Trigo

A Embrapa Soja mantém um programa de melhoramento de trigo para a região Centro-Sul do Brasil, abrangendo os Estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Sul do Mato Grosso do Sul. Este programa é desenvolvido em parceria com a Embrapa Trigo (Passo Fundo/RS), a Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária responsável pela coordenação do Programa Nacional da cultura, e também com a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária e com o Instituto Agronômico do Paraná - IAPAR. Essa página reúne informações sobre a produção, dados econômicos, diferentes usos desse cereal,além de contar um pouco sobre a sua história.
 

Publicações da Embrapa Soja sobre a cultura do trigo

 
 

Indicações fitotécnicas para cultivares BRS de trigo no Paraná

 

A produção de trigo no Paraná é classificada de acordo com a região de plantio. Essas regiões foram definidas a partir do acompanhamento das temperaturas mais baixas de cada região, considerando os períodos de geadas mais intensas e prejudiciais ao trigo, além de fatores como latitude, altitute, tipos de solo e ocorrência chuvas. Consulte em nosso menu Publicações as informações técnicas para a cultura do trigo e triticale.

Zoneamento Agrícola do Trigo

A Embrapa está disponibilizando informações sobre a qualidade industrial das cultivares de trigo da Embrapa recomendadas para semeadura, nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. São apresentadas análises físicas, análises físico-químicas e análises tecnológicas (testes reológicos), utilizadas pela indústria moageira para classificar os grãos e farinhas resultantes da moagem. As análises foram efetuadas pela Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS, e são apresentadas em tabela padrão, para cada cultivar, isoladamente. As definições e/ou explicações de cada parâmetro apresentado encontram-se no rodápé das tabelas.
 
Cultivares
 

BRS 208

BRS 220

BRS Gaivota

BRS Pardela

BRS Tangará

BRS Gralha Azul

BRS Sabiá

BRS Graúna

 

Obs.: Os valores de extração de farinha, mostrados na coluna "EXT", em porcentagem, foram obtidos em moinho experimental. Deve-se estar atento para o fato de que, em moinhos industriais, esses valores atingem, em média, 12% a mais.

 
Obs. 2: Os testes reológicos de farinha foram obtidos, somente, através da alveografia, (alveógrafo de Chopin). Muitos moinhos também utilizam a farinografia para avaliar a qualidade da farinha, e um parâmetro de suma importância é a estabilidade. No entanto, apesar de não estar sendo fornecido dados da farinografia, há uma boa correlação entre o Índice de Elasticidade (IE) da alveografia e Elasticidade (Est.) da farinografia, conforme tabela abaixo:
 
 
Mapa das regiões de VCU (valor de cultivo e uso) de trigo para recomendação de cultivares de trigo no Brasil (sendo que NR representa áreas não recomendadadas).

O trigo é um componente básico da alimentação humana. Sua farinha é largamente utilizada na confecção de pães, massas e biscoitos. A qualidade do grão produzido é que determina a sua utilização pela indústria. A substância que está por trás dessa classificação é o glúten. É ele que determina o volume e a consistência da massa, ou tecnicamente, a "elasticidade" da farinha de trigo.
 
Para a confecção de bolachas, pizzas e biscoitos, o trigo deve ter pouca capacidade de expansão, também chamada de baixa força de glúten. Nestes casos, o teor de glúten fica entre 25% e 30%. Já o pão de forma e o pão francês precisam de uma alta força de glúten, pois a massa precisa crescer bastante. Essa categoria responde pela maior parte do mercado de farinha de trigo. O macarrão é uma massa que não pode expandir, mas que precisa ter tenacidade para ficar "al dente". Nesse caso, sua força de glúten é baixa, mas a farinha precisa ser muito tenaz.
 
O Norte e Oeste do Paraná, em função do clima, produz trigo de alta força de glúten, chamado de "trigo pão" e de "trigo melhorador", enquanto o Sul (uma região mais fria), cultiva o trigo de baixa força de glúten, usado para produção de bolachas e pizzas, chamado de "trigo brando". Do total produzido, cerca de 600 mil toneladas de trigo são consumidas internamente no Estado e o restante, aproximadamente, 2 milhões de toneladas são vendidas para indústrias moageiras de São Paulo e Rio de Janeiro.
 
 
Qualidade industrial
 
Tabela com as cultivares de trigo desenvolvidas pela Embrapa indicadas para o Paraná nas diferentes classes. Acesse aqui.
 
Cálculos baseados em dados de análises realizadas somente no Lab. de Qualidade da Embrapa Trigo, desde 1991 até 2002, compreendendo amostras de diferentes ensaios conduzidos nas regiões tritícolas 6, 7 e 8 do Paraná.
 
