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Perguntas e respostas

 

O que é Geotecnologia?

A Geotecnologia é uma área de investigação que gera soluções, a partir da localização geográfica de objetos e fenômenos, tanto para atividades cotidianas quanto para o setor produtivo e políticas públicas. Para isso, utiliza conjuntos de técnicas e metodologias específicas, considerando os dados com um par de coordenadas (por exemplo, latitude e longitude) vinculado a um sistema de referência (por exemplo, sistema geodésico). Como materiais, a Geotecnologia faz uso de diferentes equipamentos para coleta de dados, como: receptores GNSS, sensores embarcados em satélites, aeronaves, VANT, etc, além da ampla infraestrutura tecnológica em informática para tratamento de dados, incluindo hardwares, softwares, aplicativos, algoritmos e linguagem de programação.

Imagem de satélite da área rural da região de Curvelo, MG - Foto: Embrapa Territorial / GeoEye

 

O que são informações espaciais?

As informações espaciais diferenciam-se das demais por associarem uma localização geográfica a informações de naturezas distintas: “o que e como aconteceu” (atributos temáticos), “quando aconteceu” (atributo temporal) e  “onde aconteceu” (atributo espacial). Pense em uma colheitadeira de grãos equipada com um monitor de colheita e um sistema de posicionamento global (GPS). Enquanto registra a quantidade de grãos que entra no equipamento a cada segundo, registra também o par de coordenadas geográficas a cada ponto.  
 

Para que serve a informação espacial?

A informação espacial está presente na palma da mão de cada pessoa que utiliza o smartphone ao traçar uma rota para um local desconhecido e é amplamente utilizada pelo setor produtivo e pelos órgãos de planejamento de Estado.  Na produção agrícola, ela permite, por exemplo, mapear e monitorar o desenvolvimento de cultivos, identificando a defasagem de nutrientes e a infestação de pragas. Nos órgãos de planejamento de Estado, a informação espacial está presente em mapeamentos básicos e temáticos, zoneamentos agrícolas e ecológico-econômicos, estimativas nacionais de safras e inúmeras outras ações para apoio à formulação, execução e fiscalização de políticas públicas. 
 

O que é sensoriamento remoto?

O sensoriamento remoto pode ser entendido como uma das formas de aquisição de dados e informações sobre um objeto ou fenômeno terrestre sem que haja contato direto do receptor com o alvo. Em geral, são sensores embarcados em VANTs, aeronaves e satélites. Todos os objetos terrestres absorvem, emitem, retransmitem ou refletem a energia eletromagnética incidente sobre si, seja ela emitida pelo Sol ou por sensores a bordo dos satélites (radares e lasers). A maioria dos sensores registram a energia eletromagnética do Sol, que é refletida pelos objetos da superfície terrestre, recodificada em grandezas físicas, formando as imagens de satélite.
 

O que é geoprocessamento?

O termo geoprocessamento diz respeito à análise de dados e informações espaciais, incluindo o armazenamento e a recuperação desses dados, a partir de infraestrutura computacional que envolve hardware, software e algoritmos. Por exemplo, para responder qual a extensão de terra ocupada pelas Áreas de Preservação Permanente no bioma Cerrado registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), é preciso processar dados de mais de 5 milhões de propriedades rurais.
 

O que é Sistema de Informação Geográfica (SIG)? 

Sistema de Informação Geográfica (SIG) equivale à infraestrutura de hardware, software,  e metodologias envolvidas na entrada, processamento, análise, armazenamento e recuperação de dados e informações espaciais para a geração de produtos geocientíficos. 
 

Qual o papel dos satélites na Geotecnologia?

Os satélites e os sensores neles embarcados são uma das principais fontes de obtenção de dados e informações espaciais. Desde do lançamento do Sputnik, em 1957, pela então União Soviética, dezenas de constelações de satélites artificiais foram colocadas em órbita, por vários países. Algumas estão ativas há mais de 50 anos, formando dados históricos de cada ponto do planeta, o que permite analisar, compreender e traçar prognósticos sobre diversos fenômenos. Eles geram imagens dos mesmos pontos periodicamente, alguns mais de uma vez por dia. Parte dessas constelações têm suas imagens disponíveis gratuitamente, a exemplo das séries CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), Landsat, Sentinel e MODIS. O Brasil foi pioneiro na distribuição gratuita desse tipo de material, com a permissão de download gratuito de imagens geradas pelo CBERS no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2004. 
 
Para conhecer os principais satélites e sensores remotos utilizados em agricultura e meio ambiente, acesse o subsite Satélites de Monitoramento, mantido pela Embrapa Territorial.

 

Satélite Sputnik, o primeiro ser lançado no espaço. Foto: NASA / Pixabay

 

Como a Geotecnologia é aplicada na agricultura?

Os conhecimentos gerados pelas técnicas e materiais advindos da Geotecnologia são aplicados em diferentes escalas de análise agrícola, desde o imóvel ou propriedade rural, por meio da agricultura de precisão, até extensas áreas, como monitoramento de culturas agrícolas. 

No caso da agricultura de precisão, o  processo inicia-se com o levantamento das informações das áreas de produção, como a fertilidade dos solos, o relevo, as infestações de pragas e plantas daninhas,  a micrometeorologia, entre outras. A partir daí, é possível programar o maquinário para diferentes tipos de aragem, lançamento das sementes e dosagem de insumos e defensivos.  As plantas começam então a ter seu crescimento monitorado, e qualquer anomalia (defasagem no crescimento, coloração diferente, etc) é detectada no início. Assim, planeja-se adequadamente seu tratamento, diminuindo custos, reduzindo a contaminação do solo e aumentando a produtividade. Em sistemas mais sofisticados, há ainda a possibilidade dos produtores receberem alertas por meio de sistemas automatizados. Vale ponderar, contudo, que essas ainda são tecnologias de custo elevado e pouca acessibilidade, tendo como um dos fatores limitantes a baixa cobertura de internet em zonas rurais.
 
Em escalas de menor detalhe e áreas com grandes extensões, as imagens de satélite têm provido apoio à inúmeras pesquisas agropecuárias, permitindo monitorar as mudanças de uso e cobertura da terra, planejar a expansão das áreas cultivadas, fazer previsões de safras, identificar áreas aptas para o estabelecimento de novas atividades, planejar investimentos em infraestrutura e logística, entre outras. A Geotecnologia também é empregada na elaboração de zoneamentos agrícolas, para apoio à formulação, execução e fiscalização de políticas públicas, que estabelecem regras ou recomendações para a agropecuária,  como aquelas que subsidiam benefícios, a exemplo de como o seguro rural.
 

Como a Geotecnologia subsidia a atividade pecuária?

A Geotecnologia permite delimitar polos de produção pecuária, identificar áreas aptas e inaptas para desenvolvimento de determinadas espécies, analisar possíveis rotas de escoamento da produção e abastecimento de insumos.  Uma das aplicações mais clássicas é a utilização de dados de  sensoriamento remoto para mapear e monitorar a qualidade das pastagens e áreas de degradação. O investimento na qualidade do pasto permite aumentar o número de animais por hectare, por exemplo,  melhorando a produtividade e, por consequência, a rentabilidade. Além disso, em escalas locais, dispositivos de GPS colocados nos animais (brincos, colares, chips  etc) registram a movimentação deles no campo. Com isso, o criador descobre os hábitos dos animais - como quanto caminham, quanto tempo passam à sombra, onde gostam e não gostam de ficar -, o que permite fazer alterações no manejo e melhorar a produtividade. Tecnologias como essas também podem atender às exigências de mercado para rastreabilidade da carne, agregando valor aos produtos em mercados nacionais e internacionais.
 

Como a Geotecnologia apoia a área ambiental?

Na área ambiental, a Geotecnologia fornece subsídios desde o entendimento dos fenômenos naturais até a fiscalização do cumprimento das leis que regem a interação das atividades humanas com o meio ambiente. 
 
O imageamento de grandes áreas revela a extensão e os limites dos biomas, as diferentes formações vegetais, a relação com atividades agrícolas, de mineração, obras de infraestrutura e as áreas legalmente protegidas. Os sensores também registram pontos de calor indicativos de fogo, processos de desmatamentos e a dinâmica do uso e cobertura das terras desmatadas. O geoprocessamento de dados como esses gera informação qualificada para iniciativas de governos, empresas e instituições, com vistas ao desenvolvimento sustentável.  A Geotecnologia também contribui nos estudos sobre a dinâmica dos fenômenos naturais e auxilia na compreensão das mudanças climáticas. Dessa forma, permite a construção de modelos para ações de antecipação a essas mudanças e minimização dos impactos delas decorrentes.
 

