Perguntas e respostas

A automação, segundo o conceito adotado pela Embrapa, é um sistema no qual os processos operacionais de produção agrícola, pecuária e/ou florestal são monitorados, controlados e executados por meio de máquinas e ou dispositivos mecânicos, eletrônicos ou computacionais, para ampliar a capacidade de trabalho humano. Desse modo, a automação exerce a sua função sobre processos agrícolas, pecuários e florestais para aumentar a produtividade do processo e do trabalho; otimizar o uso de tempo, insumos e capital; reduzir perdas na produção; aumentar a qualidade dos produtos e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores da lavoura e das cadeias. Empresta o termo tanto do ramo da automação industrial como da comercial devido ao agronegócio estar integrado a uma gestão ampla em elos paralelos e encadeados.

 

A automação fundamenta-se na convergência e integração das ciências agrárias com as engenharias, ciências biológicas e ciências exatas e da terra (matemática, estatística, ciência da computação, física, química e geociência) para aumentar a eficiência de produção, qualidade e rastreabilidade do produto, minimizar o impacto ambiental, aumentar a segurança, capacidade e reduzir o custo do trabalho. Os processos devem ser aprimorados e cada vez melhores entendidos para implementar uma automação eficiente.

 

A automação tem atuado com foco muito intenso em sistemas de produção industrial e de serviços. Neste momento em que as indústrias estão sentindo desaquecimento e a agricultura o inverso, a automação está acordando para as oportunidades desse mercado. Entretanto é importante observar que não é um processo de importação, cópia de tecnologias ou uma simples adaptação. É um processo de criação de soluções para atender a um processo único que é a agricultura tropical.

 

Houve algumas iniciativas, tanto públicas como privadas. A Embrapa Instrumentação, unidade que iniciou os primeiros trabalhos em automação numa instituição que era eminentemente agropecuária, completou 30 anos. Nesse período vimos a ascensão da tecnologia da informação e da comunicação. A robótica na automação industrial já pode ser considerada comum. O setor agropecuário era considerado hermético para esse tipo de tecnologia, pois havia abundância de mão de obra a custo reduzido. Hoje a situação está muito diferente. Tanto a sociedade quanto a legislação mudaram. A globalização trouxe profundas mudanças na indústria e há muito mais sistemas computacionais disponíveis para serem adaptados. Se houve um marco, então está dentro de um período de duas décadas. Por ser um dos melhores exemplos de automação bem sucedido na agricultura, muito provavelmente, a instalação a agricultura de precisão pode ser considerada um marco nesse sentido no Brasil.

 

Otimizar o serviço da mão de obra faz parte da própria característica da automação agrícola. Até o conforto pode-se dizer que tem como fim a melhoria da produtividade. Se em um sistema de criação de animais o responsável podia identificar a fase de lactação e estado de saúde por meio de convívio diário, a tomada de decisão era uma reação consequente. Porém ao aumentar o número de animais e ao contratar funcionários a um regime de trabalho concebido para atender às atividades urbanas, a forma de gestão tradicional é comprometida, pois elimina-se o convívio e prejudica-se a tomada de decisão. Já há no mercado máquina de ordenha robotizada, mas por trás dessa automação, sistemas estão sendo aprimorados para que informe ao operador variáveis que apontem em uma tela o estado e as necessidades do animal. Contribui-se dessa forma, não apenas para liberação de trabalhos penosos, mas também para a qualidade do produto, da produção e da sustentabilidade econômica, social e ambiental.

 

Há uma preocupação e um esforço pela pesquisa em trabalhar olhando o futuro. É de consenso de que o aumento da produtividade deve ser acompanhado de sustentabilidade. Novos processos e conhecimentos estão comprometidos com o aumento da produtividade como a biotecnologia e a nanotecnologia. Os desafios trazidos por cenários futuros como a redução da população rural, aumento da exigência por alimentos seguros, o potencial de climas mais severos para a agricultura, redução de disponibilidade de água, consequência das mudanças climáticas, entre muitos outros fazem com que aumente a premência das demandas e também por número de soluções. A automação deve ajudar a acelerar esses processos de produção de conhecimentos.

O aspecto fundamental é o acompanhamento do investimento junto ao crescimento e a ampliação da agenda.

 

A Agricultura de Precisão é um exemplo de automação bem sucedida. É uma forma de gerenciamento da lavoura que leva em conta a variabilidade espacial. O campo tem variações. Setores que produzem mais, outros que são mais úmidos, mais férteis, mais suscetíveis às doenças e assim por diante. A agricultura convencional, apesar das diferenças, trata como tudo igual. A Agricultura de Precisão respeita essas diferenças e faz uso de dados e informações do campo. Ferramentas como GPS, sensores, sistemas de informação são muito úteis para essa forma de gestão.

 

No primeiro momento, houve um impacto significativo quando chegaram as máquinas agrícolas com a eletrônica embarcada. Em especial as colhedoras com capacidade de medir e armazenar dados juntamente com as coordenadas geográficas. Foi no final da década de 90. Os receptores GPS e o Sistema de Informação Geográfica aplicada à agricultura ainda eram novidades no País. No segundo momento, após duas décadas, veio o entendimento da AP como processo de gestão. Houve quem considerasse "desmistificação" da AP, pois era conhecida como uma tecnologia demasiadamente sofisticada para a realidade brasileira.

 

A agricultura de precisão só depende do gestor. Dizemos até que é uma postura gerencial que leva em conta a variabilidade. Isso depende do olho e da sensibilidade do produtor. Se o produtor percebe que separar um setor da lavoura pode melhorar a qualidade ele está praticando a agricultura de precisão.

 

O primeiro passo é observar se há variabilidade espacial dentro da propriedade. Por exemplo, tirar uma amostra de uma região e escolher outra que o agricultor entende que seja muito diferente. Se as duas amostras apresentarem recomendação de aplicação de insumo muito diferente, então há potencial de retorno econômico e, portanto, há potencial de uso da Agricultura de Precisão.

 

Só não deve ser utilizada em culturas e regiões que são uniformes. Quanto mais variações houver pode-se obter maior retorno econômico e benefício ao meio ambiente.

 

Os principais benefícios são o retorno econômico e, ao mesmo tempo, um menor impacto ao meio ambiente, ou seja, uma contribuição na sustentabilidade da nossa agricultura.

 

Muitos já adotam a agricultura de precisão e não sabem. Por outro lado alguns acham que estão utilizando a AP por ter uma máquina com GPS, mas efetivamente não estão realizando a gestão da variabilidade espacial e temporal.

O que de fato pode-se dizer, comparando com os países desenvolvidos é que, apesar de muitos terem ouvido falar da AP o conceito, no Brasil, ainda não está bem disseminado.

 

A rede é uma forma de organização da pesquisa. Sendo a Agricultura de Precisão um tema abrangente que não se limita a uma cultura ou região, é uma forma adequada de organização da pesquisa e dos pesquisadores.

 

O balanço é extremamente positivo. A sinergia entre Unidades da Embrapa e seus parceiros foi ampliada e a Embrapa alcançou a maturidade almejada no tema.

 

O Lanapre é um espaço inédito no Brasil onde é possível pesquisar e desenvolver equipamentos, sensores, componentes mecânicos e eletrônica embarcada, testada e validada em campo no mesmo local.

A instalação conta com suporte de sistema computacional para tratar os dados massivos gerados em campo e produzir informações para a gestão em Agricultura de Precisão. Avaliações de compatibilidade de máquinas e implementos de diferentes fabricantes ao padrão internacional ISOBUS também podem ser realizados nesse espaço. A pesquisa deve atender às demandas por novos conhecimentos, metodologias e tecnologias fundamentando, cientificamente, o entendimento empírico gerado no campo.

O campo experimental de automação agropecuária, com cinco hectares, do qual o Lanapre faz parte, é dotado com casa de vegetação e pequenas áreas de plantio para apoiar desenvolvimento de metodologias de avaliação, protótipos de funções de máquinas, equipamentos, sensores, atuadores e de sistemas como veículo aéreo não tripulado (VANT).