Apresentação

Localizada em Cruz das Almas, Bahia, a 150 quilômetros da capital Salvador, a Embrapa Mandioca e Fruticultura é a única das 43 Unidades Descentralizadas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no estado.

Executa e coordena pesquisas que aumentem a produção e a produtividade, melhorem a qualidade dos produtos, reduzam os custos de produção e que viabilizem o aproveitamento de áreas ainda subutilizadas para mandioca, citros, banana, abacaxi, manga, mamão, maracujá e acerola.

Conta com 180 empregados, sendo 66 pesquisadores, de excelente formação acadêmica e com ampla experiência desde recursos genéticos à socioeconomia, passando por melhoramento genético, fitotecnia, fitossanidade, nutrição vegetal, irrigação, fisiologia vegetal e manejo pós-colheita. Na área de suporte à pesquisa, em laboratórios, campo experimental e setores administrativos, há 46 analistas com formação universitária, diversos com pós-graduação, 28 técnicos e 42 assistentes.

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Fruticultura
Ao longo dos últimos 45 anos, a fruticultura brasileira se expandiu por todo o país, que se tornou o terceiro maior produtor mundial de frutas. Surgiram dezenas de polos de produção frutícola, até mesmo no semiárido nordestino, que vem se sobressaindo pela exportação de frutas frescas de excelente qualidade. A contribuição da Embrapa Mandioca e Fruticultura foi e tem sido muito importante nesse contexto. Entre outras tecnologias, variedades de citros e de banana geradas, adaptadas e recomendadas pela Unidade têm desempenhado papel de destaque. Inovações e ajustes tecnológicos estimularam a produção de abacaxi no Brasil, que passou a ser o maior produtor mundial há alguns anos, com benefícios especiais para as empresas familiares, principais responsáveis pelo cultivo. A equipe técnica da Unidade participou da evolução da cultura do abacaxi em muitas regiões produtoras, a exemplo de Itaberaba (BA) — nos últimos 20 anos, a fruta se tornou o principal produto agrícola do município — e do Tocantins, hoje considerado o estado produtor do melhor abacaxi do país em qualidade e produtividade. O trabalho com mamão também evoluiu significativamente. Embora o Brasil tenha perdido a condição de maior produtor mundial para a Índia, o mamão hoje é uma cultura bem estabelecida principalmente na região do Extremo Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo.

Mandioca
A cadeia produtiva de mandioca, alimento básico de grande parte da população brasileira, tem passado por grandes transformações. Em muitas regiões, passou de tradicional cultura de subsistência para o status de cultura do pequeno ao grande agronegócio, com a oferta de extensa gama de produtos derivados e de significativo valor agregado. A farinha ainda é fundamental, mas a fécula da mandioca passou a ser o produto âncora de muitos empreendimentos, sobretudo no Centro-Sul. Para atender a essa demanda, a Unidade já lançou duas variedades de mandioca para a indústria, com alto rendimento de amido, a BRS CS01 e a BRS 420. Dezenas de novas variedades, com resistência a doenças e pragas, adaptadas a diferentes condições ambientais, têm sido geradas e recomendadas, sobretudo para ecossistemas do Nordeste e Norte do país, como a BRS Novo Horizonte e a BRS Poti Branca, também para produção de fécula. Levantamentos recentes mostram relevante índice de adoção das cultivares BRS Kiriris, nos tabuleiros costeiros, e BRS Formosa, no sudoeste da Bahia, região com incidência da bacteriose. Alianças estratégicas da pesquisa com a iniciativa privada e organizações de produtores têm contribuído para o aprimoramento da cadeia produtiva de mandioca em várias regiões, exemplos que poderão eventualmente servir de modelos para ações integradas similares em outras partes do país, com impactos positivos para o padrão de vida de milhares de produtores. 

Desafios
Apesar do evidente progresso já alcançado, as exigências crescentes dos consumidores e a dinâmica inerente à natureza estabelecem, cada ano, novos desafios para a pesquisa agronômica. A Unidade, que tem produtos/culturas como foco, trabalha de forma transversal para atender a novas demandas da sociedade. A atuação dos Núcleos Tecnológicos está permitindo o investimento em pesquisa e inovação para o estabelecimento de novos e inovadores sistemas de produção, como a produção orgânica, o desenvolvimento de sistemas agroflorestais, a ampliação dessa visão para a agroecologia e o estabelecimento de trabalhos para definir o balanço de carbono. Diante desses desafios e da sua missão bastante abrangente, a Embrapa Mandioca e Fruticultura tem investido na qualidade do quadro de recursos humanos, no aprimoramento da infraestrutura laboratorial, na ampliação e melhor qualificação das parcerias institucionais, nacionais e internacionais, inclusive mediante a implantação e o fortalecimento de campos avançados em regiões estratégicas do país. A prospecção contínua de demandas tecnológicas e escolha de prioridades, a validação de resultados e sua conversão em inovações e a avaliação da adoção e dos impactos das tecnologias têm recebido atenção especial nos anos recentes.

Perspectivas
A Embrapa Mandioca e Fruticultura vem assumindo papel de liderança na coordenação de projetos estratégicos, com destaque para os relacionados ao huanglongbing, mais severa doença hoje no mundo dos citros, que representam um dos agronegócios mais importantes do país. Outro projeto em que se deposita grande expectativa de sucesso é o que envolve o trabalho com amidos modificados de mandioca que apresenta possibilidade de agregar bastante valor à cultura. Vale evidenciar ainda outra frente de ação, também em parceria com empresa privada, para a produção de minimanivas de mandioca, cujo objetivo é reduzir uma das principais limitações da cultura: a obtenção de material de plantio para a rápida disseminação de novas variedades ou variedades de valor. Segue nesse mesmo objetivo o projeto Reniva (“Rede de multiplicação e transferência de materiais propagativos de mandioca com qualidade genética e fitossanitária”), sendo que o primeiro volta-se mais para produção industrial e, o segundo, para a agricultura de base familiar do Nordeste brasileiro. Com o trabalho em curso de desenvolvimento de novos genótipos e melhorias no sistema de produção, espera-se chegar à tão sonhada sustentabilidade dos plantios. Também houve a qualificação das áreas de transferência de tecnologia e comunicação, importantes no processo de inovação, ao lado da estrutura de P&D, já bem montada e consolidada. Isso favorece a inserção das tecnologias da Unidade no mercado. É um processo que vai desde a captação da demanda da sociedade e desenvolvimento da tecnologia pela pesquisa à entrega da tecnologia para o produtor e para o consumidor e, por fim, à avaliação do impacto.