Perguntas e respostas

Organização: Joel Penteado
Edição: Katia Pichelli e Simone Soares

 

1. Existe diferença entre o cultivo de pupunha para frutos e para palmito?

Na região Norte do Brasil, são consumidos principalmente os frutos da pupunha, geralmente cozidos em água e sal ou na forma de óleo e farinha. Recentemente, os frutos também têm sido utilizados na fabricação de geleias, sucos e compotas. Já nas demais regiões brasileiras, cresce o consumo do palmito de pupunha, que é retirado do seu caule. Em vista disso, o interessado deve definir qual o produto final de sua produção, frutos ou palmito, pois são formas diferentes de conduzir o plantio, e um tipo de produção inviabiliza o outro.

Na região Amazônica, a produção de frutos é praticamente exclusiva do extrativismo de plantas nativas, e é suficiente para atender à demanda local. O maior mercado consumidor é o Estado do Amazonas. Mas aumentam os plantios organizados para produção de frutos. Neste caso, são utilizados grandes espaçamentos, como 5m x 5m ou até 6m x 6m, uma vez que a pupunha adulta atinge até 20 m de altura.
Quanto ao manejo, o corte dos perfilhos (brotações) não é feito e deixa-se a planta crescer sem desbaste, cortando-se eventualmente alguns estipes em excesso.
Já o plantio para produção de palmito segue outras formas de manejo, conforme as orientações a seguir.



2. Qual as vantagens de cultivar a pupunha para produção de palmito?

No Brasil, as espécies mais utilizadas para produção de palmito são a juçara (Euterpe edulis), nativa da Mata Atlântica, e o açaí (Euterpe oleracea), nativo da Amazônia. No entanto, sua colheita é feita de modo extrativista e as plantas morrem com a colheita do palmito. Além disso, o beneficiamento precário do produto reflete em uma baixa qualidade e alto custo no mercado. Por isso, nas últimas décadas, o aumento das restrições legais e econômicas ao extrativismo tem favorecido o interesse por palmitos cultivados e a pupunha (Bactris gasipaes Kunth) tem se mostrado uma excelente alternativa.

No Brasil, a importância do cultivo da pupunheira cresceu consideravelmente devido às suas características em relação a outras espécies de palmeira, como: capacidade de rebrotar, precocidade, rusticidade e vigor. Além disso, o palmito da pupunheira não escurece rapidamente após o corte, o que constitui uma grande vantagem em relação às demais palmeiras.

Esses fatores determinam um contexto favorável para a exploração econômica da pupunheira.


3. Quais os custos de implantação e manutenção da cultura de pupunheira?

Nos estabelecimentos rurais estudados em 2014, no litoral de Santa Catarina, os custos de implantação foram, em média, de R$ 12.929,00 por hectare, e os de manutenção, de R$ 2.349,00 por hectare ao ano.

No litoral do Paraná, o observado foi de R$ 11.950,00, e na Bahia de R$ 12.000,00 a R$  24.000,00.

Os custos de produção podem variar conforme a região, devido ao preço e disponibilidade de mão de obra, número de plantas utilizadas no plantio, características físicas do terreno e sistema de produção adotado.



4. Qual a rentabilidade econômica do cultivo de pupunheira?

Analisando-se os fluxos de caixa médios dos estabelecimentos agrícolas estudados, observa-se que o cultivo da pupunha para palmito apresenta valor presente líquido (VPL) positivo a partir do segundo ano e com melhor desempenho no quinto ano, com R$ 34.089,28 por hectare.

Os valores da taxa interna de retorno (TIR) foram positivos e atrativos também a partir do segundo ano. No terceiro ano, apresentou taxa de 45,7% por hectare, sendo o melhor desempenho observado no quinto ano (112,1%).


5. Existe zoneamento edafo-climático para a pupunheira para produção de palmito?

As regras do zoneamento agrícola para a pupunha foram elaboradas pelo MAPA e divulgadas no Diário Oficial da União (DOU), nas Portarias N° 207 a 218. As medidas devem ser implantadas nos estados do Acre, Bahia, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins. O estudo identifica as áreas aptas e os períodos de plantio de menor risco climático para a cultura.

