Marca do Programa Macaco-prego

O macaco-prego tem trazido preocupações ao setor de florestas plantadas no Brasil, em especial às empresas que cultivam pínus. Em diversas regiões do mundo, pressionados pela redução e fragmentação das florestas nativas, primatas estão invadindo cultivos agrícolas e florestais em busca de alimento. No Sul do Brasil, o macaco-prego (Sapajus nigritus, anteriormente classificado como Cebus nigritus) passou a incluir diversos itens cultivados pelo homem em sua dieta, como frutas comerciais, milho, mandioca, cana-de-açúcar e algumas espécies florestais, com destaque para o pínus. Embora os frutos e sementes nativas sejam o principal alimento do macaco-prego, no inverno e primavera a quantidade desses recursos na Floresta com Araucária, típica do Sul do Brasil, não é suficiente para a sua sobrevivência. Esse problema é crítico nas regiões em que essa floresta foi ou é explorada/suprimida, pois isso reduz a abundância de espécies que servem de alimento para o macaco-prego. Os macacos-prego descascam os pínus para se alimentar da sua seiva e causam danos ao desenvolviento das árvores, podendo levar à sua morte. Os danos têm ocorrido principalmente em Santa Catarina e no Paraná, mas também há registros no norte do Rio Grande do Sul e sul do estado de São Paulo.

O descascamento é realizado principalmente entre os meses de julho a novembro, quando a quantidade de frutos nativos nas florestas nativas é baixo. Apesar das populações de macaco-prego serem formadas por grupos pequenos (média de 10 indivíduos), que podem ocupar grandes territórios (até 1.000 ha), compreendendo florestas nativas e plantios florestais, os danos podem ser intensos. Isso ocorre porque cada indivíduo pode descascar várias árvores por dia e os danos aos talhões são acumulados ao longo dos anos. Assim, cada árvore pode sofrer vários danos, realizados no mesmo ano ou em anos diferentes.

No entanto, é importante ressaltar que, por se tratar de uma espécie da fauna nativa, é protegida pela Lei 9605 de 12 de fevereiro de 1998 e seu abate ou tentativa de impedir sua reprodução constituem crimes ambientais. Além disso, aproximadamente 80% da dieta dos macacos-prego é composta por frutos, incluindo mais de uma centena de espécies nativas. A maioria das sementes desses frutos é descartada intacta por esse primata que, assim, atua como um dos principais dispersores de sementes da Floresta Atlântica. Graças à dispersão realizada por esse e outros dispersores, a floresta é capaz de se manter e até de se recuperar de perturbações naturais ou causadas pelo homem. Outro serviço ambiental importante prestado pelos macacos-prego é o controle populacional de alguns insetos (p. ex. percevejos e besouros) e outros invertebrados que fazem parte da sua dieta, principalmente por que eles buscam esses animais tanto na floresta nativa quanto no interior dos plantios florestais.

Diante deste cenário, a Embrapa Florestas criou, em 2003, o Programa Macaco-Prego, que tem o objetivo de realizar pesquisas sobre o tema em parceria com o setor florestal, que contribuem com a coleta de dados e análise e discussão dos resultados, em particular as empresas parceiras Remasa Reflorestadora Ltda e Celulose Irani S.A., e o Fundo Nacional de Combate a Pragas Florestais - Funcema.

Fotos: Dieter Liebsch

foto danos macaco-prego em pinus
 
        

foto danos macaco-prego em pinus

        
       

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