Normas Gramaticais

Regência verbal

A seguir, estão destacados alguns verbos e algumas de suas acepções e regências.

Para informações completas sobre todas as acepções e as respectivas regências dos verbos, consulte dicionários de língua portuguesa, particularmente os dicionários de regência verbal.

Acusar

Acusar, no sentido de atribuir falta, infração ou crime (a alguém ou a si próprio); culpar(-se), incriminar(-se), admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Ele costuma acusar colegas.

b) Com objeto direto e indireto (preposição de ou por).

Exemplos:

Acusou o homem de estelionato.

Acusou o réu por crime de tortura.

c) Com objeto direto e predicativo (antecedido da preposição de).

Exemplos:

Acusou o empresário de ladrão.

Acusou-o de criminoso de guerra.

Acusar, no sentido de confessar, revelar, mencionar, pede objeto direto.

Exemplos:

Miss Universo acusa traição de colegas.

Exames detalhados acusaram a presença da bactéria nos tecidos.

Acusar, no sentido de comunicar, notificar, confirmar (recepção de carta, ofício, etc.), pede objeto direto.

Exemplo:

Acusou o recebimento do convite de casamento.

 

Agradar

Agradar, no sentido de acariciar, afagar, mimar, pede objeto direto.

Exemplo:

O menino agradou o gatinho recém-nascido.

Agradar, no sentido de contentar, satisfazer, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

A canção agradou ao público.

 

Agradecer

Agradecer, no sentido de mostrar gratidão, admite as seguintes construções:

a) Com objeto indireto (alguém, antecedido da preposição a).

Exemplos:

Em todos os momentos, agradeça a Deus.

A empresa agradeceu aos funcionários.

Observação: Modernamente, aceita-se construção com objeto indireto (preposição a) seguido de construção com a preposição por.

Exemplo:

Agradeça a Deus pela sua salvação.

 b) Com objeto direto (algo).

Exemplo:

João agradeceu as boas-vindas.

 c) Com objeto direto (algo) e indireto (alguém, antecedido da preposição a).

Exemplo:

Ele agradeceu ao prefeito a sua nomeação.

 

Alocar

Alocar, no sentido de destinar (fundos, recursos, verbas, etc.) a fins específicos, pede objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplo:

O governo deverá alocar maiores recursos às universidades.

 

Antecipar

Antecipar, no sentido de ocorrer antes do tempo próprio ou marcado, adiantar(-se), admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplos:

Neste ano, o verão antecipou-se.

Para prestigiar seus empregados, a empresa antecipou seus salários.

b) Sem complemento verbal.

Exemplo:

É preferível esperar que antecipar.

Antecipar, no sentido de comunicar com antecedência, pede objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:

O comando do movimento não antecipou a ele nada sobre o plano.

O Exército não antecipou os planos de combate aos soldados.

Antecipar, nos sentidos de dizer, perceber ou anunciar antecipadamente; prever, prenunciar, prognosticar, pede objeto direto.

Exemplos:

Os mapas meteorológicos antecipavam o tornado.

A análise econômica antecipava a crise.

Antecipar-se, no sentido de chegar antes de, tomar a dianteira; adiantar(-se), admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Não quero me antecipar.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a ou em).

Exemplos:

Newton antecipou-se à ciência de seu tempo.

Antecipei-me na resposta.

A noiva antecipou-se ao noivo na cerimônia.

 

Apontar

Apontar, nos sentidos de fazer a ponta e fazer referência a, mencionar, pede objeto direto.

Exemplos:

Esta faca não aponta o meu lápis.

Durante seu depoimento, a testemunha apontou os suspeitos.

Apontar, no sentido de mostrar, indicar (com dedo, gesto, olhar), admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplos:

Apontei seus erros gramaticais no texto.

Diante dos jurados, apontei meu algoz.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:

O mestre apontou o caminho do templo a ela.

Apontei a entrada aos convidados.

c) Com construção com a preposição para ou a.

Exemplo:

Ela ergueu o braço e apontou para o ônibus.

Apontar, no sentido de dirigir um objeto para uma direção, pede objeto direto, seguido ou não de construção com as preposições para ou contra.

Exemplos:

Apontou a flecha para cima.

Apontou a arma contra o inimigo.

Apontar, no sentido de indicar, nomear, admite as seguintes construções:           

a) Com objeto direto seguido de construção com a preposição para.

Exemplo:

Apontaram-no para [ser] diretor da empresa.

b) Com objeto direto seguido de predicativo.

Exemplo:

Apontaram-no [como] representante da Unidade.

Apontar, no sentido de estar voltado para determinada direção, admite construção com a preposição para.  

Exemplo:

A frente da casa aponta para o leste.

Apontar, no sentido de começar a aparecer, despontar, não exige complemento verbal.

Exemplos:

A aurora deste dia já apontava.

Quando o candidato apontou no palanque, todos o saudaram.

 

Aprovar (e reprovar)

Aprovar, nos sentidos de dar aprovação, autorizar; considerar bom, adequado; ser favorável a; considerar habilitado, pede objeto direto.

Reprovar tem a mesma regência de aprovar.

