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Fertilizante fluido

O fertilizante fluido nada mais é que o próprio dejeto curtido, ou seja, que passou pelo processo biológico de decomposição da matéria orgânica em estrumeiras ou lagoas.

Os fertilizantes fluidos surgiram comercialmente no mercado norte-americano e têm aumentado sua participação em relação aos fertilizantes aplicados no solo, porém são ainda pouco empregados no Brasil. Apesar disso, considerando-se o estado líquido dos dejetos de suínos, teve-se a ideia de formular fertilizantes fluidos na forma organomineral, possibilitando a produção de fórmulas específicas, visando atender a necessidade nutricional de cada cultura, bem como permitir maior aproveitamento dos nutrientes. Por exemplo, no caso do fósforo, por estar ligado a compostos orgânicos, pode-se evitar maiores perdas por sorção específica aos sesquióxidos de Fe, Al e Mn do solo.

Abaixo, são apresentadas as características de concentração de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) em dejetos com diferentes teores de matéria seca (MS).

Fonte: Sociedade Brasileira de Ciência do solo. Manual de adubação e calagem para os Estados do RS e SC, pág. 321, 2016.

 

Pode-se perceber que existe uma relação bem estreita entre teor de matéria seca e concentração de nutrientes. Quanto maior for o teor de sólidos (MS), maior será o valor agronômico do fertilizante. Considerando que o conteúdo de fezes e urina (constituintes do dejeto) liberados pelos animais em seus diferentes sistemas de criação não sofrem variação muito grande, como explicar teores de matéria seca muito baixos?

O problema está na diluição desses dejetos, devido principalmente a excesso de vazão nos bicos/chupetas, falta de calibragem de altura e manutenção deles, vazamentos na rede abastecedora, além de entrada de água de chuva.

O somatório de todos esses fatores são responsáveis pela diluição do dejeto e consequentemente o aumento do volume, porém sem aumentar a riqueza de nutrientes do fertilizante.

Resumindo: precisamos fazer gestão de água nas granjas de suínos, porque a água custa caro para obter, armazenar, tratar, distribuir e ainda tem um custo maior estando na constituição dos dejetos que precisam ser armazenados e transportados até lavouras, ou mesmo sofrer processo de tratamento físico e químico para remoção de poluentes.

Abaixo, são apresentados os dados de excreção de nutrientes por unidade animal por ano, considerando os variados sistemas de produção. Com isso, já podemos calcular a quantidade de nutrientes que são liberados pelos suínos durante um ano e planejar a sua aplicação no solo de acordo com a demanda das culturas

 

  • Oferta de nitrogênio, fósforo e potássio, calculado a partir da excreção do equivalente e N, P2O5 e K2O, por unidade animal alojada em vários sistemas de produção

1 - Considerando 3,26 lotes por ano (lotes de 105 dias e 7 dias de intervalo entre lotes). Fonte: Tavares (2012)
2 - Considerando 2,35 partos por fêmea alojada por ano e produção de 28 leitões por fêmea alojada por ano. Fonte: Corpen (2003); Dourmade et al., (2007)
3 - Fonte: Corpen (2003); Dourmade et al., (2007)
4 - Calculado descartando a produção de nutrientes da fase creche em relação a UPL 25 kg. Fonte: Corpen (2003); Dourmade et al., (2007)
5 - Considerando 2,35 partos por fêmea alojada por ano e produção de 28 leitões por fêmea alojada por ano e 12 suinos terminados por fêmea alojada por ano. Calculado a partir dos dados de UPL 25 kg e terminação. Fonte: Corpen (2003); Dourmade et al., (2007)
*Em função de não haver dados atualizados disponíveis referentes a escreção de N, P2O5 e K2O por unidade animal alojada nos rebanho para UPL e creche no Estado de Santa Catarina, utilizou-se como referencia CORPEN (2003) e Dourmade et al., (2007) devido a similaridade do sistema de produção e numero de animais entre os rebanhos da França e Santa Catarina.

 

A preservação ambiental, preocupação básica de qualquer sistema de produção, deve estar presente em qualquer atividade, em especial no manejo dos dejetos. Dessa maneira, devemos respeitar o tempo necessário para que acorra a ação biológica na esterqueira com degradação da matéria orgânica, a mineralização dos nutrientes e consequente diminuição do risco de proliferação de doenças e parasitas para outras granjas e ao ambiente.

Recomenda-se pelo menos duas estrumeiras com capacidade para reter os dejetos por pelo menos 60 dias cada uma. Dessa forma, e desde que sigamos as recomendações de dose, época, local de aplicação, pode-se com segurança usar dejeto na adubação de culturas.