Como a Geotecnologia pode ser aplicada no estudo e no monitoramento de animais silvestres?

A ocorrência e o padrão de deslocamento de espécies de animais silvestres podem ser monitorados com base no registro contínuo ou periódico de vestígios georreferenciados de presença de indivíduos da espécie (pegadas, ninhos, imagens obtidas por meio de câmeras-trap, etc). A movimentação de indivíduos por espécie também pode ser acompanhada mediante o uso de dispositivos colocados nos animais, como chips com transmissão contínua ou frequente de sinais, indicando a localização geográfica dos indivíduos. Há também o recurso de radiotelemetria, com o uso de radiofrequência, no caso de animais com rádio-coleiras. Levantamentos também podem ser realizados com o uso de sensoriamento remoto (imagens de satélite ou obtidas por VANTs) ou amostragens em campo com geolocalização. O método varia de acordo com os objetivos de cada levantamento, da(s) espécie(s) de interesse e dos recursos tecnológicos e financeiros disponíveis. Dados georreferenciados permitem estimar a densidade populacional por espécie animal, padrões de deslocamento, preferência de habitats, riscos potenciais para a população de animais silvestres, para a população humana local e/ou para a conservação ambiental.
 

Como a Geotecnologia  subsidia o cumprimento do Código Florestal Brasileiro?

O Código Florestal Brasileiro vigente prevê a obrigatoriedade do proprietário rural manter ou recompor áreas de reserva legal (RL) e áreas de preservação permanente (APP). Para isso, ele deve dispor da delimitação precisa do imóvel rural, da identificação e do mapeamento da cobertura vegetal e da hidrografia, para estimar  a porcentagem do terreno que deve ser coberta por vegetação nativa. 
 
O Código prevê, também, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) de todas as propriedades. Esse cadastro geocodificado serve aos mais diversos propósitos de atividades de gestão e monitoramento das áreas rurais Em cada um dos registros do CAR, além do perímetro do imóvel, houve a delimitação, a partir de imagens de satélite, da localização dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente (APP), das Áreas de Uso Restrito (AUR), das Áreas Consolidadas (AC) e, caso existente, também da localização da Reserva Legal (RL).
 

Como a Embrapa utiliza a Geotecnologia na pesquisa agropecuária?

A Geotecnologia subsidia investigações na Embrapa desde a escala das propriedades rurais até territórios com grandes extensões de terras. Os mapeamentos, monitoramentos e zoneamentos são os produtos geoespaciais que permitem a investigação de fenômenos que envolvem a agricultura brasileira. São obtidos por meio da integração de atributos bióticos, abióticos e  socioeconômicos, a partir de bases de dados massivas, multiescalares e heterogêneas, advindas de múltiplas fontes, tais como imagens orbitais (satélites) ou suborbitais (VANTs), ou do georreferenciamento de dados espaciais disponibilizados oficialmente por outras instituições. 
 
Com a Geotecnologia, problemas relacionados ao manejo inadequado e à baixa fertilidade dos solos são mais rapidamente detectados; perdas advindas de pragas, doenças, fogo e eventos climáticos extremos podem ser minimizadas; produtividades de safras para fins de armazenamento e composição de preços podem ser estimadas com maior confiabilidade; o vigor das pastagens pode ser monitorado; aplicações de insumos podem ser aperfeiçoadas conferindo maior eficiência ao sistema produtivo e maior segurança ao meio ambiente; entre outros tantos exemplos. Essas aplicações são exploradas pela Embrapa e seus parceiros em projetos de pesquisa para diversas cadeias produtivas e atividades relacionadas à agropecuária brasileira.

 

Com geoprocessamento de dados, a Embrapa delimitou bacias logísticas do escoamento de grãos para exportação, no Brasil - Foto: Embrapa Territorial.
 
 

Como acessar resultados produzidos na Embrapa na área de Geotecnologia?

Produtos e soluções, projetos, relatórios técnicos e publicações da Embrapa relacionados à Geotecnologia podem ser acessados nos menus “Soluções Tecnológicas” e “Publicações” desta página. Os dados espaciais (tabulares, vetoriais e cartográficos) produzidos, sistematizados e padronizados por projetos e ações da empresa estão disponíveis na plataforma corporativa Geoinfo, conectada à Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE).