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Cereais de inverno

Alternativa na alimentação de suínos e aves

O problema

Os cereais de inverno (trigo, cevada, triticale, aveia e centeio) são produzidos em quantidades insuficientes para atender a demanda no país atualmente. Porém, na região Sul do Brasil, ainda existem cerca de 5 milhões de hectares para sua produção, já que as áreas de lavoura de inverno representam apenas de 10% a 15% das áreas de cultivo de verão.

Os estados do Sul possuem uma alta demanda por cereais para uso como fonte de energia em rações para suínos e aves e a produção de milho, regionalmente, tornou-se insuficiente. Os cereais de inverno, pelo seu valor nutricional, qualificam-se como substitutos do milho na suinocultura e avicultura.

No entanto, é necessária a caracterização nutricional das cultivares atuais produzidas no Brasil, bem como o desenvolvimento de cultivares específicas de alto valor nutricional para alimentação animal e com alto rendimento por hectare. A Embrapa Suínos e Aves está desenvolvendo pesquisas em parceria com a Embrapa Trigo, Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca de Santa Catarina, Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina e Associação da indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne/Aincadesc) e Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro-SC), com apoio da Alibem Alimentos S.A. e Evonik Brasil Ltda. para avaliar o valor nutricional das cultivares atuais de trigo, triticale e cevada.

A intenção desse esforço conjunto é identificar materiais com maior valor nutritivo entre as cultivares mais produtivas.

Quanto é possível substituir

A substituição do milho pelos cereais de inverno depende da relação de preços entre os ingredientes que compõem as rações balanceadas. Considerando a composição nutricional e mediante ajustes nas fórmulas de rações de custo mínimo para nível de energia, aminoácidos e minerais, na média, é possível recomendar os seguintes níveis de inclusão nas rações de suínos e aves:
 

Energia, concentração e componentes no trigo, triticale, cevada e milho

O trigo, o triticale e a cevada concentram menor energia para suínos e aves. Isto se deve ao maior teor de fibra associado à variação no teor de diferentes tipos de carboidratos. Valores médios de energia, concentração em extrato etéreo e componentes da fibra no trigo, triticale, cevada e milho (valores expressos em 88% de matéria seca):
 
 
 
 
 
 

Teor de proteína bruta e aminoácidos essenciais

Os cereais de inverno têm maior teor de proteína bruta e aminoácidos essenciais, sendo superiores ao milho nos principais aminoácidos limitantes para suínos e aves.

A seguir, a concentração em proteína e aminoácidos essenciais limitantes para suínos e aves no milho, trigo, triticale e cevada (valores expressos em 88% de matéria seca):

Equivalência de preços

Os gráficos a seguir representam a evolução das equivalências de preços entre trigo de baixa, média e alta energia (respectivamente, 3.083 Kcal/Kg, 3.255 Kcal/Kg e 3.410 Kcal/Kg) e milho e entre triticale e milho, com base no valor nutricional e nos preços dos ingredientes que compõem as rações no período entre 2019 e 2022.

As variações das equivalências no tempo têm forte dependência dos preços dos ingredientes energéticos que compõem a ração, em especial o óleo e gorduras animais.

 

Vídeo

Prosa Rural

O Prosa Rural é o programa de rádio da Embrapa. Nesta edição, são abordados os cereais de inverno como alternativa para a alimentação de suínos e aves. O programa explica a mudança de cenário que tornou favorável a substituição de parte do milho por trigo, cevada e triticale, na formulação de rações para esses animais. Traz detalhes, ainda, sobre as proporções e capacidade nutricional desses cereais.

Para saber mais, acompanhe os pesquisadores Teresinha Bertol e Jonas dos Santos Filho, da Embrapa Suínos e Aves; e Eduardo Caierão, da Embrapa Trigo, no Prosa Rural: