Perguntas e respostas

É uma iniciativa pré-competitiva que tem como objetivo desenvolver e disponibilizar aos produtores variedades resistentes a pragas agrícolas de importância quarentenária antes que ingressem no Brasil.

 

Pragas quarentenárias são organismos com potencial patogênico, ou seja, capacidade de causar doenças em culturas agrícolas, que ainda não ocorrem no Brasil. Podem ser insetos ou microrganismos, como fungos, vírus e bactérias. Quem define as pragas quarentenárias com potencial nocivo à economia brasileira é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Inclusive, há uma lista desses organismos na página do Ministério na internet. Paralelamente aos danos econômicos, a introdução desses organismos no país causa prejuízos sociais, com a perda direta e indireta de empregos e renda, e ambientais, pelo aumento no uso de defensivos químicos.

 

Existem hoje, pelo menos, 489 pragas quarentenárias de alta periculosidade que podem entrar no Brasil a qualquer momento.

 

Porque uma das missões da Embrapa, como empresa pública promotora de ciência e tecnologia no Brasil, é empreender ações pré-competitivas em prol da agricultura. Ao criar o Programa Nacional de Melhoramento Genético Preventivo (AgroPreventivo), a Empresa pretende municiar os produtores de variedades melhoradas geneticamente para se tornarem resistentes a algumas pragas quarentenárias.

 

Sim, já existem medidas de vigilância agropecuária em vigor no Brasil, mas o risco de entrada de pragas exóticas é maior do que no passado recente. O trânsito de pessoas, veículos e produtos vem crescendo muito nos últimos 30 anos, o que aumenta consideravelmente os riscos de introdução de pragas. Por isso, o desenvolvimento preventivo de material genético resistente e adaptado às condições de produção nacionais representa um esforço lógico de minimização do potencial dano econômico causado pela entrada de pragas quarentenárias.

 

O primeiro filtro do Programa elencou as culturas agrícolas prioritárias para proteção no Brasil. O AgroPreventivo está trabalhando, inicialmente, com quatro culturas de importância socioeconômica para a população: arroz, feijão, soja e videira. Depois de selecionadas essas culturas, o Programa definiu, então, as primeiras cinco pragas-alvo: Xanthomonasoryzaepv.oryzae (bactéria-praga de arroz); Phomaglycinicola(fungo causador da doença conhecida como mancha vermelha da folha de soja); Burkholderiaglumae(bactéria causadora da doença conhecida como podridão do grão do arroz); Pseudomonassyringaepv. Phaseolicola(bactéria que ataca o feijoeiro) e Guignardiabidwelli(fungo responsável pela doença conhecida como podridão negra da videira).

Os critérios para definição dessas pragas quarentenárias são vários e incluem: proximidade geográfica –pragas que já podem ser encontradas em países vizinhos ao Brasil – formas de propagação (por exemplo, pragas facilmente disseminadas em lavouras irrigadas), pragas que ocorrem em países com os quais o Brasil mantém intercâmbio de material genético e vínculos comerciais, entre outras. É claro que o potencial patogênico dos organismos também é levado em consideração. Pragas muito nocivas às produções agrícolas nos países onde são relatadas são priorizadas pelo AgroPreventivo.

 

O Programa Agropreventivo funciona da seguinte maneira: o primeiro passo é buscar genes de resistência às pragas agrícolas que fazem parte do Programa nos bancos genéticos da Embrapa e de instituições parceiras no Brasil e no exterior.

Depois, esses genes são incorporados ao programa de melhoramento genético da Empresa para cruzamento com linhagens-elite, de forma que sejam transferidos às variedades comerciais de arroz, feijão, soja e uva.

O passo seguinte é selecionar as plantas resistentes às pragas através de análises de DNA e desenvolver estoques genéticos contendo genes de resistência a pragas quarentenárias.

Depois, são feitos testes de validação desses estoques nos países nos quais as pragas quarentenárias já foram identificadas.

Por fim, os estoques genéticos são disponibilizados às instituições participantes do Programa AgroPreventivo.

 

Mais do que isso. A formação de parcerias com instituições públicas e privadas de pesquisa do Brasil e do exterior é um fator imprescindível à execução do Programa. Além da identificação de fontes de resistência genética nos bancos mantidos por essas instituições, a cooperação técnica é fundamental para testar a resistência das plantas melhoradas aos patógenos. Como eles ainda não ocorrem no Brasil, esses testes têm que ser feitos em países parceiros. O melhoramento preventivo requer acordo técnico-científico com instituições de pesquisa dos países onde as pragas-alvo estão presentes para realizar testes de resistência das linhagens desenvolvidas pelo Programa brasileiro em parceria com as instituições estrangeiras.

