Perguntas mais frequentes

É uma doença de aves domésticas e silvestres, causada por vírus de influenza aviária altamente patogênicos, ou IAAP (em inglês, HPAV - Highly Pathogenic Avian Influenza). Nas aves domésticas a doença se caracterizada principalmente por alta mortalidade e problemas respiratórios tais como tosses, espirros, muco nas narinas. Podem ocorrer sinais clínicos nervosos tais como o andar cambaleante das aves. Em aves em postura ocorre queda de produção de ovos.

A influenza aviária causada por vírus altamente patogênicos, ou qualquer vírus dos subtipos H5 ou H7, é uma doença de notificação obrigatória aos órgãos oficiais de defesa sanitária animal do país.    O diagnóstico oficial da doença deve ser comunicado a órgãos internacionais de controle de saúde animal e a países importadores. Portanto, surtos da doença causados por vírus altamente patogênicos acarretam em barreira sanitária para a comercialização de produtos avícolas no mercado interno e internacional e, portanto, em enorme prejuízo econômico para a avicultura comercial.

Existem vários subtipos diferentes de vírus de influenza, que variam quanto a sua patogenicidade nas diferentes espécies de aves. A influenza aviária não é diagnosticada como doença e não é notificável quando a infecção for diagnosticada como sendo causada por algum subtipo de vírus de baixa patogenicidade (influenza aviária de baixa patogenicidade -IABP). Vírus dos diferentes subtipos (H1 a H16) podem circular normalmente em aves silvestres e migratórias, principalmente em aves aquáticas que são hospedeiros naturais dos vírus de influenza aviária.

Os vírus de baixa patogenicidade normalmente não causam sinais clínicos em aves silvestres ou causam sinais clínicos leves em aves domésticas. Contudo, qualquer infecção por vírus dos subtipos H5 e H7, mesmo quando diagnosticados em aves silvestres, é também notificável mas não impõe barreira comercial à avicultura. A notificação dos vírus H5 e H7, mesmo em aves silvestres, é necessária como alerta de riscos para as aves domesticas, especialmente para a avicultura comercial por serem os subtipos de vírus mais associados à capacidade de se adaptarem e adquirirem alta patogenicidade em aves domésticas e em consequência podem causar surtos graves, com alta mortalidade de aves e perdas econômicas por barreiras sanitárias.

A doença foi diagnosticada pela primeira vez na Itália em 1878, como Praga Aviária. E, em 1955 o vírus foi identificado como influenza A aviário.

O primeiro relato da influenza aviária ou "gripe do frango" foi de doença em galinhas, em 1918. A ocorrência da gripe aviária em humanos, causada pelos vírus aviários, foi relatada pela primeira vez em 1997, em Hong Kong.

Por outro lado, a gripe sazonal em humanos é aquela causada por vírus influenza humano que acomete as pessoas periodicamente e que é prevenida pelas campanhas de vacinação anuais, sendo diferente da gripe causada pelos vírus aviários.

A primeira grande pandemia mundial de gripe humana foi relatada pela primeira vez em 1918 e causou elevadíssima mortalidade de pessoas no mundo todo.

O vírus de influenza aviária é de distribuição mundial em aves silvestres, mais tipicamente nas aves aquáticas. Nestas aves podem ser encontrados diferentes subtipos do vírus, entre os quais subtipos de vírus de baixa patogenicidade que circulam normalmente em aves silvestres. Os vírus H5 ou H7 que podem ser de baixa ou alta patogenicidade já foram relatados em inúmeros países.  Desde início de 2014 a OIE notificou mais de 41 surtos de vírus H5 e H7 em aves, envolvendo sete vírus diferentes, em 20 países (África, América, Ásia, Austrália, Europa, Oriente Médio).

A Ásia, assim como outras regiões do mundo onde a infecção não esteja controlada em aves domésticas, tem apresentado maiores riscos de infecção e evolução de novos vírus. 

Regiões de maior risco de influenza são aquelas em que há predominância de íntima relação de contato entre galinhas comerciais e aves aquáticas domésticas e silvestres, como patos e marrecos, tanto nas áreas rurais como em centros urbanos onde são comuns feiras de comércio de aves vivas, que propiciam constante contato entre diferentes espécies de aves e também humanos. Na Ásia há o agravante desta interação ocorrer em áreas muito densamente povoadas, compondo um ambiente propício para a disseminação e evolução de novos vírus de influenza aviária. 

Na disseminação de vírus de influenza há também o suíno como hospedeiro intermediário importante, principalmente em sistemas de produção mistos com contato entre galinhas, aves silvestres, gansos, patos, marrecos, entre outras aves, além de pessoas. Este modelo de produção e comercialização, com densa população animal mista e humana tem sido considerado um fator determinante do inesperado "pulo" do vírus aviário diretamente a humanos, ocorrido pela primeira vez com o sorotipo H5N1, sem a necessidade de passagem por hospedeiro intermediário, como o suíno, para infecção de humanos.

O último Relatório Epidemiológico da OMS - Organização Mundial de Saúde (http://www.who.int/wer/2014/wer8928.pdf?ua=1) informou aumento dos diagnósticos de vírus de influenza aviária em humanos nos anos 2013-2014, principalmente na Ásia e norte da África. Contudo, não é bem definido se este aumento é decorrente de evolução mais rápida dos vírus, a exemplo do surgimento dos mais recentes vírus H5N6 e H7N9 entre os anos 2013 e 2014, ou se o aumento de casos humanos possa ser resultado de maior vigilância de vírus de influenza aviária em humanos nos últimos anos.

A gripe aviária é causada por um vírus classificado como orthomixovirus do grupo A, do tipo aviário. Há três grupos de vírus de influenza - A, B e C - e estes três grupos ocorrem em humanos.  Apenas o grupo A infecta diferentes espécies animais e humanos. Mais usualmente os subtipos de vírus de influenza encontrados em uma determinada espécie se limitam a se manter circulando na mesma espécie.  Desta forma, muitos dos vírus de influenza do grupo A são classificados como vírus do tipo humano, vírus de influenza de suínos, vírus de influenza equina e os vírus de influenza aviária.

Mas, alguns vírus circulando em determinada espécie podem adquirir a capacidade de infectar outra espécie. Por exemplo, vírus de aves silvestres podem eventualmente ser transmitidos a aves domésticas. 

Casos frequentes ocorrem de vírus humanos infectando suínos e vírus de suínos em humanos.  Os suínos não parecem ser capazes de transmitir eficazmente vírus puramente aviários. Por exemplo, estudos experimentais demonstraram que os suínos podem se infectar com o vírus H5N1 ou H7N9 aviário que tem causado mortalidade em humanos mas, assim como humanos, os suínos não transmitem o vírus entre si nem a humanos. Contudo, se durante a infecção pelo vírus aviário o suíno estiver também infectado com vírus de influenza suína, os vírus aviários podem se combinar com vírus suíno durante a replicação conjunta dos diferentes vírus no animal, gerando novos vírus de influenza suína que contem misturas de genes originados tanto de vírus aviário como suíno. Se o novo vírus gerado se adaptar ao suíno, adquirir capacidade de replicar, ser transmitido entre suínos e se estabelecer na população o novo vírus poderá se manter circulando e eventualmente vir a ser transmitido a humanos. Um exemplo recente foi a pandemia causada pelo vírus H1N1. O novo vírus H1N1 humano que causou a pandemia em 2008 e 2009 teve origem em vírus de influenza de suíno que continha genes de vírus aviários e que se manteve circulando em populações de suínos por um período indeterminado, até que o momento em que foi transmitido e se adaptou em humanos.

O contato das aves domésticas com as silvestres é um dos determinantes para ocorrência de surtos da doença na avicultura comercial ou doméstica.  Além do risco de introdução do vírus por aves migratórias, outras formas de introdução e disseminação devem ser consideradas e incluem especialmente riscos decorrentes da movimentação de aves, criações de múltiplas espécies e contato com aves aquáticas migratórias.

O vírus de influenza pode ser viável por longos períodos em fezes infectadas e na água. Em patos, a excreção ocorre nas fezes por cerca de 30 dias após a infecção. Águas de lagos e lagoas frequentadas por patos migratórios têm sido consideradas importantes fontes de contaminação e reinfecção de aves.

As formas de transmissão são o contato direto com secreções de aves infectadas, especialmente fezes, ração, secreções respiratórias das aves infectadas, água, ovos quebrados ou carcaças de animais mortos, o que inclui o contato de aves domesticas com aves aquáticas e migratórias que sejam portadoras de vírus.

