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A Cultura da Cenoura | voltar ao início


Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun/2008
Autores

Adubação

Adubação Orgânica

A cenoura responde à adubação orgânica especialmente em solos de baixa fertilidade e/ou compactados. É fundamental que o adubo orgânico esteja bem curtido. Tratando-se de esterco de gado, em geral aplicam-se 30 toneladas ou 60 metros cúbicos por hectare, antes do plantio. No caso de esterco de galinha, aplica-se um terço desta quantidade. A distribuição é feita a lanço sobre os canteiros, seguida de incorporação, que é feita utilizando-se enxada rotativa.

Adubação Química

A quantidade de fertilizantes a ser utilizada é calculada com base na análise química do solo, principalmente de acordo com seus níveis de fósforo e potássio, tendo como referência os valores indicados na Tabela 1.

Tabela 1. Recomendação de adubação para produção de cenoura em latossolos da região Centro–Oeste, com base na análise do solo.

Fósforo
Potássio 
Teor no solo 
(mg dm³)
Dose recomendada de
P2O5 (Kg ha-1)
Teor no solo 
(mg dm³)
Dose recomendada de
K2O (Kg ha-1)
< 10
400-600
< 60
200-300
10-30
200-400
60-120
100-200
30–60
100-200
120–240
50-100
> 60
50
< 240
0

 

 

 

 


Fonte: Adaptada de Emater-DF (1987)

Além do fósforo e do potássio, devem ser aplicados no plantio mais 40 kg/ha de nitrogênio, 12 kg/ha de bórax (17,5% B) e 12 kg/ha de sulfato de zinco monohidratado (35% Zn). A adubação em cobertura deve ser feita com 40 kg/ha de nitrogênio (N). Nos plantios em épocas chuvosas, recomenda-se a aplicação de 60 kg/ha de N e 60 kg/ha de K2O, aos 30 e 60 dias após a emergência.

Normalmente, quando se incorpora o esterco de galinha na dosagem recomendada, a adubação de cobertura com nitrogênio pode ser dispensada, se o desenvolvimento das plantas for normal.

Adubação Foliar

A adubação foliar é uma alternativa raramente utilizada na cultura da cenoura. Visa prevenir ou controlar alguma deficiência mineral e/ou doença na planta, suplementando à aplicada ao solo. É realizada por meio de pulverizadores (costais ou motorizados) e equipamentos maiores tracionados por trator, ou ainda empregando-se avião agrícola.

Recomenda-se que sua aplicação seja prescrita por um engenheiro agrônomo, uma vez que a aplicação indiscriminada poderá causar plasmólise (desidratação) ou queima das folhas, compromentendo assim a produção, além da contaminação ambiental por metais pesados.

Análise foliar

A análise foliar permite observar se a planta está ou não bem nutrida. Ela consiste na determinação dos níveis dos diferentes nutrientes em tecidos vegetais, principalmente na parte aérea (folha + pecíolo) recém-formada, pois estes órgãos refletem melhor o estado nutricional da planta em determinada condição de solo, clima e manejo para a cultura, identificando casos de deficiência e toxicidade.

Permite ainda, distinguir sintomas provocados por agentes patogênicos, daqueles decorrentes por nutrição inadequada. Em outras palavras, ela corrobora a análise química do solo.

Entretanto, em regiões de difícil acesso a um laboratório, utiliza-se a diagnose visual da planta, que consiste em comparar o aspecto da planta problema com o padrão. Em havendo falta ou excesso de algum nutriente, isto será traduzido em anormalidades visíveis.

Para a análise foliar, recomenda-se fazer amostragem entre 50 e 60 dias após o semeio. Deve-se coletar pelo menos 50 folhas por hectare, escolhidas de forma aleatória.

É importante ressaltar que não se deve retirar amostras quando nos dias antecedentes ocorreu qualquer tipo de adubação no solo ou pulverização na planta. As amostras devem estar livres de danos ocasionados por insetos, doenças, fenômenos climáticos, ou tratos culturais.

As amostras assim coletadas devem ser acondicionadas em sacos de papel limpos, contendo orifícios médios de 0,5 cm de diâmetro (que podem ser feitos com a ponta de um lápis) e envia-las para o laboratório para análise devidamente identificadas. As amostras também poderão ser acondicionadas em sacos plásticos limpos e postos em caixa de isopor contendo gelo, ou em uma geladeira. Nestes dois últimos casos, o horticultor poderá envia-las ao laboratório em até 48 horas.

Em uma primeira aproximação, as faixas consideradas adequadas às concentrações de macro e micronutrientes em folhas cenoura, provenientes de experimentos de campo realizados em Brasília-DF e área do Entorno do Distrito Federal, são apresentadas na Tabela 2. Estas poderão serem utilizadas como referência para a identificação de problemas nutricionais da cultura.


Tabela 2. Teores médios adequados de nutrientes na massa seca da parte aérea* de cenoura cultivada em solos de cerrado do Distrito Federal e da região do Entorno. Embrapa Hortaliças, Brasília, DF, 2002.

Nutrientes
Teores Adequados
Macronutrientes
(g kg-1)**
N
20-33
P
2-65
K
20-50
Ca
8-26
Mg
2-35
S
2.5-5.3
Micronutrientes
(mg kg-1)***
B
29-53
Zn
20-75
Cu
9-25
Mn
25-350
Fe
20-400
Mo
0.3-1.2

 

 

 

 

 

 

 

 



Fonte: Laboratório de Nutrição Vegetal/Embrapa Hortaliças. Brasília-DF, 2002.

*Parte aérea (folha e pecíolo).
**g kg-1 = ppm
***mg kg-1 = % x 10

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