OLHARES PARA 2030

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Maurício Antônio Lopes

Maurício Antônio Lopes

A Agricultura Brasileira na Agenda Global de Desenvolvimento Sustentável

Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

SDG 2 - Zero hunger SDG 9 - Industry, innovation and infrastructure SDG 12 - Responsible consumption and production SDG 13 - Climate action SDG 15 - Life on land

INTRODUÇÃO

A Agenda 2030 representa uma das mais ousadas iniciativas de mobilização das forças da sociedade para a criação de um planeta mais próspero, equitativo e saudável para todos.  Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), acordados em setembro de 2015 pelos líderes de 193 países, incluem 169 metas em grande diversidade de temas, como erradicação da pobreza, agricultura e segurança alimentar, educação, saúde, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, produção e consumo sustentáveis, mudança do clima, proteção e uso sustentável dos ecossistemas terrestres e dos oceanos, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura e industrialização, cidades sustentáveis, governança e estratégias de implementação.

Esta agenda é singular por fornecer uma visão inclusiva e integrada de progresso sustentável – certamente a mais ambiciosa agenda de promoção do desenvolvimento humano até hoje elaborada.  Os 17 objetivos eleitos prometem acelerar os avanços que o mundo tem experimentado nas últimas décadas, focando os passivos a serem ainda superados para libertar as populações que ainda vivem na pobreza e ajudar a construir um mundo mais pacífico, próspero e sustentável.

Um grande avanço na construção dessa agenda é o fato de que a maioria dos alvos pretendidos se complementam e se reforçam, para evitar que o progresso em uma área não ocorra às custas de outra.   Por exemplo, o aumento da produção de alimentos deverá ser buscado em sintonia com a gestão responsável dos recursos naturais; a expansão da energia renovável de base hídrica se dará respeitando o abastecimento de água das populações; e a proteção dos oceanos não deve sufocar o crescimento econômico e o desenvolvimento nas regiões costeiras.

Para isso, a realização dos ODS exigirá abordagens flexíveis, compartilhamento de conhecimentos entre múltiplas áreas e temas, além de métricas para avaliação sistemática de progresso e correção de rumos, sempre que necessário.  É, portanto, necessário que os governos, as empresas, as agências de fomento, os bancos multilaterais e a sociedade civil trabalhem em grande sintonia, reconhecendo a interdependência entre os vários objetivos e desenvolvendo competências e roteiros que os permitam navegar no complexo terreno de formulação e melhoria de políticas e estratégias de implementação.

A agenda 2030 é extraordinariamente oportuna para o Brasil, um país de dimensões continentais que ainda não conseguiu organizar seu processo de desenvolvimento a partir do empoderamento dos municípios, onde a vida da nação, de fato, pulsa.  Promover o envolvimento e a liderança dos governos municipais é vital para que o Brasil experimente os benefícios dos ODS, que têm metas diretamente relacionadas às responsabilidades dos governos locais, como gestão aprimorada para controle de despesas, busca de novas fontes de receita, captação de recursos e fortalecimento da credibilidade.  Este é o caminho para que os municípios brasileiros cumpram bem o seu papel na prestação de serviços básicos em favor da inclusão produtiva, da segurança e da sustentabilidade, que estão no âmago dos ODS.

E a agenda 2030 tem igual importância para o mundo da ciência, considerando o papel fundamental que informação, tecnologia e inovação tem na promoção do desenvolvimento sustentável e, também, na modelagem e na aplicação de métricas para acompanhamento e a medição de progressos no âmbito dos 17 ODS.  E como alimentação e agricultura tem relação com praticamente todos os ODS, é fundamental que a pesquisa agropecuária brasileira faça ampla avaliação de suas prioridades e escolhas, mapeando possíveis interfaces e sinergias com os ODS e suas metas.

E é fundamental que todas as organizações públicas e privadas caminhem no mesmo sentido, dando ao Brasil a musculatura necessária para a implementação de uma robusta estratégia que bem posicione o nosso País nesta importante corrida de obstáculos até o ano de 2030.

