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A Cultura da Cenoura | voltar ao início


Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun/2008
Autores

Colheita

Dependendo da cultivar, das condições de clima e dos tratos culturais, a colheita da cenoura pode ser feita de 80 a 120 dias decorridos da semeadura. O ponto de colheita e a maneira de colher e de manusear as raízes influem na aparência final e na capacidade de conservação do produto (Figura 1).

Foto: Nozomu Makishima

Fig. 1. Raízes danificadas, impróprias para comercialização

O amarelecimento e secamento das folhas mais velhas e o arqueamento para baixo das folhas mais novas são indicativos do ponto de colheita. O arranquio das raízes pode ser feito manualmente ou semi-mecanizado, acoplando-se uma lâmina cortante no sistema hidráulico do trator.

Esta lâmina, passando por baixo das raízes, afofa a terra do canteiro e desprende as plantas. Assim, após a passagem da lâmina, as raízes podem ser facilmente recolhidas manualmente.

Deve-se arrancar somente a quantidade possivel de ser preparada no mesmo dia. Após o arranquio, a parte aérea é destacada (quebrada) da raiz, ocasião em que se faz uma pré-seleção eliminando as raizes com defeitos.

Em seguida elas são acondicionadas em caixas de madeira ou engradados de plástico e transportadas para o galpão para serem lavadas, selecionadas, classificadas e acondicionadas. Com a seleção descarta-se as raizes com defeitos ou seja, quebradas, rachadas, ramificadas, com galhas, com ombros verdes ou roxos, danos mecanicos, com injurias provocadas por ataque de insetos ou patógenos, ou outras anormalidades que prejudiquem a aparência e a qualidade.

Pequenos produtores possuem maquinas simples para lavar as raizes e a seleção e a classificação são feitas manualmente.Os grande produtores possuem maquinas que lavam, secam e classificam. A seleção e o acondicionamento são feitos manualmente.

Após a lavadas, as raizes são classificadas em classes conforme o comprimento e em categorias ou tipos levando-se em conta a percentagem de raizes com defeitos encontradas na caixa

De acordo com o Programa Brasileiro Para a Melhoria dos Padrões Comerciais e Embalagens implantado pela Companhia de Entrepostos e Armazens Gerais de São Paulo – CEAGESP, a cenoura deve ser classificada em:

Classe 10 = raizes com 10 a menos de 14 cm de comprimento;
Classe 14 = raizes com 14 a menos de 18 cm de comprimento;
Classe 18 = raizes com 18 a menos de 22 cm de comprimento;
Classe 22 = raizes com 22 a menos de 26 cm de comprimento e
Classe 26 = raizes com mais de 265 cm de comprimento.

Os defeitos que podem ocorrer nas raizes da cenoura são considerados graves se prejudicam a aparência, comprometem a qualidade ou a conservação e leves, aqueles que não prejudicam ou não comprometem tanto a aparencia, a qualidade ou a conservação.

Assim, segundo o Programa da Ceagesp, são considerados graves os seguintes defeitos:

  • a podridão mole;
  • a podridão seca;
  • deformação;
  • ombro com coloração verde ou roxa em superfície maior que 10% da raiz;
  • dano mecânico com mais de 10% da superfície da raiz ou 3 milímetros de profundidade;
  • rachadura;
  • injuria por doença ou inseto;
  • aspecto murcho; e
  • lenhoso.

Como defeitos leves são considerados:

  • o ombro verde ou roxo em menos de 10% da superfície;
  • dano mecanico com menos de 3 milímetros de profundidade;
  • corte inadequado da haste;
  • presença de radicelas; e
  • manchas na coloração.


As percentagens admitidas para cada um dos defeitos graves acima referidos estão na Tabela 1.

Tabela 1. Percentagem de raizes com defeitos tolerados por caixa, de acordo com a categoria ou tipo.

Defeitos
Categorias
 
Extra
Cat I
Cat II
Cat III
Podridão mole
0
0
1
3
Podridão seca
0
1
2
5
Deformação
0
1
3
5
Ombro verde/roxo
2
3
4
6
Rachaduras
0
1
2
5
Dano mecanico
1
2
3
5
Injúria por inseto ou doença
0
1
3
5
Aspecto lenhoso
1
2
3
4
Aspecto murcho
0
2
3
4
Total de defeitos graves
3
6
10
20
Total de defeitos leves
4
10
25
100
Total geral de defeitos
6
10
25
100

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Classificação, 2000.
Obs: Os totais não são as somas das porcentagens toleradas em cada tipo de defeito


Acondicionamento

Para o acondicionamento na tradicional caixa K de madeira inicialmente, coloca-se ordenadamente uma camada de raízes transversalmente à fresta deixada pelas duas ripas, para formar a "boca da caixa". O enchimento é feito colocando-se as raízes no sentido longitudinal da caixa e de modo a ocupar todos os espaços e em seguida prega-se a tampa que normalmente, com uma só tabua.

Isto é necessário para evitar que durante o manuseio ou transporte da caixa, ocorram danos mecânicos por atrito ou impacto entre as raízes acondicionadas. Para se identificar a classe e a categoria da cenoura contida na caixa coloca-se um carimbo ou se escreve a classe e a categoria. Ex Classe 14 Cat Extra (Figura 2).

Foto: Nozomu Makishima

Fig. 2. Identificação que deve conter a embalagem

No caso de se utilizar caixa de papelão,não se faz a "boca da caixa", mas as raizes devem ser colocadas ordenadamente, isto é todas no mesmo sentido para melhor acomodação e evitar danos fisicos por atrito no manuseio das caixas. Para se identificar o produto contido na caixa coloca-se um rótulo (Figura 3).

Foto: Nozomu Makishima

Fig. 3. Embalagem em caixas de papelão.

Em algumas regiões, principalmente no Nordeste, a cenoura é ainda embalada em sacos de polietileno ou polipropileno (Figura 4), o que não é recomendável, porque este tipo de recepiente não protege as raizes.

Foto: Nozomu Makishima

Fig. 4. Embalagem em sacos de malha.

Na Tabela 2 estão apresentadas as especificações das dimensões das caixas utilizadas para o acondicionamento da cenoura.

Tabela 2. Embalagens de cenoura admitidas no Brasil.

 
Dimensões em mm
 
Embalagens
Comprimento
Largura
Altura
Sacos de polietileno ou polipropileno – IV
700
-
480
Caixa K – madeira
495
230
355
Caixa papelão ondulado I
490
220
350
Caixa papelão ondulado II
356
205
237









Fonte: Brasil, 1991.

Embora as caixas de madeira ou papelão sejam de alto custo, elas dão maior proteção ao produto e facilitam o manuseio e a identificação do produtor, podendo ainda serem reutilizadas ou recicladas.

Em algumas CEASAS (como exemplo: Entreposto Terminal da CEAGESP em São Paulo), encontra-se em pequena escala, cenouras sendo comercializadas com folhas amarradas em molhos ou maços de um a dois quilos. Neste caso, a colheita é feita quando as plantas estão mais novas e tenras, para que as folhas também possam ser aproveitadas na culinária.

Cultivar da Embrapa