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09/11/17 |   Biodiversidade

Evento tem curso sobre a criação de abelhas sem ferrão

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Foto: Marcelino Ribeiro

Marcelino Ribeiro -

A criação de abelhas sem ferrão, chamada de meliponicultura, é o tema de um minicurso que acontece neste quinta (9) e na sexta (10), na Sala Icó, na Feira SemiáridoShow 2017. Para a pesquisadora Márcia Ribeiro é uma atividade que tem potencial como atividade que gera renda complementar para os agricultores: o manejo das espécies é fácil, não oferece riscos de acidentes como as que possuem ferrão e, inclusive, podem ser instaladas em quintais ou jardins de residências nas áreas rural ou urbana.

A renda virá, principalmente, da comercialização do mel. Não se imagine, contudo, volumes de produção dessas abelhas sequer próximas aos obtidos nas colmeias das africanizadas que possuem ferrão. De acordo com Márcia, as colmeias das primeiras reúnem, no máximo, entre 400-500 indivíduos por caixa cuja colheita varia de 1kg e 1,5kg de mel por ano, no caso da Mandaçaia. Bem menos que os 40-60 mil indivíduos reunidos em uma única colmeia que processa cerca de 30 kg de mel/caixa/ano.

A situação se inverte com os preços que se obtém com a produção das espécies sem ferrão: varia de R$ 100, a R$ 120, contra R$ 10,-R$ 12,.    

São situações muito diferentes que os agricultores podem avaliar a escala mais adequada às suas estratégias agrícolas e sistemas de produção.

Segundo Márcia, o conteúdo do minicurso prevê a explicação da “biologia, a ecologia e o manejo” das espécies sem ferrão. A criação racional é uma atividade em expansão por todo o país e que se viabiliza com o investimento de poucos recursos. Os períodos longos de estiagem da região, também requerem dos agricultores Iniciativas de manejos como fornecer alimentos para essas abelhas.

Esta é uma prática que Márcia define como imprescindível. Na seca, a ausência de plantas floridas que servem de pasto para as abelhas vai exigir a elaboração de alimentos artificiais para suprir a necessidade de consumo de pólen e néctar por parte das abelhas. No minicurso, por exemplo, ela irá apresentar sugestões de nutrientes energéticos que possam substituir o néctar.

Da mesma forma com relação ao pólen. Neste caso específico, ela esclarece há poucas alternativas de ingredientes que possam ser usados com eficiência na substituição dessa forragem proteica. O pólen é sendo usado pelas abelhas para o crescimento na fase larval e para o desenvolvimento dos ovos, no caso da rainha.
“Com a vegetação nativa seca, não tem jeito: o agricultor precisa fornecer os alimentos das colmeias se não quiser dispor de um enxame enfraquecido com capacidade limitada para produção de mel ou, o que costuma ser frequente e pior com as abelhas abandonando as caixas e indo embora”, esclarece.

Habitat - Uma vantagem da chamada criação racional de abelhas é a utilização do serviço de polinização que, geralmente, é associado ao aumento de produtividade e de qualidade da produção. Com o auxilio das abelhas o número e o tamanho dos frutos aumenta, além de apresentar melhor aparência e formato. “Isto contribui para a inserção do produtor no mercado e garante uma boa aceitação do consumidor”, garante Márcia.

Há que se considerar também que a retirada das abelhas do seu habitar natural pode trazer prejuízos para o ecossistema e para a espécie. O fato de se adaptarem bem ao novo ambiente, apesar de ser algo positivo para o meliponicultor, pode não ser bom para o ambiente. Isso porque a espécie introduzida pode trazer novas doenças e/ou parasitas para as espécies locais, competir pelos recursos alimentares (pólen e néctar das flores) e de nidificação (árvores para fazer ninhos) com as espécies nativas.

A despeito do aumento da criação em todo Brasil, várias espécies aparecem entre as que se encontram ameaçadas conforme lista divulgada pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio).  O desmatamento, as ações de expansão do homem, como a agricultura e a urbanização, e o uso excessivo de agroquímicos são algumas das causas do desaparecimento dessas espécies.

Em Petrolina-PE e Juazeiro-BA podem ser encontradas  9 espécies de abelhas sem ferrão. Entre elas estão a mandaçaia, manduri ou monduri, abelha branca,  sanharol, irapuá, e trombeteiro. As abelhas desta região optam preferencialmente por instalar ninhos em árvores como umburana de cambão, umbuzeiro, sete-cascos, algaroba, aroeira, etc.

A pesquisadora explica que, por exemplo, a criação de uma espécie amazônica, como a uruçu-boi por exemplo, que produz mais litros de mel por ano que uma mandaçaia não é viável no Nordeste. Transferir abelhas para regiões onde elas não ocorrem naturalmente pode trazer diversos problemas e este é um assunto a ser debatido no minicurto.

 

Marcelino Ribeiro (MTb/BA 1127)
Embrapa Semiárido

Contatos para a imprensa

Telefone: (87) 3866 3734

Fernanda Birolo (MTb/AC 81)
Embrapa Semiárido

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Maria Eduarda Abreu (Colaboradora)
Embrapa Semiárido

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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