Perguntas e Respostas

O termo denomina a região formada pelo estado do Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia.

A delimitação foi realizada pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa (GITE) que utilizou como primeiro grande critério as áreas de cerrados existentes nos Estados. Foi baseada em informações numéricas, cartográficas e iconográficas, resultando na caracterização territorial dos quadros natural, agrário, agrícola e socioeconômico.

Segundo o estudo, são cerca de 73 milhões de hectares distribuídos em 31 microrregiões e 337 municípios. Há cerca de 324 mil estabelecimentos agrícolas, 46 unidades de conservação, 35 terras indígenas e 781 assentamentos de reforma agrária e áreas quilombolas, num total de cerca de 14 milhões de hectares de áreas legalmente atribuídas, além de áreas de conservação ainda em regularização.

A atividade agrícola tem se ampliado de maneira veloz no Matopiba. Nos últimos quatro anos, somente o estado do Tocantins expandiu sua área plantada ao ritmo de 25% ao ano, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Até 2022, segundo projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil plantará cerca de 70 milhões de hectares de lavouras e a expansão da agricultura continuará ocorrendo no bioma Cerrado. Somente a região que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia terá, nesse mesmo período, o total de 10 milhões de hectares, o que representará 16,4% da área plantada e deverá produzir entre 18 a 24 milhões de toneladas de grãos, um aumento médio de 27,8%.

Atualmente são 73 projetos de pesquisa e transferência de tecnologia em execução na região, financiados pelo Sistema Embrapa de Gestão (SEG). São 27 Unidades Descentralizadas envolvidas na liderança desses projetos, o que mobiliza 1440 funcionários, sendo 1114 pesquisadores, 278 analistas e 48 assistentes e técnicos. Além disso, há 580 parceiros externos.

A maior parte do orçamento (59%) é destinada ao melhoramento genético. Neste tema, a soja merece destaque: 39% dos recursos (o equivalente a cerca de 26,8 milhões de reais) são aplicados em pesquisas envolvendo essa cultura. No tema sistemas de produção a soja também se destaca, recebendo 27% do total de recursos. Em relação aos temas transversais, adubação e mudanças climáticas atingem juntos 60% do orçamento. No tema transferência de tecnologia, os projetos com maior aporte financeiro são os que envolvem recursos hídricos, seguidos pelos que envolvem agricultura familiar e ILPF.

A Embrapa está elaborando um plano estratégico de atuação no Matopiba com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento tecnológico e inovação para a região. Nesse trabalho estão previstas análises de risco climático, caracterização da região do ponto de vista socioeconômico, identificação de problemas e oportunidades, dentre outros.

Mas apesar da delimitação territorial ser recente, pesquisadores já estudam a região há algum tempo para encontrar as melhores alternativas sustentáveis. Na Embrapa está em andamento um arranjo de projetos, liderado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, localizada em Palmas (TO). O objetivo é traçar estratégias para o aumento da produtividade, competitividade e sustentabilidade de sistemas de produção agropecuária do Matopiba.

Foi lançada recentemente a Agência de Desenvolvimento Regional do Matopiba. A ideia é promover o desenvolvimento da região visando à elevação da qualidade de vida da população. Por ser considerada a última fronteira agrícola do país a região é estratégica para a ascensão social dos pequenos produtores locais e para o incremento da produção e da exportação agropecuária do país, por isso a necessidade de investir em tecnologia e assistência técnica.