Exemplos:

Não aprovamos [ou reprovamos] a liberação de verba.

Talvez as donas de casa não aprovem [ou reprovem] esta receita.

Aprovei [ou Reprovei] sua atitude.

A banca deve aprovar [ou reprovar] o candidato.

A professora aprovou o aluno.

Observação:
A construção a seguir é inadequada:

Exemplo:

O aluno aprovou [ou reprovou]. (ERRADO)

Use a construção:

Exemplo:

O aluno foi aprovado [ou reprovado]. (CERTO)

 

Aspirar

Aspirar, no sentido de sorver, inspirar, pede objeto direto.

Exemplo:

O produtor pode sofrer sérias consequências se aspirar o pesticida na hora de sua aplicação.

Aspirar, no sentido de almejar, desejar, pretender, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

O jovem aspira ao cargo de pesquisador.

Observação: Nessa acepção do verbo, o objeto indireto a ele(s), a ela(s) não pode ser convertido em lhe.

Exemplos:

O jovem aspira a ele. (CERTO)
O jovem aspira-lhe. (ERRADO)

 

Assistir

Assistir, no sentido de socorrer, prestar assistência, ajudar, pede objeto direto.

Exemplo:

O médico assiste o doente.

Assistir, no sentido de caber, pertencer, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

O direito de ir e vir assiste a todos.

Observação: Nessa acepção do verbo, o objeto indireto a ele(s), a ela(s) pode ser convertido em lhe.

Exemplo:

Assiste a todos [ou Assiste-lhes] o direito de lutar pela justiça social.

Assistir, no sentido de presenciar, estar presente, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

O treinador assistiu ao jogo.

Observação 1: O verbo assistir, nessa última acepção, não admite o pronome lhe(s), que deve ser trocado por a ele(s), a ela(s).

Exemplo:

Posso falar sobre o filme, porque já assisti a ele. (CERTO)

Posso falar sobre o filme, porque já lhe assisti. (ERRADO)

Observação 2: Por ser verbo transitivo indireto, o verbo assistir, ainda nessa última acepção, não admite voz passiva.

Exemplos:

Assistimos ao filme. (CERTO)

O filme foi assistido por nós. (ERRADO)

 

Atender

Atender, no sentido de dar atenção, ouvir, responder, se dirigido a pessoa ou coisa, pede objeto direto ou indireto (preposição a):

Exemplos:

O presidente atendeu o [ou ao] funcionário.

Ele não atende os [ou aos] avisos.

Atendeu o [ou ao] telefone.

Atenda os [ou aos] meus conselhos.

Negou-se a atender a [ou à] intimação.

Observação: Quando o complemento verbal, referindo-se a pessoa, for pronome, não se admite a forma lhe(s); apenas as formas objetivas diretas o(s), a(s) devem ser usadas.

Exemplo:

O presidente atendeu-o. (CERTO)

O presidente atendeu-lhe. (ERRADO)

Atender, no sentido de receber, admite as seguintes construções:

a) Sem complemento verbal.

Exemplo:

O médico atende em casa.

b) Com objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

A dentista só atende a um paciente por dia.

 

Chamar

Chamar, no sentido de fazer um apelo, pede objeto direto.

Exemplo:

Pedro chamou o filho.

Chamar, no sentido de mandar ir ou vir, pede objeto indireto (preposição por).

Exemplo:

O supervisor chamou pelo funcionário.

Chamar, no sentido de convocar, pede objeto direto.

Exemplo:

O presidente chamou o conselho.

Chamar-se, no sentido de ser chamado, ter o nome de, admite construção com

predicativo (nome próprio).

Exemplo:

Ele se chama Pedro.

Chamar, no sentido de apelidar, qualificar, tachar, admite as seguintes construções:

a) Chamar alguém (de) + predicativo.  

Exemplo:   

Ela chamou Pedro de sonhador [= Ela chamou-o sonhador].

b) Chamar (preposição a) alguém (de) + predicativo

Exemplo:   

Ela chamou a Pedro de sonhador [= Ela chamou-lhe sonhador].

Chamar, no sentido de avocar, tomar, assumir, pede objeto direto e indireto (preposição a ou sobre).

Exemplo:

Ele chamou a [ou sobre] si a responsabilidade da decisão.  

 

Chegar

Chegar, nos sentidos de ter atingido (destino) e de alcançar, deve ser seguido da preposição a. Nesses casos, não se deve usar a preposição em.

Exemplos:

Cheguei a Salvador de madrugada. (CERTO)

Cheguei em Salvador de madrugada. (ERRADO)


A escada é tão baixa que não chega ao teto. (CERTO)

A escada é tão baixa que não chega no teto. (ERRADO)

Observação 1: Use a preposição em apenas em designação de tempo.

Exemplo:

Chegarei em meia hora.

Observação 2: Use a preposição de no sentido de voltar de, vir de.

Exemplo:

Cheguei de Paris ontem.

 

Compartilhar

Compartilhar, nos sentidos de ter ou tomar parte em, partilhar com, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Amigos compartilham alegrias e tristezas.

b) Com objeto indireto (preposição de)

Exemplo:

Não compartilho de suas ideias.

c) Com objeto direto e indireto (preposição com).

Exemplo:

O professor compartilha seu conhecimento com os alunos.

 

Comunicar

Comunicar, no sentido de fazer chegar, transmitir (mensagem, informação, ordem, etc.), admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto (algo).

Exemplo:   

Esse orador sabe comunicar confiança e credibilidade.

b) Com objeto direto (algo) e indireto (alguém, antecedido de preposição a ou para).

Exemplo:

O ministro comunicou as decisões aos assessores.

Observação 1: Para referir-se a pessoa, emprega-se objeto indireto (e não direto).

Exemplos:  

O diretor comunicou aos funcionários a nova resolução. (CERTO)

O diretor comunicou-lhes a nova resolução. (CERTO)


O diretor comunicou os funcionários sobre a nova resolução. (ERRADO)

O diretor comunicou os funcionários da nova resolução. (ERRADO)

O diretor comunicou-os da nova resolução. (ERRADO)

Observação 2: Esse verbo não admite voz passiva para pessoa.

Exemplo:

A reunião foi comunicada aos funcionários. (CERTO)

Os funcionários foram comunicados a respeito da reunião. (ERRADO)

Nesse caso, pode-se usar outro verbo no lugar de comunicar, como: informar, avisar, cientificar.

Exemplo:

Fui informado [ou avisado, cientificado] de que não haveria aulas.

Comunicar, no sentido de passar ou deixar passar (força, energia, etc.), transmitir-se, pede objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplo:

A engrenagem comunicou movimento ao portão, fazendo-o abrir.

Comunicar, no sentido de possibilitar o deslocamento de um lugar a outro, de uma coisa a outra, admite as seguintes construções:    

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Um longo corredor comunica as duas salas.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a ou com).

Exemplo:

Uma estrada de chão comunica a estrada real com a vereda que dá acesso à fazenda.

 

Constituir

Constituir, no sentido de ser a base, a parte principal de; compor, formar, pede objeto direto.

Exemplo:

As células constituem os tecidos dos seres vivos.

Constituir, no sentido de estabelecer, organizar, pede objeto direto.

Exemplo:

Ele constituiu uma firma comercial.

Constituir, no sentido de assentar em certo lugar, pede objeto direto seguido de advérbio (ou locução adverbial).

Exemplo:

Constituiu a sede da firma naquela cidade.

Constituir, no sentido de dar poderes a alguém para tratar de negócios, exercer mandato, cargo ou função; nomear; eleger, pede objeto direto, seguido ou não de predicativo.

Exemplos:

Ele já constituiu advogado.

Constituiu-o seu herdeiro.

Constituir-se, no sentido de arrogar-se condição, direito, posição, admite construção com predicativo (antecedido ou não da preposição em).

Exemplos:

Constituiu-se guardião da virtude.

Constituiu-se em protetor da família.

Constituir-se, no sentido de passar a ser; tornar-se, admite construção com predicativo (antecedido da preposição em).

Exemplo:

Sua festa constituiu-se [= transformou-se] no maior evento da cidade.

Constituir, no sentido de representar, ser, consistir, pede objeto direto.

Exemplos:

Sua vida constitui um modelo a ser seguido.

Num crime, a premeditação constitui um agravante.

Observação: Nessa acepção, a construção formal (que é a mais indicada para um texto técnico) é algo ou alguém constitui algo. Por isso, prefira dizer:

Exemplos:

Esses projetos constituem [= são] exemplos de revitalização da pesquisa. (PREFIRA)

Esses projetos constituem-se em exemplos de revitalização da pesquisa. (EVITE)     

 

Contribuir

Contribuir, no sentido de pagar contribuição, dar dinheiro; cooperar, participar, admite as seguintes construções:

a) Sem complemento verbal.

Exemplo:

Os paroquianos deixaram de contribuir.

b) Com objeto indireto (preposição com ou para).

Exemplos:

Contribuí com 2 reais.

Ele contribuiu com alguns capítulos.

Contribuo para a festa.

Observação: O complemento verbal precedido de para refere-se à finalidade.

Exemplos:

Os americanos deveriam contribuir para a restauração do navio.

Contribuiu para o esquema.

O complemento verbal precedido de com refere-se àquilo que é oferecido na contribuição.

Exemplo:

Os americanos deveriam contribuir com madeiras e ferramentas.

Portanto, deve-se evitar a construção de complemento com a preposição com que exprima finalidade.

Exemplo:         

A omissão do Estado contribuiu para a favelização dos grandes centros urbanos. (CERTO)

A omissão do Estado contribuiu com a favelização dos grandes centros urbanos. (ERRADO)

 

Convidar

Convidar, no sentido de fazer um convite, chamar, pede objeto direto, seguido ou não de construção com a preposição para.

Exemplos:

O aniversariante só convidou os íntimos.

Convidaram-no para a solenidade.

Convidaram o pesquisador para o almoço.

Convidar-se, no sentido de oferecer-se, dispor-se, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Nenhum membro do grupo se ofereceu para liderá-lo; foi preciso que um estranho se convidasse.

b) Com objeto direto e indireto (preposição para ou a).