ESCOLHAS ESTRATÉGICAS PARA A AGRICULTURA E A ALIMENTAÇÃO NO BRASIL

O Brasil é o único país no cinturão tropical do globo que foi capaz de conquistar a posição de potência agrícola. As tecnologias de manejo transformaram nossos solos pobres em terra fértil. A tropicalização dos cultivos, com ciclos diferenciados, nos permitiu aproveitar terras em todas as condições climáticas. Os manejos e as práticas sustentáveis que desenvolvemos constituem um arsenal de defesa ambiental. Com seu dinamismo empreendedor, os produtores souberam combinar esses conhecimentos e aproveitar as oportunidades de mercado. Eles conduziram a agricultura a patamares que tornaram as safras do Brasil essenciais para a segurança alimentar do país e do mundo.

O nosso modelo de agricultura, fortemente baseado em ciência e conhecimento, colocou o Brasil em destaque como protagonista de uma verdadeira revolução na produção de alimentos nos trópicos.  Apesar dos avanços alcançados, a antecipação das demandas para alimentação e agricultura no horizonte da Agenda 2030 indicam muitos desafios adicionais para a agricultura e a alimentação no Brasil, com destaque para:  a) o enfrentamento de novas pragas, patógenos e plantas invasoras; b) a busca do aumento da eficiência no uso dos recursos naturais; c) a necessidade de contínua redução de impactos negativos no meio ambiente; d) a crescente demanda por alimentos seguros e nutritivos, com funcionalidades que promovam a saúde e o bem estar; e) a expectativa de produção crescente e sustentável de excedentes para exportação, essenciais para a segurança alimentar e a paz no futuro.

É, portanto, certo que contextos mais desafiadores e dinâmicos exigirão respostas cada vez mais rápidas às demandas de uma sociedade cada vez mais urbana e exigente e de mercados cada vez mais interconectados, competitivos e dinâmicos.  A agricultura brasileira precisará responder a uma agenda de desenvolvimento fortemente centrada na sustentabilidade incorporando capacidade de integrar e gerir sistemas cada vez mais dinâmicos, mutáveis e complexos.

Com o objetivo de estimular a discussão sobre escolhas estratégicas que permitam à agricultura brasileira dialogar e sinergizar com a Agenda 2030, são apresentadas a seguir algumas dimensões e temas que precisarão receber grande atenção das lideranças e dos tomadores de decisão, responsáveis por nortear e modelar o futuro da agricultura e da alimentação no País, em sintonia com a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Agricultura Integrada e Sistêmica

A agricultura migra rapidamente para uma lógica integrada e sistêmica, capaz de abarcar as três dimensões da sustentabilidade.  O Brasil precisará intensificar o esforço de geração e uso de tecnologias "poupa-recursos", de baixa emissão de carbono, capaz de promover a expansão sustentável da sua produção agropecuária. Expansão baseada mais em ganhos na produtividade da terra, em sintonia com o grande desafio de implantação do novo Código Florestal Brasileiro. O Plano ABC - “Agricultura de Baixa Emissão de Carbono” é uma arrojada política pública, que já contribui para esta agenda, uma vez que estimula a incorporação de práticas sustentáveis como a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o sistema de plantio direto (SPD), a fixação biológica de nitrogênio (FBN), dentre outras.  

Os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) se destacam no âmbito da agricultura de baixa emissão de carbono do Brasil e contribuem para disseminar a lógica sistêmica e a intensificação do uso da terra no Brasil. A capacidade das pastagens de capturar e armazenar o carbono da atmosfera no solo, bem como as cadeias produtivas associadas (carne, leite, grãos e silvicultura), permitirão ao Brasil neutralizar gases de efeito estufa na produção de alimentos, gerando serviços ambientais, créditos de carbono e bem estar animal, projetando a agricultura brasileira como uma das mais sistêmicas e sustentáveis do planeta.

Uma grande extensão de nossas áreas agrícolas pode ser utilizada de maneira segura 365 dias ao ano, produzindo, no mesmo espaço, grãos, proteína animal, fibras e bioenergia. E, diferentemente de qualquer grande produtor de alimentos no mundo, o Brasil mantém 66% do seu território com cobertura vegetal natural.  Esse protagonismo e as oportunidades de geração e disseminação de tecnologias capazes de promover a expansão sustentável e sistêmica da produção agropecuária deverão dominar a agenda do agronegócio no futuro.

Gestão de Riscos e Ganhos de Resiliência

Gestão de riscos e ganhos de resiliência são temas de importância estratégica para o Brasil, considerando que grande parte da sua agricultura é desenvolvida a céu aberto, exposta a estresses e intempéries que tenderão a se intensificar no futuro.  O fato de o país ter a maior parte da sua produção agropecuária na faixa tropical indica necessidade premente de sofisticação da gestão de risco e de incorporação de práticas e tecnologias para adaptação e ganhos em resiliência, considerando que as mudanças climáticas globais já são perceptíveis pela intensificação de estresses térmicos, hídricos e nutricionais nos sistemas produtivos.  De acordo com dados da Embrapa e do Banco Mundial o Brasil perde em média 1% do seu PIB Agrícola em função de riscos que poderiam ser gerenciados de forma mais eficaz.  E, apesar das causas de risco na agropecuária serem mais associadas a fatores climáticos e biológicos, muitos estudos indicam possibilidades reais de ampliação de variações imprevisíveis em diversas outras dimensões, como a regulatória, de mercado, de crédito, de percepções e expectativas da sociedade, dentre outras, o que promete expansão das pressões e dos riscos sobre a agropecuária brasileira.

Por sua posição no cinturão tropical do globo, o Brasil precisa dedicar especial atenção à intensificação dos riscos bióticos e abióticos - que ameaçam a produção e a produtividade no campo.  E são rápidas e profundas as mudanças que ocorrem na sociedade, nos mercados e no mundo da tecnologia.  Tudo isso aponta para a necessidade de o Brasil implementar sistemas mais sofisticados de inteligência estratégica para subsidiar as decisões públicas e privadas que garantam à agropecuária brasileira fazer frente uma crescente e complexa gama de riscos e ameaças. Tal capacidade será essencial no planejamento de uma Política Agrícola mais sistêmica e de longo alcance, capaz de responder à amplitude e à complexidade das mudanças climáticas globais, à nova realidade energética, à mudança tecnológica em ritmo exponencial e ao emergente padrão de desenvolvimento sustentável, que imprime profundas mudanças nos padrões de consumo e de produção.  

É preciso reconhecer que muito esforço já foi realizado no país para a redução dos riscos nas atividades agropecuárias, mas é também certo que há ainda muito a se realizar.   Uma gestão mais integrada e sistêmica dos riscos a partir das diferentes estruturas, políticas e programas poderá viabilizar a melhoria nos processos de articulação e de governança em diferentes níveis - Ministérios, agências e organizações públicas e privadas.  A falta de uma base de formulação estratégica e a carência de uma visão sistêmica, de médio e longo prazos para a condução do tema poderá levar a prejuízos incalculáveis para a sustentabilidade da agropecuária brasileira e, consequentemente, para o País.

Agregação Valor, Diversificação e Especialização da Agricultura Brasileira

Diversificar, especializar e agregar valor à produção agropecuária nacional é, mais que uma necessidade, um imperativo para o futuro.  Esta agenda é muito importante para o Brasil, considerando o crescimento das expectativas e das necessidades da população brasileira, além das oportunidades para a expansão da participação do País no mercado mundial de produtos mais elaborados, diversificados e sofisticados, sejam eles produtos alimentares ou não-alimentares.  

Vários estudos indicam perspectiva de redução da demanda por produtos agropecuários pouco elaborados e de baixa elasticidade-renda, em particular pós-2030.  Nesse horizonte, as previsões de expansão na classe média mundial, com maior renda per capita, sinaliza para a necessidade de novos produtos e novos processos, o que significará enorme pressão para grandes produtores agrícolas, como o Brasil, ainda muito centrados na produção primária ou em produtos pouco elaborados.

Infelizmente o Brasil tem um modelo industrial que, em grande medida, ainda não descobriu o mundo da agricultura e da alimentação como oportunidade, e que tem dificuldade de perceber a emergência da bioeconomia, a nova economia baseada na produção de base renovável, sofisticada e sustentável.  Muito poucas empresas brasileiras exportam produtos mais elaborados e sofisticados.  

E o Brasil cultua em excesso os superávits na sua balança comercial agrícola, o que na verdade reflete uma lógica protecionista, de pouca abertura para a entrada de produtos mais elaborados e sofisticados no seu mercado, o que exerceria pressão saudável para que o modelo industrial brasileiro desse um salto de qualidade e ganhasse competitividade.  O resultado é o pequeno número de exportadores brasileiros, decorrência do fato de que nossas empresas estão muito mal integradas às cadeias de valor globais.