A disseminação de surtos muitas vezes é causada também por equipamentos, veículos e roupas contaminadas e trânsito de pessoas em áreas com a doença.

Outras fontes de transmissão:

  • Transmissão Vertical (via matriz ao ovo) não parece ocorrer
  • Vírus pode estar presente na casca do ovo até 3 a 4 dias após infecção das aves
  • Vírus já foi detectado no sêmen de galos

Os diferentes subtipos de vírus de influenza são mais comumente encontrados em aves aquáticas da ordem Anatiformes, família Anatidae, subfamílias Anserinae e Anatinae, tais como patos, cisnes, gansos, marrecos, irerê. Os marrecos, como o marreco de Pequim (Anas platyrhynchos) e os patos silvestres são as principais espécies nas quais há maior ocorrência de infecção pelos inúmeros subtipos diferentes de vírus de influenza aviária. 

O vírus é também mais comum em aves da ordem Charadriiformes, que incluem mais de 350 espécies, distribuídas por todo o mundo. A maioria dos seus membros vive nas zonas costeiras e litorâneas. Exemplos importantes são as gaivotas, maçaricos, vira-pedras, perdizes, trinta-réis, batuíras, jaçanã. Os vírus de influenza aviária são encontrados menos frequentemente em periquitos, papagaios, tecelões, cacatuas, tendilhões, ratitas (avestruzes) e falcão.

As aves silvestres, principalmente as aves aquáticas tais como pato, marreco, ganso, maçaricos, gaivotas, garças, tecelões, pardelas e cisne entre outras aves das ordens Anseriforme e Charadriforme, são o reservatório natural do vírus de influenza. Ou seja, estas aves podem ser portadoras do vírus e excretar o vírus pelas fezes, mas podem não desenvolver quaisquer sintomas da doença.

A aves domésticas terrestres, tais como galinhas e perus, não são consideradas reservatórios dos vírus de influenza, mas são sensíveis à infecção por vírus transmitido por aves silvestres. Os patos domésticos e codornas têm tido papel importante como hospedeiros intermediários e reservatórios para a transmissão dos vírus de aves silvestres para galinhas e perus. Na China, os patos domésticos têm sido associados como as principais espécies nas quais vírus de aves silvestres se disseminam, sendo então transmitidos a galinhas e gerando um ecossistema favorável para a movimentação do vírus de seus hospedeiros naturais para hospedeiros susceptíveis à doença.

Além das aves silvestres ou domésticas, podem ser esporadicamente encontrados em espécies de mamíferos marinhos como focas, baleias e martas. O vírus H5N1 asiático foi isolado de alguns felinos, como tigres.

No ciclo natural do vírus ocorre primeiramente a transmissão viral entre as aves silvestres e destas para as aves domésticas e, eventualmente, das aves para os suínos e dos suínos para humanos e de humanos para suínos.

Nos suínos podem ocorrer combinações de genes dos vírus aviários com genes dos vírus que estejam circulando na população suína. Dependendo da adaptação dos novos vírus aos suínos pode haver transmissão do vírus do suíno para o homem e do homem para o suíno. 

Até 1997 não havia sido ainda relatada a transmissão do vírus aviário diretamente aos humanos.  Em 1997 em Hong Kong foi descrito o primeiro caso de transmissão de um vírus aviário altamente patogênico, do subtipo H5N1, diretamente das aves ao homem.  Este "pulo" do vírus aviário diretamente a humanos se repetiu novamente na Ásia e na Europa nos anos seguintes, onde alguns subtipos de vírus aviários adaptaram-se e se disseminaram em aves domésticas tais como marrecos, patos, codornas, gansos e galinhas e foram transmitidos destas aves para o homem.  Desde então o mundo vem convivendo com uma aparente rápida evolução dos vírus de influenza e casos de novos vírus aviários de origem na Ásia, tais como H9N2, H7N3, H5N6 e o H7N9, vem ocorrendo em humanos com variados graus de gravidade da doença e mortalidade. 

Novos vírus de influenza foram identificados em morcegos na América Central e Sul e, por serem bastante diferentes dos 16 subtipos aviários, foram classificados como novos subtipos H17 e H18 e que contêm também novos genes de neuraminidase classificados como N10 e N11. Há hipóteses de que os vírus de morcegos seja um grupo divergente de vírus, adaptado a morcegos.

