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A cultura da batata-doce | voltar ao início


Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 6
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun./2008
Autores

Cultivares

As cultivares variam principalmente quanto a cor da casca, cor da polpa (Figura 1) e formato (Figura 2).

Fotos: João E. C. Miranda

Fig. 1. Cultivares com diferentes colorações de casca e polpa

 
Fig. 2. Cultivares com diferentes formatos

O produtor deve escolher aquela que seja mais aceita no mercado onde pretende vender a produção, pois a preferência é variável de local para local. Além disso, em cada região produtora existem variedades locais, cujo material de reprodução é permutado entre produtores.

Por exemplo, em testes realizados em Porteirinha – MG, a cultivar local, denominada de Paulistinha, foi a mais produtiva, atingindo 54,50 t/ha, para a colheita realizada aos 200 dias (RESENDE, 2000). Na região de Distrito Federal e contorno, a variedade Brazlândia roxa é a mais cultivada e apresenta, em cultivos realizados na Embrapa Hortaliças, produtividade média de 25t/ha (MIRANDA, 1989) e em lavouras comerciais, produtividade superior a 18 t/ha. Na região de Anápolis – GO, é cultivada uma variedade de pele roxa e polpa amarela, denominada de Rainha, que apresenta produtividade de 22t/ha e é muito bem aceita nos mercados regionais.

Além da preferência popular, é necessário conhecer a adaptabilidade da cultivar às condições climáticas da região, as suas características de resistência a pragas e doenças, e as características de desenvolvimento da planta, principalmente quanto aos seguintes aspectos:

A cultura adapta-se melhor em áreas tropicais onde vive a maior proporção de populações pobres. Nessas regiões, além de constituir alimento humano de bom conteúdo nutricional, principalmente como fonte de energia e de proteínas, a batata-doce tem grande importância na alimentação animal e na produção industrial de farinha, amido e álcool. É considerada uma cultura rústica, pois apresenta grande resistência a pragas, pouca resposta à aplicação de fertilizantes, e cresce em solos pobres e degradados.

Comparada com culturas como arroz, banana, milho e sorgo, a batata-doce é mais eficiente em quantidade de energia líquida produzida por unidade de área e por unidade de tempo. Isso ocorre porque produz grande volume de raízes em um ciclo relativamente curto, a um custo baixo, durante o ano inteiro. Em termos de volume de produção mundial, a cultura ocupa o sétimo lugar, mas é a décima quinta em valor da produção, o que indica ser universalmente uma cultura de baixo custo de produção.

Tamanho das folhas - Deve-se dar preferência a plantas com folhas estreitas e recortadas (Figura 3). As plantas de folhas grandes e largas são geralmente menos eficientes na assimilação de energia por meio da fotossíntese, pois as folhas superiores sombreiam as inferiores, e estas passam a realizar uma taxa negativa de assimilação por receberem menos energia do que consomem no processo de respiração.

Fotos: Arquivo INTA

Fig. 3. Plantas com diferentes formações foliares

Comprimento das ramas – As ramas longas se entrelaçam rapidamente, promovendo uma maior competição entre plantas e dificultando os trabalhos de capina e de renovação das leiras. Utilizando-se cultivares de ramas longas, a última operação com trabalho nas entrelinhas tem que ser realizada mais cedo, senão ocorre muita danificação das ramas que se entrelaçam.

Posição das batatas – Existem cultivares em que as batatas se formam bem junto à planta, facilitando a sua localização pelos operários, por ocasião da colheita. Outras cultivares formam raízes distantes da base da planta, o que aumenta a chance de serem cortadas ou danificadas por ocasião da colheita (Figura 4).

Foto: João E. C. Miranda

Fig. 4. Raízes comerciais

Espessura da rama – Cultivares de ramas grossas são mais suscetíveis ao ataque da broca-da-rama (Megastes pusialis), uma vez que a lagarta não consegue completar o seu ciclo no interior de ramas finas, uma vez que o diâmetro da rama é insuficiente para a lagarta formar os casulos.

Cor da casca – A casca, que é uma camada de tecido abaixo da pele, deve ser da mesma cor da pele, para não tornarem visíveis os esfolamentos que ocorrem durante o processo de lavagem das raízes. Utilizando-se cultivares que possuem a cor da pele igual a cor da casca, torna-se possível utilizar lavadores mecanizados comumente utilizados para cenoura e batata.

Ausência de defeitos – As raízes de maior valor comercial são as lisas, retas, de formato alongado, com cerca de 20 cm de comprimento e peso de aproximadamente 300g (Figura 5). Raízes muito longas, tortuosas, com veias, e danificadas por insetos ou por cortes e esfolamentos, são menos aceitas pelos consumidores e comerciantes.

Fonte: João E. C. Miranda

Fig. 5.Plantio mecanizados
 

Cultivares da Embrapa