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Perguntas e respostas

Organização: Vanderley Porfírio-da-Silva
Edição: Katia Pichelli e Simone Soares

 

1. O que são sistemas silvipastoris?

Sistema Silvipastoril (SSP) é a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área ao mesmo tempo e manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a produtividade por unidade de área.

 

2. Qual a diferença entre sistema silvipastoril, arborização de pastagens e ILPF?

Toda arborização de pastagens é um sistema silvipastoril, todo sistema silvipastoril é uma forma de sistema de integração pecuária-floresta.
Nem todo sistema silvipastoril é uma arborização de pastagens. Por exemplo, quando é feito o desbaste de um plantio florestal e é introduzido uma espécie forrageira  e gado entre as árvores remanescentes, a área que antes era silvicultural passa a ser silvipastoril.
A arborização de pastagem é a forma de converter pastagens convencionais em sistema silvipastoril.


3. Quais os benefícios deste sistema?

Os SSPs apresentam grande potencial de benefícios econômicos e ambientais para os produtores e para a sociedade. São sistemas multifuncionais, onde existe a possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais evitando sua degradação, além de recuperar sua capacidade produtiva.

Por exemplo, a criação de animais com árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras de quebra-ventos, podem reduzir a erosão, melhorar a conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes minerais, capturar e fixar carbono, diversificar a produção, aumentar a renda e a biodiversidade, melhorar o conforto dos animais.

 

4. Ele pode ser implantado em toda a área da propriedade rural?
Nas propriedades rurais existe a exigência legal de áreas destinadas ao atendimento do "Novo Código Florestal" (Lei 12.651, de 25/05/2012), então não é toda área da propriedade rural que pode ser utilizada com sistemas silvipastoris, que são sistemas de produção. A produção agropecuária deve ser realizada em Áreas de Uso Alternativo do Solo (AUA), ou seja, áreas fora da Área de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL).

 

5. Existem linhas de financiamento para este tipo de atividade?

O Programa ABC tem uma linha de financiamento para ILPF (acesse aqui).

 

6. Que produtos posso ter com a madeira plantada?

É possível obter madeira para muitas finalidades e produtos. O que proporciona tal elasticidade no sistema silvipastoril é o planejamento e a definição prévia do uso que se queira fazer da madeira produzida.

A Tabela abaixo mostra um exemplo de como podem ser conduzidas as árvores plantadas em diferentes espaçamentos e densidades para produzir madeira com diferentes finalidades e mercados.

Tabela-exemplo: Como produzir diferentes produtos no sistema silvipastoril.



 

7. Quais os principais critérios para definir o espaçamento e a forma de distribuição espacial do componente arbóreo madeireiro em sistemas silvipastoris?

Os critérios principais para o planejamento, tanto do espaçamento quanto da distribuição das árvores na área do sistema de integração, são:
1) finalidade de produção das árvores;
2) declividade e face de exposição do terreno;
3) proteção dos demais componentes (cultivos e/ou rebanhos) e
4) conservação do solo e da água.

Por causa das condições climáticas predominantes no Brasil, em que chove de 1000 mm até mais de 2000 milímetros por ano e que a luminosidade durante todo o ano é alta (o equivalente a 50 lâmpadas de 100 Watts ligadas em cima de 1 m² de superfície da terra), a preocupação com luz para o crescimento das forrageiras e lavouras deve ser menor do que então, a preocupação com a perda de água por escorrimento superficial que pode causar erosão do solo.

Por causa disso, a distribuição das árvores deverá ser em renques que "cortam" o sentido da declividade do terreno (não necessariamente com a construção de terraços), que é uma forma eficiente de impedir a erosão do solo e a perda de água por escorrimento superficial. Além disso, as árvores dispostas em renques que "cortam" o sentido da declividade do terreno atuam como estruturas que orientam tanto o trânsito de máquinas e implementos, como o sentido do plantio de lavouras e forrageiras e o caminhamento do rebanho. Isso minimiza a formação de sulcos de escoamento superficial das águas de chuva no sentido da declividade do terreno e proporciona maior infiltração da água das chuvas, evitando a erosão.

O espaçamento entre os renques de árvores, sejam eles formados por uma  linha ou por mais de uma linha, é maior do que o utilizado nos monocultivos de árvores. A distância entre as árvores, o número de linhas de árvores que formam o renque e a distância entre os renques podem ser ajustados previamente, de acordo com o produto que se quer obter com as árvores.
Para mais informações, recomendamos a consulta da apostila "Arborização de pastagens com espécies florestais madeireiras: implantação e manejo"
(acesse aqui)

 

8. Quais os principais requisitos para a escolha da espécie arbórea para formar um sistema silvipastoril?

Os principais requisitos da árvore para ser plantada em sistemas silvipastoris são:

  • Boa adaptação na região de cultivo, principalmente no que diz respeito à tolerância à seca (para a região Centro-Oeste), e à geada (para a região Sul). Em algumas localidades pode ser importante também apresentar tolerância ao encharcamento do solo.
  • Gerar produtos com valor de mercado, em especial no mercado local.
  • Apresentar rápido crescimento (pelo menos 2 metros de altura por ano).
  • Não ser tóxica para o gado nem produzir efeitos de alelopatia*  com as forrageiras.
  • Deve formar copa alta para produzir boa tora.
  • Se tiver frutos, é importante que sejam pequenos (menos de 5 cm) para evitar que o gado se afogue ao comê-los e, claro, não podem ser tóxicos para os animais.

* Algumas plantas produzem substâncias químicas que impedem que algumas espécies de forrageiras cresçam nas proximidades da árvore. As substâncias químicas produzidas pelas árvores podem ser liberadas no solo pelas raízes ou pelas folhas que caem e apodrecem sobre o solo.

 

9. Quais os principais passos para a arborização de pastagens com espécies madeireiras?

Para a correta implantação das árvores na pastagem, é necessário seguir os seguintes passos:

  • Definir quais produtos são esperados das árvores (madeira fina para lenha, carvão, celulose…ou madeira grossa para serraria, laminação, faqueados…);
  • Planejar o desenho do sistema, ou seja, o espaçamento entre renques, o espaçamento entre árvores no renque, quantas linhas de árvores em cada renque, não esquecendo que este planejamento deve também levar em consideração as forrageiras a serem utilizadas;
  • Selecionar corretamente a(s) espécie(s) de árvore(s) que serão plantadas na área. Devem ser espécies que estejam adaptadas ao clima e solo do local onde serão plantadas;
  • Contratar a produção de mudas para que estejam prontas na época correta para o plantio na região onde serão plantadas;
  • Aprender como e quando realizar o plantio e os tratos culturais necessários para o bom desenvolvimento das árvores.

 

10. Quais as principais precauções para a implantação do sistema silvipastoril?

  1. Como todo sistema de longo prazo, a implantação exige planejamento tanto das condições técnicas quanto financeiras.
  2. como é uma atividade nova na propriedade, recomenda-se começar com uma pequena área para desta forma aprender mais sobre a tecnologia e diminuir os riscos normais para quem está aprendendo.
  3. Procurar assessoria técnica experiente no tema pode evitar erros que atrasam ou impedem o sucesso na implantação do silvipastoril, e que podem causar prejuízos ao empreendimento.
  4. Visite propriedades que já utilizam o silvipastoril. Isso auxilia na compreensão de como funciona e dos cuidados que terá de adotar na sua propriedade.
  5. Sempre que possível, participe de palestras, dias-de-campo ou cursos sobre arborização de pastagens, ou sobre sistemas silvipastoris.

 Algumas questões técnicas têm chamado atenção e exigem cuidado:

  • O uso de herbicidas no controle de plantas daninhas entre as mudas das árvores requer toda a máxima atenção para evitar a deriva de herbicidas;
  • O controle de plantas daninhas que competem com as mudas das árvores deve ser realizado corretamente;
  • O controle de formigas cortadeiras deve ser realizado adequadamente.

 

11. Qual a melhor maneira de distribuir as espécies arbóreas na área do sistema silvipastoril?

A maneira adequada de distribuir as árvores na área do sistema silvipastoril é em renques de linha simples, ou de múltiplas linhas (2, 3, ou mais). Esta forma de distribuição favorece o manejo do rebanho, permite o trânsito de máquinas e implementos, e a colheita da madeira torna-se mais fácil.

 

12. Como definir o número de árvores no sistema?

A quantidade de árvores por hectare deve ser definida de forma que:

  1. Atenda aos interesses previamente estabelecidos para a produção das árvores;
  2. O produtor saiba quais os tratos culturais que deverão ser executados, tais como poda e desbaste (retirada de árvore inteira), e quando devem ser feitos;
  3. Proporcione espaçamento adequado entre os renques para o desenvolvimento das forrageiras.

Os interesses para a produção das árvores madeireiras podem ser resumidos em dois tipos: madeira fina (lenha, carvão, escoras, palanques, cavacos…) e madeira grossa (serraria, laminação, faqueados…). Ou a combinação de interesses, para a obtenção dos dois tipos de madeira.

Na produção de madeira fina, o objetivo é obter maior volume de madeira por área no menor tempo possível. Para isso, o plantio deve ser feito com maior número de árvores, geralmente entre 600 e 1.000 árvores por hectare. Desta forma, haverá maior quantidade de árvores por hectare e elas serão mais finas. A previsão de desbaste poderá ser desnecessária, já que todas as árvores serão colhidas (corte raso) quando atingirem o ponto de colheita. Neste caso, a pastagem e o gado ficarão sem a proteção das árvores até que novas árvores sejam plantadas e cresçam para produzirem sombra novamente.

Na produção de madeira grossa, o objetivo é obter maior volume de madeira por árvore e por unidade de área, e o tempo para isso pode variar em função da espécie plantada e da fertilidade da área. A quantidade de árvores plantadas poderá ser diferente em dois casos:
1) de 600 a 1000 árvores por hectare, com desbastes obrigatórios no momento em que as árvores apresentarem competição entre si;
2) de 200 a 600 árvores por hectare, com desbastes obrigatórios no momento em que as árvores apresentarem competição entre si.

No primeiro caso, os desbastes acontecem mais cedo (com árvores mais jovens) do que no segundo caso, quando as árvores podem ser desbastadas em idade mais avançada. Os primeiros desbastes vão produzir madeira fina.

 

13. Para que servem os desbastes?

Os desbastes cumprem duas funções: favorecer o crescimento das melhores árvores para a produção de toras e a regulação da sombra (evitando que o sistema fique com excesso de sombreamento, o que é prejudicial para o crescimento da pastagem). O desbaste também ajuda a escalonar a produção de madeira e de forragens. Por exemplo, até o segundo ou terceiro ano do sistema é possível cultivar milho para silagem, depois a sombra das árvores desfavorece o cultivo de milho para silagem, então é possível ter somente pastagens perenes e gado em pastejo. No momento de desbaste, é possível voltar com o cultivo de milho para silagem/grãos por mais uma safra e depois novamente com pastagem até o próximo desbaste.

 

14. Qual o espaçamento ideal para otimizar a produção de madeira e não inviabilizar a pecuária?

O espaçamento é variável em função da espécie arbórea, da espécie forrageira e da estratégia de implantação e manejo do sistema (pastejo rotativo, realização de desbastes, etc.). O espaçamento ideal é aquele que permite produção de forragem em quantidade e qualidade e que proporcione a produção das árvores plantadas.

A manutenção de um "espaçamento ideal" será dependente de desbastes e da relação deste com a cobertura de copa das árvores no terreno.

De modo geral, será necessário realizar desbastes (retirar árvores inteiras) quando a cobertura de copa das árvores tiver entre 30 e 35%, e assim manter um ambiente luminoso que permita a produção de forragem suficiente para o bom desempenho animal no sistema.

 

15. Quanto do pasto pode ser sombreado, sem perda da produtividade?

Pode-se considerar que até 30% de cobertura de copa é quantidade suficiente para os animais se abrigarem, sem disputa por sombra. Para saber quanto tem de área coberta pelas copas das árvores é necessário medir o terreno que fica exatamente debaixo da copa da árvore.

 

16. Qual a quantidade de sombra ideal para o gado?

É consenso de que a sombra é necessária para o bem-estar animal, porque afeta positivamente o conforto térmico dos animais a campo. Por outro lado, existem poucas informações sobre a melhor metragem de área de sombra para bovinos, com valores que variam de 1,8 m² até 10,0 m².

Recomenda-se, de modo geral, que tenha sombra suficiente para atender as necessidades de todos os animais ao mesmo tempo a qualquer hora do dia. Assim, assumindo-se que um bovino deitado ocupa 1,8 m2, áreas de sombra próximas a 1,8 m2 seriam inadequadas para ambientes tropicais porque os animais ficariam muito próximos uns dos outros. Além disso, pode haver disputa por área sombreada, em um ambiente com pouca área de sombra disponível, com prejuízo aos animais mais velhos, fracos ou submissos.

Portanto, sombras com 5,6 m2 e 9,6 m2, por exemplo, garantiriam uma distância de 0,5m a 1 m  em torno de cada animal.

 

17. Como selecionar a espécie arbórea para compor o sistema silvipastoril?

A escolha adequada das espécies arbóreas a serem introduzidas é de grande importância para o sucesso do sistema. As árvores devem ser escolhidas de acordo com a adaptação ao sítio; com arquitetura da copa favorável para o conforto térmico do gado e o crescimento das forrageiras; que tenha facilidade de estabelecimento; que atenda exigências do mercado para o qual será produzida a madeira; que apresentem rápido crescimento; que o tipo de raiz seja adequado à acomodação dos animais sob a copa das árvores; que não seja tóxica para o gado; que não tenha alelopatia para as forrageiras. Veja mais detalhes aqui.

 

18. O uso de espécies arbóreas nativas em sistema silvipastoril é viável? Existem exemplos?

Sim, o uso de espécies de árvores nativas é possível. Sua viabilidade técnica e econômica depende da observação do que está respondido nas Perguntas iniciais. Os exemplos podem ser obtidos em áreas de produtores em diferentes regiões do Brasil, as Unidades da Embrapa nas diferentes regiões. É importante que antes do plantio o produtor procure orientações no órgão estadual competente (Secretarias Estaduais de Meio Ambiente) para registrar o plantio. Quando chegar o momento da colheita das árvores, será necessária a liberação para o corte, transporte e comercialização da madeira, estas liberações devem ser obtidas junto ao órgão estadual competente.

 

19. Como proceder para evitar que as árvores sombreiem demasiadamente as pastagens nos sistemas silvipastoris?

É realizada uma amostragem medindo uma árvore a cada 9 para os plantios que tenham até 1.000 árvores; uma árvore a cada 12 para os plantios de 2.000 até 4.000 árvores; e, uma árvore a cada 19 árvores para os plantios que tenham entre 5.000 e 10.000 árvores. Será medido o diâmetro de copa de cada árvore da amostra.

A cobertura de copa (quanto do terreno fica exatamente embaixo das copas das árvores) pode ser calculado em parcelas distribuídas dentro da área do sistema, o que deve ser realizado pelo menos uma vez ao ano. Para calcular a cobertura de copa, é necessário medir a largura das copas das árvores no sentido da linha de plantio e no sentido do entre-renques das árvores. Com o produto dessas duas medidas dividido pela medida da distância entre os renques, encontra-se a fração ou porcentagem de área coberta pelas copas das árvores.

De modo geral, será necessário realizar desbastes (retirar árvores inteiras) quando a cobertura de copa das árvores tiver em torno de 30%. Veja o esquema abaixo para ilustrar um exemplo:

 

  Esquema para estimar a "cobertura de copa" das árvores no sistema silvipastoril.

 

20. O que fazer para conseguir um bom desenvolvimento  das árvores no sistema silvipastoril?

Os tratos culturais necessários para o adequado desenvolvimento e manejo das árvores estão resumidos no quadro abaixo.

 Tabela

 

21. Quando e como se deve fazer a desrama?

A primeira desrama deve ser realizada quando 60% das árvores monitoradas na amostragem tiverem atingido 6 cm de DAP. Não é recomendável que se faça a desrama antes de atingir tal diâmetro, pois pode atrasar o crescimento da árvore.

A desrama deve ser feita do ponto onde é medido o DAP para baixo. Como as árvores não crescem iguais, possivelmente  algumas árvores já terão passado de 6 cm, então deve ser desramada a partir da altura que apresentarem os 6 cm de diâmetro.

Para facilitar, a avaliação do DAP pode ser realizada com o auxílio de um gabarito (acesse aqui o modelo), feito de madeira ou outro material. Da altura no tronco em que o gabarito encaixar até o chão, todos os galhos devem ser retirados.

Outras desramas serão necessárias, então, pode-se repetir o procedimento com o gabarito de 6 cm de abertura e retirar os galhos daí para baixo. Também é possível realizar as outras desramas retirando os galhos até a metade da altura total das árvores.

 Para cortar os galhos, é necessário utilizar ferramentas adequadas para a poda florestal como o serrote curvo, podão ou tesoura, bem afiados.

 

22. Como implantar o sistema silvipastoril em pastagens já consolidadas?

A pastagem faz competição com as mudas recém-plantadas. Portanto, é necessário eliminar a pastagem na linha de plantio das árvores. Isso pode ser feito com herbicidas ou ainda com capina mecânica. É recomendado que se elimine o pasto numa faixa de um metro para cada lado da linha de plantio das mudas de árvores. Essa prática é necessária para evitar a competição do capim com as mudas de árvores. A competição do capim atrasa o crescimento das mudas e dificulta o estabelecimento do sistema silvipastoril.

Nas linhas de plantio, podem ser feitas covas ou sulcos onde serão plantadas as mudas de árvores. Onde existe disponibilidade de implementos, o uso de uma haste escarificadora ajuda a marcar a linha de plantio e preparar o solo onde as mudas serão plantadas.

Em áreas com problemas de compactação de solo, é necessário realizar uma subsolagem para favorecer o desenvolvimento das raízes das árvores. Isso deve ser feito na linha de plantio, e depois deve ser feito preparo localizado (covas) ou o plantio direto das mudas no sulco deixado pelo subsolador.

Depois da subsolagem, recomenda-se aguardar que ocorra uma chuva antes do plantio das mudas.

 

23. É possível pastejar em áreas recém-implantadas com sistema silvipastoril? Como se deve proceder nesta condição?

Sim, é possível realizar o pastejo em áreas com mudas recém-plantadas. Mas é necessário proteger as mudas de árvores enquanto estiverem pequenas, pois mudas pequenas podem ser pisoteadas, desfolhadas e arrancadas pelo gado. A proteção efetiva tem sido conseguida por meio de cerca elétrica, que deve ficar distante em 1 metro da linha de árvores.

Para gado de corte: três fios de arame, sendo eletrificados o de cima e o de baixo. Os fios podem ser de arame ovalado, isolados com mangueirinhas de plástico ou de silicone, que passam por furos, feitos em estacas de madeira. Os furos devem ser feitos em três alturas do solo: 40 cm, 80 cm e 120 cm. As estacas são fixadas no solo a cada 10 a15 metros de distância. Nos extremos de cada lance de cerca são colocados moirões que suportam a colocação de catracas de tração para o tensionamento dos fios.

Para gado de leite: dois fios eletrificados, um a 40 e outro a 80 cm de altura do solo, são suficientes para manter as mudas protegidas das vacas. As estacas de sustentação dos fios podem ser menos robustas do que as utilizadas para gado de corte. Quando o uso da cerca elétrica para dividir piquetes já é uma prática corriqueira na propriedade leiteira, os animais ficam condicionados ao limite imposto pelo fio eletrificado, nesses casos, um fio eletrificado na altura de 60 cm e afastado um metro do alinhamento das mudas é o suficiente para a proteção.

A cerca elétrica deve permanecer protegendo as árvores até que cresçam o suficiente para suportar o peso do corpo de um animal adulto, e isto acontece quando a medida do DAP da árvore atingir 6 cm, momento em que também receberão a primeira desrama. O tempo para isso depende da espécie de árvore utilizada e da fertilidade do solo na área.

 

24. Qual a melhor estratégia para evitar a predação pelo gado durante a implantação das árvores em sistema silvipastoril?

A melhor estratégia é fazer o cultivo de espécies agrícolas nas entrelinhas das árvores, até que estas desenvolvam o DAP de 6 cm. A partir deste momento, deve ser feita a primeira desrama e o retorno do gado na área. Neste caso, o crescimento das árvores é maior pelo efeito residual dos fertilizantes e da correção do solo realizados na área.

Entretanto, com pastagem formada e produtiva, a adoção de cercas eletrificadas é a prática mais recomendada.

 

25. Após o corte das árvores em sistemas silvipastoris, é preciso destocar a área?

Não. As faixas de terra onde estão plantados os renques arbóreos são faixas determinadas para a produção de madeira. Assim, depois do corte das árvores, novas mudas podem ser plantadas nos espaços entre os tocos, que devem ser deixados para apodrecerem no local.

É desejável que os tocos e as raízes permaneçam no local pois se transformam em matéria orgânica para o solo, Além disso, um grande potencial de fixação de carbono e de matéria orgânica pelas árvores no sistema silvipastoril está justamente nas raízes que ficam dentro do solo.

 

26. Como manejar os tocos de árvores  após os cortes da árvores?

Nos desbastes e/ou colheita, o corte das árvores deve ser feito rente ao solo, pois isso favorece a morte do toco e seu apodrecimento. Algumas espécies arbóreas têm alta capacidade de rebrota e algumas práticas podem ser adotadas para a eliminação da brotação:
1) descolamento da casca do toco;
2) corte rente ao solo e enterrio do toco;
3) aplicação de herbicida;
4) combinação das práticas 1, 2 e/ou 3.

 

27. Como estimar a produção das árvores?

A estimativa de produção de madeira é realizada mediante o monitoramento do crescimento das árvores. O monitoramento consiste da realização anual de medidas das árvores que compõem a amostra. São medidos o diâmetro do tronco na altura de 1,30 m do solo (DAP) e a altura total das árvores (Ht). A amostragem é feita medindo uma árvore a cada 9 para os plantios que tenham até 1.000 árvores; uma árvore a cada 12 para os plantios de 2.000 até 4.000 árvores; e uma árvore a cada 19 árvores para os plantios que tenham entre 5.000 e 10.000 árvores.

Alguns equipamentos de maior precisão para medir Ht e DAP podem ser sofisticados e caros, podendo representar custos que devem ser avaliados da pertinência e se a relação custo/benefício pode ser absorvida pelo empreendimento.

Mas uma pessoa treinada pode realizar o monitoramento de Ht utilizando um hipsômetro de mira ótica, ou um clinômetro, ou ainda uma régua graduada (para árvores de até 12 metros somente) e uma fita métrica comum para o DAP; que são equipamentos relativamente baratos e garantem uma precisão aceitável comercialmente.

Para calcular o volume de madeira de uma árvore, é necessário conhecer o DAP e a Ht da árvore. Existem diversos cálculos que podem ser feitos. Um deles segue a fórmula:

 Imagem da fórmula

 V = volume da árvore (m³);

Ht = altura da árvore (m)

DAP = diâmetro a altura do peito (m)

f = fator de forma.

Utilizando então, os valores de uma árvore com 21 m de Ht, 0,1321 m de DAP, e de fator de forma (f) igual a 0,45, obtém-se a estimativa de 0,1295 m³ de madeira para tal árvore. O fator de forma de um tronco muda com a idade da árvore e sua determinação envolve amostragens destrutivas de árvores.

De modo prático, o volume de uma tora pode ser calculado pela média dos diâmetros medidos no "pé" e na "ponta" da tora:

 Vt = C x Dm² x 0,7854

Vt = volume da tora (m³)

C= comprimento da tora (m)

Dm² = diâmetro calculado pela média dos diâmetros medidos no "pé" e na "ponta" da tora (m).

Porém, quanto maior for o comprimento da tora, maior será a diferença entre o diâmetro do "pé" e da  "ponta" da tora, então será maior o erro no cálculo do volume da tora.

 Uma maneira simples de estimar a altura de uma árvore quando não se tem os equipamentos necessários, é a utilização do método do bastão, ou método auxiliar, que pode ser obtido com detalhes acessando aqui.

 

28. Qual tipo de arranjo de distribuição espacial de árvores em sistemas silvipastoril proporcionam melhor bem-estar animal: renques com linhas simples ou renques com linhas múltiplas?

Os renques de árvores numa pastagem podem oferecer proteção contra calor e frio excessivos, independentemente de ser linha simples ou serem linhas múltiplas. A decisão por um ou outro arranjo é decorrente dos objetivos que o produtor possa ter com o produto das árvores.

A oferta demasiada de sombra em renques múltiplos pode prejudicar o desenvolvimento da forragem, comprometendo a nutrição animal. A movimentação de ar também pode ser mais baixa do que o desejado, comprometendo a eficiência dos mecanismos de regulação de temperatura. Assim, renques de linhas simples, além de proporcionarem sombreamento e ventilação adequados, são mais fáceis de serem manejados que sistemas com renques de linhas múltiplas.

 

29. Os sistemas silvipastoris oferecem maior risco aos animais quanto à queda de raios do que pastagens sem árvores?

Na atmosfera existe eletricidade ‘dispersa', e no processo de formação das nuvens ocorre a ‘concentração' da eletricidade fazendo com que as nuvem fiquem carregadas eletricamente.

Na terra também existe eletricidade ‘dispersa'.

Então, uma nuvem carregada eletricamente e uma área de solo, diretamente embaixo dessa nuvem, funcionam como dois pólos de uma bateria, ou como dois fios desencapados,  que quando vão ficando mais perto um do outro, de repente, salta uma faísca elétrica – o raio.

Os raios acontecem porque a distância entre a terra e nuvem carregada diminuiu. Por isso, os raios "caem" nos pontos mais altos da paisagem, como árvores altas e isoladas, antenas e torres, porque eles sempre procuram achar o menor caminho entre a nuvem e a terra. É o chamado "efeito-antena".

Em sistemas silvipastoris, quando as árvores não ficam isoladas, e todas têm praticamente a mesma altura, não existe caminho preferencial para o raio e, portanto, o risco para os animais e trabalhadores não é maior do que em uma pastagem sem árvores. Por isso, também é muito importante planejar corretamente a distância entre renques de árvores e o número de árvores por hectare, pois grandes distâncias entre árvores podem gerar o "efeito antena" e favorecer a descarga elétrica.