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A partir do detalhado estudo da produção e do fluxo de origem/destino de soja e milho, foi possível identificar os caminhos percorridos no escoamento dos grãos, desde as propriedades rurais (origem) até a chegada aos portos (destino), na safra 2015/16.

São dados geocodificados disponíveis nesta seção: os dez principais portos pelos quais passam mais de 95% das exportações brasileiras de soja e milho e a modalidade utilizada (rodovia, ferrovia ou hidrovia) na chegada das cargas junto a esses terminais, de forma quantitativa e percentual. A compreensão dos caminhos da safra passa pela análise integrada dos dados de produção agropecuária, modais utilizados para escoamento, identificação e chegada até os principais portos e, por fim, a análise dos dados de exportação.

Explore, a seguir, o mapa que representa os caminhos que as safras percorrem de seus centros de produção até os principais portos brasileiros.

Atualmente, na matriz de transportes brasileira, o modal rodoviário representa 61,1% do total; o ferroviário, 20,7%; o aquaviário, 13,6%; o dutoviário, 4,2% e o aeroviário, apenas 0,4% (CNT). Porém considerando apenas a chegada aos portos, esse número mostra outro comportamento. O detalhamento do estudo (link acima) mostrou que atualmente 47% dos grãos (milho+soja) chegam aos portos por ferrovias, 42% por rodovias e 11% por hidrovias, sendo este o modal preferencial dos portos do Arco Norte, que vem aumentando ano a ano sua participação.

A histórica opção por rodovias e a ausência de ligações intermodais mais dinâmicas, geram prejuízos de até R$ 9,6 bilhões anuais, o que coloca o Brasil na 55ª posição da Logistics Index Performance 2016, lista do Banco Mundial que avalia, a cada dois anos, a qualidade logística de 160 países. Este estudo evidenciou que o Brasil despende 12,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em custos com logística, enquanto os Estados Unidos, tomados como benchmark, apenas 8%. Isso acaba onerando os produtos brasileiros em US$ 36 bilhões por ano, impedindo a conquista de novos mercados.

Essa defasagem competitiva nacional pode ser evidenciada com a evolução do investimento público federal em infraestrutura de transporte. Quantificado com base na proporção do PIB, os estes investimentos passaram de 1,84%, em 1975, para 0,29% em 2012 (Ministério dos Transportes, 2015). Para fins de comparação, dentre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a China investe em transporte 4% ao ano do PIB, a Rússia 5%, e a Índia 3%.

Seguindo exemplo de sucesso do Porto de Itaqui, em São Luís, MA, onde o Terminal de Grãos (Tegram) alcançou plena capacidade de embarque um ano após sua inauguração, investimentos têm sido feitos a fim de buscar aumento da eficiência logística. São verificados aportes governamentais e investimentos privados no chamado Arco Norte, conjunto de rotas com destino aos portos localizados nessa região. Ela concentra sete área portuárias, sendo quatro interiores (Porto Velho, Itacoatiara, Santarém e Miritituba) e três marítimas (Macapá, Belém e São Luís), com capacidade de transbordo fluvial e exportação. Porém, elas têm seus acessos como fatores limitantes, o que dificulta escolha da melhor rota de escoamento de grãos.

Faça download dos caminhos da safra: