Normas Gramaticais

Concordância verbal (casos especiais)

A regra geral de concordância verbal estabelece que o verbo concorda com o sujeito da oração em número e pessoa. No entanto, algumas situações merecem comentários específicos.

A seguir, estão elencadas algumas delas. Para explicações completas, consulte gramáticas.

Acontecer / Bastar / Caber / Existir / Faltar / Ocorrer / Restar / Sobrar

Esses verbos geralmente aparecem antepostos ao sujeito e concordam com ele em número e pessoa. Nas locuções verbais, o verbo principal transmite a pessoalidade ao verbo auxiliar, isto é, o verbo auxiliar é o que flexiona em número e pessoa.

Exemplos:

Aconteceram fatos incríveis.

Bastam poucas coisas às pessoas não ambiciosas.

Já não cabem roupas na mala.

Existe vida em Marte.

Haverão de existir respostas a essas questões.

Faltam recursos ao governo.

Estão faltando duas semanas para as férias.

Ocorreram fatos novos.

Podem ocorrer chuvas e trovoadas.

Só me restam as recordações.

Sobraram poucas moedas.

Observação sobre os verbos bastar / caber/ faltar / restar: Em alguns casos, o sujeito do verbo é uma oração infinitiva, e não um substantivo no plural. Por isso, nesses casos, o verbo fica no singular.

Exemplos:
Basta os problemas serem identificados.
Cabe apurar tais fatos.
Só falta essas estátuas falarem.
Resta apurar dezenas de urnas.

 

Fazer

O verbo fazer é impessoal no sentido de haver, quando dá ideia de tempo transcorrido ou de fenômeno meteorológico. Deve, portanto, ficar na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:

Faz 10 anos que ele chegou a Brasília.

Ontem fez sol o dia inteiro.

Fazia um luar lindo.

Nas locuções, o verbo fazer transmite sua impessoalidade ao auxiliar. Ou seja, se o verbo fazer for impessoal, seu auxiliar ficará na 3ª pessoa do singular.

Exemplo:

Vai fazer 20 anos que ele partiu. (CERTO)

Vão fazer 20 anos que ele partiu. (ERRADO)


Haver (como verbo principal)

O verbo haver no sentido de existir, suceder, ocorrer e fazer (algum tempo) é impessoal, ou seja, não tem sujeito. O verbo deve, portanto, ficar na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:  
Houve muitas reprovações.
Haverá exceções.
E se houver empecilhos a sua promoção?
Havia 2 meses que não o via.

Observação 1: Nesse sentido, o verbo haver é sempre impessoal. Por isso, é inaceitável, na linguagem culta formal, a pluralização do verbo, em concordância com o substantivo, que, por análise malfeita, é considerado sujeito. Nesse caso, o substantivo acompanhante é objeto direto, e não sujeito.

Exemplos:  
Houve acidentes. (CERTO)
Houveram acidentes. (ERRADO)

 

Se houvesse problemas, o projeto seria interrompido. (CERTO)
Se houvessem problemas, o projeto seria interrompido. (ERRADO)

Observação 2: Nas locuções verbais, o verbo haver transmite sua impessoalidade ao auxiliar, ou seja, o verbo auxiliar fica na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:  
Vai haver reclamações dos usuários. (CERTO)
Vão haver reclamações dos usuários. (ERRADO)

 

Deve haver exceções. (CERTO)
Devem haver exceções. (ERRADO)

Observação 3: Na linguagem culta formal, não é correto utilizar o verbo ter no lugar do verbo haver com o sentido impessoal.

Exemplo:  
Ontem não houve reunião. (CERTO)
Ontem não teve reunião. (ERRADO)


Haver (como verbo auxiliar)

O verbo haver pode exercer função de verbo auxiliar. Nesse caso, concorda com o sujeito se o verbo principal for pessoal e pode ser substituído pelo verbo ter.

Exemplos:  
Eles haviam (ou tinham) se mudado para São Paulo.
A estudante havia (ou tinha) lido o material.    

Mas, se o verbo principal for impessoal, o verbo haver auxiliar ficará na 3ª pessoa do singular.

Exemplo:  
Dez anos havia feito da sua mudança para São Paulo.

 

Concordância com o infinitivo


Infinitivo flexionado

Flexiona-se o verbo no infinitivo nas seguintes situações:

1) Quando o sujeito da oração infinitiva estiver claramente expresso.

Exemplos:  
É melhor nós irmos embora já.
Convém os idosos saírem em primeiro lugar.  
Está na hora de eles entrarem em cena.


2) Quando o verbo se referir a um agente não expresso, que se quer dar a conhecer pela desinência verbal.

Exemplos:  
Acho melhor não fazeres questão.
Convém estudarmos geografia.


3) Quando o sujeito for indeterminado. Neste caso, o verbo deve estar na 3ª pessoa do plural.

Exemplos:  
Vi executarem os criminosos.
Faço isso para não me acharem inútil.


4) Quando o verbo for pronominal ou reflexivo.

Exemplos:  
O pai ensinou os filhos a se orgulharem da sua origem.
O juiz obrigou os litigantes a se cumprimentarem.


5) Quando o verbo no infinitivo vier regido de preposição e preceder a oração principal.

Exemplos:  
Ao perceberem que estavam sendo filmados, os assaltantes fugiram.
Antes de chegarmos à resposta correta, consultamos muitos especialistas.

 

Infinitivo não flexionado

Não se flexiona o verbo no infinitivo nas seguintes situações:

1) Quando o verbo for impessoal, ou seja, quando não se referir a nenhum sujeito.

Exemplos:  
É proibido colar cartazes.
Estudar é importante.
Vale a pena ter fé e esperança sempre.


2) Quando o verbo fizer parte de uma locução verbal (mesmo que, entre o verbo auxiliar e o principal, haja elementos intercalados).

Exemplos:  
Os magistrados não podem fazer sozinhos o trabalho de administrar a Justiça.
Senhores, queiram, por gentileza, permanecer em seus lugares.
Os chefes devem, no exercício de suas funções, ser justos e corretos.


3) Quando o verbo vier imediatamente depois de verbos causativos/sensitivos (deixar, mandar, fazer, ver, ouvir, sentir, etc.) ou apenas separado deles por seu sujeito quando expresso por um pronome oblíquo.

Exemplos:  
Mandei entrar os alunos.
Mandei-os entrar.

 

Deixem dormir as crianças.
Deixem-nas dormir.

 

Viu entrar as meninas na igreja.
Viu-as entrar na igreja.

 

Ouviu cantar os pássaros.
Ouviu-os cantar.

Observação 1: Quando o sujeito localiza-se entre o verbo causativo/sensitivo e o  infinitivo, costuma ocorrer também a forma flexionada.

Exemplo:  
Ouvimos as cigarras cantar (ou cantarem) todos os dias.

Observação 2: Quando o infinitivo é um verbo pronominal (isto é, verbo que se conjuga com pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos), a preferência é pela flexão.

Exemplos:  
Viu seus familiares afundarem-se cada vez mais em dívidas.
Eles nos viram afundarmo-nos em dívidas.


Infinitivo com preposição

Quando o infinitivo vem antecedido de preposição e funciona como complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal, dá-se preferência à forma não flexionada do infinitivo.

Exemplos:  
Não estamos em situação de arriscar tanto.
As emissoras conquistaram o direito de transmitir os jogos.

 

Eram pontuais em cumprir seus deveres.
Estavam todos ávidos por conhecer o laboratório.

Esses remédios são ruins de tomar.

 

Os pais convenceram os filhos a ficar em casa.
O bom líder deve ensinar seus colaboradores a executar as tarefas.


Observação 1: Quando o infinitivo é empregado na voz passiva e funciona como complemento de certos adjetivos (fácil, simples, capaz, digno, entre outros), prefere-se a forma não flexionada do verbo ser.

Exemplos:  
Há decisões difíceis de ser tomadas.
São obras dignas de ser imitadas.
Os alimentos industrializados são ruins de ser consumidos.


Observação 2: Quando o infinitivo com preposição aparece depois de um verbo na voz passiva, não deve ser flexionado.

Exemplos:
Os jornalistas foram forçados a sair da sala. (CERTO)
Os jornalistas foram forçados a saírem da sala. (ERRADO)

 

As pessoas eram obrigadas a esperar na fila. (CERTO)
As pessoas eram obrigadas a esperarem na fila. (ERRADO)

 

Verbo "Parecer" + infinitivo

Quando o verbo parecer vem seguido de outro verbo no infinitivo, são possíveis duas formas de concordância verbal:

1) O verbo parecer, como verbo auxiliar, concorda com o sujeito, e o infinitivo não se flexiona, formando, assim, uma locução verbal.

Exemplos:  
Os alunos pareciam ouvir a professora.
Helena e Paulo parecem gostar um do outro.