O principal sintoma da doença causada por subtipos de vírus altamente patogênicos, H5 ou H7, é a morte súbita, muito acima da mortalidade normal de aves no lote, podendo ser superior a 60% ou de até de 80 a 100% das aves dependendo da patogenicidade do vírus. Nesse caso, consulte um veterinário para fazer a análise clínica e a necropsia das aves. Em caso de mortes muito rápidas, as aves podem não apresentar sintoma da doença.

Sintomas da gripe aviária em galinhas são:

  • Tosse, espirros, muco nasal
  • Queda de postura, na produção de ovos e/ou alterações nas cascas dos ovos; Hemorragias, nas pernas e as vezes nos músculos
  • Edema (inchaço) nas juntas das pernas; inchaço da crista e barbela, com cor roxa-azulada ou vermelho escuro
  • Falta de coordenação motora (sintomas nervosos)
  • Diarreia e desidratação

Lesões (necropsia das aves):

  • Muco excessivo ou hemorragia da traqueia
  • Edema subcutâneo na região da cabeça e pescoço, inchaço da cabeça, olhos, crista, barbela e juntas das pernas
  • Coloração roxa das penas, cristas e barbelas
  • Hemorragias musculares
  • Petéquias (pontos hemorrágicos) no peito, gordura abdominal e interior da carcaça
  • Severa congestão dos rins, as vezes com depósitos de uratos
  • Hemorragias e degeneração dos ovários
  • Hemorragias na mucosa do pró-ventrículo principalmente na junção com a moela
  • Focos de hemorragias na mucosa do intestino

As lesões em perus são similares a lesões em galinhas, mas podem não ser tão severas. Patos infectados com vírus de influenza altamente patogênico e que excretam o vírus podem não apresentar lesões nem sintomas.

Ao primeiro sinal da doença, procure o médico veterinário para fazer a análise clínica das aves. Comunique a suspeita ao Serviço Veterinário Oficial da região, que fará o trabalho de investigação e, se a suspeita for confirmada, desencadeará todas as medidas cabíveis.

Não vacine as aves, pois no Brasil não há a ocorrência da doença e não há vacinas licenciadas no país.

Não misturar aves de espécies diferentes no mesmo aviário, principalmente galinhas e frangos com aves aquáticas tais como patos, marrecos, gansos ou aves silvestres. Na avicultura comercial, utilize apenas aves de linhagens comerciais, mesmo se forem aves caipiras ou de criações de subsistência. Cercar os galpões com tela é uma medida fundamental para impedir a entrada e contato direto com aves de vida silvestre.

Evitar contato de galinhas com outras aves, especialmente outras espécies de aves domésticas, aves silvestres ou aves migratórias. Se houver uma propriedade avícola com suspeita de influenza, não visitar a propriedade.

Adquirir aves somente de plantéis certificados ou registrados junto ao MAPA e não comprar aves ilegalmente e nem transportar aves sem autorização oficial de trânsito animal.

Por conterem um genoma de RNA, os vírus de influenza estão sujeitos a mutações frequentes, uma vez que não possuem a capacidade de corrigir o processo de cópia do RNA durante a replicação do genoma viral para formação de nova partícula vírica. Estas mutações frequentes causam alta variabilidade dos vírus de influenza e, em consequência, os problemas com a incompleta proteção conferida pelas vacinas e pela variabilidade na patogenicidade dos diferentes vírus. 

Os vírus de influenza A muito frequentemente podem intercambiar genes, principalmente em aves, gerando novos vírus e este processo de combinações de genes tem um impacto importante na biologia e evolução dos vírus na natureza e na complexidade quanto ao custo e efetividade de programas de vacinação.  Devido à dinâmica evolução dos vírus de influenza é necessária a continua revisão de cepas vacinais a serem utilizadas para vacinação.

Várias vacinas para humanos, suínos e aves estão continuamente em desenvolvimento mundialmente para que forneçam adequada proteção contra novos vírus. Entretanto, a vacinação de aves contra influenza aviária não é permitida no Brasil, uma vez que o país tem se mantido livre da doença.

