Linhas de Pesquisa

Inventários de biodiversidade e análises de lacunas

O levantamento de informações sobre a presença ou asência de espécies nas localidades de interesse é a base de toda e qualquer atividade relacionada ao planejamento da conservação. Onde as espécies estão ou não localizadas é essencial para o entendimento de sua distribuição espacial e das variáveis ambientais que limitam essa distribuição. Estes estudos contemplam a busca por informações de ocorrência de espécies por meio direto, em inventários expeditos a campo, e indireto, por  busca de informações sobre a ocorrência de espécies em literatura, repositórios de dados online, herbários e museus. Os inventários por nós realizados têm por objetivo constituir banco de dados espacializados com informações de ocorrência de espécies e de variáveis ambientais para subsidiar os estudos de conservação e manejo nas áreas de interesse de nossos projetos, enquanto as análises de lacunas tem por finalidade orientar as amostragens a campo onde essa informação é deficiente.

Modelagem de nicho ecológico, análise dos
padrões de distribuição espacial de espécies
e comunidades e análise de vulnerabilidade

Entender como a biodiversidade e os recursos genéticos associados variam em função do espaço geográfico e do ambiente é importante para a definição de estratégias de manejo e conservação de espécies e comunidades. Espécies, populações e comunidades estão adaptadas a determinados "envelopes" climáticos ou ambientais, como diferentes tipos de solo e padrões topográficos. O entendimento desses requerimentos específicos são necessários à predição de impactos antrópicos atuais e futuros promovidos por mudanças climáticas, mudanças na cobertura dos solos, uso da terra e uso da biodiversidade.

Identificação de áreas prioritárias para conservação

A conservação de áreas só atingirá os seus objetivos de manutenção da biodiversidade e dos recursos genéticos associados se estas acomodarem os impactos relacionados às mudanças promovidas pelo homem no ambiente. A identificação de áreas resilientes às mudanças climáticas e às mudanças no uso dos solos é essencial para a manutenção da biodiversidade no longo prazo face um mundo em mudanças. Além de áreas naturais, áreas já perturbadas devem compor a matriz na identificação das areas prioritárias para a conservação. Nestas áreas, a restauração, com reintrodução e introdução de espécies são estratégicas na preparação das áreas para recepção das espécies deslocadas pelas mudanças climáticas.

Desenvolvimento e validação de métodos de restauração

Temos trabalhado com métodos de semeadura direta, transposição de topsoil, propagação vegetativa e técnicas agroecológicas no Cerrado e na Amazônia. No Cerrado temos trabalhado com métodos de estabelecimento eficazes para espécies de árvores da sociobiodiversidade. Além disso trabalhamos em colaboração com a UnB e o ICMBio para desenvolver métodos que envolvam as espécies herbáceas e arbustivas do Cerado. Na Amazônia temos trabalhado com métodos que disparem a sucessão secundária e promovam a dispersão e germinação de espécies pioneiras, buscando estabelecer a sucessão de maneira rápida e barata.

Planejamento, monitoramento e manejo adaptativo
de programas de restauração de larga escala

Trabalhamos com o manejo adaptativo em restauração, que consiste em planejar, implementar, monitorar e re-planejar as estratégias e métodos de restauração a partir dos resultados, em programas de restauração. Programas de restauração em larga escala, como de bacias hidrográficas, APPs de lagos de hidrelétricas e programas estaduais de restauração ecológica nos dão oportunidade de aplicar o conhecimento científico, e ao mesmo tempo aprender com a execução de plantios em larga escala. Este tipo de cooperação com empresas, ONGs e governos é de extrema importância para o ciclo de pesquisa-ação e aprendizado em restauração ecológica.

Sistematização de práticas de restauração
realizadas por agricultores

Para promover a restauração das paisagens e da sociobiodiversidade nos biomas brasileiros, é preciso aliar processos de restauração da paisagem com a valorização da identidade cultural dos povos que ali vivem. No intuito de estimular a conservação e a restauração dos recursos naturais e de atender à demanda por técnicas baratas de cultivo de árvores, e apropriadas aos agricultores, é fundamental estimular a autonomia destes no desenvolvimento e implantação dessas práticas, alicerçadas no reconhecimento de seus saberes. Temos trabalhado com sistematização e divulgação destes saberes nos biomas Cerrado e Caatinga

Caracterização Química

A caracterização química em plantas produtoras de metabólitos secundários é uma ferramenta importante para se conhecer o valor real e potencial de seus recursos genéticos no desenvolvimento de novos produtos. Os metabólitos secundários constituem um grupo extremamente diversificado de substâncias naturais, atuando principalmente, nos processos de adaptação as condições edafoclimáticas e na defesa contra patógenos e herbívoros. Estes compostos vêm sendo aproveitados pelo homem a milhares de anos, seja como condimentos, corantes, estimulantes, óleos essenciais, medicamentos e mais recente como alimentos funcionais. Considerando a imensa quantidade de compostos secundários existentes em espécies vegetais, é importante que a caracterização química das substâncias bioativas de maior interesse seja considerada nos bancos e coleções de germoplasma e em espécies nativas conservadas in situ. Esta linha de pesquisa inclui a caracterização do perfil de óleos essenciais em espécies cultivadas e em espécies aromáticas nativas do Cerrado; caracterização de acessos de coleções de referência visando à qualidade da matéria-prima de plantas medicinais utilizadas no Sistema Único de Saúde e a avaliação química de acessos de coleções e bancos de germoplasma utilizando diferentes técnicas de extração, separação cromatográfica, identificação e a quantificação de substâncias bioativas.