2) O verbo parecer, quando for verbo intransitivo, fica na 3ª pessoa do singular, e o infinitivo se flexiona.

Exemplos:  
Os alunos parecia ouvirem a professora.
Helena e Paulo parece gostarem um do outro.


Observação: É, portanto, incorreta a flexão conjunta do verbo parecer e do infinitivo na mesma oração.

Exemplos:  
Os alunos pareciam ouvirem a professora. (ERRADO)
Helena e Paulo parecem gostarem um do outro. (ERRADO)


Verbo “Ser” em construções com voz passiva

Quando em situação de voz passiva (verbo ser + verbo no particípio):

1) Flexione o verbo ser quando forem diferentes os sujeitos da oração principal e da oração subordinada.

Exemplos:  
A lei não obriga os jornais a serem entregues.
A noiva pegou o desenho dos vestidos a serem usados no casamento.
Devemos antes completar o relatório técnico para os projetos serem aprovados.
O autor devolveu logo os textos a serem publicados.

2) Não flexione o verbo ser quando o sujeito da oração principal está no plural e é o mesmo sujeito da oração com infinitivo.

Exemplos:  
As leis foram feitas para ser obedecidas.
Os artistas saíram da exposição sem ser perturbados pela imprensa.
As jovens gostaram de ser filmadas.


Ser

Assim como se dá com qualquer verbo, o normal é que o sujeito e o verbo ser concordem em número e pessoa.

Exemplos:

José era um aluno aplicado.

Os dias de inverno são menores que os de verão.


Todavia, em alguns casos, o verbo ser se acomoda à flexão do predicativo:

1) Quando o sujeito do verbo ser for um dos pronomes isto, isso, aquilo, tudo, ninguém, nenhum ou expressão de valor coletivo ou partitivo (do tipo o resto, o mais, a maior parte, a maioria), o verbo ser concorda normalmente com o predicativo (é rara a concordância com o sujeito).

Exemplos:

Tudo são (ou é) flores.

O resto eram (ou era) favas contadas.

A maioria eram (ou era) famílias pobres.

2) Quando antecedido dos pronomes interrogativos quem e que, o verbo ser concorda com o predicativo.

Exemplos:

O que são comédias?

Quem eram os convidados?

3) No caso de referência a uma pessoa (expressa num substantivo próprio ou num pronome pessoal reto), o verbo normalmente concorda em número com a pessoa, esteja ela em posição de sujeito ou de predicativo.

Exemplos:

Ovídio é muitos poetas ao mesmo tempo.

Ela era as preocupações do pai.

O autor do livro sou eu.

O chefe és tu.

O Estado sou eu.

Eu sou a lei.

4) Entre um elemento no plural e outro no singular, o verbo ser concorda com aquele (sujeito ou predicativo) que estiver no plural, ressalvados os casos mencionados anteriormente.

Exemplos:

Os livros são o meu encanto.

Os tijolos seriam um material barato?

Meu destino eram as estradas que tinha de palmilhar.

Nossa força são as florestas.

Meu problema são os dentes.

 

Casos especiais do verbo "Ser":

1) Nas designações de horas, datas, distâncias, o verbo ser é impessoal (isto é, sem sujeito) e, por isso, concorda com a expressão numérica.

Exemplos:  
São 5 horas.
Hoje são 4 de maio.
Do colégio à cidade são 6 km.


Observação: Caso a construção inclua a palavra dia, a concordância deve ser com essa palavra.

Exemplo:  
Hoje é dia 4 de maio.

2) Quando o verbo ser aparece nas expressões é muito, é pouco, é demais, é suficiente, é bastante, é mais que (ou do que), é menos que (ou do que) e o sujeito representado por termo no plural exprime quantidade, preço, medida, etc., o verbo ser fica no singular.

Exemplos:  
Dois mil reais é bastante.
Seis anos era muito.
Seis quilos de carne foi mais do que precisávamos.


Construções com a partícula "se"

O se é partícula apassivadora em orações na voz passiva sintética com verbos transitivos diretos. Nesse caso, o verbo concorda com o sujeito.

Exemplos:  
Vende-se casa.
Vendem-se casas.


O se é índice de indeterminação do sujeito quando ocorre com verbo transitivo indireto ou verbo intransitivo. Nesse caso, o verbo sempre fica na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:
Precisa-se de operários especializados. (CERTO)
Precisam-se de operários especializados. (ERRADO)

 

Vive-se em paz aqui. (CERTO)
Vivem-se em paz aqui. (ERRADO)

Para outras observações sobre esta partícula, consulte Usos da Partícula Se.