Exemplos:

O rapaz se convidou para liderar o grupo.

Convidamo-nos para a festa.

 

Custar

Custar, no sentido de ter determinado valor ou preço ou valer, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Um apartamento de um quarto naquele bairro custa, aproximadamente, 600 mil reais.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:

A casa custou-me uma fortuna.

A cirurgia custou ao convênio uma fortuna.

Observação: Os termos barato e caro não variam depois do verbo custar.

Exemplos:

Agora, os combustíveis custam 30% mais caro do que há 2 meses.

Esses artigos custam barato.

Custar, no sentido de ser custoso, difícil, trabalhoso, admite as seguintes construções:

a) Sem complemento verbal.

Exemplos:

Custa muito corrigir um erro (= Corrigir um erro custa muito).

Custou muito não reagir àquela discussão (= Não reagir àquela discussão custou muito).

b) Com objeto indireto (preposição a).

Exemplos:

Custa a ele [ou lhe] corrigir velhos hábitos.

Custou-nos muito não reagir àquela discussão.

Observação 1: Nessas duas acepções, o verbo custar tem como sujeito uma oração infinitiva. Por isso, é empregado apenas na terceira pessoa do singular.

Observação 2: Embora frequentes na linguagem oral, construções como as que constam abaixo ainda não são bem vistas em linguagem escrita formal, razão por que devem ser evitadas.

Exemplos:

"Custou-me entender a matéria." [= Entender a matéria custou a mim] ou construções com verbos alternativos, como: “Foi trabalhoso entender a matéria.” (PREFIRA)

"Custei a entender a matéria." (EVITE)

 

"Custou-lhes chegar a um consenso." [= Custou a eles chegar a um consenso] (PREFIRA)

"Custaram a chegar a um consenso." (EVITE)

 

"Custou a Seixas conter-se" ou construções com verbos alternativos, como: “Seixas teve dificuldade em conter-se.” (PREFIRA)
“Seixas custou a conter-se.” (EVITE)

 

Custar, no sentido de acarretar trabalhos, causar, ocasionar incômodos, sofrimentos, prejuízos, pede objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:    

A imprudência custou-lhe lágrimas amargas.

A conquista do pão custa ao pobre muitos sacrifícios.                  

 

Defender

Defender, nos sentidos de proteger, afastar (mal ou perigo); advogar no interesse de, lutar ou manifestar-se em favor de; impedir ou opor resistência a; sustentar com argumentos e razões; preservar, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplos:

Ele sempre defende seu ponto de vista.

O goleiro defendeu o pênalti.

b) Com objeto direto e indireto (preposição de ou contra).

Exemplos:

Um grande muro defende a casa dos assaltos.

Os casacos de lã defendiam-nos do frio.

Defendeu a minoria contra as discriminações.

Observação: Em certos casos, para evitar ambiguidade, é preciso substituir a preposição de pela preposição contra.

Exemplo:

Coreano é morto ao defender o filho contra ladrões. (PREFIRA)

Coreano é morto ao defender o filho de ladrões. (EVITE).

 

Denunciar

Denunciar, no sentido de dar ou oferecer denúncia, pede objeto direto.

Exemplos:

Denunciou o autor do crime.

A jovem denunciou o namorado.

Denunciar, no sentido de atribuir a responsabilidade de, difundir, revelar, expor à vista, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Sua voz denunciou-o.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:

A imprensa denunciou o fato ao público.

O rapaz denunciou o segredo à mãe.

Denunciar-se, no sentido de atribuir a responsabilidade (a si mesmo), expor-se à vista e revelar-se, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

O criminoso denunciou-se.

b) Com objeto direto e objeto indireto (preposição a, em ou por).

Exemplos:

O homem denunciou-se à polícia.

A mulher denunciou-se pela magreza.

O estelionatário denunciou-se pelo nervosismo.

 

Descer

Descer, no sentido de dirigir-se a lugar mais baixo, admite construção com a preposição a ou para. Nesses casos, não se devem usar construções com a preposição em.

Exemplos:

Ele desceu para o primeiro andar. (CERTO)

Ele desceu no primeiro andar. (ERRADO)

Se for mencionada a origem, o verbo descer admite construção com preposição de... para ou de... a.

Exemplo:

Ele desceu do quinto para o primeiro andar.

 

Esquecer

Esquecer, nos sentidos de perder a lembrança de; não pensar em; deixar escapar da memória; não se lembrar de; deixar algo por distração, pressa, falta de atenção admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplos:

Ele já esqueceu o incidente.

Esqueceu o copo em cima da mesa.

b) Com objeto indireto (preposição de), quando pronominal.

Exemplos:

Ele já se esqueceu do incidente.

Esqueceu-se do copo em cima da mesa.

c) Sem complemento verbal.

Exemplo:

Comeu chocolate para esquecer.

 

Faltar

Faltar, no sentido de não existir, não haver, admite as seguintes construções:

a) Com objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

Faltam recursos ao governo.

Observação: Nesse exemplo, “recursos” é sujeito, e “ao governo” é objeto indireto.

b) Sem complemento verbal.

