru Mirim, Açailândia e Cidelândia. Nesses locais, foram realizados quatro cursos sobre seleção de espécies para composição de sistemas agroflorestais com fruteiras, com a participação de 166 pessoas.

O projeto visa à construção do conhecimento e transferência de tecnologias sustentáveis na produção de hortaliças, por meio de implantação das Unidades de Referência Tecnológicas (URTs), capacitações e intercâmbio de agentes multiplicadores, buscando o desenvolvimento territorial e redução de impactos no Maranhão. Foram selecionados quatro municípios  -  Arari, Itapecuru Mirim, Açailândia e Governador Newton Bello - para instalação das URT’s, capacitação e intercâmbio de agentes multiplicadores sobre manejo e práticas de cultivo sustentáveis que promovam o aumento da produção e da produtividade de hortaliças e facilitem a socialização, a adoção das tecnologias e ainda auxiliem as atividades de transferência de tecnologia. 

Avaliação de impacto mostrou que a produtividade média de feijão-caupi (feijão-de-corda) em 16 municípios do Maranhão mais que dobrou depois da utilização da tecnologia de inoculantes de rizóbio para fixação biológica de nitrogênio (FBN), passando de 515 quilogramas por hectare em 2016 para 1.170 quilogramas por hectare em 2018. Analistas da Embrapa visitaram 12 agricultores de quatro regiões: Joselândia, Santo Antônio dos Lopes, Bernardo do Mearim e Lima Campos. Todos aprovaram a tecnologia e perceberam ainda melhor desenvolvimento da cultura, com plantas mais vigorosas, mais altas e com maior número de folhas. Dezesseis cidades aplicaram a FBN ao longo dos últimos dois anos: Bernardo do Mearim, Esperantinópolis, Igarapé Grande, Lago do Junco, Lago da Pedra, Lago do Rodrigues, Lima Campos, Pedreiras, Poção de Pedras, São Raimundo do Doca Bezerra, São Roberto, Trizidela do Vale, Capinzal do Norte, Joselândia, Santo Antônio dos Lopes e São Luís Gonzaga do Maranhão. Ao todo, 300 agricultores foram beneficiados.

É um conjunto de medidas básicas para a “organização do quintal”, transformando a atividade em um sistema semi-intensivo a partir da utilização de recursos locais e materiais rústicos existentes na própria propriedade (como palha de babaçu, madeiras roliças, talos de coco babaçu e barro, além de equipamentos alternativos em substituição a comedouros e bebedouros comerciais, barateando o custo da instalação). Há manejos alimentar, sanitário, produtivo e reprodutivo diferenciados.  Nesse sistema de criação, as aves são separadas por lotes, de acordo com as fases de criação (idade), minimizando a ocorrência de doenças. Entre os detalhes desse sistema, está a oferta regular de alimentos balanceados e elaborados segundo a necessidade das aves, encurtando em mais da metade o tempo necessário para se obter uma ave caipira pronta para o abate: de cinco a seis meses. O Procap também alavanca a produção de ovos, podendo, inclusive, se tornar carro-chefe da atividade. Destaca-se também como ponto positivo da tecnologia a valorização do recurso genético local, pois emprega as galinhas caipiras naturalizadas, mais rústicas, de valor agregado e adaptadas ao sistema de criação. O processo de multiplicação da tecnologia é realizado por meio de Unidades Demonstrativas - UDS. Entre as vantagens do Procap estão contribuição para a segurança alimentar, graças à produção de carne e ovos; ocupação de mão de obra rural; geração de renda por meio dos excedentes de produção com consequente melhoria da qualidade de vida do produtor e fortalecimento da agricultura familiar no estado. A tecnologia atingiu 18 municípios e mais de 300 famílias.