Sujeito composto com "ou"

1) Usa-se o verbo no singular:

  • Se o fato expresso pelo verbo só pode ser atribuído a um dos sujeitos, isto é, se há ideia de exclusão.

Exemplos:  
O pai ou o filho será eleito presidente.
Fui devagar, mas o pé ou o espelho traiu-me.

  • Se há identidade ou equivalência entre os elementos ligados por ou.

Exemplo:  
O professor ou o nosso segundo pai merece o respeito da pátria.


2) Usa-se o verbo no plural se o fato expresso pelo verbo pode ser atribuído a todos os sujeitos.

Exemplos:  
O mal ou o bem teriam de vir dali.
Apresentou o documento cuja prorrogação ou cancelamento deveriam ter sido solicitados.
Mesmo que o tempo ou a paisagem se repetissem, essa teimosia apenas a aproximava da harmonia caprichosa da paisagem da sua infância.

 

Núcleos do sujeito ligados por "com", "como", "bem como", "assim como", "além de", "ao lado de" e similares

1) Usa-se o verbo no plural quando se pretender atribuir a mesma importância aos elementos do sujeito.

Exemplos:  
O candidato com seu assessor político compareceram à audiência.
O pai assim como o filho sofrem de diabetes.
A mãe bem como a filha foram salvas do incêndio.


2) Usa-se o verbo no singular quando se quer realçar o primeiro elemento.

Exemplos:  
O presidente, com sua comitiva, desembarcou hoje em Lisboa.
O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa.
A Empresa, além de entidades parceiras externas, realizou ações de transferência de tecnologia.

Observação: Nesse caso, o segundo termo (introduzido por com e similares) deve ser isolado por vírgulas.


Elementos ligados por expressões como "ligado a", "aliado a", "acrescido de" e similares

Embora essas expressões tenham valor de adição, são desconsideradas para a concordância com o verbo. O verbo deve, portanto, concordar com o núcleo do sujeito, que antecede o trecho introduzido por ligado a e similares (que deve estar isolado entre vírgulas).

Exemplos:  
O faturamento, acrescido das dívidas, foi lançado no livro.
O presidente, aliado a seus assessores e conselheiros, tomou a decisão na hora exata.

 

Sujeito oracional ou constituído de verbos no infinitivo

Quando o sujeito é constituído de orações ou composto por dois ou mais infinitivos, o verbo fica no singular.

Exemplos:  
Fumar e beber não traz benefícios ao organismo.
Errar e assumir é um ato de honestidade.
Nascer, crescer e morrer faz parte da condição de qualquer ser vivo.


Observação: Se os infinitivos estiverem substantivados ou indicarem contraste, o verbo vai para o plural.

Exemplos:  
O viver e o sonhar bastam a uma vida feliz.
Dormir e acordar são dedicações diárias da vida do ser humano.
Rir e chorar fazem parte da vida.

 

Números fracionários

Se o sujeito for expresso por números fracionários, a concordância se faz com o valor expresso pelo numerador.

Exemplos:  
Um quarto dos alunos elogiou a professora.
Dois quintos dos alunos elogiaram a professora.

 

Expressões partitivas

Em orações com expressões partitivas (a maioria de, a minoria de, grande parte de, a maior parte de, boa parte de, parte de, a menor parte de, uma porção de, mais da metade de, menos da metade de, etc.), que denotam quantidade imprecisa, pode-se utilizar o verbo no singular ou no plural, dependendo da ênfase pretendida.

Geralmente, utiliza-se o verbo no singular para dar ênfase ao agrupamento ou ao conjunto, de modo que a ação é atribuída à totalidade. Neste caso, o verbo concorda com a expressão partitiva, ou seja, fica no singular.

Exemplos:  
A maioria das pessoas foi ao evento.
A minoria dos eleitores não compareceu no dia das eleições.
Grande parte dos insetos não foi analisada no experimento.
A maior parte dos motoristas aderiu à greve.
Boa parte dos colaboradores saiu mais cedo da manifestação.
Parte do material ainda não foi comprada.
Mais da metade dos colaboradores saiu mais cedo da manifestação.


Utiliza-se o verbo no plural para dar ênfase aos elementos (substantivos no plural) que formam o agrupamento. Nesse caso, a concordância é feita com o termo especificador da expressão partitiva, ou seja, a concordância é atrativa.