Exemplos:

Faltam recursos.

Observação: Nesse exemplo, “recursos” é sujeito, e não objeto direto.

Faltar, no sentido de estar ausente, não comparecer, admite as seguintes construções:

a) Com objeto indireto (preposição a ou em).

Exemplo:

Ele faltou a (ou em) várias sessões.

b) Sem complemento verbal.

Exemplo:

Muitos alunos faltaram.

 

Fazer

Fazer, no sentido de realizar, executar, pede objeto direto.

Exemplo:

Ele fez o trabalho.

Fazer, nos sentidos de ocorrer (certo fenômeno meteorológico ou estado atmosférico) ou de tempo transcorrido, pede objeto direto.

Exemplos:

Faz frio e chuva.

Ontem fez 2 meses que ele desapareceu.

Para orientações sobre flexão do verbo fazer nesta acepção, ver aba Concordância Verbal.

Fazer, no sentido de praticar, causar, ocasionar, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Não faça isso.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplo:

Não faça mal aos outros .

Fazer, no sentido de proceder, comportar-se, agir, não pede complemento verbal.

Exemplo:

Faça como quiser.

Observação: Nos sentidos de esforçar-se ou empenhar-se por; causar; obrigar a, o verbo fazer admite as formas fazer que... e fazer com que...

Exemplos:

Fiz [com] que se calassem.

Faça [com] que ele trabalhe.

 

Implicar

Implicar, no sentido de dar a entender, fazer supor; ou ter como consequência, resultar, acarretar, pede objeto direto.

Exemplos:

Seu silêncio implicava consentimento.

A derrota implica a desclassificação do time.

A aposentadoria implicou mudanças radicais em sua vida.

Implicar, no sentido de tornar imprescindível ou requerer, pede objeto direto.

Exemplo:

O combate à inflação implica a adoção de medidas drásticas.

Observação: Nos sentidos descritos anteriormente, use a construção implicar algo no lugar de implicar em algo, construção essa que provavelmente resultou da influência de sinônimos como redundar, reverter, importar, que são usados com a preposição em.

Exemplo:

Seu silêncio implicava consentimento. (CERTO)

Seu silêncio implicava em consentimento. (ERRADO)

Implicar, no sentido de ter implicância, demonstrar antipatia, pede objeto indireto (preposição com).

Exemplo:

Ele implica com os colegas.

Implicar, no sentido de envolver (alguém ou a si mesmo), comprometer(-se), pede objeto direto e indireto (preposição em).

Exemplos:

O relator implicou o acusado no desfalque.

Ambicioso que era, acabou implicando-se no crime.

 

Implorar

Implorar, no sentido de pedir chorando, fazer pedidos com ansiedade e insistência, admite as seguintes construções:

a) Sem complemento verbal.

Exemplo:

Ela ficou de joelhos a implorar.

b) Com objeto direto e indireto (preposição para ou a).  

Exemplos:

[implorar a alguém algo] Imploro a ela que me vingue.

[implorar alguém a algo] Imploro ela a que me vingue.

 

Indicar

Indicar, nos sentidos de apontar, mostrar com o dedo ou por meio de um sinal qualquer; designar; mencionar; aconselhar, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplos:

A placa indicava um desvio.

O brigadista indicou a rota de fuga.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a ou para).

Exemplos:

O professor indicou bons livros aos alunos.

Um transeunte lhe indicou a saída mais próxima.

 

Indicar, no sentido de determinar, denotar, revelar, pede objeto direto.

Exemplos:

Os alunos indicaram a natureza e a função de cada palavra.

Seu rosto indicava cansaço.

 

Informar

Informar, no sentido de dar notícia ou informe, inteirar, instruir, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Informou o eleitor.

b) Com objeto direto (alguém) e indireto (algo, antecedido da preposição de ou sobre).

Exemplos:

Informou o leitor das alterações na votação.

Informou-o sobre o resultado do vestibular.

c) Com objeto direto (algo) e indireto (alguém, antecedido de preposição a).

Exemplo:

Informou as alterações regimentais ao funcionário.

Observação 1: Os verbos avisar, certificar, notificar, cientificar e prevenir têm a mesma regência de informar.

Observação 2: Deve-se tomar cuidado para não atribuir dois objetos diretos ao mesmo verbo.

Exemplo:

O estudo informava aos pesquisadores que o bioma estava praticamente destruído. (CERTO)

O estudo informava os pesquisadores de que o bioma estava praticamente destruído. (CERTO)

O estudo informava os pesquisadores que o bioma estava praticamente destruído. (ERRADO)

 

Ir

Ir, nos sentidos de comparecer; deslocar-se, dirigir-se (de um lugar a outro) e conduzir, proporcionar acesso, admite as seguintes construções:

a) Com a preposição a ou para. Nesses casos, não se devem usar construções com a preposição em.

Exemplos:

Não vou aos bailes. (CERTO)

Não vou nos bailes. (ERRADO)

 

Procurei no mapa o caminho que vai para o museu. (CERTO)

Procurei no mapa o caminho que vai no museu. (ERRADO)

b) Com as preposições a e de, quando se indica meio de transporte.