“Pacote” de soluções tecnológicas integradas,  em fase de avaliação de impactos, consiste na integração do tripé peixe, aves e húmus, em associação e/ou rodízio com outras atividades da cadeia alimentar, tendo, como ponto central da produção integrada, a piscicultura intensiva praticada em pequenos tanques construídos com materiais diversos de baixo custo. O baixo custo, o Sisteminha Em rapa utiliza tanque rústico e pode ser composto de madeiras e talos amarrados por fios de garrafa pet ou afins, podendo ser revestido por argila ou papelão, que forma as “paredes”, e, por fim, sendo recoberto com a lona plástica, para a retenção de água. O tanque para a produção de peixes tem capacidade para 8 mil litros de água. Todos os módulos do sistema de produção se beneficiam, em algum momento, da produção de nutrientes oriundos do tanque de peixes, capaz de produzir cerca de 40 quilos de tilápia em três ciclos por ano. Ao final de cada ciclo, os peixes chegam a pesar de 150 a 200 gramas. A partir da recirculação dos nutrientes provenientes do tanque de peixes, é possível obter um sistema de produção integrado e escalonado de frutas e hortaliças - irrigados com efluentes e resíduos sólidos gerados do tanque - aves e pequenos animais. A tecnologia poderá conter até 15 módulos, sendo eles: 1. Produção de peixes, 2. Produção de ovos de galinhas; 3. Produção de frangos de corte; 4. Produção de minhocas; 5. Produção vegetal (hortaliças, chás e temperos; frutíferas e madeireiras); 6. Produção de composto; 7. Produção de ovos de codorna; 8. Produção de porquinhos da Índia; 9. Aquaponia; 10. Produção de larvas de moscas; 11. Produção de ruminantes; 12. Produção de suínos; 13. Biodigestor; 14. Sistema de tratamento de água potável; 15. Carvoaria artesanal. Entre as vantagens do sistema estão: a) baixo custo de investimento inicial; b) solução integrada, que pode ser facilmente adaptada às necessidades, experiências, preferências do produtor e condições edafoclimáticas e de mercado local; c) apropriada para pequenos espaços (a partir de 100 m2 até 1000 m2), em áreas urbanas e rurais; d) dimensionada para atender às necessidades nutricionais de uma família de quatro pessoas no atendimento às recomendações nutricionais da Organização Mundial da Saúde - OMS. No Maranhão, o Sisteminha já beneficiou 3 mil famílias por meio de convênio com a SAF, nos municípios de menor índice de Desenvolvimento Humano – IDH no estado.

A Plataforma Digital de Conhecimento Agroecológico Plataforma Agroecológica - consiste em uma ferramenta de popularização de artigos, livros digitais, dias de campo na TV, Prosa rural, entre outros. Os temas abrangidos pela Plataforma Agroecológica são: agricultura urbana, agroecologia para o público infantil, certificação e sistema de garantia de qualidade, indicadores de análise de agroecossistemas, indicadores de sustentabilidade socioeconômica, legislação e políticas públicas, manejo de pragas, doenças e plantas espontâneas, manejo e valorização da agrobiodiversidade, metodologias participativas, métodos alternativos de produção animal, pós-colheita, agregação de valor e sistema de produção de base ecológica, entre outros temas pertinentes. O usuário pode acessar a base de dados no link http://plataforma.cpacp.embrapa.br/ por meio do uso da ferramenta de busca simples e avançada e informando um dos indexadores: tema, autor, palavras-chave ou ano de publicação ou no site da Embrapa Cocais.

O programa é uma ação que integra a Embrapa e as instituições de ensino das áreas urbanas e rurais, aproximando cientistas, estudantes e professores para estimular nos jovens o interesse pelo conhecimento científico, demonstrando como a ciência está presente na vida de cada um e destacando a contribuição da pesquisa agropecuária para o desenvolvimento nacional. O Embrapa & Escola também fortalece os laços que unem os ambientes urbano e rural, orientando os participantes sobre a necessidade da preservação ambiental, a importância da sustentabilidade e de práticas que garantam uma melhor qualidade de vida. Por meio desse programa, a Embrapa Cocais atende, desde 2011, estudantes das redes municipal, estadual e particular de ensino de várias formas: visita dos alunos à sede da Embrapa, palestras de especialistas da Unidade às escolas, a exposição de maquetes em eventos agropecuários, passeios dos alunos a vitrines tecnológicas e capacitação de professores para o uso das Minibibliotecas da Embrapa. 

