Pesquisa e Desenvolvimento

Pecuária do Pantanal

 
 
 
Bovino Tucura
 
 
A pecuária no Pantanal acompanhou a colonização realizada após a exploração do ouro na Baixada Cuiabana, com a gradual ocupação das pastagens nativas da planície. Com o término do ciclo do ouro, a pecuária expandiu-se pela região do Pantanal, tendo as práticas de manejo adaptadas para as peculiariedades regionais. O bovino ibérico, trazido pelos colonizadores,   gradativamente se adaptou ao ambiente, dando origem ao "Pantaneiro ou Tucura". Charque e couro eram os principais produtos, exportados através do rio Paraguai. 
 
No início do século XX, iniciou-se o transporte a pé de gado magro  para engorda em pastagens cultivadas no noroeste paulista e triângulo mineiro, onde as raças zebuínas começavam a ganhar preferência em relação às crioulas. Assim, iniciou-se o processo de introdução de raças zebuínas no Pantanal. Gradativamente, o gado Pantaneiro foi substituído pelo Zebu, especialmente da raça Nelore. Este processo foi acentuado, entre outros fatores, pela construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Apesar do isolamento e das dificuldades da região, a pecuária se expandiu chegando, na década de 40, a representar 90% do rebanho do então estado de Mato Grosso e 6% do rebanho nacional. 
 
 
 
Travessia do gado no Pantanal. Imagem: Manoel Fernandez de Souza
 
 
A adoção de tecnologias no Pantanal ficou defasada devido ao isolamento da região, com deficiências em comunicação e transporte, além de limitações impostas pelas condições naturais (solos pobres e inundações). Os índices zootécnicos têm sido baixos com relação à natalidade (55%), desmama (45%), intervalo entre partos (22 meses) e idade à 1ª cria (3,5 a 4 anos). Apesar desses problemas e de sucessivas crises de mercado e de crédito, o sistema produtivo se manteve com dominante vocação para produção de bezerros. 
 
A globalização da economia obriga a pecuária a tornar-se uma atividade empresarial, indicando que só sobreviverão os sistemas produtivos eficientes no uso dos recursos e que sejam capazes de ofertar produtos de qualidade. Na maior parte do Pantanal, devido às condições ambientais restritivas, a integração com agricultura é inadequada, não sendo viável a intensificação com suplementação alimentar, confinamento ou utilização de raças precoces. 
 
A alternativa competitiva poderá ser a especialização na fase de cria com adequado manejo nutricional, reprodutivo e sanitário, além do gerenciamento eficiente, uma vez que as propriedades com baixos índices zootécnicos tendem a ser cada vez menos sustentáveis, economicamente. 
  
 
Referências Bibliográficas:
 
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EMBRAPA. Centro Nacional de Recursos Genéticos (Brasília, DF). Recursos forrageiros nativos do Pantanal Mato-Grossense. Brasília: EMBRAPA-DID, 1987. X, 339p. il. (EMBRAPA-CENARGEN. Documentos, 8) Por Antonio Costa Allem e José Francisco Montenegro Valls.
 
EMBRAPA. Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal (Corumbá, MS). Tecnologias e informações para a pecuária de corte no Pantanal. J.B. Catto, J.R.B. Sereno, J. A. Comastri Filho (org.). Corumbá, MS:EMBRAPA-CPAP, 1997. 161 p.
 
SEIDL, A F.; MORAES, A. S.; SILVA, R. A M. S. Implicações políticas e distribucionais do controle do Trypanosoma evansi no Pantanal, Brasil. Revista de Economia e Sociologia Rural, vol. 36, no 1., 149-165, jan./mar., 1998.
 
SEIDL, A F.; MORAES, A. S.; SILVA, R. A. M. S.  A financial analysis of treatment strategies for Trypanosoma evansi  in the Brazilian Pantanal. Preventive Veterinary Medicine, Amsterdam, v. 33, n. 1-4, p. 219- 234, jan., 1998.