Exemplos:

Os técnicos foram a cavalo.

Os estudantes preferiram ir a pé.

Os técnicos foram de carro.

Os estudantes preferiram ir de ônibus.

 

Lembrar

Lembrar, nos sentidos de trazer à memória, recordar; guardar ou ter na lembrança, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Ele lembrou o incidente.

b) Com objeto indireto (preposição de), quando pronominal.

Exemplo:

Ele lembrou-se do incidente.

c) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplo:

Lembrei a ele seu mau passado.

 

Levar

Levar, no sentido de fazer passar (de um lugar) (a ou para outro), transportar, conduzir, pede objeto direto.

Exemplo:

O caminhão leva mercadorias.

Observação: Quando a construção referir-se ao destino, usa-se o objeto direto seguido de construção com a preposição para ou a. Nesses casos, evite construções com a preposição em.

Exemplo:

Levei a carta ao correio. (CERTO)

Levei a carta no correio. (ERRADO)

 

Mencionar

Mencionar, no sentido de fazer menção, referir, expor, narrar, pede objeto direto.

Exemplo:

O advogado mencionou um fato irrefutável na defesa do réu.

 

Obedecer

Obedecer, no sentido de submeter-se à vontade de alguém, estar sob a autoridade de alguém, executar as ordens de alguém, admite as seguintes construções:

a) Sem complemento verbal.

Exemplo:

Se você obedecer, será premiado.

b) Com objeto indireto (preposição a).

Exemplos:

[obedecer a alguém] Ele obedecia aos pais.

[obedecer a alguém] Ele obedecia-lhes.

[obedecer a algo] Ela obedecia às ordens dos superiores.

Observação 1: Apesar de sua transitividade indireta, o verbo obedecer admite construção passiva.

Exemplo:

A lei foi obedecida.

O verbo desobedecer segue a mesma regência do verbo obedecer.

 

Pagar

Pagar, no sentido de remunerar, compensar ou retribuir, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto (algo).

Exemplo:

Pagou o salário.

b) Com objeto indireto (alguém, antecedido da preposição a).

Exemplo:

Pagou aos funcionários [ou Pagou-lhes].

c) Com objeto direto (algo) e indireto (alguém, antecedido da preposição a).

Exemplo:

Pagou o salário aos funcionários [ou Pagou-lhes o salário].

d) Sem complemento verbal.

Exemplos:

Muitos entraram e não pagaram.

Muitos assistem aos jogos sem pagar.

Pagar, no sentido de satisfazer o preço ou valor de (mercadoria, bem, etc.), pede objeto indireto (algo, antecedido da preposição por).

Exemplos:

Pagou caro pelos seus crimes.

Quanto pagou pela hospedagem?

Pagar, no sentido de ser castigado, expiar, padecer, pede objeto indireto (algo, antecedido da preposição por):

Exemplo:

O réu já pagou pelos seus crimes.

 

Perdoar

O verbo perdoar, nos sentidos de absolver, desculpar, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto (algo).

Exemplo:

Perdoou as ofensas.

b) Com objeto indireto (alguém, antecedido da preposição a).

Exemplo:

Ela não perdoou à família.

c) Com objeto direto (algo) e indireto (alguém, antecedido da preposição a).

Exemplos:

Perdoou a dívida ao funcionário.

Perdoei-lhe todas as injúrias.

 

Preferir

Preferir, nos sentidos de gostar mais de; dar primazia ou preferência a; escolher, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

As crianças preferem nadar.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:

As crianças preferem brincar a estudar.

Os meninos preferem a bola ao carro.

O soldado preferiu marchar a fugir do campo de batalha.

Observação 1: Quando pede objeto indireto, o verbo preferir requer a preposição a e não a locução do que.

Exemplo:

A professora prefere dar aula a corrigir provas. (CERTO)

A professora prefere dar aula do que corrigir provas. (ERRADO)

Observação 2: O verbo preferir não é um comparativo; tem o sentido de pôr em primeiro lugar, escolher ou querer antes. Assim, tem valor absoluto e não deve ser acompanhado de palavras ou expressões como: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, etc., consideradas redundantes e, portanto, desnecessárias. Já o verbo gostar admite essas construções comparativas.

Exemplo:

Gosto mil vezes mais de dançar do que de correr. (CERTO)

Prefiro mil vezes dançar a correr. (ERRADO)

 

Prevenir

Prevenir, no sentido de avisar com antecedência, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Não se queixe, pois eu o preveni.

b) Com objeto direto e indireto (preposição de).

Exemplo:

Não se queixe, pois eu o preveni dos riscos. (CERTO)

Não se queixe, pois eu lhe preveni dos riscos. (ERRADO)

Prevenir, no sentido de precaver, acautelar, pede objeto direto (alguém) e objeto indireto (preposição de ou contra).

Exemplos:

Preveniu a colega dos riscos da cirurgia.

O investidor preveniu-se contra os riscos da operação financeira.

 

Privar

Privar, no sentido de despojar alguém de alguma coisa; motivar a perda; impedir de ter a posse, pede objeto direto e indireto (preposição de).

