Nomenclatura científica

Nomes científicos de plantas, algas, fungos, bactérias e protistas

Para consultar as regras completas de nomenclatura das espécies, recomenda-se acessar os códigos internacionais que as sistematizam.

Para consultar os nomes das espécies, recomenda-se acessar as bases de dados autorizadas.

Código de nomenclatura científica de algas, fungos e plantas

International Code of Nomenclature for Algae, Fungi and Plants (Melbourne Code) (International Association for Plant Taxonomy)

Observação: Neste código, também constam regras de nomenclatura para alguns organismos que, embora não sejam considerados plantas, também fazem fotossíntese, como algumas espécies de bactérias (Cyanobacteria), fungos (inclusive quitrídeos, oomicetos e bolores) e protistas.

Bases de dados para consultar nomes científicos de algas, fungos e plantas

Plantas: The International Plant Names Index e Tropicos

Fungos: Index Fungorum

Algas:

Algaebase

WoRMS

SHIGEN

The Academy of Natural Sciences

Algas e protistas:

Global Biodiversity Information Facility (GBIF)

Algaebase

Protist Information Server

Natural History Museum

Protist Image Data

Código de nomenclatura científica de bactérias

International Code of Nomenclature of Prokaryotes

Observação: A base deste código é o Bacteriological Code, 1990 Revision (National Center for Biotechnology Information – NCBI), ao qual se acrescentaram alterações feitas pelo International Committee on Systematic Bacteriology (ICSB) e pelo International Committee on Systematics of Prokaryotes (ICSP).

Clique aqui para acessar o Bacteriological Code (1990 Revision).

Bases de dados para consultar nomes científicos de bactérias

List of Prokaryotic Names with Standing in Nomenclature

Taxonomia

  • As algas, fungos, plantas, bactérias e protistas são classificados, por convenção, nos seguintes grupos principais (táxons ou taxa), em sequência descendente: reino, divisão ou filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Todas essas categorias são nomeadas em latim.

Embora sejam palavras em latim, as categorias de classificação acima de gênero (família, ordem, etc.) são escritas em letra redonda e com inicial maiúscula (exceto os nomes de bactérias que, nessas classificações, são escritos em itálico).

Exemplos:

O reino Plantae é composto por seres vivos pluricelulares.
A família Musaceae constitui um grupo da ordem Zingiberales.

Gênero e espécie

  • O nome científico é uma combinação binária, que consiste do nome do gênero seguido do epíteto específico (nome da espécie), ambos em itálico. O gênero deve estar com inicial maiúscula, e a espécie com inicial minúscula.

Exemplo:
Genipa americana

Observação: Nas publicações da Embrapa, o nome binário será sempre grafado em itálico, independentemente de eventuais destaques e do tipo gráfico do texto circundante.

  • O conjunto gênero e espécie deve sempre ser grafado por extenso na primeira citação no texto (capítulo ou artigo). Daí por diante, o gênero pode ser abreviado, utilizando-se a inicial maiúscula e o ponto de abreviação, desde que a espécie esteja por extenso (ou seja, com sp. e spp., não se pode usar a abreviatura de gênero).

Exemplos:
Schwenckia angustifolia
S. angustifolia

O café (Coffea sp.) é uma das principais culturas agrícolas do Brasil. As espécies Coffea arabica e Coffea canephora são as mais conhecidas. Dessas, o café mais fino é o da C. arabica. Os principais estados produtores de Coffea sp. são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Paraná.

  • Se for mencionada uma nova espécie de um mesmo gênero já citado, o nome completo da nova espécie (isto é, o conjunto gênero e espécie) deve ser grafado por extenso em sua primeira ocorrência.

Exemplo:
Na região, os adubos verdes mais utilizados são Crotalaria breviflora, Mucuna aterrima e Vicia sativa. Já Crotalaria juncea, que é muito comum nos demais estados do País, não foi encontrada na área pesquisada. Para o presente estudo, foram selecionadas as espécies C. breviflora e M. aterrima, que foram submetidas a análise morfológica e fisiológica.

