José Irineu Cabral


Silvio Crestana recebe das mãos de Irineu Cabral o primeiro exemplar do Livro Preto.
Foto: Arnaldo de Carvalho Junior - Embrapa Informação Tecnológica 

História

José Irineu Cabral nasceu na cidade pernambucana de Surubim, no dia 5 de abril de 1925. Filho de Alfredo Bezerra Cabral e Águeda Batista Cabral, graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela então Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1950. Em 1958, recebeu o título de economista pelo Conselho Nacional de Economistas Profissionais do Rio de Janeiro. Mas foi na área da agropecuária brasileira que José Irineu dedicou toda a sua vida. Seu interesse nesse campo começou quando ainda era estudante.

Administrador competente, aberto ao diálogo, paciente, hábil e conciliador, firme no seguir a rota traçada, sem fazer concessões que comprometessem os fundamentos da Embrapa, Irineu sempre se colocou pronto ao diálogo com o mundo do poder e político, mas dentro do paradigma do interesse maior da sociedade. Essas habilidades foram importantes na criação e na proteção à Embrapa, quando ela ainda começava a traçar seus passos para formação da Empresa que é hoje.

Pragmático, experiente e de visão de longo alcance, sempre soube valorizar a pesquisa agropecuária. Por isso, entre as prioridades de sua administração, estava o planejamento, a formação de recursos humanos, a difusão de tecnologia, a avaliação dos resultados, o desenvolvimento de uma mídia especializada na pesquisa e o desenvolvimento de estratégia de captação de recursos, no governo, na iniciativa particular e no exterior.  No período que permaneceu à frente da presidência, José Irineu administrou a Embrapa de portas abertas, porém, em um nível de respeito elevado e estimulante às novas idéias.

A vida dedicada à agropecuária

Em toda a sua trajetória profissional, dedicou-se exclusivamente ao gerenciamento de instituições rurais, a maioria relacionadas a projetos agrícolas, de crédito, de assistência técnica e de estudos agrários. Irineu também acumulou experiência internacional na direção de organismos como o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o Comitê Interamericano de Desenvolvimento Agrícola (Cida) e o Departamento de Projetos Agrícolas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em decorrência dessa carreira internacional, viveu sete anos em Washington, nos Estados Unidos, e teve a oportunidade de visitar todos os países latino-americanos e do Caribe, além de vários países dos continentes europeu, asiático e africano.

No Brasil, foi chefe de gabinete do Ministério da Agricultura e fundador da Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR), entre outras instituições de importância do setor agrícola.

Em 1973, época que a agricultura brasileira se fortalecia,  José Irineu Cabral chefiou os estudos de criação e fundou a Embrapa. Também foi seu primeiro presidente, no período de criação e de construção das bases da Empresa, de 1973 até 1980. Ao tomar posse, em 26 de abril de 1973, assumiu o desafio de contribuir para o desenvolvimento de uma empresa que apoiasse uma agricultura, a um só tempo, moderna e eficiente, e, acima de tudo, instrumento de justiça e progresso nacional. "Nada mais fascinante para esta geração de administradores, de técnicos e cientistas, de líderes do setor privado, dos produtores e trabalhadores, do que esta missão de construir e desenvolver uma instituição como a Embrapa", ressaltou à época.

Durante a homenagem que recebeu da Embrapa em 2003, disse que a proposta de criação da empresa nasceu de uma idéia de atuar com ousadia, trabalho e estratégias inteligentes para desenvolver o país. Na ocasião, Cabral lembrou os desafios que a Embrapa teria pela frente com a consolidação do negócio agrícola.

Atuou como diretor da Fundação de Seguridade Social (Ceres) de 1983 a 1995.  A Ceres é um fundo de pensão criado para administrar planos de benefícios complementares ao da Previdência Social e que tem como associado grande parte dos empregados da Embrapa.

Na Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti), Cabral trabalhou de 1997 a 2002 como coordenador do Projeto de Implantação de Agropolos, desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com o Sebrae. Entre outros objetivos, o projeto pretendia oferecer suporte para apoio tecnológico às iniciativas de estruturação dos programas da área.

Legado

Em 1999, foi lançada a publicação Agropolos – Uma proposta metodológica. Além do CNPq e da Abipti, o projeto contou com o apoio da Embrapa e da Confederação Nacional da Indústria/ Instituto Euvaldo Lodi (CNI/IEL).

Mesmo fora da Embrapa, Irineu Cabral jamais se afastou da empresa, procurando atuar como um atento observador e conselheiro e, mais recentemente, como consultor, lançando em 24 de abril de 2006, o Projeto Memória Embrapa. Cabral pretendia, e foi prontamente compreendido pela direção da empresa, criar a cultura de uma nova consciência sobre o papel da memória para o crescimento e sustentabilidade da Embrapa, além da preservação da riqueza de sua história.

José Irineu é autor de dois livros que tratam da trajetória da Embrapa.  Em 2005, escreveu a obra Sol da Manhã: memória da Embrapa. O livro registra os fatos, os episódios e os acontecimentos que marcaram a instituição ao longo de 32 anos. Em 2006, atuou como editor técnico do Livro Preto, relatório publicado em 1972, com informações sobre a formação de um Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, que resultou na criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no ano seguinte.

O ex-presidente da Embrapa faleceu aos 82 anos, em Campina Grande (PB), no dia 31 de julho de 2007, vítima de um câncer na medula. Como legado, deixou para a sociedade brasileira a lição de que é importante valorizar e investir na pesquisa para o fortalecimento da agropecuária no País.

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Trajetória

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