Exemplos:  
A maioria dos homens são altos.
A maior parte dos alunos chegaram atrasados no dia da prova.
Boa parte das sementes não germinaram.
Metade dos críticos elogiaram o espetáculo.
Mais da metade dos turistas vieram no verão.
Menos da metade dos microscópios foram consertados.
Uma porção dos alunos chegaram atrasados no dia da prova.

 

Expressões de quantidade aproximada

1) Mais de um – Após a expressão mais de um, o verbo geralmente é empregado no singular, com base no numeral um da expressão.

Exemplos:  
O leitor percebeu que mais de um poeta escreveu sobre o tema.
Ao final do experimento, mais de um resultado foi contraditório.


No entanto, pode-se utilizar o plural quando se tratar de ação recíproca, ou a expressão vier repetida ou, ainda, o sujeito for um coletivo acompanhado de um complemento no plural.

Exemplos:  
Mais de um aluno se xingaram.
Mais de um senador, mais de um deputado, mais de um prefeito votaram contra a emenda.
Anunciaram que mais de um grupo de pessoas saíram às ruas.


2) Menos de dois – Após a expressão menos de dois, emprega-se o verbo no plural, com base no numeral dois da expressão.

Exemplos:  
Menos de dois plantios foram avaliados na última safra.
Menos de duas toneladas de grãos bastariam para alimentar o rebanho.

 

Sujeito com porcentagem

O numeral que indica porcentagem costuma estar acompanhado de um substantivo especificador, que pode estar no singular (por exemplo, 30% do rebanho leiteiro) ou no plural (por exemplo, 30% das vacas leiteiras).

Normalmente, é com esse especificador que o verbo concorda em número.

Exemplos:  
Conforme apurado pelos peritos, 90% da superfície sofreu desgaste.
Na capital, 10% dos votantes tumultuaram as eleições.

No entanto, há casos em que a concordância deve ser feita com o numeral:

1) Se o numeral for 1% ou menos. Nesse caso, a concordância é no singular (independentemente do gênero e do número do elemento especificador).

Exemplos:  
Apenas 1% dos alunos faltou ao exame.
No total, 0,80% das alunas aderiu ao projeto.

2) Se o verbo estiver antes do numeral da porcentagem.

Exemplos:  
Está perdido 1% da colheita.
Estão perdidos 10% da colheita.

Estão perdidos 10% das plantações.

Foram considerados 10% das respostas.
Perderam-se 30% da produção vinícola.


3) Se o especificador da porcentagem estiver antes do numeral.

Exemplos:  
Das indústrias, 50% estão obsoletos.
Dos alunos, 10% faltaram às aulas.
Dos alunos, 1% faltou às aulas.


4) Se o numeral estiver precedido de um determinante que o particulariza (com expressões como esses, outros, os restantes, etc.).

Exemplos:  
Esses 20% da população morreram.
Os restantes 30% de aumento serão pagos.
Uns 8% da população ganham acima de R$ 10 mil.
Este 1% dos alunos estudou pouco o tema da palestra.

Para averiguar o uso das palavras porcentagem/percentagem (ver aba Emprego Correto de Expressões).


Concordância com milhão, bilhão, trilhão

Quando o sujeito for uma expressão com milhão, bilhão, etc., o verbo poderá concordar com o núcleo do sintagma ou com o numeral (mesmo quando o numeral que acompanha milhão, bilhão, etc. for menor do que dois).

Exemplos:  
No ano passado, 1,1 milhão de pessoas voltaram ao País.
OU
No ano passado, 1,1 milhão de pessoas voltou ao País.

 

Depois do julgamento, 1,4 bilhão de dólares foram devolvidos aos cofres públicos.
OU
Depois do julgamento, 1,4 bilhão de dólares foi devolvido aos cofres públicos.


Observação 1: Se o verbo for de ligação, a concordância deve ser feita, de preferência, com o especificador.

Exemplo:  
Um milhão de pessoas estão alojadas em centros comunitários.


Observação 2: Quando o verbo estiver antes do numeral, recomenda-se fazer a concordância com o numeral.

Exemplos:  
No ano passado, sobrou 1,53 milhão de dólares.
No ano passado, 1,53 milhão de dólares sobraram.

Para concordância nominal nesses casos de milhão, bilhão, etc., ver aba Concordância Nominal.
Para uso de numerais, ver aba Numeral.