Os solos do Brasil

O Brasil possui uma grande diversidade de solos em sua extensão continental, decorrente da ampla diversidade de pedoambientes e de fatores de formação do solo. Nas 13 classes de solos contidas no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), constata-se a influência desses fatores através da grande variabilidade das características químicas, físicas e morfológicas.

A ampla peculiaridade observada nos pedoambientes também representa uma condição importante para a avaliação dos potenciais e limitações de cada solo, condicionando a sua sustentabilidade em função dos usos e das práticas de manejo aplicadas.

Predominam os Latossolos, Argissolos e Neossolos, que no conjunto se distribuem em aproximadamente 70% do território nacional. As classes Latossolos e Argissolos ocupam aproximadamente 58% da área e são solos profundos, altamente intemperizados, ácidos, de baixa fertilidade natural e, em certos casos, com alta saturação por alumínio. Também ocorrem solos de média a alta fertilidade, em geral pouco profundos em decorrência de seu baixo grau de intemperismo. Estes se enquadram principalmente nas classes dos Neossolos, Luvissolos, Planossolos, Nitossolos, Chernossolos e Cambissolos.

 

Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS)

O SiBCS é um sistema taxonômico de solos, hierárquico, multicategórico e aberto, com a finalidade de classificar todos os solos existentes no Brasil. Sua chave é composta por 6 níveis categóricos de classificação: Ordem, Subordem, Grande Grupo, Subgrupo, Família e Série. Lançado em livro em 1997, o SiBCS é a principal referência sobre classificação de solos brasileiros. Neste ano, a obra chega à sua 5ª edição e está disponível gratuitamente pela primeira vez, no formato e-book. Clique para baixar.

 

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Acesse o mapa de solos e descubra as características de cada uma das classes de solos presentes no Brasil navegando pelos itens abaixo

 

Esse mapa representa a distribuição geográfica dos solos do Brasil, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Publicado em 2011. Escala: 1:5.000.000

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Solos com acúmulo de argila em subsuperfície

Perfil de Argissolo
Foto: Sebastião Barreiros Calderano. Cruzeiro do Sul-AC.
Sedimentos argilo-arenosos da Formação Solimões Inferior.

 

Identificados pelo maior teor de argila nos horizontes subsuperfíciais em relação aos superficiais, que caracteriza um gradiente textural ao longo do perfil. A cor pode variar de acinzentada a avermelhada, sendo os matizes amarelos e vermelhos os mais comuns.

Os minerais predominantes são argilas de atividade baixa (caulinita) e/ou óxidos, que contribuem para o valor de capacidade de troca catiônica inferior a 27 cmolc kg-1, sendo possível também apresentar o caráter alítico.

Onde estão presentes no Brasil?

Esse tipo de solo pode ser encontrado em praticamente todas as regiões brasileiras em diversas condições de clima e relevo. Representam aproximadamente 24% da superfície do País. Em termos de extensão geográfica ocupam a segunda posição, depois dos Latossolos.

Resumo técnico:

Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural imediatamente abaixo do A ou E, com argila de atividade baixa ou com argila de atividade alta conjugada com saturação por bases baixa e/ou caráter alítico na maior parte do horizonte B, e satisfazendo, ainda, os seguintes requisitos:

a) Horizonte plíntico, se presente, não satisfaz os critérios para Plintossolo;

b) Horizonte glei, se presente, não satisfaz os critérios para Gleissolo.

 

Símbolo: P

 

Solos moderadamente desenvolvidos

Perfil de Cambissolo
Foto: Marcos Gervásio Pereira. Água Doce-SC.
Produtos da decomposição de riodacitos.

 

Compreendem solos com desenvolvimento incipiente, caracterizados pela pouca diferenciação dos horizontes nas características morfológicas, principalmente pela cor e estrutura.

A grande variabilidade da natureza e transformação do material de origem proporciona ampla variação em sua composição química e granulométrica.

Onde estão presentes no Brasil?

Distribuem-se por todo o território nacional, ocupando cerca de 2,5% da área do país. São particularmente importantes na parte oriental dos planaltos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, pelos elevados teores de matéria orgânica e conteúdo de alumínio extraível. Cambissolos de elevada fertilidade natural são comuns na região nordestina e no Estado do Acre. Áreas significativas de Cambissolos ocorrem também na região Sudeste, desenvolvidos a partir de rochas ácidas e na região Centro-Oeste, a partir de arenitos e quartzitos.

Resumo técnico:

Solos constituídos por material mineral com horizonte B incipiente subjacente a qualquer tipo de horizonte superficial (exceto hístico com 40 cm ou mais de espessura) ou horizonte A chernozêmico, quando o B incipiente apresentar argila de atividade alta e saturação por bases alta. Plintita e petroplintita, horizonte glei e horizonte vértico, se presentes, não satisfazem os requisitos para Plintossolos, Gleissolos e Vertissolos, respectivamente.