O México e Itália, por exemplo, utilizaram vacinas para conter surtos da doença em plantéis de galinhas comerciais causados por vírus H5 e H7 altamente patogênicos.  Vacinas para o vírus H5N1 têm sido utilizadas na Ásia na tentativa de controle do vírus. Contudo, a vacinação não foi capaz de conter totalmente o vírus H5N1 e focos da doença continuam sendo relatados mesmo em países que adotaram a vacinação, tais como a China.  A vacinação das aves foi adotada principalmente para o vírus H5N1 asiático em países onde o vírus tem se mantido endêmico como estratégia de também minimizar os riscos do vírus como zoonose fatal a humanos.

Sim, é reconhecido esse risco, mas não é possível ter certeza pois há inúmeros fatores envolvidos e que são difíceis de dimensionar com precisão apenas com base nos dados existentes na América do Sul.

É essencial considerar que os riscos são grandes especialmente com comércio ilegal de aves. Há riscos ainda desconhecidos sobre as aves migratórias nas rotas de migração Norte-Sul e a propagação do vírus de influenza aviária do hemisfério Norte para o Sul. Países da Europa, Ásia e América do Norte mantêm programas extensos de monitoria de vírus em aves silvestres, mas estes programas tem um alto custo e não foram feitos intensivamente no hemisfério Sul. 

Uma vez que os surtos na América do Norte tomaram uma extensão sem precedentes desde o final de 2014, torna-se mais evidente ainda a importância e urgência de monitoramento mais extenso de influenza aviária em aves silvestres aquáticas nas rotas migratórias que cursam o Brasil e em produções domésticas que não adotam procedimentos de biossegurança. A execução das monitorias de aves silvestres em estabelecimentos avícolas comerciais é de determinação e controle exclusivo do Programa Nacional de Sanidade Avícola do MAPA, sendo o diagnóstico realizado no laboratório oficial do MAPA para diagnóstico de influenza aviária.

A estratégia está definida por Portaria Ministerial sobre Diagnóstico e Controle de Influenza Aviária e Doença de Newcastle, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prevendo todas as ações que devem ser tomadas pelos órgãos oficiais para conter focos da doença. A portaria define perímetros de contenção de focos, testes de diagnostico a serem realizados, procedimentos de descarte de aves, de comercialização, abate, etc.

O MAPA, além de ter estabelecido um Plano de Contingência, mantem programas de treinamento de técnicos da defesa sanitária animal sobre o diagnóstico da doença, procedimentos de controle e treinamentos de simulação de surtos. Os Serviços de Defesa Sanitária Animal, no âmbito federal e estadual, são responsáveis pela vigilância de fronteira, portos, aeroportos, pelo recebimento de notificações de suspeitas. Apenas os Serviços Oficiais podem atuar na identificação e controle oficial de suspeitas de influenza.

Ter em conta que o risco sempre existe e que se deve monitorar planteis de aves comerciais e silvestres parta identificar de imediato e eliminar qualquer foco da doença que possa ocorrer.

O vírus é facilmente inativado, mas pode resistir bem no ambiente por certo tempo, especialmente nas épocas de inverno de regiões mais frias do hemisfério norte, e em carcaças de frango congeladas. Por tanto, o comércio de aves e produtos avícolas deve ser muito bem controlado.

É essencial a adoção de medidas rigorosas de biossegurança das granjas e a adoção de boas práticas de produção, que reduzem os riscos de contato e entrada de aves ou materiais infectados nos variados sistemas de produção de aves.

Ficar em alerta e monitorar os relatos de disseminação do vírus em outros países é essencial para se prever os riscos da chegada do vírus. 

Os casos de surtos em outros países demonstram que a prevenção depende em grande parte de monitoramento constante das aves: o MAPA e órgãos estaduais de Defesa Sanitária Animal executam as várias ações de defesa sanitária para controle de entrada de influenza, entre as quais:

  • Monitoria periódica de aves comerciais e migratórias
  • Quarentena de todas aves importadas em instalações portuárias e de aeroportos com biossegurança adequada para contenção do vírus
  • Controle de trânsito de aves vivas no país: exigência de certificação de diagnóstico negativo de influenza aviária e doença de Newcastle
  • Controle de comércio de aves vivas
  • Treinamento de médicos veterinários no diagnóstico de suspeitas de casos, coleta e envio de material suspeito para o laboratório, metodologias de contenção de surtos, treinamentos simulados de ação sobre focos da doença

Nesse caso, lavar bem mãos e corpo após contato com as aves. Somente o Serviço Veterinário Oficial pode confirmar se a suspeita é fundamentada. Também deve contatar os serviços de saúde oficiais (agricultura e saúde) do município para orientações.

