Arroz Irrigado Tropical

Desenvolver tecnologias para sustentabilidade do sistema de produção de arroz irrigado em ambiente tropical

Coordenadores:
Adriano Stephan Nascente
Bernardo Mendes dos Santos

A área potencial existente no Brasil para irrigação no ecossistema de planícies irrigáveis por inundação (PLANI) no ambiente tropical é estimada em 15 milhões de hectares. Os principais estados produtores são: Tocantins (65.408 ha), Paraná (23.135 ha), Mato Grosso do Sul (15.249 ha), Goiás (14.040 ha) e Roraima (11.475 ha). A produtividade do arroz nesse ambiente é em torno de 5.000 kg ha-1, sendo inferior à média obtida na região subtropical (7.200 kg ha-1). Além disso, ressalta-se a falta de sustentabilidade da atividade, devido ao grande impacto ambiental causado e aos altos custos de produção. No entanto, verifica-se potencial de aumento da produção do arroz, tanto pela ampliação da área cultivada, quanto pelo incremento da produtividade. Políticas públicas vêm estimulando o aumento da área plantada no ambiente tropical. Já o aumento da produtividade pode ser atingido com técnicas sustentáveis de cultivo que devem ser estudadas, validadas e transferidas.

A menor produtividade de grãos do arroz nessas PLANI está ligada à dificuldade de manejo da água de irrigação, devido ao regime hídrico dos rios; ao aquecimento dessa água de irrigação, que pode prejudicar o desenvolvimento das plantas de arroz; aos critérios de recomendação de fertilizantes; às condições de clima que favorecem a principal doença do arroz, a brusone (Magnaporthe oryzae); e à ausência de validação de métodos de controle de pragas que atendam aos requisitos de eficiência e segurança ambiental. Por outro lado, a expansão do cultivo da soja no período seco está proporcionando aumento de renda e aproveitamento mais intensivo das PLANI em estados como o TO e pode servir de modelo para o mesmo ecossistema em outros estados. Essa nova realidade aumentou a complexidade da atividade e criou a necessidade de se ajustar os sistemas de cultivo previamente existentes, baseados exclusivamente no arroz. Para a cultura da soja produzida na entressafra, em que o foco é a produção de sementes, os desafios estão relacionados, principalmente, ao manejo adequado da palha de arroz em alternativa à queima e da adubação da sucessão arroz/soja, de modo a proporcionar sustentabilidade ao sistema.

Diante dessas questões, a Embrapa Arroz e Feijão criou o Grupo de Pesquisa e Transferência de Tecnologia de Arroz Irrigado Tropical. O Grupo tem o objetivo de desenvolver tecnologias para a sustentabilidade da produção de arroz irrigado em ambiente tropical. Para isso, o Grupo definiu como principal linha de inovação o desenvolvimento de práticas ecoeficientes para o cultivo do arroz nas planícies irrigáveis por inundação no ambiente tropical. Assim, a atuação desse Grupo tem a expectativa de fornecer ferramentas para proporcionar aos agricultores maior retorno econômico da atividade agrícola e melhoria da eficiência de uso dos recursos naturais; racionalização do uso de fertilizantes e agrotóxicos; e aumento significativo da produção de grãos nas PLANI no ambiente tropical; além de fortalecer as cadeias do arroz e da soja no Brasil, aumentar a conscientização dos atores quanto aos cuidados com o meio ambiente e, principalmente, treinamento de técnicos e produtores com relação à sustentabilidade.