Símbolo: C

 

Solos com cor escura na superfície e alta saturação por bases

Perfil de Chernossolo

Foto: Ademir Fontana. Muqui-ES. Sedimentos argilosos.

 

Caracterizados pela presença de horizonte superficial relativamente espesso, escuro, com boa agregação e presença de argilominerais 2:1.

Muito férteis, apresentam de médios a altos teores de carbono e altos teores de cálcio e magnésio, conferindo alta saturação por bases. Podem apresentar alto teor de carbonato de cálcio secundário na forma nódulos.

Onde estão presentes no Brasil?

Estes solos têm baixa ocorrência no Sul e no Nordeste do Brasil e em pequenas áreas no Centro-Oeste, totalizando aproximadamente 0,5% do território nacional.

Resumo técnico:

Solos constituídos por material mineral, que apresentam horizonte A chernozêmico seguido por:

a) Horizonte B incipiente ou B textural, em todos os casos com argila de atividade alta e saturação por bases alta (exclusive Vertissolo); ou

b) Horizonte cálcico, petrocálcico ou caráter carbonático coincidindo com o horizonte A chernozêmico e/ou com horizonte C, admitindo-se, entre os dois, horizonte Bi com espessura < 10 cm; ou

c) Contato lítico desde que o horizonte A chernozêmico contenha 150 g kg-1 de solo ou mais de carbonato de cálcio equivalente.

Símbolo: M

Solos com acúmulo de matéria orgânica e/ou alumínio e ferro em subsuperfície

Perfil de Espodossolo     Perfil de Espodossolo

Fotos: Maria de Lourdes Mendonça Santos. Quissamã-RJ.
Sedimentos arenosos marinhos do Quaternário.

 

Apresentam horizonte subsuperficial com acúmulo de matéria orgânica e alumínio, podendo ou não apresentaracúmulo de ferro. De maneira geral a composição granulométrica tem o predomínio da fração areia. São solos muito pobres e ácidos.

O horizonte subsuperficial (B espódico) pode apresentar cor escura, acinzentada e muitas vezes amarelada e avermelhada, sendo de maneira geral sobreposto por um horizonte eluvial e de cor clara (horizonte E).

Onde estão presentes no Brasil?

Distribuem-se de maneira muito esparsa nos domínios da restinga e por toda a costa brasileira, bem como nas áreas interioranas da Amazônia Ocidental, onde são bastante expressivos. Estima-se sua ocorrência em aproximadamente 2% do território nacional.

Resumo técnico:

São solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B espódico imediatamente abaixo de horizonte E, A, ou horizonte hístico, dentro de 200 cm da superfície do solo ou de 400 cm se a soma dos horizontes A+E ou dos horizontes hístico (com menos de 40 cm) + E ultrapassar 200 cm de profundidade.

Símbolo: E

Solos com expressão de feições reductomórficas

Perfil de Gleissolo

Foto: Humberto Gonçalves dos Santos. Cassimiro de Abreu-RJ.
Sedimentos argilosos e orgânicos do Quaternário.

 

Material predominantemente argiloso e muito argiloso que passou por processos de oxidação e redução em ambiente saturado por água, mal ou muito mal drenados (hidromórficos). Geralmente estão associados ao material sedimentar recente nas proximidades de cursos d’água.

São caracterizados pelo baixo grau de desenvolvimento pedogenético sob condições hidromórficas. Apresentam grande variabilidade quanto a sua composição química e física em decorrência da natureza do material depositado em ambiente de várzea ou depressão.

As cores predominantes em subsuperfície são acinzentadas ou variegadas, devido aos processos de oxidação e redução do ferro, podendo apresentar mosqueados ou plintita pela segregação do ferro.

Onde estão presentes no Brasil?

São encontrados em áreas que apresentam restrição de drenagem, como nas proximidades dos cursos d’água, várzeas e baixadas. Estão presentes na planície amazônica, nos estados de Goiás, Tocantins, Rio de Janeiro e São Paulo e às margens das lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira no Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 4% da área do Brasil.

Resumo técnico:

Gleissolos são solos constituídos por material mineral com horizonte glei iniciando-se dentro dos primeiros 150 cm da superfície do solo ou a profundidades entre 50 cm e 150 cm desde que imediatamente abaixo de horizonte A ou E, ou de horizonte hístico com espessura insuficiente para definir a classe dos Organossolos. Não apresentam horizonte vértico ou horizonte B plânico acima ou coincidente com horizonte glei, tampouco qualquer outro tipo de horizonte B diagnóstico acima do horizonte glei ou textura exclusivamente areia ou areia franca em todos os horizontes até a profundidade de 150 cm a partir da superfície do solo ou até um contato lítico. Horizonte plíntico, se presente, deve estar à profundidade superior a 200 cm da superfície do solo.

Símbolo: G

 

Solos altamente desenvolvidos

Perfil de Latossolo

Foto: Maria de Lourdes Mendonça Santos. Grão-Mogol-MG.
Sedimentos argilosos de cobertura.

