Pesquisa e Desenvolvimento

Impactos ambientais e socioeconômicos no Pantanal

 
 
 
Nas últimas três décadas, o Pantanal vem sofrendo agressões pelo homem, praticadas não somente na planície, mas principalmente nos planaltos adjacentes. Atualmente, os impactos ambientais e socioeconômicos no Pantanal são muito evidentes, decorrentes da inexistência de um planejamento ambiental que garanta a sustentabilidade dos recursos naturais desse importante bioma.
 
A expansão desordenada e rápida da agropecuária, com a utilização de pesadas cargas de agroquímicos, a exploração de diamantes e de ouro nos planaltos, com utilização intensiva de mercúrio, são responsáveis por profundas transformações regionais. Algumas delas vêm sendo avaliadas pela Embrapa Pantanal, como a contaminação de peixes e jacarés por mercúrio e diagnóstico dos principais pesticidas. 
 
A remoção da vegetação nativa nos planaltos para implementação de lavouras e de pastagens, sem considerar a aptidão das terras, e a adoção de práticas de manejo e conservação de solo, além da destruição de habitats, são fatores que aceleraram os processos erosivos nas bordas do Pantanal. A consequência imediata tem sido o assoreamento dos rios na planície, o que tem intensificado as inundações - com sérios prejuízos à fauna, flora e  economia do Pantanal.
 
 
 
Baixo Taquari - árvores mortas devido à inundação
 
 
O assoreamento do rio Taquari constitui, hoje, o principal problema do Pantanal e de Mato Grosso do Sul, com inundações quase permanentes de uma área aproximada de 11.000 km² nas sub-regiões da Nhecolândia e Paiaguás. A pecuária, principal atividade econômica da região, tem sido drasticamente afetada. 
 
A Embrapa Pantanal, preocupada com esse quadro de degradação ambiental da bacia do rio Taquari, vem desenvolvendo desde 1994 vários estudos que buscam entender e quantificar as relações de causa e efeito que ocorrem nos planaltos e que se refletem no Pantanal. Podemos destacar nesses estudos para a bacia do alto Taquari (BAT) o uso do solo, a avaliação e o mapeamento do potencial das perdas de solo, a evolução da erosividade das chuvas e a utilização de pesticidas na BAT.
 
Na planície do rio Taquari estão sendo avaliadas e realizadas as taxas  temporais de deposição de sedimento a partir da década de 70, o estudo do aporte, transporte e deposição de sedimento, evolução do regime hidrológico, bem como as alterações na vegetação, avaliação da qualidade da água e impactos na ictiofauna e socioeconomia. 
 
As informações geradas nesses estudos de impactos ambientais e socioeconômicos visam subsidiar políticas, legislações, programas, planos e ações de desenvolvimento para essa importante região do Pantanal.
 
A implementação do gasoduto Brasil/Bolívia abre algumas perspectivas industriais para a região, mas poderá desencadear alterações nos ecossistemas aquáticos do Pantanal e da bacia platina. Além disso, a hidrovia Paraguai-Paraná desperta a atenção da sociedade pelos impactos que poderá promover. Da mesma forma, a construção de estradas, diques e canais devem ser precedidas de estudos de impacto ambiental e socioeconômico.
 
 
 
Voçoroca no rio Taquari
 
 
O fechamento de canais naturais, o restabelecimento de margens e de arrombados devem ser meticulosamente avaliados do ponto de vista ambiental e socioeconômico, demandando atenção especial das autoridades pelos sérios prejuízos que estão causando à economia do Pantanal. 
A caça e pesca clandestinas e a introdução de espécies exóticas também são graves ameaças à preservação dos recursos naturais da região, devendo merecer a atenção especial das autoridades competentes.
 
A pesada utilização de agroquímicos nos planaltos adjacentes ao Pantanal é uma outra grave ameaça à biodiversidade dos ecossistemas do bioma. O ecoturismo, embora seja uma das principais alternativas sócio-econômicas para a região, necessita de planejamento para ser explorado em bases sustentáveis.
 
Todo esse conjunto de problemas atuais e potenciais decorrentes da atividade humana nos planaltos e na planície demonstra que as ações a serem implementadas em uma bacia hidrográfica devem ser alicerçadas em estudos integrados, onde as relações de causa e efeito necessitam estar bem delineadas e aceitas pela sociedade.
 
 
Referências Bibliográficas:
 
ADAMOLI, J.  Diagnóstico do Pantanal: características ecológicas e problemas ambientais. Brasília: PNMA, 1995. 50 p.
 
ALHO, C. J. R.; VIEIRA, L. M.  Fish and wildlife resources in Pantanal wetlands of Brazil and potential disturbances from the release of environmental contaminants. Environmental Toxicology Chemistry, v.16, n. 1, p. 71-74, 1997.
 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente dos Recursos Hídricos e da Amazonia Legal (Brasília, DF). Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai (Pantanal) – PCBAP: análise integrada e prognóstico da Bacia do Alto Paraguai. Brasília, 1997. 369 p., anexos. Programa Nacional do Meio Ambiente. Projeto Pantanal.
 
GALDINO, S.; CLARKE, R. T.; PADOVANI, C. R.; SORIANO, B. M. A; VIEIRA, L. M.   Evolução do regime hidrológico na planície do baixo curso do rio Taquari – Pantanal. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 12., 1997, Vitória. Anais... Vitória. Associação Brasileira de Recursos Hídricos, 1997. p. 383-390.
 
SILVA, J. dos S. V. da; ABDON, M. de M.; SILVA, M. P. da; ROMERO, H. R. Levantamento do desmatamento no Pantanal brasileiro até 1990/91. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 33, p. 1739-1745, out., 1998. Número Especial.