A Embrapa Florestas e a Epagri realizaram o zoneamento agroclimático da pupunha para o Estado de Santa Catarina. A área de cultivo da pupunha recomendada é pequena e concentra-se no Litoral norte catarinense, pois em grande parte do Estado há forte restrição térmica.

 Aproximadamente 25 municípios apresentam parte da sua área ou a área total do município com possibilidade de cultivo da pupunha. Cerca de 3,4% do total da área de Santa Catarina tem cultivo preferencial, 1,2% tem cultivo tolerado e 95,4% cultivo não recomendado.

A temperatura média do ar foi o critério utilizado no zoneamento agroclimático mais restritivo, seguido da geada e do volume total de precipitação anual. Portanto, o regime térmico foi o fator limitante para o plantio recomendado e tolerado em Santa Catarina.



6. Qual o melhor clima para cultivo da pupunheira?

A pupunheira não tolera geadas. O ideal é o tropical superúmido, sem estação seca, com precipitação pluviométrica média superior a 2.000 mm por ano. No mês mais seco, essa precipitação não deve ser inferior a 60 mm. Em regiões com índice inferior, é possível o desenvolvimento de plantios, desde que irrigados. A temperatura média deve ser em torno de 21ºC, e umidade relativa do ar entre 80% e 90%.


7. Qual o melhor solo para cultivo da pupunheira?
A pupunheira se adapta bem em diferentes tipos de solo. Em solos ácidos é recomendável a calagem seguida de adubação para corrigir deficiências, principalmente de nitrogênio, fósforo, potássio e boro. Apesar de necessitar de bastante água, a pupunheira não tolera solos encharcados. Solos de textura muito argilosa ou compactados devem ser subsolados para diminuir a compactação.


8. A pupunheira exige que seja feita correção do solo?

É imprescindível que, antes do preparo da área, amostras de solo sejam coletadas das camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade. De acordo com os resultados obtidos, verifica-se a necessidade do uso de calagem e da aplicação de fertilizantes. Se necessária, a adubação deve ser feita pelo menos 30 a 45 dias antes do plantio. Se a análise do solo indicar a necessidade de uso do calcário dolomítico, ele deve ser misturado ao solo, aplicando-se metade antes da aração e metade após, e incorporado com a gradagem.


9. Como preparar o solo para plantar pupunheira?

Primeiro, deve-se levar em consideração os critérios mencionados nas perguntas sobre clima e solo (perguntas 6 a 8). O método de preparo depende da topografia e das características físicas do solo. Naqueles que apresentam topografia plana a ligeiramente ondulada, de textura média, recomenda-se fazer aração e gradagem, com o objetivo de tornar o solo revolvido e nivelado para a atividade de plantio. Caso o solo apresente textura que varie de média a pesada, após as operações de aração e gradagem, recomenda-se que as linhas de plantio sejam abertas com o uso de um sulcador, sendo o garfo regulado para uma profundidade entre 40 e 50 cm, para facilitar a abertura da cova e, consequentemente, garantir maior eficiência do tempo da mão de obra utilizada.


10. Como escolher uma boa muda?

Recomenda-se escolher mudas com as seguintes características:

  • Ausência de espinhos no caule ou folhas
  • Mudas com aspecto sadio e vigoroso, sem pigmentação ou má formação, apresentando altura entre 30 a 40 cm, com 5 a 6 folhas.
  • Sistema radicular bem desenvolvido ocupando toda a área interna da embalagem, mas sem enovelamento.
  • Escolher as mudas que tiverem maior diâmetro da base (colo) da planta.
     


11. Qual a melhor época para plantar a pupunha?

Da 1ª quinzena de novembro até a 1ª quinzena de dezembro.


12. Como plantar a pupunheira no campo?

O plantio no campo deve ser feito em áreas abertas, com alta incidência de luz. Pode ser plantada a partir da segunda quinzena de outubro até, no máximo, final de fevereiro. Quanto antes melhor, pois as plantas terão mais tempo para crescer até a chegada do inverno. Plantios em solos de textura arenosa devem ser feitos em cova. Em textura argilosa, além das covas, pode-se usar sulcos. Solos de textura muito argilosa ou compactados devem ser subsolados para diminuir a compactação, e o plantio deverá ser feito em sulcos.


13. Qual deve ser o espaçamento entre as plantas?

Para uma produção sustentável de palmito de pupunha, a relação de densidade de plantas ideal por área deve levar em consideração itens como fertilidade natural do solo, distribuição de chuvas, luminosidade, temperatura, uso de fertilizantes, variabilidade genética e mercado a ser atendido. Nos plantios densos, o inconveniente é que a produção decai com o tempo, em razão do sombreamento e da competição entre as plantas. Nos plantios com baixa densidade, o problema passa a ser a baixa produtividade inicial. Em experimentos conduzidos no litoral do Paraná, em solos classificados como transição do tipo Glei Pouco Húmico para Cambissolo e Cambissolo Háplico distrófico, os resultados indicaram que o espaçamento de 2 m x 1 m, com densidade de 5 mil plantas por hectare, é o mais adequado.


14. É preciso vistoriar o plantio ainda no começo?

É importante que nas primeiras semanas após o plantio se faça vistoria em campo para quantificar o número de mudas para o replantio e verificar possíveis ataques de pragas e doenças.


15. Deve ser realizada adubação química?

A adubação química deve ser feita em função dos resultados obtidos com a análise química do solo. A pupunheira para palmito é exigente em nitrogênio, potássio e fósforo, nessa ordem. Para uma produtividade esperada de 1 a 4 t/ha de palmito, as recomendações com aplicações anuais, parceladas em pelo menos cinco vezes, variam de:

  • 110 a 300 kg/ha de nitrogênio;
  • 20 a 160 kg/ha de potássio;
  • até 80 kg/ha de fósforo;
  • 20 a 50 kg/ha de enxofre;
  • 1 a 2 kg/ha de boro.

 

16. Deve-se fazer adubação orgânica?

Como complemento da adubação química, pode-se usar cama de aviário, em conjunto com a incorporação de biomassa foliar (adubação verde), produzida mediante plantio de leguminosas forrageiras.


17. Como fazer adubação orgânica?

Após o preparo da área, deve-se plantar a(s) leguminosa(s) selecionada(s). Quatro meses após a semeadura faz-se uma roçada para usar a biomassa produzida na forma de cobertura morta, na superfície do solo. O plantio da pupunheira ocorrerá logo após a roçagem da leguminosa. Pode-se aplicar 5 kg de cama de aviário por metro linear, divididos da seguinte forma:

  • 2 kg por ocasião do plantio;
  • 1,5 kg três meses após o plantio;
  • 1,5 kg seis meses após o plantio.



18. Em que situações deve-se irrigar a plantação de pupunha?

Onde a precipitação pluviométrica média anual é inferior a 2.000 mm é possível o cultivo de pupunha, desde que os plantios sejam irrigados artificialmente.


19. Quais são os sistemas de irrigação para plantação de pupunha?

Os sistemas de irrigação localizada têm se mostrado mais adequados para o cultivo de palmáceas: microaspersão e gotejamento são os mais utilizados nos plantios da pupunheira.


20. Como escolher o melhor sistema de irrigação?

É um conjunto de informações que leva à escolha: análise do solo, clima, topografia, oferta de água, objetivos técnicos e econômicos e aspectos sociais, em especial recursos humanos. Outro aspecto de grande relevância no planejamento de um sistema de irrigação é o fator custo.

Diferentes sistemas de irrigação podem ser projetados e a relação custo/benefício será uma importante ferramenta para decidir qual sistema será empregado. Recomenda-se procurar assistência técnica especializada.


21. Como planejar o sistema de irrigação da plantação de pupunha?

No caso de sistema de irrigação por microaspersão, utiliza-se uma linha de microaspersores a cada duas fileiras de plantas, em função dos espaçamentos recomendados para a cultura, e também devido às questões econômicas no planejamento do sistema.

Para sistema de irrigação por gotejamento, recomenda-se uma linha de irrigação com gotejadores em cada fileira de plantas e irrigando em faixa contínua.



22. Qual o melhor sistema: por gotejamento ou microaspersão?

As raízes das plantas se desenvolvem de maneira diferenciada de acordo com o sistema de irrigação utilizado. Quando é utilizado o gotejamento, as raízes desenvolvem diâmetro maior e mais massa seca por planta, com comprimento menor. Desta forma, atingem menor profundidade, explorando um volume de solo menor com maior quantidade de raízes. Isso facilita a absorção de nutrientes pelas plantas. Já o sistema de irrigação por microaspersão tem eficácia um pouco menor, em virtude dos volumes de matéria verde espalhadas pela área a ser irrigada, afetando a uniformidade da aplicação de água. Além disso, uma vez que os componentes do sistema por microaspersão ficam mais expostos no campo, interferem nos tratos culturais e colheita.


23. Quais os principais tratos culturais para o plantio de pupunha?

No primeiro ano de plantio, a pupunheira exige intensos tratos culturais para o controle de plantas daninhas, que podem ser feitos das seguintes maneiras:

  • Controle químico com herbicidas;
  • Sombreamento do solo ao redor da planta com papelão;
  • Roçada manual ou mecanizada;
  • Cobertura morta;
  • Uso de leguminosas forrageiras.

Como raízes da pupunheira concentrarem-se na superfície do solo, deve-se evitar o uso da capina.


24. Como fazer o sombreamento do solo ao redor da planta com papelão?

O papelão deverá ser posicionado no solo ao redor da muda de pupunheira. A durabilidade será maior se o papelão for tratado com sulfato de cobre na dosagem de 0,3 g/L de água, embebido por um período de 24 horas.


25. Quais cuidados devem ser tomados na roçada manual?

A roçada manual é o corte seletivo da parte aérea da invasora com foice. Exige cuidado para não ferir os perfilhos da pupunheira. Se mal executado, tem pouca eficiência no controle das invasoras.


26. Quando utilizar roçada mecanizada?

Indicada para áreas com ocorrência de temperaturas altas e muitas chuvas, onde o crescimento de ervas daninhas é rápido, principalmente nas estações primavera e verão. Esta opção pode significar redução de custo e de mão de obra.


27. Como fazer cobertura morta?

Resíduos da roçada podem ser distribuídos em torno da planta e nas entrelinhas de plantio. Além de promover a incorporação ao solo dos nutrientes existentes no material, reduz a incidência de plantas daninhas e ajuda a manter a umidade do solo.


28. Como usar leguminosas forrageiras?

Deve-se ter cuidado quando o crescimento for agressivo em relação aos perfilhos da pupunheira. O plantio pode ser feito a lanço ou por mudas. Quando feito a lanço, as sementes devem ser semeadas logo após o preparo do solo para o plantio da pupunha.


29. Como fazer o planejamento da colheita da pupunha?

Pode ser usado o seguinte modelo de corte para plantios feitos durante a primavera:

  • 1º corte: pode ocorrer no início do verão do ano seguinte, a partir dos 15 meses após o plantio;
  • 2º e 3º cortes: podem ser realizados com intervalo de 1 a 2 meses, a partir do primeiro corte, até o mês de junho.


30. Quais são as vantagens de fazer cortes escalonados?

Permite que a somatória de plantas cortadas nos primeiros 18 meses atinja valores em torno de 50% das plantas inicialmente cultivadas.

Proporciona redução na época de corte, permitindo a entrada satisfatória de luz, e a revitalização no crescimento dos perfilhos.


31. Quais são os problemas ocasionados pelo corte tardio?

Cortes tardios não só prejudicam o crescimento dos perfilhos (tempo de recuperação) como também alteram o seu desenvolvimento por falta de luminosidade.


32. Qual a planta ideal para corte?

A planta ideal para corte tem altura de 1,65 m, medida da superfície do solo até a inserção da primeira folha aberta, ou diâmetro do caule ao nível do solo de aproximadamente 12 cm.


33. O que fazer com os resíduos da colheita no campo?

Resíduos da colheita devem ser distribuídos nas entrelinhas do plantio, para manter a umidade do solo, reduzir a incidência de plantas daninhas e promover a ciclagem de nutrientes.


34. Como deve ser feito o manejo dos perfilhos (brotações)?

Não se deve manejar os perfilhos nos plantios com densidade inferior ou igual a 5 mil plantas por hectare. Nos plantios com densidade de plantas até 6.666/ha, o manejo deve ser feito deixando-se quatro perfilhos por touceira. Nos plantios com densidade superior a 6.666 plantas/ha, o manejo deve ser de dois perfilhos por touceira.


35. Quais as principais doenças da pupunheira?

Antracnose, podridão da estipe e mancha foliar de Curvularia.


36. O que causa antracnose?

A antracnose é causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides.


37. Quais são os sintomas da antracnose?

Caracteriza-se por manchas arredondadas e deprimidas, de coloração marrom, com anéis concêntricos onde aparecem as estruturas do fungo de cor escura. Afeta as folhas, o caule e os frutos das plantas.


38. Quais os locais e condições de ocorrência da antracnose?

A antracnose ocorre em todas as regiões brasileiras. A doença ocorre com maior frequência e severidade em plantas sob alguma forma de estresse, como mudas em substratos inadequados, plantas sujeitas a ventos constantes, falta de água ou adubação inadequada. O frio, o vento e a falta de água causam uma maior predisposição das plantas à ocorrência de patógenos foliares como a antracnose.


39. Quais práticas de controle preventivo da antracnose devem ser adotadas em fase de muda, no viveiro?

  • Utilizar adubação equilibrada. O excesso de nitrogênio torna as plantas estioladas, ou seja, com excessivo e indesejado crescimento vertical e favorece o ataque;
  • Em locais sujeitos a ventos, deve-se colocar quebra-ventos, para evitar folhas "rasgadas" (o que facilita a infecção);
  • Fornecer água adequadamente, evitando excesso de umidade no viveiro, e utilizar piso com boa drenagem para que não ocorra acúmulo de água.


40. O que deve ser feito em caso de ataque da antracnose no viveiro?

  • Separar as mudas e agrupá-las em lotes de acordo com suas condições fitossanitárias, para evitar possível transmissão;
  • Não deixar mudas doentes no viveiro, para não se tornarem fonte de inóculo;
  • As mudas e folhas mortas devem ser removidas e queimadas, assim como as folhas doentes em viveiros, pois o fungo sobrevive em restos culturais.



41. Quais práticas de controle preventivo da antracnose devem ser adotadas no plantio definitivo?

  • Em regiões sujeitas a ventos constantes, adotar o uso de quebra-ventos para evitar rasgaduras nas folhas das plantas, pois estas aberturas servem de porta de entrada para os fungos;
  • Em áreas sujeitas a falta de água, deve-se irrigar o plantio;
  • Utilizar adubação equilibrada.


42. O que deve ser feito em caso de ataque da antracnose na plantação?

O uso de fungicidas deve ser empregado, se necessário, em complemento às práticas de controle já mencionadas. Enfatizamos que esta é a última alternativa a ser usada e somente com produtos avaliados pela pesquisa e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


43. O que causa podridão do estipe?

A podridão do estipe pode ser causada pelos fungos Phytophthora palmivora Butler ou Fusarium spp.


44. Quais são os sintomas da podridão do estipe?

As plantas doentes caracterizam-se pelo amarelecimento da primeira e segunda folhas abertas e da folha bandeira ou vela (folha não aberta). Em seguida, pode ocorrer o amarelecimento e seca das demais folhas, podendo chegar a provocar a morte da planta-mãe e, às vezes, dos perfilhos e de toda a touceira. Ao se realizar cortes longitudinal e transversal no estipe da pupunheira atacada, observa-se o escurecimento dos tecidos internos e uma podridão generalizada.


45. Quais os locais de ocorrência da podridão do estipe?

Há relatos de ocorrência do Phytophthora no Pará, Tocantins, Goiás, Pernambuco, Bahia, São Paulo e Santa Catarina, e relatos de ocorrência de Fusarium em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Amazonas.


46. Quais as condições de ocorrência da podridão do estipe?

Ataca plantas jovens e adultas. Nos viveiros, o excesso de umidade favorece a podridão do estipe. Já no plantio definitivo, as plantas doentes ocorrem em grupos isolados de plantas (reboleiras).


47. Quais práticas de controle preventivo da podridão do estipe devem ser adotadas?

  • Não reaproveitar recipientes ou substrato onde estavam plantas doentes;
  • Adquirir sementes de fornecedores idôneos, pois estes fungos são transmitidos pelas sementes;
  • Utilizar substratos livres destes fungos, pois ambos são fungos de solo;
  • Antes do plantio, fazer monitoramento e rigorosa seleção, e retirar as plantas doentes, queimando-as.



48. O que fazer em caso de ataque da podridão de estipe?

A podridão do estipe ataca plantas jovens e adultas de pupunheira, no entanto, até o momento não se dispõe de informações sobre a ação curativa de fungicidas aplicados diretamente na base da planta. Alguns cuidados devem ser tomados para evitar a introdução da doença no viveiro ou que a mesma se espalhe, a partir de uma ou mais plantas doentes, os quais são citados a seguir:

  • Monitorar as plantas e retirar as doentes, queimando-as, antes do plantio;
  • Fazer uma rigorosa seleção, eliminando as plantas doentes, queimando-as;
  • Não reaproveitar recipientes ou substrato onde estavam plantas doentes;
  • Adquirir sementes de fornecedores idôneos e certificados, pois estes fungos são transmitidos pelas sementes. Outro aspecto refere-se ao uso de substrato livre de propágulos destes fungos, pois são fungos de solo.


49. O que causa mancha foliar de Curvularia?

Fungos do gênero Curvularia spp.: Curvularia eragrostides (Henn.) Meyer e C. Senegalensis (Speg.) Subram.


50. Quais são os sintomas da mancha foliar de Curvularia?

Lesões circulares de coloração amarelada, translúcidas, visíveis em ambas as faces da folha. A lesão tem 7 mm a 8 mm de comprimento, apresentando forma elíptica, tornando-se gradualmente de coloração marrom-brilhante para marrom-escura. No centro da lesão aparece uma depressão, e em volta da lesão aparece um halo amarelado. Quando a infecção é severa, as lesões se unem, provocando o secamento das extremidades das folhas.


51. Quais os locais de ocorrência da mancha foliar de Curvularia?

Curvularia eragrostides já foi relatada no Pará e C. Senegalensis no Paraná e São Paulo.


52. Quais as condições de ocorrência da mancha foliar de Curvularia?

Excesso de umidade e plantas sujeitas a estresses: mudas em substratos inadequados, plantas sujeitas a ventos constantes, falta de água ou adubação inadequada.


53. Quais práticas de controle preventivo da mancha foliar de Curvularia devem ser adotadas em fase de muda, no viveiro?

  • Utilizar adubação equilibrada. O excesso de nitrogênio torna as plantas estioladas (excessivo crescimento vertical indesejado) e favorece o ataque;
  • Em locais sujeitos a ventos, deve-se colocar quebra-ventos, para evitar folhas "rasgadas" (o que facilita a infecção);
  • Fornecer água adequadamente, evitando excesso de umidade no viveiro, e utilizar piso com boa drenagem para que não ocorra acúmulo de água.


54. O que deve ser feito em caso de ataque da mancha foliar de Curvularia no viveiro?

  • Separar as mudas e agrupá-las em lotes de acordo com suas condições fitossanitárias, para evitar possível transmissão;
  • Não deixar mudas doentes no viveiro, para não se tornarem fonte de inóculo;
  • As mudas e folhas mortas devem ser removidas e queimadas, assim como as folhas doentes em viveiros, pois o fungo sobrevive em restos culturais.


55. Quais práticas de controle preventivo da mancha foliar de Curvularia devem ser adotadas no plantio definitivo?

  • Em regiões sujeitas a ventos constantes, adotar o uso de quebra-ventos para evitar rasgaduras nas folhas das plantas, pois estas aberturas servem de porta de entrada para os fungos;
  • Em áreas sujeitas a falta de água, deve-se irrigar o plantio;
  • Utilizar adubação equilibrada.


56. O que deve ser feito em caso de ataque da mancha foliar de Curvularia na plantação?

O uso de fungicidas deve ser empregado, se necessário, em complemento às práticas de controle já mencionadas. Enfatizamos que esta é a última alternativa a ser usada e somente com produtos avaliados pela pesquisa e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


57. Existem outros tipos de manchas foliares?

Sim, existem manchas foliares causadas por Cladosporium sp., Alternaria sp., Machophoma sp., Phomopsis sp., Bipolaris bicolor (Mitra) Shoenmaker K.R.


58. Quais os sintomas desses outros tipos de manchas foliares?

Manchas foliares de diferentes tamanhos e formatos, às vezes atingindo quase toda a folha.


59. Quais as condições de ocorrência desses outros tipos de manchas foliares?

Em anos chuvosos, quando ocorre excesso de umidade no ambiente interno do viveiro, é comum ocorrerem manchas foliares associadas a vários fungos.


60. Quais são as medidas de controle desses outros tipos de manchas foliares?

Recomendam-se as mesmas medidas de controle da antracnose e da mancha foliar de Curvularia.


61. Quais as principais pragas que atacam a pupunheira?

Broca-do-olho-do-coqueiro (Rhyncophorus palmarum) e a broca-rajada (Metamasius sp).


62. Quais são as características e hábitos da broca-do-olho-do-coqueiro (Rhyncophorus palmarum)?

O adulto é um besouro de coloração preta, opaca e aveludada, medindo cerca de 45 a 60 mm de comprimento por 15 a 18 mm de largura. Possui o bico recurvado medindo 10 a 12 mm de comprimento. Os machos apresentam pelos rígidos em forma de escova na porção superior do bico, e as fêmeas apresentam bico mais curto, sem pelos. Possui hábito diurno, e é encontrado em qualquer época do ano, sob qualquer estágio.

As fêmeas depositam os ovos nas partes mais tenras da planta, colocando em média cinco ovos por dia, totalizando 250 ovos por ciclo. Os ovos são de formato cilíndrico, cor branca-amarelada e brilhantes, medindo cerca de 2 a 2,5 mm de comprimento por 1,25 a 1,35 mm de largura. A larva possui corpo recurvado, de coloração branco-creme, apresentando 13 anéis enrugados, sendo os anéis do meio maiores que os das pontas. Na última fase, a larva inicia a construção do casulo, feito a partir das fibras da planta e que apresenta comprimento de 8 a 10 cm por 3 a 4 cm de largura. A pupa tem coloração amarelada e duração do ciclo em torno de 11 dias.


63. Quais os problemas causados pelo ataque da broca-do-olho-do-coqueiro?

A praga ataca a pupunheira em fase produtiva, instalando-se na parte superior da planta, onde as larvas se desenvolvem, alimentando-se da parte interna, destruindo o ponto de crescimento e causando a morte da planta. Além disso, esse inseto é o vetor do nematoide Bursaphelenchus cocophilus, causador do anel vermelho.

O manejo dessa doença deve ser feito por meio do controle da broca-do-olho-do-coqueiro. Este inseto é frequente nos estados do Norte e Nordeste. O anel vermelho não tem cura e causa a morte da planta. Portanto, o inseto deve ser controlado para evitar a doença.


64. Quais os sintomas do ataque da broca-do-olho-do-coqueiro?
As plantas atacadas apresentam, inicialmente, malformação e esfacelamento da folha nova pela ação do adulto ao penetrar na planta. Com o aumento das larvas e o número de galerias, os tecidos da planta ficam totalmente destruídos.


65. Quais medidas de controle da broca-do-olho-do-coqueiro podem ser tomadas?
As medidas de controle compreendem, principalmente, uso de feromônio rhyncoferol associado com iscas de cana-de-açúcar como atrativo alimentar. O rhyncoferol deve ser utilizado em armadilhas tipo alçapão, com capacidade acima de 10 L, distribuídas ao redor do plantio e espaçadas a cada 500 m, ou na proporção de 2-3/ha. Dentro da armadilha devem ser colocados pedaços de cana-de-açúcar com 30 a 40 cm de comprimento, amassados e mergulhados na calda de melaço de cana diluído a 20% de água. Estas armadilhas devem ser vistoriadas a cada 15 dias, os insetos devem ser coletados e destruídos e o atrativo renovado.

Além disso, recomenda-se a eliminação das plantas com sintomas de anel vermelho, além da coleta de pupas, adultos e de larvas da praga nas plantas atacadas.

Outra questão importante é que a colheita gera muitos resíduos, que normalmente são jogados no plantio. Estes restos se decompõem e fermentam, liberando odores que atraem os adultos da broca-do-olho-do-coqueiro e outras pragas. Em locais onde ocorre a praga, estes resíduos devem ser destruídos através da queima, ou triturados e incorporados ao solo. Ou, ainda, podem servir de iscas pulverizadas com o fungo Beauveria bassiana, patógeno da praga.


66. Existem outras medidas de controle da broca-do-olho-do-coqueiro?

Sim, a utilização de fungos patógenos do inseto (organismos capazes de causar doenças em insetos, tais como cepas deletérias de bactérias, vírus ou fungos). O fungo Beauveria bassiana pode ser considerado como uma alternativa de uso no controle. O fungo pode ser utilizado pulverizando-se uma solução ou aplicando o pó sobre as partes cortadas das plantas, após a colheita do palmito.

A broca-do-olho-do-coqueiro também pode ser parasitada por algumas espécies de insetos que ocorrem naturalmente nas áreas de cultivo de palmáceas. A espécie Billea rhynchophorae é um inseto presente em áreas de dendê na Bahia, apresentando taxas de parasitismo de até 57% sobre a broca-do-olho-do-coqueiro.


67. Quais são as características e hábitos da broca-rajada (Metamasius sp)?

São besouros com 10 a 15 mm de comprimento e corpo rajado com faixas alaranjadas e pretas. Quando tocados, fingem estar mortos, mas voltam à atividade rapidamente. A larva apresenta coloração branco-leitosa, cabeça destacada e avermelhada. A pupa fica alojada no interior de um casulo construído pelo inseto com fibras da planta. Estão presentes após o ataque da broca-do-olho-do-coqueiro, ou em seguida a algum tipo de ferimento mecânico efetuado no estipe, como o processo de colheita.

Ocorre maior incidência de adultos destes insetos em épocas do ano com temperaturas mais elevadas e maiores índices pluviométricos. Desta maneira, são nos meses de primavera e verão que o produtor deve intensificar o monitoramento e o controle.


68. Quais os problemas causados pelo ataque da broca-rajada?

Os danos são causados pelas larvas que se alimentam dos tecidos vivos das plantas, escavando galerias e danificando o estipe.


69. Quais medidas de controle da broca-rajada podem ser tomadas?

O controle comportamental pode ser feito com uso do feromônio sexual associado a atrativo alimentar em armadilhas de captura tipo balde. Dentro da armadilha devem ser colocados pedaços de cana-de-açúcar com 30 a 40 cm de comprimento, amassados, além do saché liberador de feromônio, que deve ser pendurado internamente na tampa da armadilha. Estas armadilhas devem ser vistoriadas quinzenalmente, destruindo-se os insetos coletados e substituindo-se os toletes de cana.

O controle cultural pode ser realizado não se deixando perfilhos em excesso nas touceiras e eliminando-se perfilhos mortos ou danificados. Além disso, é importante evitar ferimentos às plantas.


70. Existem outras medidas de controle da broca-rajada?

A utilização de fungos patógenos do inseto (organismos capazes de causar doenças em insetos, tais como cepas deletérias de bactérias, vírus ou fungos) é uma alternativa promissora, principalmente com o uso de Beauveria bassiana. Este fungo pode ser aplicado na base das touceiras e sobre os restos da cultura, principalmente logo após a colheita do palmito, pulverizando-se a calda com os conídios do fungo diluído em água ou polvilhando o produto em pó.

A broca-rajada também pode ser parasitada por algumas espécies de insetos que ocorrem naturalmente nas áreas de cultivo de palmáceas. Na região do Vale da Ribeira foi detectada Diaughia angust como espécie de parasitoide atingindo taxas de parasitismo de até 30%.