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A cultura do alho | voltar ao início


Autores: Francisco Vilela Resende, Lenita Lima Haber e Jadir Borges Pinheiro 

Introdução

O alho (Allium sativum L.) é uma hortaliça rica em amido e substâncias aromáticas de alto valor condimentar e possui ação fitoterápica com diversas propriedades farmacológicas. Uma das espécies cultivadas mais antigas começou a ser plantado há mais de 5.000 anos pelos hindus, árabes e egípcios. A espécie é originária da Ásia Central e sua introdução no Ocidente se deu a partir de plantios na costa do Mar Mediterrâneo.

Devido a sua capacidade de armazenamento e conservação, o alho fazia parte do cardápio da tripulação das caravelas portuguesas, proporcionando a introdução no Brasil na época do descobrimento. Uma vez em solo brasileiro, ficou por mais de quatro séculos restrito ao plantio de fundo de quintal, onde era cultivado em pequena quantidade para suprir a demanda familiar. Somente em meados do século XX o cultivo começou a expandir-se, ganhando importância econômica. 

O Brasil se destaca como um dos países com maior consumo per-capita de alho, aproximando-se de 1,5 Kg/habitante/ano. Entretanto, a produção no país em 2013 foi de aproximadamente 107 mil toneladas, que corresponde apenas a um terço do consumo interno.  Para atender a grande demanda de consumo, que deve atingir 300 mil toneladas em 2015, o Brasil tem importado grandes quantidades, principalmente da China e Argentina.

Os Estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Bahia respondem por cerca de 90% da produção brasileira. Em 2003, Minas Gerais e Goiás tornaram-se os maiores produtores, com produtividades médias em torno de 10 t ha-¹, devido a introdução do alho na região do Cerrado. Atualmente, as produtividades no cerrado ultrapassam 15 t ha-¹. Este sucesso deve-se aos incrementos no uso de tecnologias como mecanização da maioria dos tratos culturais e da colheita, racionalização da irrigação, adensamento de plantio, uso de cultivares de alho nobre, vernalização e melhoria na qualidade da semente utilizada, principalmente pela introdução do alho-semente livre de vírus.

Este grande avanço tecnológico observado nos últimos anos 15 anos, a despeito a disponibilidade de vastas regiões com potencial para produção do alho, não foi suficiente para o Brasil aumentar as áreas de plantios, que se estagnou ao redor de 10 mil hectares e, desta forma, o país encontra-se ainda muito distante da almejada autossuficiência na produção desta condimentar.