* Não foram considerados dados de ensaios completamente perdidos pela chuva em 1998.
 
** Dados do RS - cultivar para pastoreio e grãos. *** Lançamento em 2003.
 
1 Trigo MELHORADOR: energia de deformação da massa (W) ³ 300 x 10-4 J e Falling Number ³ 250 segundos; 
2 Trigo PÃO: energia de deformação da massa (W) ³ 180 x 10-4 J e Falling Number ³ 200 segundos; 
3 Trigo BRANDO: energia de deformação da massa (W) ³ 50 x 10-4 J e Falling Number ³ 200 segundos
4 Trigo OUTROS USOS: qualquer energia de deformação da massa (W) e Falling Number < 200 segundos; 
5 Energia de deformação da massa (W x 10-4); 
6 Falling Number (FN) ou número de queda (NQ), em segundos;
7 Número de amostras analisadas (AA) OBS: NoA= número de amostras; D.P.= desvio padrão; C.V.= coeficiente de variação
 
O enquadramento (%) representa a aptidão tecnológica, não significando que a cultivar será enquadrada sempre na mesma classe, devido ao efeito do ambiente sobre esta característica
 
Como pode ser observado na Tabela 1, das 15 cultivares de trigo da Embrapa indicadas para semeadura no Paraná em 2003, o valor médio do parâmetro alveográfico, "W" (energia de deformação da massa ou força geral de glúten), para 2 cultivares foi superior a 300 x 10-4 J (trigo melhorador), para 7 ficou entre 229 e 296 x 10-4 J (trigo pão), para 4 situou-se entre 100 e 162 x 10-4 J (trigo brando) e para 2 cultivares ficou entre 200 e 212 x 10-4 J, estas últimas, embora pelo "W" médio devessem ser classificadas como trigo pão, não o são, sendo enquadradas em trigo brando devido a sua indicação, principalmente para a região sul do Paraná, onde predomina esse enquadramento. Em geral, os resultados de "W" variaram numa ampla faixa, como pode ser verificado pelos altos valores de coeficiente de variação.
 
 
Classificação comercial
 
A classificação comercial de cultivares de trigo da Embrapa indicadas para o Paraná, segundo a Instrução Normativa no 7, de 15 de agosto de 2001, do MAPA, o ano de lançamento e as regiões indicadas para cultivo pode ser observada no Tabela 2. Pelo ano de lançamento, pode-se verificar que as cultivares da Embrapa evoluíram em termos de aptidão tecnológica para a panificação industrial, culminando com o lançamento das cultivares BRS 209 e 210, em 2002.
 
Tabela da classificação comercial de cultivares de trigo da Embrapa, segundo Informações Técnicas para a cultura de trigo no Paraná, 2003, ano de lançamento e regiões de cultivo. Acesse aqui.
 
 
Tipos de farinha
 
Para produzir a farinha de trigo, as indústrias separam as cascas do grão. A casca da semente é utilizada para fazer ração animal e o restante segue para moagem.
 
Farinha especial - A farinha especial encontrada nos mercados é produzida partir de grãos puros, onde há mínima mistura de farelo
 
Farinha de trigo - O processo de fabricação da farinha de trigo admite um pouco de mistura com o farelo da casca.
 
Farinha integral - Como o próprio nome diz, utiliza todo o grão no processo de moagem.
 

Trigo no mundo
Produção: 719,8 milhões de toneladas
Área colhida: 221,3 milhões de hectares
Fonte: USDA
 
Trigo na América do Sul
Produção: 23,6 milhões de toneladas
Área colhida: 8,3 milhões de hectares
Fonte: USDA
 
Trigo na União Européia (maior produtor mundial do grão)
Produção: 155,4 milhões de toneladas
Área colhida: 26,8 milhões de hectares
Fonte: USDA
 
Trigo no Brasil
Produção: 7 milhões de toneladas
Área colhida: 2,7 milhões de hectares
Fonte: CONAB

Originário de regiões montanhosas do Sudoeste da Ásia, (Irã, Iraque e Turquia) o trigo foi cultivado na Europa já na pré-história e foi um dos mais importantes cereais para alimentação humana na Pérsia antiga, na Grécia e no Egito.
Grãos de trigo carbonizados, que datam de mais de 6 mil anos, foram encontrados por arqueologistas nos países considerados como centro de origem e domesticação da espécie.
 
O trigo tem a propriedade de manter as suas características de qualidade mesmo quando armazenado por um longo período. Ele desempenhou papel dos mais importantes no desenvolvimento das civilizações e tem sido o grão preferencial para alimento nos países desenvolvidos.
Botanicamente, o trigo pertence à família Gramineae, tribo Triticeae, subtribo Triticinae. A espécie cultivada Triticum aestivum, é hexaplóide (2n=6x=42 cromossomos). É uma espécie autógama, com flores perfeitas que, em condições normais de cultivo, apresenta baixa frequência de polinização cruzada. Atualmente, cultivam-se trigos de inverno e de primavera. Os trigos de inverno, em seu estádio inicial de desenvolvimento, necessitam passar por um período de vernalização, a temperaturas próximas a zero graus centígrados, para completar o ciclo reprodutivo. O trigo cultivado no Brasil é de hábito primaveril e a maioria das cultivares são insensíveis ao fotoperíodo.
 
 
História do trigo no Brasil
 
No Brasil, há relatos que o cultivo do trigo tenha se iniciado em 1534, na antiga Capitania de São Vicente. A partir de 1940, a cultura começa a se expandir comercialmente no Rio Grande do Sul. Nessa época, colonos do Sul do Paraná plantavam sementes de trigo trazidas da Europa em solos relativamente pobres, onde as cultivares de porte alto, tolerantes ao alumínio tóxico, apresentavam melhor adaptação.
 
A partir de 1969/70, o trigo expandiu- se para as áreas de solos mais férteis do norte/oeste do Paraná e, em 1979, o Estado assumiu a liderança na produção de trigo no Brasil. A maior área semeada e a maior produção foram registradas em 1986/87 quando, em uma área de 3.456 mil ha, o Brasil produziu 6 milhões de toneladas de trigo. Naquela safra, o Paraná produziu 3. Milhões de toneladas de trigo e a produtividade alcançou 1.894 kg/ha.
 
A expansão da área de trigo no Paraná ocorreu numa época em que também se destinavam maiores recursos para a pesquisa agrícola no Brasil. Como resultado, se observou um aumento simultâneo da área e da produtividade do trigo. Enquanto que a produtividade média do trigo no Brasil, no período de 1970 a 1984, foi de 1.139 kg/ha, no período de 1995 a 2003, ela se situou acima dos 1.500 kg/ha. Atualmente, algumas cooperativas têm obtido, em anos sucessivos, médias superiores a 2.500 kg/ha. Produtividades de trigo superiores a 5.000 kg/ha, são relatadas com frequência, em lavouras bem cuidadas.
 
 
A contribuição da pesquisa no Paraná
 
No Norte do Paraná, as primeiras lavouras implantadas com cultivares de porte alto, desenvolvidas no RS, apresentavam elevados níveis de perdas por acamamento. Este problema foi contornado com a introdução de cultivares desenvolvidas pelo CIMMYT- no México. No entanto, estas cultivares apresentavam também alguns defeitos, principalmente suscetibilidade às doenças que causam necrose parcial ou total das folhas e denominadas de manchas foliares, bem como, à giberela e ao alumínio tóxico no solo.
 
A adaptação do trigo para as condições de clima e solo do Paraná está sendo realizada, pela soma de fatores genéticos e culturais. Ao se combinar as características de resistência às ferrugens, porte baixo, palha forte, elevado potencial de rendimento, insensibilidade ao fotoperíodo e qualidade panificativa das cultivares mexicanas com a resistência às doenças de espiga e tolerância ao alumínio das cultivares nacionais, foi possível desenvolver novos genótipos cuja adaptação às condições do Paraná é superior à dos progenitores brasileiros ou mexicanos.
 
Ao longo das duas últimas décadas, a pesquisa tem aprimorado outras tecnologias, tais como, como rotação de culturas, manejo adequado do solo, controle integrado de pragas, controle químico de doenças e zoneamento agroclimático que dão suporte à produção de trigo, minimizando os riscos de perdas.
 
Ironicamente, o aumento do potencial produtivo e a diminuição dos riscos de perdas, proporcionados pelas cultivares melhor adaptadas e pelo controle de doenças e pragas, via manejo da cultura e utilização de fungicidas eficientes, não têm sido suficientes para sustentar o aumento da produção. Nos últimos anos, tem-se observado um contínuo declínio da área cultivada, devido, principalmente, aos maiores custos de produção, quando comparados aos da Argentina. Sabe-se que a Argentina, devido às privilegiadas condições de solo e clima, consegue produzir trigo com custos extremamente baixos. Amparada pelos acordos do Mercosul, consegue exportar o cereal a preços inferiores aos custos de produção do trigo brasileiro. Para fazer frente a esses desafios, há necessidade de buscar sempre maior eficiência, visando o aumento da produtividade sem acréscimos significativos nos custos de produção.