Observação 1: Uma vez adotada a forma abreviada, deve-se seguir assim até o fim do texto. Portanto, deve-se evitar a oscilação entre as formas por extenso e abreviada ao longo de um mesmo texto.

Exemplo:
Na região, os adubos verdes mais utilizados são Crotalaria breviflora, Mucuna aterrima e Vicia sativa. Já Crotalaria juncea, que é muito comum nos demais estados do País, não foi encontrada na área pesquisada. Para o presente estudo, foram selecionadas as espécies C. breviflora e M. aterrima, que foram submetidas à análise morfológica e fisiológica. No caso de M. aterrima, observou-se alto índice de [...]  

Exceção: Não se deve usar o gênero abreviado quando o nome científico iniciar a frase (mesmo que sua forma por extenso já tenha sido apresentada antes no texto).

Exemplo:
As espécies de uso mais comum na região são Crotalaria juncea L. (Figuras 1 a 4), Crotalaria spectabilis Roth (Figuras 5 e 6) e Crotalaria breviflora D.C. (Figuras 7 e 8). Crotalaria spectabilis apresentou índices de produtividade melhores do que os de C. juncea.

Observação 2: Para o uso de nomes científicos (gênero e espécie) em tabelas e figuras, ver abas Tabela e Ilustração.

Observação 3: Para menção de diferentes gêneros cujas letras iniciais sejam idênticas e cujas abreviaturas possam causar dificuldade de entendimento e falta de clareza, deve-se grafar os gêneros sempre por extenso ao longo de todo o texto.

Exemplos:

[diferentes gêneros de mesmo reino]

 

Nesta região, os adubos verdes mais utilizados são Crotalaria breviflora e Canavalia gladiata. Já Crotalaria juncea, que é muito comum nos demais estados do País, não foi encontrada na área pesquisada. [...] Embora pouco frequente na região, Canavalia ensiformis revelou os maiores índices de nitrogênio, superando os índices nacionais de Crotalaria breviflora, Canavalia ensiformis e Crotalaria brasiliensis.

 

[diferentes gêneros de diferentes reinos]

 

Em trabalho realizado por Silva et al. (1991), constatou-se que a população epifítica de Pseudomonas syringae pv. syringae van Hall sobrevive por até 25 dias em plantas de tomateiro. Mariano e Souza (1991b) verificaram a sobrevivência de Pseudomonas syringae pv. syringae em ervas daninhas como Plantago lanceolata, Chenopodium album e Ipomoea purpurea. Também observaram que, em Physalis subglabata, a população epifítica sobreviveu por 16 semanas.

  • Caso haja necessidade de acrescentar um sinônimo ao nome científico, esse deve ser seguido da abreviatura syn. (do grego, synonymon), sem itálico ou negrito, e do nome alternativo. Esse conjunto deve estar entre parênteses.

Exemplo:
Crotalaria spectabilis (syn. Crotalaria retzii)

  • O nome científico de uma espécie pode ser seguido pelo nome da pessoa que primeiro a descreveu, geralmente abreviado e em fonte normal (sem itálico ou negrito).

Exemplo:
Genipa americana L .

  • Quando ocorre qualquer alteração na nomenclatura de uma espécie, o nome do autor é citado entre parênteses, seguido do nome da pessoa que fez a alteração.

Exemplo:
Medicago orbicularis (L.) All.
[Neste caso, Linnaeus fez a identificação da espécie e Allioni fez a alteração]

Observação: Caso mais de um autor seja citado (seja porque foram os primeiros a descrever a espécie, seja porque foram os que alteraram a nomenclatura anterior), seus nomes devem ser ligados por & (e comercial):

Exemplo:
Mucuna aterrima (Piper & Tracy) Holland

  • Quando a espécie ainda não foi identificada, o nome do gênero é seguido de sp. (abreviatura de espécie) ou de spp. (abreviatura de espécies). Nesse caso, o gênero (que não pode ser abreviado) é grafado em itálico, e as abreviaturas sp. e spp. são grafadas em fonte normal, com ponto abreviativo.

