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Esclarecimento sobre a inserção da cultivar BRS FC401 RMD no mercado

O mosaico-dourado do feijão é uma doença que pode acarretar perda total das lavouras. É causado por um vírus, o Bean golden mosaic virus (BGMV), cujo agente transmissor é a mosca-branca. Não existe uma única maneira ou solução eficiente de controlá-lo no campo. O cultivo do feijão transgênico resistente, associado a práticas e técnicas agronômicas preconizadas pelo manejo integrado de pragas, é o que apresenta, sem dúvidas, o melhor resultado. 

 

A Embrapa obteve a primeira cultivar de feijão transgênico resistente ao mosaico-dourado, nomeada BRS FC401 RMD. Trata-se de um feijão com grãos carioca que não se difere do feijão convencional, em relação à aparência de planta, formato dos grãos, composição nutricional e sabor. 

 

A cultivar BRS FC401 RMD é uma ferramenta útil aos produtores rurais que enfrentam o problema do mosaico-dourado. A cultivar é recomendada para o plantio nas épocas das águas (semeadura de outubro a meados de dezembro) e do inverno (semeadura de abril a meados de junho) na região do Brasil Central, principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Bahia, sobretudo onde há histórico e risco de ocorrência do mosaico-dourado. O plantio da seca com esta cultivar não é recomendado pela Embrapa. Para uma ação completa, o uso da tecnologia RMD (Resistente ao Mosaico Dourado) requer a observação de recomendações do manejo integrado de pragas. Isso porque o agroecossistema de diversas regiões brasileiras é ambiente favorável à multiplicação da mosca-branca, inseto disseminador da doença e de outras viroses. 

 

O feijão transgênico RMD é seguro para a população e para o meio ambiente. Ao longo de mais de dez anos de desenvolvimento da tecnologia, o evento de transgenia designado Embrapa 5.1, que deu origem à cultivar BRS FC401 RMD, foi apresentado e debatido do ponto de vista técnico e científico em congressos, seminários e workshops junto à comunidade acadêmica, assim como em audiências públicas, fóruns e dias de campo que reuniram diferentes representantes da cadeia produtiva e consumidores. Esse trabalho culminou em 2011 com a avaliação e liberação da tecnologia RMD para cultivos comerciais no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), colegiado multidisciplinar de assessoramento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).   

 

Atualmente, o feijão RMD, cultivar BRS FC401 RMD, está em fase de inserção no mercado, seguindo o curso do processo de oferta de cultivares. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) licenciou, por meio de edital público, produtores para a multiplicação de sementes da cultivar em escala comercial. Além disso, já existem agricultores produzindo grãos que devem ser comercializados com indústrias empacotadoras.  

 

A Embrapa entende que a tecnologia RMD é mais uma alternativa para ajudar o agricultor a enfrentar o problema do mosaico-dourado em áreas onde a doença possui alta incidência e que é opcional a aquisição do produto final por parte do consumidor brasileiro. As indústrias empacotadoras são obrigadas pela legislação a indicar na embalagem de seus produtos a presença de elementos transgênicos.

 

Por fim, cabe esclarecer que somente a cultivar de feijão carioca BRS FC401 RMD é transgênica e que a Embrapa mantém normalmente o programa de oferta de cultivares convencionais de feijão (não transgênicas) realizado há mais de quatro décadas.