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Como plantar cebola | voltar ao início


O crescimento da cebola, que compreende a emergência das plântulas até o crescimento completo das folhas, é controlado principalmente pela temperatura. A bulbificação, por sua vez, é controlada pelo comprimento do dia e sua interação com a temperatura.

Assim, o fotoperíodo (número de horas de luz diária) e a temperatura são os fatores climáticos que controlam a formação de bulbos na cebola e limitam a recomendação de uma mesma cultivar para vários locais. A escolha de cultivares inadequadas para um determinado local e época resulta em produtividade baixa e/ou qualidade ruim dos bulbos. A temperatura, além de influenciar a bulbificação, afeta diretamente o florescimento.

A bulbificação em cebola é promovida por dias longos e, de modo geral, nenhuma bulbificação ocorre em dias com duração inferior a 10 horas de luz.

Sob fotoperíodos inferiores ao mínimo fisiologicamente exigido, as plantas produzem folhas continuamente e não bulbificam, mesmo após períodos longos de crescimento. Satisfeitas as exigências em fotoperíodo, tem início a formação do bulbo, independentemente do tamanho da planta, de forma que mesmo plântulas podem ser induzidas à bulbificar sob estímulo de dias longos.

Em função do número de horas de luz diário exigido para que as plantas formem bulbos comercializáveis, as cultivares de cebola são classificadas em quatro grupos: de dias curtos (DC), de dias intermediários (DI), de dias longos (DL) e de dias muito longos (DML).

As DC bulbificam em dias com pelo menos 12 horas de luz, as DI exigem dias com 13 ou mais horas de luz, as DL exigem mais de 14 horas de luz diária, e as DML exigem dias com duração superior a 15 horas. Cultivares adaptadas a latitudes maiores, de modo geral, não bulbificam satisfatoriamente em latitudes menores.

O fotoperíodo varia de local para local em função da latitude e da época do ano. Próximo ao equador, o comprimento é em torno de 12 horas ao longo do ano. À medida que avançamos em direção aos pólos, o comprimento do dia aumenta no verão e diminui no inverno.

A velocidade da germinação da cebola aumenta na faixa de 5-25°C. Considerando-se a velocidade e a porcentagem de germinação e a emergência em solos úmidos, a faixa ótima de temperatura para a cebola é de 20-25°C. Temperaturas baixas limitam a germinação das sementes, sendo 2°C a temperatura mínima para que sementes de cebola germinem.

A faixa ótima de temperatura para o crescimento foliar é de 20-25°C, sendo 6°C a temperatura abaixo da qual o crescimento foliar cessa. Na faixa de 6-20°C, a taxa de crescimento foliar aumenta linearmente. Ainda que a duração do dia seja o fator principal para a indução, formação e maturação de bulbo, seus efeitos são modificados pela temperatura.

O tempo necessário para o início da bulbificação e o tempo necessário para o completo crescimento do bulbo diminuem quando a temperatura aumenta, mas, não ocorre bulbificação se o comprimento do dia for insuficiente, mesmo sob temperaturas altas.

Temperaturas acima de 35ºC durante a fase inicial de crescimento das plantas podem promover a bulbificação precoce, sendo um dos inconvenientes do plantio no verão no Brasil.

A bulbificação que atinge um máximo em torno de 38ºC cessa quando a temperatura cai abaixo de 10ºC. Temperaturas baixas podem alongar o fotoperíodo crítico e prejudicar a formação dos bulbos. Exposição a breves períodos de frio extremos (< 6ºC) favorece o engrossamento do pseudocaule.

Para induzir o florescimento é necessário expor as plantas ou os bulbos a um período prolongado de frio, sendo a exigência em frio variável com cada cultivar e tamanho da planta. De modo geral, a ocorrência de temperaturas entre 5 e 13°C por pelo menos 30 dias provocam florescimento ("bolting"), sendo que cultivares tropicais são normalmente menos exigentes em frio que cultivares de clima temperado. A ocorrência de florescimento, embora essencial em culturas destinadas à produção de sementes, é indesejável em culturas destinadas à produção de bulbos.

O sistema radicular superficial da cebola torna-a menos acessível às reservas de água do solo, de modo que a sensibilidade da cultura a veranicos e/ou chuvas mal distribuídas é grande, o que torna a cebola mais sensível ao estresse hídrico que várias outras culturas. Em culturas destinadas a produção de sementes, o estresse hídrico pode ocasionar dificuldade de florescimento e desenvolvimento de pólen, redução no peso e na produção de sementes e decréscimo no vigor de sementes.

A planta de cebola é sensível à salinidade do solo, particularmente quando acompanhado por alta evapotranspiração e limitada disponibilidade hídrica. A sensibilidade à salinidade é maior nas fases de germinação e emergência, diminuindo à medida que as plantas crescem.

Apesar de exigente em água, observações de plantas crescendo em condições áridas mostram que elas podem sobreviver por longos períodos de estresse hídrico, paralisando seu crescimento, recuperando posteriormente quando a água se torna disponível. No entanto, bulbos comercializáveis de cebola são constituídos em grande parte por água e, por conseguinte, a maximização da taxa de crescimento e a obtenção de boas produtividades com qualidade dependem necessariamente de bom suprimento de água para as plantas.

Sendo originária de regiões de clima temperado, a cebola apresenta tolerância moderada à geada, mas não tolera frio muito intenso ou muito prolongado. Em casos extremos ocorre queima de folhas, iniciando nas pontas e progredindo para a base. As plantas mantêm o crescimento normal quando uma geada moderada é seguida de elevação da temperatura do ar.

Chuvas intensas e prolongadas ou irrigações excessivas em qualquer fase do ciclo da cebola prejudicam o crescimento e a produção de bulbos.

Em solos com problemas de drenagem, o excesso de água acumulado no solo pode prejudicar a aeração e a respiração das raízes, que nestas condições podem morrer. O crescimento e a produtividade de bulbos são drasticamente comprometidos quando o solo permanece saturado por mais de 12 horas.

Chuvas ou irrigação em excesso antes do início da bulbificação aumentam o diâmetro do pseudocaule ("pescoço"), favorecendo a entrada de água e dificultando o tombamento (estalo) das plantas. Já o excesso de água no solo durante a fase final de crescimento de bulbos retarda a maturação e causa a ruptura das películas externas de proteção dos bulbos, pois estes continuam a crescer. Para que as películas de proteção se formem e se mantenham intactas, as irrigações devem ser paralisadas duas a três semanas antes da colheita.

Autores: Carlos Eduardo Pacheco Lima e Valter Rodrigues de Oliveira