Exemplo:
Ranunculus sp. apresenta flores com muitos estames e pistilos espiralados.
Mammilaria spp. são plantas suculentas.

  • No caso de espécies botânicas híbridas, o nome deve incluir um xis minúsculo e em fonte normal (sem itálico ou negrito), sem ponto.

Exemplo:
x Triticosecale

Espécies pouco conhecidas

  • Espécies de plantas pouco conhecidas devem ser citadas no título do trabalho, com o nome binário, e, entre parênteses, deve constar o nome da família ou da ordem e da família, sem o nome do autor da espécie e a data, a menos que o trabalho seja específico à sistemática.

Exemplo:

Germinação de sementes de Matelea maritima (Asclepiadaceae)

Categorias entre gênero e espécie

Entre o gênero e a espécie, podem aparecer as seguintes abreviaturas:

  • aff. – Abreviatura de affinis, deve ser escrita em fonte normal, com ponto de abreviação. Significa que é uma espécie afim, próxima à espécie indicada.

Exemplo:
Xylopia aff. brasiliensis

  • cf. – Abreviatura de conferatum, deve ser escrita em fonte normal, com ponto de abreviação. Significa que a espécie deve ser a indicada, mas que é preciso conferir, confirmar.

Exemplo:
Inga cf. cilindrica.

Categorias abaixo de espécie

  • ssp. –Abreviatura de subespécie, escrita em fonte normal, com ponto de abreviação. A subespécie é a categoria imediatamente abaixo de espécie.

Exemplo:
Echinodorus macrophyllus Mich. ssp. scaber

  • f. – Abreviatura de forma, que deve ser escrita em fonte normal, com ponto de abreviação. É uma subdivisão de espécie.

Exemplo:
Triticum caninum f. amurense

  • var. – Abreviatura de variedade, escrita em fonte normal, com ponto de abreviação. Categoria taxonômica entre espécie (ou subespécie) e forma; a variedade botânica não deve ser confundida com a variedade cultivada (cultivar).

Exemplo:

Acer palmatum var. palmatum

  • cl. – Abreviatura de clone, que deve ser escrita em fonte normal, com ponto de abreviação. O clone é um indivíduo proveniente de propagação vegetativa, geralmente utilizado em horticultura.

Exemplo:
Ipomoea batatas (L.) Lam. cl. Surpresa

  • Na classificação subespecífica ou infrassubespecífica, os nomes de fungos e bactérias podem ser acompanhados de abreviaturas que descrevem algum detalhe de seu funcionamento:

f. sp. – forma specialis [pl.: formae speciales (ff. spp.)]. A abreviatura deve ser escrita em fonte normal. A expressão serve para indicar a qual espécie cultivada o isolado do fungo foi patogênico.

Exemplo:
Puccinia graminis f. sp. tritici, ou simplesmente P. graminis tritici, indica a forma patogênica ao trigo, e P. graminis avenae, à aveia.

  • Compostos com "-var" são termos relativos à classificação infrassubespecífica (abaixo de subespécie) de microrganismos (em geral, bactérias). Embora em uso na literatura, não são tratados pelo International Code of Nomenclature of Prokaryotes. São eles: biovar, chemovar, morphovar, pathovar, phagovar, serovar e sequevar.  

Observação: Quando usados como parte do nome científico, os termos chemovar, morphovar, pathovar e phagovar são escritos em inglês. No entanto, quando usados no corpo do texto, podem ser aportuguesados (quemovar, patovar, fagovar).

Biovar (bv.) – Variante biológica. É relativa a uma estirpe ou grupo de estirpes, dentro de uma mesma espécie, que se diferencia quanto aos caracteres fisiológicos e bioquímicos.

Exemplos:
Ralstonia solanacearum race 3 biovar 2
Aeromonas hydrophila biovar hydrophila

Chemovar (não tem abreviatura) – Variante química. Chemovar se refere a uma entidade quimicamente distinta, em uma planta ou em um microrganismo, com diferenças na composição de metabólitos secundários.