Exemplo:

O pai, sempre ausente, privou o filho de uma vida de estabilidade emocional e segurança.

Privar, no sentido de abster-se, pede objeto direto (na forma de pronome) e objeto indireto (preposição de).

Exemplo:

Precisando economizar para comprar a casa, ele privou-se de todo tipo de lazer.

Privar, no sentido de conviver intimamente, pede objeto indireto (preposição com).

Exemplo:

Vivendo no mundo da sétima arte, ele priva com cineastas famosos.

 

Proferir

Proferir, qualquer que seja o seu sentido – prenunciar; dizer (uma palavra, um nome, um discurso, um insulto); dizer em voz alta, pronunciar; decretar, publicar (sentença) –, pede objeto direto.

Exemplos:

O paraninfo proferiu um discurso comovente.

No final do julgamento, o juiz proferiu a sentença.

Observação: Esse verbo é necessariamente seguido de um complemento expresso por um nome. Alguém profere alguma coisa (que pode ser uma palavra, um nome, um discurso, um insulto, uma conferência, uma sentença, etc.), mas não profere que.

Exemplo:

O juiz proferiu a sentença a favor da continuidade da tramitação. (CERTO)

O juiz proferiu que continuassem a tramitação. (ERRADO)

 

Querer

Querer, no sentido de desejar, pede objeto direto.

Exemplos:    

Quero os livros.

Quero Maria ao meu lado.

Neste dia frio, só quero chocolate quente.

Querer, no sentido de pretender, solicitar, pede objeto direto (que pode inclusive ser uma oração iniciada com que).

Exemplo:

Quero respeito durante as discussões.

Quero que me ouçam.

Querer, no sentido de estimar, gostar, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplos:

Os pais querem aos filhos.

Eu lhe quero muito.

 

Relatar

Relatar, no sentido de narrar, expor, referir, admite as seguintes construções:

a) Com objeto direto.

Exemplo:

Relatamos o fato.

b) Com objeto direto e indireto (preposição a).

Exemplos:

Relatamos o fato ao presidente da empresa.

A lenda relata-nos as façanhas do cangaceiro.

Relatar, no sentido de listar, incluir, relacionar, pede objeto direto e admite construção com as preposições em ou entre.

Exemplos:

Relatei a cultivar na lista de espécies importáveis.

A cerimonialista relatou-o entre os convidados.

Relatar, no sentido de fazer o relatório ou preâmbulo de decreto, lei, processo, etc., pede objeto direto.

Exemplo:

A senadora que relatou a Lei Maria da Penha estava emocionada.

 

Sair

Sair, no sentido de passar do interior para o exterior, admite construção com preposição de... ou de...a ou para.

Exemplos:

As frases saíam do coração.

Saio de casa para a rua.

Sair, no sentido de parecer-se com, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

Você saiu à sua mãe.

 

Situar

Situar, no sentido de colocar-se ou estabelecer-se em determinado lugar, admite construção com preposição em ou entre.

Exemplos:

O Palácio dos Martírios situa-se em Maceió.

A casa situa-se entre as duas ruas principais da cidade.

 

Sobressair

Sobressair, no sentido de avultar, destacar-se, distinguir-se, admite as seguintes construções:

a) Com objeto indireto (preposição em, a ou entre).

Exemplos:

A Miss Ceará sobressaiu a [entre] todas as candidatas.

Nunca sobressaí em matemática.

b) Sem complemento verbal.

Exemplo:

Uma jovem de 20 anos era quem sobressaía.

Observação: Modernamente, admite-se sobressair também como verbo pronominal.

Exemplo:

Ela se sobressai como quituteira. [= Ela sobressai como quituteira.]

 

Visar

Visar, no sentido de mirar ou dar visto, pede objeto direto.

Exemplos:

Ele visa o alvo.

Visaram o meu passaporte.

Visou o cheque.

Visar, no sentido de pretender, ter em vista, pede objeto indireto (preposição a).

Exemplo:

Ele visa ao cargo de chefia.

Observação: Nesse sentido, quando o verbo visar estiver seguido de verbo no infinitivo, a tendência atual é não usar a preposição a entre os dois verbos.

Exemplo:

O ataque visava [a] cortar a retaguarda da linha de frente.

 

Voltar

Voltar, no sentido de regressar, admite as seguintes construções:

a) Com as preposições a e para.

Exemplos:

Os pesquisadores voltaram para São Paulo após a reunião.

Os pesquisadores voltaram a São Paulo após a reunião.

b) Com a preposição de.

Exemplos:

Os pesquisadores voltaram de Brasília após a reunião.

Ela voltou da Europa.

c) Com as preposições de...para ou a.

Exemplo:

Os pesquisadores voltaram de Brasília para São Paulo após a reunião.

Nesses casos, evite construções com a preposição em.

Exemplos:

Os cinco lutadores voltaram a sua cidade natal. (CERTO)

Os cinco lutadores voltaram na sua cidade natal. (ERRADO)

Voltou para o Rio. (CERTO)

Voltou no Rio. (ERRADO)

 

Informações complementares sobre regência verbal

  • Verbo transitivo indireto não admite voz passiva.