 

São vários os benefícios para os setores agrícolas dos países participantes. Entre eles, destacam-se: a ampliação da discussão estratégica na área agrícola entre países produtores de alimentos; o esforço mútuo no emprego de tecnologia avançada em apoio a programas de melhoramento; aumento do intercâmbio de acessos e enriquecimento das coleções genéticas; aumento da cooperação técnica e troca de conhecimentos relacionados à interação planta-praga, entre outros e parceria na formação de estoques genéticos de plantas resistentes. Sem falar que os estoques genéticos serão de livre acesso às instituições que participam e apoiam o desenvolvimento do Programa brasileiro.

 

Sim. Em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão, foram identificadas fontes de resistência para a bactéria Xanthomonasoryzaepv.oryzae no banco de arroz mantido pela Unidade, em Goiânia. Esses genes já deram origem a linhagens resistentes de arroz irrigado e de sequeiro.

Outra ação que já está avançada é resultado de uma triangulação entre Brasil, Estados Unidos e Angola para desenvolvimento de variedades com resistência ao fungo Phomaglycinicola, causador da doença conhecida como mancha vermelha da folha de soja. O Programa já resultou na formação de uma coleção nuclear de soja que será enviada a Angola para testes com o patógeno. Coleções nucleares são compostas de poucas amostras, mas com alta variabilidade genética.

 

Por ser estratégico para o Brasil, a ideia é que o Programa Nacional de Melhoramento Genético Preventivo seja permanente. Mesmo porque não é um programa estanque. No momento, envolve quatro culturas agrícolas e cinco pragas quarentenárias, mas o objetivo é aumentar esse espectro de atuação, de acordo com as necessidades do Brasil e o surgimento ou identificação de novas pragas quarentenárias.

 

São baixos e estão praticamente restritos aos salários dos pesquisadores das unidades da Embrapa envolvidas na sua execução. O Programa é coordenado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e conta com a parceria de outras unidades de pesquisa da Embrapa (Arroz e Feijão (GO), Soja (PR) e Uva e Vinho (RS)), além de universidades brasileiras e institutos de pesquisa do Panamá, Estados Unidos, Angola e Alemanha.

Quando comparados aos prejuízos causados pela entrada de pragas quarentenárias no Brasil, os custos do Programa AgroPreventivo tornam-se ainda mais inexpressivos.

 

Os danos causados pela entrada de pragas à economia brasileira são de bilhões de dólares. E, infelizmente, não faltam exemplos para ilustrar essa informação. Na década de 80, a introdução do bicudo do algodoeiro devastou as lavouras de algodão da região nordeste do país, levando muitos cotonicultores à falência e fazendo com que o país passasse da condição de exportador a importador de algodão.

Nos anos 2.000, temos exemplos igualmente contundentes. No início da década, a ferrugem da soja causou prejuízos superiores a US$ 3 bilhões à economia nacional. Em 2013, o Brasil foi novamente vítima da introdução de uma praga quarentenária. A lagarta denominada Helicoverpa armigera causou em apenas um ano prejuízos de US$ 10 bilhões ao agronegócio brasileiro.

Aliados aos danos financeiros há também os prejuízos sociais, pela perda direta e indireta de emprego e renda, e ambientais, pelo aumento do uso de defensivos químicos para controlar as pragas.

 

Significativamente. Porque se trata de uma ação estratégica que vai desenvolver estoques genéticos de plantas resistentes a várias pragas quarentenárias que ameaçam a agricultura brasileira, antes de ingressarem no país. O objetivo é preparar o Brasil para a eventual entrada desses organismos. É uma atividade permanente voltada para a redução de prejuízos causados por pragas quarentenárias à economia nacional. O desenvolvimento preventivo de material genético resistente e adaptado às condições de produção brasileiras representa um esforço lógico de minimização do potencial dano econômico causado pela entrada de pragas quarentenárias.

 

Sim. Na verdade, é uma obrigação da Embrapa como instituição pública de pesquisa investir em ações de prevenção em prol da pré-competitividade do Brasil na área agrícola. O melhoramento preventivo é genuinamente pré-competitivo e com potencial para fomentar parcerias com instituições públicas e privadas, de forma a beneficiar a todos os envolvidos. O setor privado pode aportar recursos financeiros e humanos que contribuam para o desenvolvimento do Programa. E, por conseguinte, usufruir dos resultados como os demais participantes, já que os estoques genéticos com genes de resistência a pragas quarentenárias  desenvolvidos pelo Programa Nacional de Melhoramento Genético Preventivo são de livre acesso às instituições que participam e apoiam o seu desenvolvimento.

 

Sim, porque envolve várias áreas do conhecimento, como: conservação de recursos genéticos; caracterização molecular; genômica e melhoramento genético, entre outras.
Trata-se, portanto, de um programa multi-institucional e multidisciplinar.

 

Estratégia; pré-competitividade; multidisciplinaridade; multi-institucionalidade; cooperação técnica e cooperação internacional.