Exemplo:
Mycobacterium chelonae chemovar niacinogenes

Morphovar (não tem abreviatura) – Variante morfológica. É a estirpe de uma determinada espécie que é fisiologicamente diferente de outras da mesma espécie.

Exemplo:
Acinetobacter junii mophovar I

Pathovar (pv.) – Variante patogênica. É uma estirpe ou grupo de estirpes de uma determinada bactéria, que se diferencia de outras estirpes da mesma espécie por sua patogenicidade a determinados hospedeiros.

Exemplo:
Pseudomonas syringae pv. syringae B64

Phagovar (não tem abreviatura) – Variante fagocitótica. É a estirpe de uma bactéria que se distingue por ser vulnerável a bacteriófagos.

Exemplo:
Listeria monocytogenes phagovar 2389/2425/3274/2671/47/108/340

Race (não tem abreviatura) – Refere-se à coleção de estirpes que diferem de outras, dentro da mesma espécie de bactéria ou pathovar, na escolha de um hospedeiro específico que pode ser uma cultivar ou um germoplasma.

Exemplo:
Ralstonia solanacearum race 3 biovar 2

Serovar (sv.) – Variante antígena. É a estirpe de uma bactéria que se distingue das outras estirpes por sua antigenicidade.

Exemplo:
Salmonella enterica subsp. enterica serovar Heidelberg str. B182

Sequevar (não tem abreviatura) – Variante de sequência genética. É a estirpe de uma bactéria que se distingue das outras estirpes por sua sequência genética.

Exemplo:
Mycobacterium avium complex ITS sequevar MAC-Q

Cultivar

Código

International Code of Nomenclature for Cultivated Plants (Código ISHS - ICNCP) – Scripta Horticulturae 10 – Acta Horticulturae

Base de dados

Brasil – Registro Nacional de Cultivares

Outros países – Consultar as autoridades responsáveis pela proteção de cultivares no diretório da International Union for the Protection of New Varieties of Plants (Upov).

Observações

  • A palavra “cultivar” significa “variedade cultivada”; portanto, é palavra de gênero feminino (deve-se dizer “a cultivar”).
  • Quando acompanhar o nome científico da espécie, o nome da cultivar deve ser escrito em fonte normal e com inicial maiúscula após o nome binário.

Observação: Em textos anteriores à publicação do Código ISHS - ICNCP, utilizava-se, após o nome científico da espécie, a abreviatura “cv.” seguida do nome da cultivar.  Atualmente, o código recomenda que o nome científico seja seguido do nome da cultivar entre aspas simples (tipográficas ou retas).

Exemplos:
[Nomenclatura antiga] Ananas sativus cv. Pérola

[Nomenclatura atual, com aspas] Ananas sativus ‘Pérola’

  • Quando acompanhar o nome comum, o nome da cultivar deve ser grafado em fonte normal, com inicial maiúscula e com aspas simples, apenas quando não vier precedido da palavra “cultivar” (que deve estar por extenso).

Exemplos:
O abacaxi ‘Pérola’ foi apresentado aos agricultores durante o evento.
O abacaxi cultivar Pérola foi apresentado aos agricultores durante o evento.

Observações gerais

  • Diante de nome científico, não se deve usar artigo definido (a ou o) e, por consequência, tampouco sinal indicativo de crase:

Exemplos:
Conforme estudo, Coffea canephora apresentou valores maiores de densidade estomática em comparação a Coffea arabica.

No entanto, se há algum substantivo antecedendo o nome científico, adotam-se as regras gerais para crase:

Exemplo:
Conforme estudo, Coffea canephora apresentou valores maiores de densidade estomática em comparação à espécie Coffea arabica

  • O nome comum deve vir acompanhado da denominação científica binária, quando citado pela primeira vez no texto.

Exemplo:
O caupi [Vigna unguiculata (L.) Walp.] é uma das principais culturas da região Centro-Oeste.

Para uso de hífen em nomes comuns compostos, ver aba Hífen.
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