Para contribuir com a universalização do acesso ao conhecimento científico, as minibibliotecas da Embrapa reúnem, em acervo próprio e de forma regionalizada, publicações, vídeos e áudios que divulgam – em linguagem simples e didática – resultados da pesquisa agropecuária de Unidades da Embrapa e parceiros. O objetivo é incentivar a leitura e favorecer a inclusão produtiva no meio rural, tornando disponíveis informações e tecnologias de baixo custo e de fácil aplicação, adequadas à realidade agropecuária das diferentes regiões brasileiras, contribuindo, assim, para a melhoria das práticas agrícolas e a qualidade de vida de seus usuários. Os assuntos variam desde temas de interesses gerais, como preservação, educação ambiental, cidadania e cooperativismo, quanto de interesse específico, como produção de alimentos de qualidade, manejo do solo e da água, cultivo de hortas e quintais, criação de animais e a maneira de iniciar uma pequena agroindústria de alimentos. O público-alvo são comunidades rurais em geral (agricultores familiares, assentados, pescadores artesanais, quilombolas, ribeirinhos e indígenas), professores e estudantes de escolas públicas e privadas, de escolas agrotécnicas e de centros familiares de formação por alternância, extensionistas e demais interessados em informações e tecnologias agropecuárias.

Em 2018, criou-se, no Maranhão, arranjo institucional denominado Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Tecnologia – UMIPTT, fruto do Acordo de Cooperação Técnico-científico e Operacional entre a Embrapa, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA e Instituto Federal do Maranhão – IFMA, O objetivo é o fortalecimento de arranjos produtivos e desenvolvimento regional sustentável, com inclusão e agregação de valor à agricultura familiar e ao agronegócio a partir da união de esforços com instituições parceiras, públicas ou privadas, locais, nacionais ou internacionais, visando à otimização de recursos humanos, financeiros e de infraestrutura. Esse arranjo territorial em rede com atuação em pesquisa, transferência de tecnologia e inovação promove a presença da Embrapa e parceiros onde exista vazio institucional e/ou necessidade de atuação conjunta, sendo a Embrapa articuladora do processo. O acordo de parceria para a estruturação da UMIPTT é de simples cooperação, no qual cada uma das instituições envolvidas diz o que tem condições de aportar. A gestão é compartilhada entre as instituições que compõem a UMIPTT e a operacionalização é feita por projetos, a partir de demandas validadas pelos participantes. O objetivo é viabilizar soluções de pesquisa, aporte tecnológico e organização da produção, visando ao desenvolvimento sustentável, à segurança alimentar e nutricional, à geração de renda e bem-estar às famílias dos agricultores - especialmente os familiares -, indígenas, pescadores, comunidades remanescentes de quilombos e extrativistas da região.

A fossa séptica da Embrapa é um sistema simples desenvolvido para tratar o esgoto dos banheiros de residências rurais com até sete pessoas. Com essa tecnologia, o esgoto é lançado dentro de um conjunto de três caixas d´água ligadas uma a outra e não no solo, córrego ou rio, prática comumente observada em vários locais do País. Ao entrar neste conjunto de caixas d’água, o esgoto é tratado pelo processo de biodigestão que reduz muito a carga de agentes biológicos perigosos para a saúde humana. À medida que vários moradores rurais utilizarem fossas sépticas, espera-se reduzir a poluição do solo, córregos e rios, contribuindo para a preservação da natureza e a melhoria da qualidade do solo e água. Assim, a fossa séptica é um instrumento de saúde pública e de melhoria da qualidade de vida no campo. A Embrapa Cocais realiza capacitações para construção e instalação da tecnologia em diversos municípios maranhenses.