O nosso modelo industrial com alto nível de protecionismo, originado na lógica da substituição de importações nos exclui dos mercados de produtos mais elaborados e especializados.  A nossa indústria passa ao largo dos processos de produção que evoluem ao longo de cadeias de valor transfronteiriças, parte muito importante da globalização, que tem ignorado o Brasil. O País precisará realizar escolhas estratégicas que o afastem dessa lógica anacrônica, sustentada em decisões para favorecer unicamente o conteúdo local, em detrimento à integração internacional.  

Portanto, é premente que a agricultura brasileira incorpore inovações tecnológicas para agregação de valor, especialização e diversificação que permitam aos nossos produtos se integrarem às cadeias de valor globais.  E precisaremos ainda de políticas e estímulos que levem à superação da logística precária e dos altos custos de transação para atendimento adequado às necessidades da nossa população, em todos os quadrantes do nosso imenso território, além da nossa inserção competitiva no comércio internacional.

Territórios, Populações, Alimento

Nada é simples ou trivial quando se fala de um país-continente como o Brasil.  Temos quase 17 mil quilômetros de divisas terrestres - grande parte em florestas, mais de 7.300 quilômetros de fronteiras marítimas e um espaço aéreo de mais de oito milhões de quilômetros quadrados.  No mundo rural brasileiro, comunidades, fazendas, florestas, estradas, rios e muitos outros elementos mantêm um dinamismo permanente. São ambientes que interagem e se transformam, se complementam e se ajustam.

Por isso a agricultura brasileira está submetida a realidades complexas, que precisam ser tratadas muito além dos limites das fazendas, das lavouras ou de criações individualizadas.  Exemplos óbvios são os impactos das mudanças climáticas globais sobre a dinâmica da agropecuária em um país que perpassa diversas zonas climáticas; o planejamento da defesa sanitária vegetal e animal para uma agricultura diversificada e dispersa em imensa extensão territorial; os planos integrados de conservação de solos e água; o manejo de imensa e complexa rede de bacias hidrográficas; as mudanças no uso e ocupação das terras induzidas pelas mudanças tecnológicas; as demandas de inclusão produtiva do imenso contingente de agricultores nas regiões mais pobres, como o semiárido brasileiro, dentre muitos outros.  

Tratar dos desafios da agricultura e da alimentação na escala de um país continente exige, necessariamente, capacidade de monitorar a dinâmica da produção e da atividade humana no espaço geográfico, permitindo a simulação dos cenários mais adequados e promissores para o uso agrícola das terras, considerando seu contexto natural, agrário, agrícola, socioeconômico e de infraestrutura.

Monitorar, qualificar e quantificar a dinâmica da agricultura e da produção de alimentos em bases territoriais, bem como as novas alternativas de uso das terras, exige a integração de grandes bancos de dados (big data), o emprego de imagens de diversos satélites, o emprego de sistemas de informações geográficas, na lógica da gestão territorial estratégica, apoiada em recursos computacionais de alto desempenho.

Formuladores de políticas públicas demandarão tais informações como forma de ampliar sua capacidade de desenhar políticas e propostas de expansão das atividades econômicas sobre o nosso imenso e complexo espaço geográfico de forma mais eficiente e mais alinhada à agenda 2030 e aos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Fronteira do Conhecimento

Novas tecnologias aparecem rapidamente e desaparecem na mesma velocidade.  Rupturas ou mudanças profundas em nosso proceder, decorrentes do progresso científico e tecnológico, estão se tornando cada vez mais frequentes.  As tecnologias evolucionárias, que levam a pequenos avanços, e mesmo as tecnologias revolucionárias, que provocam grandes alterações, vão aos poucos cedendo espaço para as chamadas tecnologias disruptivas, que promovem mudanças radicais, substituindo o que existe, atendendo aos desejos dos mercados e dos consumidores com vantagens significativas.  