O Plano de Contingência para Influenza estabelecido pelo MAPA prevê as ações exercidas por veterinários do serviço oficial do estado, município ou federal. A eles compete supervisionar:

  • Uso de máscaras de proteção para evitar respirar o vírus excretado pelas aves nas secreções nasais, oculares, fezes, assim como a poeira do ambiente contaminado
  • Eliminar rapidamente as aves infectadas - enterrar as aves e cama e desinfetar completamente os aviários. As aves infectadas devem ser eliminadas na propriedade e, por tanto, não podem ser levadas ao abatedouro
  • O transporte de aves com influenza não é permitido na legislação de controle de focos da doença e o controle de suspeitas da doença deve ser supervisionado pelos Serviços Oficiais de Defesa Sanitária Animal
  • Evitar contato entre lotes doentes e os não infectados

A influenza aviária é considerada exótica na avicultura doméstica no Brasil e não há ainda recomendação de vacinação, sendo o controle baseado na eliminação dos lotes de aves doentes e em áreas de risco e erradicação da doença.

Não há registros de infecção de pessoas por vírus aviários no Brasil e o risco humano é muito baixo, pois a influenza aviária não foi diagnosticada em aves domésticas no Brasil.

Não há ainda comprovação de transmissão de vírus aviários entre humanos. Já, os riscos de contaminação humana são maiores em regiões do mundo onde o vírus não é controlado e onde já tenham ocorrido registros de vírus aviários capazes de infectar diretamente humanos. A Ásia, norte da África e Oriente Médio são as regiões no mundo onde ocorreram mais casos humanos devido a contato direto de pessoas com aves infectadas com alguns dos poucos subtipos de vírus capazes de infectar humanos.

A contaminação humana ocorre por contato direto com secreções de aves infectadas - especialmente feiras de aves vivas, fezes de aves, sangue, aves mortas.

Não. Alguns subtipos de vírus aviários adquiriram a capacidade de infectar humanos, mas nem todos os casos já confirmados de infecção humana causaram doença grave.

Os subtipos de vírus de influenza aviária já diagnosticados em humanos são:

H5N1 asiático: Os primeiros casos de doença grave e mortalidade de pessoas infectadas por um vírus de influenza aviária foram relatados em Hong Kong em 1997 e foram causados por um vírus asiático do subtipo H5N1. Alguns anos depois, a partir do final de 2003 e 2004, novos casos de doença grave, com mortalidade de mais de 60% das pessoas infectadas por vírus H5N1 se disseminarem a diferentes regiões do sudeste da Ásia. A doença em humanos tem sido resultado de contato direto com aves infectadas com o vírus asiático H5N1 altamente patogênico e até hoje não houve confirmação de adaptação do vírus a humanos e transmissão direta entre pessoas. Alguns casos esporádicos foram relatados e podem ter sido resultado de contato direto com pessoas doentes em fase aguda com excreção de altos títulos de vírus. Mas a transmissão entre pessoas não foi resultado da adaptação do vírus e o H5N1 ainda não adquiriu capacidade de replicação no trato respiratório superior para transmissão por tosses, espirros e secreções, a exemplo da forma que ocorre normalmente na transmissão dos vírus de influenza humana e que ocorrem sazonalmente em humanos.

H7N7 e H7N3: causaram doença com sintomas brandos, tais como conjuntivite.

H9N2: Um vírus H9N2 de baixa patogenicidade em aves causou doença leve em Hong Kong, inicialmente em 1999, depois em 2003, e novos casos foram relatados pela OMS em Bangladesh em 2011 e Hong Kong em 2013 e 2014.

H5N6: A primeira detecção de um vírus H5N6 fatal em humanos ocorreu na China em abril 2014. Infecção humana foi relatada novamente em dezembro 2014 e fevereiro de 2015. Análises de vírus H5N6 de surtos ocorridos em galinhas no Laos em 2014 mostraram que o vírus resultou de combinação de influenza A(H5N1) asiático (clade 2.3.2.1b, variante clade 2.3.4) e influenza A(H6N6) que circulam amplamente em populações de patos no sudeste e leste da China.