O Maranhão é o terceiro estado maior produtor de açaí no País, perdendo somente para o Pará e o Amazonas. A região noroeste do estado concentra cerca de 67% da produção no estado, mas por falta de manejo adequado desses açaizais nativos, a produção declinou com o passar dos anos. Para difundir conhecimentos sobre tecnologia da Embrapa de manejo de açaizais nativos, a Embrapa Cocais e Secretaria de Estado da Agricultura Familiar – SAF firmaram Acordo de Cooperação Técnica que inclui a Embrapa Amapá, Embrapa Amazônia Oriental. Participam como parceiras do trabalho prefeituras, movimentos locais e todas as secretarias de agriculturas dos municípios da região, em particular a secretaria de agricultura de Amapá do Maranhão, onde foi instalada a Unidade de Referência Tecnológica de Manejo de Açaizais Nativos. O objetivo é formar multiplicadores da tecnologia na região, valorizando o extrativismo local e agregando valor aos produtos da biodiversidade. O projeto começou em 2019 e já se observam bons resultados. A Unidade de Referência Tecnológica – URT, instalada pela Embrapa Cocais e parceiros com recursos do Fundo Amazônia na região tradicional em produção de açaí, ocupa área de 7,5 hectares onde, há 10 anos, produzia-se cerca 1500 latas de açaí. Antes da aplicação do manejo tecnológico, a produção estava para menos de 200 latas do fruto. A técnica baseia-se na limpeza e manutenção de número de plantas de açaí por touceira e na substituição de plantas de espécies arbustivas e arbóreas de baixo valor comercial por outras espécies de valor econômico, como fruteiras e florestais. O segredo está na relação e no equilíbrio entre as plantas de açaí e outras espécies na mesma área, de maneira a permitir uma maior entrada de luz para o desenvolvimento saudável e mais produtivos das plantas de açaí. A previsão é de que, em cinco anos, a produção ultrapasse a produção original.

A atuação da Embrapa Maranhão tem contribuído para transformação da realidade regional, no apoio técnico à implantação de políticas públicas nas esferas federal, estadual e municipal. São exemplos:

1. Agronordeste: abrange 12 territórios da região nordestina e é voltado para pequenos e médios produtores que já comercializam parte da produção, mas ainda encontram dificuldades para expandir o negócio e gerar mais renda e emprego na região. No Maranhão, o território selecionado foi o Médio Mearim, com atuação em 20 municípios, tendo como polo o município de Bacabal. As cadeias produtivas a serem trabalhadas no Maranhão são bovinocultura corte e leite, fruticultura e piscicultura. O papel da Embrapa Cocais é transferir tecnologias para as cadeias produtivas priorizadas, principalmente via capacitação de agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural - ATERs.

2. Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC): desenvolvido pela Embrapa e parceiros e aplicado no Brasil oficialmente desde 1996, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, proporciona a indicação de datas ou períodos de plantio/semeadura por cultura e por município, considerando as características do clima, o tipo de solo e ciclo de cultivares, de forma a evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis das culturas, minimizando as perdas agrícolas. A tecnologia constitui-se, portanto, em uma ferramenta crucial no apoio à tomada de decisão para o planejamento e a execução de atividades agrícolas, para políticas públicas e, notadamente, à seguridade agrícola. A Embrapa Cocais contribui principalmente com a organização e apoio às reuniões de validação dos dados com os atores locais. 
 
3. Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, também denominado de Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono). O Plano ABC é uma política pública que apresenta o detalhamento das ações de mitigação e adaptação às mudanças do clima para o setor agropecuário e aponta de que forma o Brasil pretende cumprir os compromissos assumidos de redução de emissão de gases de efeito estufa nesse setor. As principais ações da Unidade têm sido no avanço do conhecimento em relação ao balanço de carbono nas propriedades rurais, principalmente as que possuem áreas destinadas à pecuária e a ações de transferência de tecnologia em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta - ILPF.