Não há dúvidas de que o mundo seguirá acelerando o ritmo das transformações e os alvos vão ser mais difusos e móveis, as decisões e ações mais difíceis. A agricultura brasileira precisará atentar para a nova globalização que está nascendo com a transformação digital, fenômeno que produz profundas mudanças na forma como a tecnologia é criada, gerenciada e consumida.  Esta rápida mudança tecnológica exige que o Brasil redesenhe setores e negócios, da indústria pesada ao agronegócio e ao setor de serviços, para se alinhar ao novo cenário competitivo.

Segmentos estratégicos da agricultura e da bioeconomia − economia sustentável baseada em recursos biológicos e processos limpos e renováveis − são espaços privilegiados para o País na nova globalização digital.  Nesses setores essenciais, conquistar a fronteira tecnológica não é só um desafio comercial, mas um imperativo estratégico. Ao incorporar, por exemplo, práticas e processos de precisão, amplo uso de sensores e mecanismos sofisticados de previsão e resposta a variações de clima, a agricultura poderá ganhar mais equilíbrio nas três vertentes da sustentabilidade – econômica, social e ambiental, em linha com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

CONCLUSÃO

A busca da sustentabilidade, nas dimensões econômica, social e ambiental, em âmbito global, é uma maneira de responder aos desafios do desenvolvimento e de forçar a superação das perigosas assimetrias que ameaçam o futuro.  E o acordo contido nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável é ousado: até 2030 pretende-se acabar com a pobreza e a fome em todos os lugares; combater as desigualdades dentro e entre países; construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas; proteger os direitos humanos e a igualdade de gênero; assegurar a proteção duradoura do planeta e seus recursos naturais, criando condições para a prosperidade compartilhada no futuro.  

Esta audaciosa agenda tem alcance e significado sem precedentes. Ela é aceita por todos e é aplicável a todos os países, desenvolvidos e em desenvolvimento. Um novo padrão de produção deverá emergir, focado em entrega de valor, em oposição à simples venda de mercadorias à sociedade.  O Brasil poderá se destacar nesta missão exatamente no setor econômico que melhor representa a sua competência tecnológica e capacidade competitiva em âmbito global: na agricultura.  

Agricultura e alimentação já estão sendo marcadas de forma profunda pelas mudanças nos padrões de consumo e produção.  O futuro exigirá produção de maior diversidade de alimentos, com maior densidade nutricional e atributos funcionais, a partir de tecnologias de baixo impacto, poupadoras de recursos naturais. O Brasil tem experiência, capacidade e base inigualável de recursos naturais para responder essas expectativas, tornando nossas safras essenciais para a segurança alimentar e nutricional no mundo.  A infraestrutura de pesquisa e inovação, o ambiente regulatório, os investimentos privados e o incentivo público precisam ser estimulados para que o mundo da agricultura e da alimentação no Brasil alcance papel de grande destaque na implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.  O Brasil deve almejar esta posição e não há tempo a perder!

Maurício Antônio Lopes

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Maurício Lopes é graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa-UFV (1983), com mestrado em Genética pela Universidade de Purdue (1989), e doutorado em Biologia Molecular de Plantas pela Universidade do Arizona (1993).

Foi pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG, de 1986 a 1989 e atua como pesquisador da Embrapa desde 1989. Atuou como melhorista de milho, líder do programa de melhoramento e chefe adjunto de P&D da Embrapa Milho e Sorgo. 

De 2000 a 2003 foi chefe do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, em Brasília. Em 2003, ingressou na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, onde atuou como pesquisador, gestor do Núcleo Temático de Recursos Genéticos (2003-2004), chefe adjunto de P&D (2004 a 2007) e Articulador Internacional (2009).

De abril de 2007 a outubro de 2008 trabalhou na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura FAO, em Roma, em suporte à organização e lançamento de uma plataforma global para promoção do uso sustentável de recursos fitogenéticos para alimentação e agricultura (GIPB/FAO).

Entre março 2007 e outubro 2012 atuou como membro do Conselho Científico da Fundação Agrópolis, em Montpellier, França. Entre outubro 2009 e abril 2011 foi coordenador e pesquisador do Labex Coréia, programa de cooperação internacional da Embrapa na Ásia, desenvolvido em parceria com a "Rural Development Administration" - RDA na Coréia do Sul.

Entre abril 2011 e outubro 2012 exerceu o cargo de diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa. Desde outubro de 2012, ocupa a posição de presidente da Embrapa.