Produção de alho-semente livre de vírus.

Informe múltiplos e-mails separados por vírgula.

imagem

Foto: LANZETTA, Paulo

A propagação vegetativa do alho através dos bulbilhos (dentes) faz com que a cultura sofra muito com a ocorrência de pragas e doenças. Dentre as doenças mais importantes, estão as viroses (causadas por diversas espécies de vírus pertencentes aos gêneros AllexIivirus, Carlavirus e Potyvirus), transmitidas por ácaros e pulgões.

A planta, uma vez infectada, passa a multiplicar o vírus no bulbo ao longo dos anos, tornando-se uma fonte de inóculo permanente. A disseminação da doença no campo, quando o inóculo está presente, ocorre pela migração dos ácaros e pulgões dentro e entre lavouras. Após a infecção, a planta vai perdendo o vigor vegetativo e a produtividade vai sendo gradativamente reduzida, processo denominado de degenerescência. O problema se intensifica a cada ciclo de produção, uma vez que a grande maioria dos produtores guardam seu alho-semente para o plantio da próxima safra.

Visando minimizar o problema da queda de produtividade, a Embrapa Hortaliças lançou o sistema de produção de alho-semente livre de vírus (LV) em telados antiafídeos, reduzindo significativamente o nível de infecção, uma vez que o alho-semente LV plantado fica totalmente protegido do ataque dos vetores, garantindo a qualidade fisiológica e a produtividade da cultura para os próximos plantios. Com isso, a adoção do sistema promove a melhoria da qualidade fitossanitária das sementes de alho, além de assegurar a uniformidade de germinação das sementes e aumento no vigor das plantas.

Quem ganha com isso

Pequenos e médios produtores de alho.

Abrangência geográfica

Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Goiás.

Benefícios econômicos e sociais

Os benefícios sociais e econômicos traduzem-se em aumento de produtividade de até 50% podendo chegar a 80% para alhos nobres (Resende 2000; Resende et al., 2016) em relação a alhos suscetíveis aos vírus, aumento no valor comercial da produção em função da qualidade e do maior tamanho dos bulbos, aumento na renda do produtor e redução dos custos finais de produção.

O total do benefício econômicos para os produtores de alho de todo o Brasil, desde que a tecnologia começou a ser disseminada, em 2002, até 2016, é estimado em cerca de R$ 27 milhões.

A tecnologia ainda impacta positivamente no meio ambiente pelo desenvolvimento de plantas mais saudáveis, com maior qualidade e que podem ainda ser menos susceptíveis a outras doenças. Há redução no uso de agroquímicos, sobretudo na frequência de pulverizações e na variedade de agrotóxicos utilizados, com índice de 0.67 em eficiência tecnológica, impactando positivamente no meio ambiente.

Estudo de caso:

Nas regiões de Cristópolis e Cotegipe (BA) obtiveram-se os seguintes resultados (fonte IBGE):

- Aumento na produtividade média das lavouras de alho da região de 4,5 t ha-1 em 2002, para 16 t ha-1 em 2012, ou seja, um aumento de 255,5%. A adoção da tecnologia permitiu à região ultrapassar, em 2009, a produtividade média brasileira. Nesse ano, produziu-se 8,97 t ha-1 no Brasil e 10 t ha-1 na região de Cristópolis e Cotegipe.

- Aumento da qualidade e valor da produção, com redução da produção de bulbos não comerciais e significativo aumento na produção de bulbos maiores, com melhor aceitação comercial e remuneração no mercado. Com isso, os produtores que recebiam remuneração de R$0,93/Kg em 2002, conseguiram aumentar o valor pago para R$ 4,50/Kg em 2012, superando as médias de preços pagos tanto no estado da Bahia quanto em todo país. Com isso, a receita do município com a cultura do alho na região evoluiu de R$ 200 mil no ano de 2002 para R$ 10 milhões em 2012.

Parceiros

Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia; Sebrae/BA; Emater/MG; CATI/SP; Prefeituras, Secretarias de Agricultura e Sindicatos Rurais dos municípios beneficiados, nos estados da Bahia, Minas Gerais e Piauí.

História do Alho

O alho (Allium sativum L.) é uma das espécies cultivadas mais antigas do mundo. É plantado há mais de 5.000 anos pelos hindus, árabes e egípcios. A espécie é originária da Ásia Central, tendo sido introduzida na costa do Mar Mediterrâneo e daí se expandido para todo o ocidente. No Brasil, a cultura foi introduzida pelos portugueses na época do descobrimento. Devido às suas características de armazenamento e conservação, o alho fazia parte do cardápio da tripulação das caravelas portuguesas. Uma vez em solo brasileiro, o alho ficou por mais de quatro séculos restrito ao plantio de fundo de quintal, onde era cultivado em pequena quantidade para suprir a demanda familiar. Somente em meados do século XX o cultivo começou a expandir-se, ganhando importância econômica.

Prática agropecuária: Prática agropecuária Ano de Lançamento: 2002

Onde Encontrar:
Embrapa Hortaliças
Rodovia Brasília/Anápolis BR 060 Km 09 Gama - DF
Caixa Postal 218 CEP 70351-970
Fone: (61) 3385-9000 Fax: (61) 3556-5744

Galeria de imagens