Sobre o Matopiba

Região considerada a grande fronteira agrícola nacional da atualidade, o Matopiba compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por grande parte da produção brasileira de grãos e fibras.

A área, até pouco tempo considerada sem tradição forte em agricultura, tem chamado atenção pela produtividade cada vez crescente.  Nos últimos quatro anos, somente o Estado do Tocantins expandiu sua área plantada ao ritmo de 25% ao ano, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A topografia plana, os solos profundos e o clima favorável ao cultivo das principais culturas de grãos e fibras possibilitaram o crescimento vertiginoso da região, que até o final da década de 1980 se baseava fortemente na pecuária extensiva.

Porém a área também é considerada complexa o que torna ainda mais audacioso o desafio de garantir uma agricultura moderna e sustentável. A área reúne 337 municípios e representa um total de cerca de 73 milhões de hectares. Existem na área cerca 324 mil estabelecimentos agrícolas, 46 unidades de conservação, 35 terras indígenas e 781 assentamentos de reforma agrária, segundo levantamento feito pelo Grupo de Inteligência Estratégica (GITE) da Embrapa. 

Tamanha prosperidade levou à oficialização da delimitação do território por meio da assinatura de decreto pela presidenta Dilma Rousseff e ao lançamento da Agência de Desenvolvimento Regional do Matopiba pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nos quatro estados que fazem parte da região.

Estudos e pesquisa

O GITE criou um Sistema de Inteligência Territorial Estratégica para o Matopiba, a fim de compreender melhor e descrever a região. O sistema reúne acervos de dados numéricos, iconográficos e cartográficos, integrados em Sistemas de Informações Geográficas (SIG) em bancos de dados espaciais. Os dados foram organizados em cinco dimensões: quadro natural, agrário, agrícola, socioeconômico e de infraestrutura. 

Com isso, foi possível verificar que as mudanças na ocupação das terras, a expansão da fronteira agrícola, o crescimento das cidades e o investimento em infraestrutura e logística no Matopiba possuem características e dinâmicas diferentes de outras regiões do Brasil.

O SITE do Matopiba já está operando e é um sistema dinâmico, atualizável e operacional. A ideia é que essas informações sirvam de base para a criação de outro sistema GeoWEB, em conjunto com o Incra para os resultado estejam disponíveis 24h para qualquer interessado.

Paralelamente às ações e projetos de pesquisa, a Embrapa está elaborando um plano estratégico de atuação no Matopiba com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento tecnológico e inovação para a região. Nesse trabalho estão previstas análises de risco climático, caracterização da região do ponto de vista socioeconômico, identificação de problemas e oportunidades, dentre outros.

Mas apesar da delimitação territorial ser recente, pesquisadores já estudam a região há algum tempo para encontrar as melhores alternativas sustentáveis. Na Embrapa está em andamento um arranjo de projetos, liderado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, localizada em Palmas (TO). O objetivo é traçar estratégias para o aumento da produtividade, competitividade e sustentabilidade de sistemas de produção agropecuária do Matopiba.

Produção de grãos

A cultura principal nas principais regiões produtoras do Matopiba concentra-se atualmente na soja. Mas outras culturas como arroz e algodão também tem papel importante. Segundo a pesquisa, grande parte deste impulso na produtividade de grãos se deve ao acesso às tecnologias hoje empregadas, como o uso de híbridos e cultivares adaptados às condições edafoclimáticas, além de boas práticas para o uso eficiente de fertilizantes, corretivos e defensivos e sistemas conservacionistas de manejo como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta.

De acordo com pesquisadores da Embrapa que atuam na região, mesmo com este grande salto na produtividade das culturas da soja e do milho, a região ainda enfrenta grandes desafios no manejo e conservação do solo e na implantação de sistemas integrados de produção. Embora bastante difundidos em outros Estados do Bioma Cerrado, sistemas de intensificação ecológica ainda apresentam grandes dificuldades na implantação e na condução ao longo dos anos.