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Como plantar mandioquinha-salsa | voltar ao início


Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun./2008
Autores

 

Coeficientes técnicos

Como se pode observar pela estimativa de custo de produção apresentada a seguir, a mão-de-obra necessária à implantação de um ha de mandioquinha-salsa representa custo substancial na atividade. O planejamento das atividades deve ser bem feito, pois o atraso nas operações implica em menor eficiência e, consequentemente, aumento no custo de produção ou redução da produtividade e da rentabilidade.

Os custos apresentados na Tabela 1 foram levantados no Distrito Federal em setembro de 2007 em, pelo menos dois locais e, para efeitos comparativos, a cotação do dólar na ocasião deste trabalho era de R$ 2,10.

O custo de produção apresentado na Tabela 1 considera que o produtor possui mudas, não havendo custo de aquisição, apenas com seu preparo. No caso de necessidade de adquirir mudas, o custo do milheiro oscila entre R$ 25,00 e R$ 100,00, conforme a região, no caso da ‘Amarela de Senador Amaral'.

Tabela 1. Custo de produção de 1 ha de mandioquinha-salsa. Brasília, 2007.
  
Fonte: EMATER-DF, 2006.

* Para a adubação, tomaram-se valores máximos, ou seja, níveis mínimos de nutrientes no solo. Além disso, no caso do esterco, seu uso é restrito a áreas com baixo teor de matéria orgânica (<25g/dm3)

** O frete considerado foi equivalente a R$ 1,00 por volume, valor comumente praticado em algumas regiões produtoras.

***   O custo de assistência técnica é muito variável, podendo ser baseado por visita ou por porcentagem acertada em contrato. De forma geral, esse valor está em torno de 5% da receita bruta, podendo chegar  a 10% quando as visitas são freqüentes e o acompanhamento constante; no caso, R$ 1.193,50 , considerando-se 1000 caixas por hectare e preço médio de R$ 23,87 (preço médio por caixa de setembro de 2006 a agosto de 2007 – CEASA-MG, 2007).

O solo foi considerado como corrigido, dispensando a calagem. Considerou-se, no caso, que os serviços de mecanização foram contratados, o que elimina o item depreciação de máquinas.

Foi utilizado na Tabela 1 como fonte de energia para irrigação o óleo diesel, ainda largamente empregado. Como alternativa, a Emater-DF apresenta uma tabela de custo de produção utilizando a energia elétrica, considerando 2340 kwh a um custo de R$ 0,21 / kwh, totalizando R$ 491,40.

Como forma de comercialização, estipulou-se que a lavação, a classificação e a embalagem foram efetuadas na propriedade e transporte para a central de abastecimento rodoviário fretado.  Isso permite obter  melhores cotações para o produto, em relação à venda a intermediários, assim como considerar os preços operados nas centrais de abastecimento.

Existem outros custos, como administração, encargos diversos, juros sobre o capital e juros bancários, além da possibilidade de se tratar de terra arrendada.

Tendo-se custo de produção total de R$ 10.754,98 e produção estimada em 22 t.ha-¹ ou 1000 caixas por ha, chega-se a um custo de R$ 10,75 por caixa. Entretanto, considerando a média nacional de 9,3 t.ha-¹ ou 422,7 caixas por ha, e o fato de que a maioria dos produtores não têm acesso à assistência técnica especializada, tem-se um custo em torno de R$ 9.561,48, equivalente a um custo de R$ 22,62 por caixa.

Considerando o preço médio praticado na CEASA-MG nos últimos doze meses (setembro de 2006 a agosto de 2007) de R$ 23,87, e a produtividade de 1000 caixas por ha, obtém-se receita bruta de R$ 23.870,00 por ha. Subtraindo-se o custo de produção da receita bruta, chega-se à  receita líquida ou margem de R$ 13.115,02 por ha.

Todavia, considerando a média nacional de 422,7 caixas por ha, chega-se a uma receita bruta de R$ 10.089,85. Entretanto, cabe ressaltar que estes níveis de produtividade, bem abaixo do potencial da cultura, estão geralmente associados a custos de produção bem menores, como os apresentados por Santos et al. (2000), de R$ 1.830,00, considerando a não utilização de irrigação e baixos níveis de adubação, além de utilizar assistência técnica pública, por meio dos órgãos de extensão rural.

Autores: Nuno R. Madeira, Fausto F. dos Santos, Raphael A. de Castro e Melo, Robson P. Caixeta