Superficiais

É um tipo de horizonte de coloração preta, cinzenta muito escura ou brunada em que predominam características relacionadas ao elevado teor de matéria orgânica. É resultante de acumulações de resíduos vegetais, em graus variáveis de decomposição, depositados superficialmente, ainda que, no presente, possa encontrar-se recoberto por horizontes ou depósitos minerais e mesmo camadas orgânicas mais recentes. Mesmo após revolvimento da parte superficial do solo (por exemplo, por aração), os teores de carbono orgânico (VALLADARES, 2003), após mescla com material mineral oriundo de horizontes ou camadas inferiores, mantêm-se elevados e superiores ou iguais a 80 g kg-1.

Compreende materiais depositados nos solos sob condições de excesso de água (horizonte H), por longos períodos ou todo o ano, ainda que no presente tenha sido artificialmente drenado, e materiais depositados em condições de drenagem livre (horizonte O), sem estagnação de água, condicionados pelo clima úmido, frio e de vegetação alto-montana.

O horizonte hístico pode ocorrer à superfície ou estar soterrado por material mineral e deve atender a um dos seguintes requisitos:

    a) Espessura maior ou igual a 20 cm;

    b) Espessura maior ou igual a 40 cm quando 75 % (expresso em volume) ou mais do horizonte for constituído de tecido vegetal na forma de restos de ramos finos, raízes finas e cascas de árvores, excluindo as partes vivas;

    c) Espessura de 10 cm ou mais quando sobrejacente a um contato lítico; ou sobrejacente a material fragmentar constituído por 90 % ou mais de volume de fragmentos de rocha (cascalho, calhaus e matacões).

É um horizonte mineral superficial, relativamente espesso, de cor escura, com alta saturação por bases e que, mesmo após revolvimento superficial (por exemplo, por aração), deve ter as seguintes características:

    a) Estrutura do solo suficientemente desenvolvida, com agregação e grau de desenvolvimento moderado ou forte, não sendo admitida, simultaneamente, estrutura maciça e consistência quando seco nas classes dura, muito dura ou extremamente dura. Prismas sem estrutura secundária, com dimensão superior a 30 cm também não são admitidos, à semelhança de estrutura maciça;

    b) Cor do solo de croma igual ou inferior a 3 quando úmido, valores iguais ou mais escuros que 3 quando úmido e     que 5 quando seco. Se o horizonte superficial apresentar 400 g kg-1 de solo ou mais de carbonato de cálcio     equivalente, os limites de valor quando seco são relegados; quando úmido, o limite passa a ser de 5 ou menos;

    c) Saturação por bases (V) de 65 % ou mais, com predomínio do íon cálcio e/ou magnésio;

    d) Conteúdo de carbono orgânico de 6 g kg-1 de solo ou mais em todo o horizonte, conforme o critério de espessura no item seguinte. Se, devido à presença de 400 g kg-1 de solo ou mais de carbonato de cálcio equivalente, os requisitos de cor forem diferenciados do usual, o conteúdo de carbono orgânico será de 25 g kg-1 de solo ou mais nos 18 cm superficiais. O limite superior do teor de carbono orgânico, para caracterizar o horizonte A chernozêmico, é o limite inferior excludente do horizonte hístico;

    e) Espessura, incluindo horizontes transicionais, (tais como AB, AE ou AC), mesmo quando revolvido o material de     solo, de acordo com um dos seguintes requisitos:

        1) 10 cm ou mais, se o horizonte A é seguido de contato com a rocha; ou

        2) 18 cm (no mínimo) e mais que um terço da espessura do solum (A+B), se este tiver menos que 75 cm; ou

        3) Para solos sem horizonte B, 18 cm no mínimo e mais de um terço da espessura dos horizontes A+C, se esta for inferior a 75 cm; ou

        4) 25 cm (no mínimo), se o solum tiver 75 cm ou mais de espessura.

É um horizonte mineral superficial, com valor e croma (cor do solo úmido) igual ou inferior a 4 e saturação por bases (V) inferior a 65 %, apresentando espessura e conteúdo de carbono orgânico (C-org) dentro de limites específicos, conforme os seguintes critérios:

    a) Espessura mínima como a descrita para o horizonte A chernozêmico;

    b) Conteúdo de carbono orgânico inferior ao limite mínimo para caracterizar o horizonte hístico;

    c) Conteúdo total de carbono igual ou maior ao valor obtido pela seguinte equação:

    ∑ (C-org, em g kg-1, de sub-horizontes A x espessura do sub-horizonte, em dm) ≥ 60 + (0,1 x média ponderada de     argila, em g kg-1, do horizonte superficial, incluindo AB ou AC).

Assim, deve-se proceder aos seguintes cálculos para avaliar se o horizonte pode ser qualificado como húmico. Inicialmente, multiplica-se o conteúdo de carbono orgânico (g kg-1) de cada sub-horizonte pela espessura do mesmo sub-horizonte, em dm. O somatório dos produtos dos teores de C-org pela espessura dos sub-horizontes, é o conteúdo de C-org total do horizonte A (C-org total). A seguir, calcula-se a média ponderada de argila do horizonte A, a qual é obtida multiplicando-se o teor de argila (g kg-1) do sub-horizonte pela espessura do mesmo sub-horizonte (dm) e dividindo-se o resultado pela espessura total do horizonte A, em dm (teor de argila dos sub-horizontes A em g kg-1 x espessura dos mesmos suborizontes, em dm / espessura total do horizonte A, em dm).

O valor de C-org total requerido para um horizonte qualificar-se como húmico deve ser maior ou igual aos resultados obtidos pela seguinte inequação:

C-org total ≥ 60 + (0,1 x média ponderada de argila do horizonte A)

Para facilitar a compreensão dos procedimentos acima, é apresentado, a seguir, um exemplo prático dos cálculos realizados em um horizonte A, descrito e coletado em campo.

Subhorizonte    Prof. (cm)    C-org    Argila    Média ponderada da argila    C-org total
                  ---------------------------- g kg-1---------------------------    
A1      0 - 31    20,6    200    200 x 3,1 dm/6,8 dm = 91,18    20,6 x 3,1 dm = 63,86
A2    31 - 53    10,6    230    230 x 2,2 dm/6,8 dm = 74,41    10,6 x 2,2 dm = 23,32
AB    53 - 68     8,4    250    250 x 1,5 dm/6,8 dm = 55,15    8,4 x 1,5 dm = 12,60
                                           Total = 220,74    Total = 99,78

Substituindo a média ponderada de argila na inequação "C-org total ≥ 60 + (0,1 x média ponderada de argila)", tem-se:
C-org total ≥ 60 + (0,1 x 220,74) = 82,07. O valor de C-org total existente no horizonte A é de 99,78, portanto, maior que 82,07 (considerado como o mínimo requerido para que o horizonte seja enquadrado como A húmico) em função do conteúdo médio ponderado de argila de 220,74 g kg-1. Assim, o horizonte usado como exemplo é húmico.

Este critério está conforme CARVALHO et al. (2003).

Tem características comparáveis àquelas do A chernozêmico, no que se refere a cor, teor de carbono orgânico, consistência, estrutura e espessura; diferindo, essencialmente, por apresentar saturação por bases (V) inferior a 65 %. Difere do horizonte A húmico prlo teor de carbono orgânico conjugado com espessura e teor de argila.

É um horizonte formado ou modificado pelo uso contínuo do solo, pelo homem, como lugar de residência ou cultivo por períodos prolongados, com adições de material orgânico, em mistura ou não com material mineral, e contendo fragmentos de cerâmica e/ou artefatos líticos e/ou restos de ossos e/ou conchas.

É um horizonte mineral superficial fracamente desenvolvido, seja pelo reduzido teor de colóides minerais ou orgânicos, seja por condições externas de clima e vegetação, como as que ocorrem na zona semiárida com vegetação de caatinga hiperxerófila.
O horizonte A fraco é identificado pelas seguintes características:

    a) Cor do material de solo com valor ≥ 4 quando úmido, e ≥ 6 quando seco; estrutura em grãos simples, maciça ou     com grau fraco de desenvolvimento; e teor de carbono orgânico inferior a 6 g kg-1; ou

    b) Espessura menor que 5 cm, não importando as condições de cor, estrutura e conteúdo de carbono orgânico     (todo horizonte superficial com menos de 5 cm de espessura é fraco).

São incluídos nesta categoria os horizontes que não se enquadram no conjunto das definições dos demais horizontes diagnósticos superficiais.

Em geral o horizonte A moderado difere dos horizontes A chernozêmico, proeminente e húmico pela espessura e/ou cor e do A fraco pelo conteúdo de carbono orgânico e pela estrutura, não apresentando ainda os requisitos para que seja caracterizado como horizonte hístico ou A antrópico.