Exemplo:

Assistimos ao filme. (CERTO)

O filme foi assistido por nós. (ERRADO)

Observação: Os verbos obedecer e desobedecer são exceções a esta regra (em virtude da arcaica transitividade direta). Embora tenham transitividade indireta, aceitam a construção passiva.

Exemplo:

A lei foi desobedecida.

  • Verbos de regências diferentes não podem receber o mesmo complemento.

Exemplo:

Assisti ao espetáculo e gostei dele. (CERTO)

Gostei do espetáculo a que assisti. (CERTO)

Assisti e gostei do espetáculo. (ERRADO)

Pronomes oblíquos de 3ª pessoa

  • Verbos transitivos diretos pedem complemento com os pronomes oblíquos o(s) e a(s).

Exemplo:

Eu o amo. (CERTO)

Eu lhe amo. (ERRADO)

  • Verbos transitivos indiretos pedem complemento com o pronome lhe.

Exemplo:

Este livro lhe pertence. (CERTO)

Este livro o pertence. (ERRADO)

Observação: Nem todo verbo transitivo indireto admite como objeto indireto o pronome oblíquo lhe. Alguns admitem apenas as formas a ele(s) e a ela(s), como aspirar, assistir e atender. Para outros verbos que se enquadram nessa exceção, recomenda-se consultar dicionários de regência.

  • Formas dos pronomes oblíquos de 3ª pessoa (objeto direto).

Quando o pronome oblíquo de 3ª pessoa que funciona como objeto direto vem antes do verbo, apresenta-se sempre com as formas o(s), a(s).

Exemplos:

Nunca a encontramos em casa.

Ela o trouxe para mim.

Quando, porém, está colocado depois do verbo e se liga a esse por hífen, a sua forma depende da terminação do verbo:

1) Se a forma verbal terminar em vogal ou ditongo oral, empregam-se o(s) e a(s).

Exemplos:
Ela louvava-o todas as manhãs.
Havia muitas louças espalhadas sobre a mesa; organizei-as todas naquela estante.

2) Se a forma verbal terminar em -r, -s ou -z, suprimem-se essas consoantes, e o pronome assume as modalidades lo(s) e la(s).

Exemplos:
Encontrá-lo durante o congresso foi uma grata surpresa.
Essas obras de arte são raras. Não quero vendê-las.
Você fez a tarefa? Sim, fi-la.
Ninguém quis o tomate, mas João qui-lo.

3) Se a forma verbal terminar em ditongo nasal, o pronome assume as modalidades no(s) e na(s).

Exemplos:
Os livreiros não costumam dar desconto; dão-no apenas durante congressos e feiras.
Os recorrentes episódios de dengue têm-nos preocupado.
Os autores gostariam de acrescentar algumas frases ao documento. Entregaram-nas por escrito ao editor.

  • Os pronomes oblíquos me, te, se, nos e vos atuam tanto como objeto direto quanto como objeto indireto, a depender da regência do verbo.

Exemplos:

Ele me ajudou nas tarefas escolares.

[Aqui, me é objeto direto, porque o verbo ajudar pede objeto direto].

 

Ele me lembrou sua infância.

[Aqui, me é objeto indireto, porque o verbo lembrar pede um objeto direto (sua infância) e um objeto indireto (me).]

  • Não se faz a combinação de preposição com pronome pessoal, pronome demonstrativo ou artigo quando essas formas forem sujeito ou objeto do verbo da oração subordinada.

Exemplos:

[Pronome pessoal]

Apesar de ele ter se inscrito com antecedência, não garantiu a vaga. (CERTO)

Apesar dele ter se inscrito com antecedência, não garantiu a vaga. (ERRADO)
 

[Pronome demonstrativo]

É hora de aquela encomenda ser entregue. (CERTO)

É hora daquela encomenda ser entregue. (ERRADO)
 

[Artigo]
Colocou todo o empenho em os alunos se aperfeiçoarem. (CERTO)

Colocou todo o empenho nos alunos se aperfeiçoarem. (ERRADO)

Como alternativa, pode-se reformular a frase, usando uma só oração:

Exemplos:

Apesar da inscrição antecipada, ele não garantiu a vaga.

É hora de entregar a encomenda.

Colocou todo o empenho no aperfeiçoamento dos alunos.

Alguns casos de regência verbal

Errado Certo
Conseguiu com que todos aceitassem Conseguiu que todos aceitassem
Deu à luz a gêmeos Deu à luz gêmeos
Equivale dizer que Equivale a dizer que
Habituou-se com ela Habituou-se a ela
Negou-se em acatar as ordens Negou-se a acatar as ordens
Nunca lhe vi Nunca o(a) vi
A empresa participou os funcionários da decisão A empresa participou a decisão aos funcionários
Pediu aos interessados para que procurassem a chefia Pediu ao interessados que procurassem a chefia
Permitiu com que se candidatasse Permitiu que se candidatasse
Procedeu o inventário Procedeu ao inventário
Recusou-se em obedecer às ordens Recusou-se a obedecer às ordens
Recusou ao presente Recusou o presente
Repetiu de ano Repetiu o ano