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Como plantar batata | voltar ao início


Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 8
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
2ª edição
Autores

Colheita e pós-colheita

A época de colheita da batata no Brasil é de três a quatro meses após o plantio, quando as ramas secarem naturalmente ou, de forma antecipada, pela aplicação de herbicida registrado para tal fim, que promove a dessecação das ramas antecipadamente, ou pelo uso de desfolhante.


Em áreas menores ou mais acidentadas, a colheita é realizada manualmente com auxílio de enxadas ou utilizando arado de aiveca, com catação manual dos tubérculos. Em áreas maiores e com topografia favorável, a colheita pode ser realizada de forma semimecanizada, com arrancadeiras que desfazem as leiras e expõem os tubérculos para a catação manual, ou mecanizada, por meio de colhedoras tracionadas por trator, que retiram os tubérculos do solo e os transferem, parcialmente limpos,  para os equipamentos de transporte.

Classificação

A comercialização da batata in natura segue a Portaria nº 69 de 21/02/95 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que classifica a produção como segue nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Classificação dos tubérculos quanto ao comprimento e largura, segundo Portaria nº 69 de 21/02/95 do MAPA.

Classes ou calibres (tamanho: maior diâmetro transversal)

Tipos ou graus (qualidade)

1 - Maior ou igual a 85 mm

1 - Extra

2 - Maior ou igual a 45 mm e menor que 85 mm

2 - Especial

3 - Maior ou igual a 33 mm e menor que 45 mm

3 - Comercial

4 - Menor que 33 mm

4 - Fora do Padrão

-

5 - Desclassificada

O Certificado de Classificação atesta as características do produto apenas na data da emissão deste.

Tabela 2. Limites máximos de defeitos por tipos expressos em porcentagem de peso na amostra.

Tipos

Defeitos Graves

Defeitos Gerais

Total Máximo Defeitos

Podridões

Demais defeitos

Danos profundos*

Vitrificação

Mancha chocolate *

Demais defeitos

Extra

0,5

1

0,5

0,5

0,5

3

3

Especial

1

3

0,5

0,5

0,5

5

5

Comercial

1

4

1

1

1

7

7

*Segundo a Portaria, esses defeitos não podem exceder a 1,0% no tipo extra e especial e 2,0% no tipo comercial.

Pós-colheita

A exposição dos tubérculos ao sol durante todo o processo de pós-colheita deverá ser evitada devido ao esverdeamento e murchamento do produto.
O transporte da batata normalmente é realizado por caminhões, em embalagens variadas, como big-bags, sacos, caixas, ou a granel, sempre com o cuidado de não ocasionar injúrias mecânicas que possam depreciar a qualidade do produto, seja por alterações fisiológicas ou pela entrada de micro-organismos patogênicos, ambas decorrentes dos ferimentos causados. 

O transporte e o armazenamento devem ser feitos de tal forma a proporcionar aeração do produto, com o transporte em caminhões com carrocerias abertas nas laterais e o armazenamento deve ocorrer em ambientes frescos e ventilados. Caso o armazenamento seja refrigerado, em câmaras frias, devem-se evitar temperaturas muito baixas, pois temperaturas abaixo de 10 °C favorecem o acúmulo de açúcares redutores, que causam escurecimento do produto após a fritura. Para armazenar tubérculos que serão processados em chips, a faixa de temperatura ideal é de 10 ºC a 13 ºC.

A venda pode ser realizada in natura, com a batata lavada ou escovada ou com o produto processado pela indústria.

A batata lavada é preferida pelo mercado brasileiro, proporcionando melhor visualização da coloração, do brilho e de defeitos. No entanto, este processo ocasiona a elevação nos custos, acelera a deterioração e a suscetibilidade ao esverdeamento.

As perdas em pós-colheita da batata podem ocorrer no campo: colheita e transporte; no beneficiamento: lavagem, classificação, embalagem e transporte; ou na comercialização: atacado, varejo e consumidor. As principais causas destas perdas são: danos mecânicos, causas fisiológicas, como o esverdeamento, queimadura e brotação, ausência de aeração e deterioração por patógenos e pragas.

Algumas práticas podem contribuir para a redução das perdas nos diferentes elos da cadeia da batata (Hens & Brune, 2004; Lopes, 2008):

  • Selecionar para o plantio cultivares bem adaptadas à região, que apresentem alta produtividade e tubérculos de boa aparência, com maior valor comercial, bem como tolerância a doenças, danos mecânicos e defeitos fisiológicos.
  • Monitorar constantemente a incidência de pragas e doenças que causam danos diretos nos tubérculos na fase de produção.
  • Efetuar a colheita da batata apenas quando as hastes estiverem secas e os tubérculos com a película firme, o que ocorre de 10 a14 dias após a morte da parte aérea da planta.
  • Não efetuar a colheita quando o solo estiver excessivamente molhado ou úmido, ou logo após a ocorrência de chuvas, para evitar excesso de solo aderido aos tubérculos e o apodrecimento dos tubérculos; ou com o solo muito seco, para evitar danos mecânicos.
  • Respeitar o período de secagem dos tubérculos no campo (30 a 60 minutos), para manter a resistência da película e evitar perdas por danos mecânicos;
  • Treinar os colhedores para evitar ferimentos desnecessários nos tubérculos durante o recolhimento.
  • Evitar exposição excessiva dos tubérculos ao sol após o desenterro para evitar o esverdeamento.
  • Utilizar embalagens limpas para o processo de colheita e transporte.
  • Tomar cuidado no transporte do produto da lavoura até o beneficiamento, para evitar ferimentos nos tubérculos.

  • Fazer higienização e sanitização periódicas à base de cloro  dos equipamentos de beneficiamento, para evitar contaminações.
  • Utilizar água de boa qualidade (livre de contaminantes químicos e microbiológicos) no processo de limpeza dos tubérculos.
  • Aplicar a água por spray, este procedimento evita o desperdício de água e é mais eficiente na limpeza. Com isso, pode-se reduzir o tamanho da linha de lavagem, resultando em economia de recursos e redução de impactos.
  • Utilizar escovas de material adequado na etapa de lavagem, as quais não causem ferimentos nos tubérculos.
  • Descartar e tratar adequadamente a água residual utilizada na limpeza dos tubérculos, de acordo com a legislação ambiental de cada Estado.
  • Ajustar as máquinas de beneficiamento para evitar quedas acentuadas dos tubérculos e ferimentos desnecessários.
  • Ajustar a temperatura e a velocidade do vento do túnel de secagem da batata lavada para evitar danos excessivos à película dos tubérculos.
  • Treinar os operários que fazem a seleção visual dos tubérculos, a fim de descartar aqueles com defeitos mais graves, para uma classificação mais eficiente do produto.
  • Descartar separadamente todos os tubérculos doentes ou apodrecidos para evitar contaminações e perdas posteriores.
  • Identificar mercados e consumidores alternativos para tubérculos de tipos e classes de menor valor econômico, como batata pequena e diversos.
  • Selecionar o tipo de embalagem, a classe de produto e o volume, de acordo com a demanda dos diferentes segmentos do mercado.
  • Realizar com cuidado as operações de empilhamento dos sacos e carregamento nos caminhões, para prevenir ferimentos desnecessários nos tubérculos.
  • Classificar o produto por imagem, a fim de proporcionar maior eficiência à detecção de defeitos e calibres do que a classificação mecânica tradicional.

  • Evitar quedas dos sacos e danos mecânicos nas operações de carga e descarga dos caminhões.
  • Utilizar paletes de madeira para acomodar as pilhas de sacos, que devem ter de seis a oito sacos.
  • Manter as pilhas de sacos sob os paletes afastadas para que haja maior ventilação, em caso de armazenamento temporário nos próprios boxes.
  • Fazer inspeções diárias para verificar a incidência de deterioração dos tubérculos e reclassificar os sacos eliminando as batatas doentes.
  • Transportar as cargas nas horas menos quentes, com cobertura de lona.
  • Utilizar sacos de 25 kg ao invés dos tradicionais de 50 kg, isto proporciona maior agilidade no manuseio e carregamento, e menor dano mecânico.

  • Armazenar o produto em local com pouca luz, fresco, seco e bem ventilado por períodos curtos (até cinco dias), e utilizar refrigeração de 7 ºC a 12 °C para armazenamento mais prolongado.
  • Comprar quantidade de produto coerente com a demanda para evitar perdas.
  • Identificar a variedade e apontar a aptidão culinária para o consumidor.
  • Evitar ferimentos na movimentação do produto na loja (carga, descarga, exposição em gôndolas).
  • Fazer inspeções periódicas no caso da batata exposta em gôndolas e vendida a granel, para descartar os tubérculos deteriorados ou com defeitos muito evidentes.
  • Ofertar, pelo menos, dois tipos de batata, com cultivares diferentes, para diferentes propósitos ou formas de apresentação, como tubérculos de película creme e rosada, a granel e embalada em redes, tubérculos escovados e lavados, tubérculos grandes e bolinha, etc.

  • Comprar batata com mais frequência e em menores quantidades, para evitar deterioração.
  • Manter a batata comprada em redes ou em sacos de papel, e utilizar somente sacos de plástico para acondicionar a batata quando armazenada em geladeira.
  • Armazenar em local escuro, fresco e ventilado, como prateleiras em despensas e áreas de serviço, para evitar o esverdeamento.
  • Descascar a batata com cuidado, para evitar desperdícios desnecessários e aproveitar bem a parte sadia no caso de tubérculos com partes escurecidas e com olhos.
  • Solicitar ao vendedor informações sobre a identificação da batata (variedade ou cultivar) e sua aptidão culinária.

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