Fazendinha Agroecológica Km 47
Pesquisa, ensino, extensão e transferência de tecnologias

O Sistema Integrado de Produção Agroecológica, conhecido como Fazendinha Agroecológica Km 47, é resultado de uma parceria iniciada em 1993 entre a Embrapa Agrobiologia e a Embrapa Solos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR). Esse projeto foi inicialmente concebido junto à carteira de programação de pesquisa da Embrapa e contou, na ocasião de sua implantação, com o apoio da Prefeitura Municipal de Itaguaí. Atualmente, além das entidades parceiras, recebe incentivos das instituições públicas de fomento à pesquisa e ao ensino Faperj, CNPq e Capes.

A Fazendinha, como é carinhosamente chamada, está localizada em Seropédica, na Baixada Fluminense, e ocupa uma área de aproximadamente 70 hectares, sendo um espaço voltado ao exercício da agroecologia e ao desenvolvimento de trabalhos de pesquisa científica e de ensino em agricultura orgânica. Nela também são realizadas atividades de capacitação e trocas de experiências entre técnicos, agricultores e demais cidadãos interessados em conhecer e divulgar a aplicação de técnicas agrícolas ambientalmente mais amigáveis.

A partir da integração das atividades de produção animal e vegetal, o manejo da Fazenidnha prioriza a reciclaem de nutrientes, que é favorecida pelo uso de estercos e compostos orgânicos obtidos in situ, e o uso de desenhos de sistemas agrícolas diversificados, que envolvem rotações e consórcios culturais. A adubação verde é uma prática rotineira nos distintos sistemas de produção conduzidos no local, com ênfase na utilização de espécies vegetais da família das leguminosas, que contribuem sobremaneira para o fornecimento de nitrogênio por meio do processo natural de fixação biológica. Quanto ao manejo pecuário, adota-se um modelo físico para a produção de bovinos leiteiros, baseado no uso de animais mestiços e no emprego da homeopatia veterinária e de princípios de bem-estar animal.

Busca-se, ainda, a manutenção em níveis toleráveis das populações de fitoparasitas e de ervas espontâneas, sem o emprego de técnicas que representem impactos negativos de natureza ecotoxicológica, o que é feito, por exemplo, a partir da utilização de princípios do controle biológico de pragas. Além disso, os desenhos das áreas de produção buscam valorizar a presença de espécies arbustivas e arbóreas como elementos funcionais da diversificação da paisagem, que incluem a implantação de sistemas agroflorestais.

25 anos de história

Em uma trajetória de 25 anos, a presença de uma equipe multidisciplinar viabilizou a geração de mais de 40 tecnologias, além do resgate de espécies vegetais tradicionais, como a araruta, e da introdução e adaptação de inúmeras plantas ao manejo orgânico, principalmente hortaliças.

No que concerne ao ensino, a formação de recursos humanos é voltada ao atendimento de estudantes de nível técnico agropecuário, graduação - principalmente em Ci~encias Agrárias - e pós-graduação. Quanto à produção técnico-científica, são publicados artigos em periódicos indexados, boletins de pesquisa, circulares, comunicados e recomendações. Além disso, na Fazendinha são conduzidos, permanentemente, trabalhos de dissertações e teses. Também é lá que crianças do ensino fundamental recebem informações sobre educação ambiental.

Esse laboratório vivo, ao longo do tempo, tem possibilitado o atendimento a agentes de extensão rural e de assistência técnica, agricultores e estudantes, em cursos, palestras, visitas guiadas, dias de campo e reuniões. Todo esse esforço é refletido na veiculação de matérias jornalísticas que relatam as atividades desenvolvidas no espaço. Recentemente, a importância do projeto foi reconhecida com a criação do Centro de Formação em Agroecologia e Agricultura Orgânica (CFAAO), que abriga o primeiro programa de mestrado profissional em agricultura orgânica do País.