H10N8: Em aves domésticas e silvestres. Em humanos ocorreram três casos de doença grave, com duas mortes na China (2013-2014). Este vírus aviário se originou pela combinação com genes internos de vírus H9N2. Análise feita por pesquisadores quanto à evolução de vírus H10 no Sul da China identificou ter havido vírus precursor do subtipo H10N8 que ocorria em patos e eventualmente se adaptou a galinhas, rearranjando com genes de um vírus H9N2 que também circulava em galinhas.

H7N9: Um novo vírus, do subtipo H7N9 de patos e galinhas, apesar de não causar sinais clínicos ou produzir doença muito branda em galinhas, já infectou mais de 600 pessoas na Ásia ao longo de apenas dois anos. Comparativamente, neste curto período já ocorreram quase tantos casos humanos quanto casos de H5N1 ao longo de 12 anos. Apesar da mortalidade ser inferior ao H5N1, o H7N9 é considerado grave com taxas de mortalidade relatadas entre 22 a 36% das pessoas infectadas. A caracterização dos vírus isolados identificou ser vírus aviário que está circulando na China.

Deve se enfatizar que apenas alguns vírus aviários já foram capazes de infectar humanos e que nem todos os vírus H5N1, H7N9, H10N8, entre outros, infectam humanos. Por exemplo, um vírus H5N1 foi identificado em patos na América do Norte no final do ano de 2014, mas este vírus não tem relação com o vírus H5N1 asiático e não foi evidenciada infecção de pessoas. Portanto, a denominação usada para os vírus de influenza apenas identifica o subtipo de vírus, mas não indica que seja um vírus capaz de infectar humanos. Vírus de um mesmo subtipo podem ser bastante diferentes entre si e podem ser geneticamente distintos dependendo da região em que ocorrem, espécies hospedeiras e período do ano. Atualmente são reconhecidas duas linhagens principais de vírus - Asiática e Americana e apenas recentemente um vírus asiático que combinou genes com vírus americano chegou a causar surtos graves na avicultura. Porém, não há evidencias de que estes novos vírus infectem humanos.

O vírus H7N9, que até 2015 causou infecções humanas na Ásia, tem causado grande preocupação aos órgãos internacionais de saúde, pois há indicações de que este vírus seja facilmente transmitido de aves a humanos. Outra preocupação e alerta são as evidências de que os vírus asiáticos H5N1, H9N2 e H7N9 circulando na Ásia até o ano de 2015 vêm se combinando a outros vírus que circulam na região e podem eventualmente ser transmitidos a outras regiões do mundo.
Essa situação de contínuo surgimento de novos vírus e a contínua evolução do H5N1 asiático chama a atenção para a extrema importância de monitoramento constantemente de vírus de influenza circulando em populações de aves domésticas e silvestres, e análises de riscos de novos vírus com potencial de zoonose (infecção humana por agente infeccioso de origem animal).

De acordo com relatórios da OMS, os vírus de influenza aviária A(H5N1) e A(H7N9) permanecem como os dois vírus de influenza com potencial pandêmico, uma vez que continuam a circular amplamente em populações de aves domésticas e para os quais os humanos não terão imunidade protetora. [http://www.who.int/mediacentre/factsheets/avian_influenza/en/ (acesso em 18/6/2015)].

A OMS já vem trabalhando na definição de quais vírus H7N9 poderão compor uma vacina humana em caso de uma pandemia.

É essencial, portanto, o controle de todo e qualquer surto de influenza aviária em aves domésticas, mesmo quando causados por vírus de baixa patogenicidade em galinhas, uma vez que já foi demonstrado que vírus dos subtipos He? ou H7 de baixa patogenicidade para aves podem se adaptar e mutar rapidamente em poucos meses e adquirir alta patogenicidade se for permitida a sua circulação na população de aves. Os vírus circulando em aves e que adquirirem maior patogenicidade para aves domésticas, além dos enormes prejuízos para a avicultura, aumentam os riscos de surgimento e evolução de novos vírus com potencial de infectar humanos. Reconhecer e rapidamente eliminar focos da doença em aves é a melhor estratégia de controle de influenza aviária na avicultura. O controle da disseminação da doença em aves também reduz os riscos de contaminação de humanos por meio do contato com aves infectadas.