 

São altamente intemperizados e sem incremento de argila em profundidade. As cores variam de brunadas, avermelhadas ou amareladas, sendo as últimas de maior expressão. A textura varia de média a muito argilosa e, nos mais oxídicos, pode ocorrer estrutura granular, de tamanho muito pequena a pequena e de grau de desenvolvimento que varia de forte a muito forte.

Os minerais predominantes na fração argila são caulinita e óxidos de ferro e alumínio, que conferem valores de capacidade de troca catiônica menores ou iguais a 17 cmolc kg-1.

Onde estão presentes no Brasil?

São típicos das regiões equatoriais e tropicais, em antigas superfícies de erosão, sedimentos e terraços fluviais antigos, normalmente em relevo suavemente ondulado e plano. São os solos mais representativos do Brasil, ocupando aproximadamente 39% da área total do país e distribuídos praticamente por todo o território nacional.

Resumo técnico:

São solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico precedido de qualquer tipo de horizonte A dentro de 200 cm da superfície do solo ou dentro de 300 cm se o horizonte A apresenta mais que 150 cm de espessura.

Símbolo: L

Solos com acúmulo de argila em subsuperfície associado à argila de atividade alta

Perfil de Luvissolo

Foto: José Francisco Lumbreras. Juazeiro-BA.
Saprolito de micaxistos e gnaisses.

 

Possui estrutura bem desenvolvida e alta fertilidade química natural. Identificados pelo aumento significativo dos teores de argila nos horizontes subsuperficias, apresentam, em muitos casos, mudança textural abrupta. De maneira geral são rasos, de coloração avermelhada ou amarelada, com estrutura bem desenvolvida do tipo blocos ou prismas em subsuperfície.

A elevada capacidade de troca catiônica (maior ou igual a 27 cmolc kg-1) é decorrente da presença de argilominerais 2:1, com alta saturação por bases devido aos elevados teores de cálcio e magnésio.

Onde estão presentes no Brasil?

Áreas expressivas são encontradas no nordeste brasileiro, onde se distribuem principalmente na zona semiárida. Estima-se em 3% a área de ocorrência no território brasileiro.

Resumo técnico:

São solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural com argila de atividade alta e saturação por bases alta na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B (inclusive BA), imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A (exceto A chernozêmico) ou sob horizonte E, e satisfazendo o seguinte requisito: Horizontes plíntico, vértico e plânico, se presentes, não satisfazem aos critérios para Plintossolos, Vertissolos e Planossolos, respectivamente, ou seja, não são coincidentes com a parte superficial do horizonte B textural.

Símbolo: T

Solos pouco desenvolvidos

Perfil de Neossolo

Foto: Maria de Lourdes Mendonça Santos. Lagoa Formosa-MG.
Produtos da decomposição de Tufitos.

 

São solos pouco evoluídos pedogeneticamente e com ausência de horizontes diagnósticos subsuperficiais, seja pela reduzida atuação dos processos de pedogenéticos ou ação dos fatores de formação. São jovens, constituídos por material mineral ou por material orgânico com menos de 20 cm de espessura. Apresentam predomínio de características herdadas do material originário, o qual confere grande variabilidade entre as subordens.

Os Neossolos se subdividem em níveis de classificação mais baixos em Neossolos Litólicos (horizonte superficial diretamente sobre rocha sã ou semidecomposta, ou horizonte C ou Cr); Regolíticos (solos com material superficial assente sobre rocha ou horizonte C ou Cr a mais de 50 cm de profundidade, com ocorrência de minerais primários); Flúvicos (derivados de sedimentos aluviais) e Quartzarênicos (solos arenosos, de textura areia ou areia franca).

Onde estão presentes no Brasil?

Ocorrem aproximadamente em 15% do território brasileiro.

Resumo técnico:

Os Neossolos são solos pouco evoluídos constituídos por material mineral ou por material orgânico com menos de 20 cm de espessura, não apresentando qualquer tipo de horizonte B diagnóstico. Horizontes glei, plíntico, vértico e A chernozêmico, quando presentes, não ocorrem em condição diagnóstica para as classes Gleissolos, Plintossolos, Vertissolos e Chernossolos, respectivamente.

Símbolo: R

Solos argilosos, ausência de gradiente textural e bem estruturados

Perfil de Nitossolo

Foto: Humberto Gonçalves dos Santos. Painel-SC.
Produtos da decomposição do Basalto do grupo São Bento.

 

Apresentam textura argilosa ou muito argilosa, com pouco incremento de argila em profundidade e com estrutura em blocos ou prismas. De maneira geral profundos, com coloração variando de vermelho a bruno, sendo observada pouca diferenciação de cores entre os horizontes (ausência de policromia).

São normalmente profundos, bem drenados, estruturados, moderadamente ácidos e de fertilidade natural muito variável.

A superfície dos agregados dos horizontes subsuperficiais apresenta filmes de argila, sendo denominada de cerosidade. Em função dos elevados conteúdos de argila, no período seco podem contrair e formar fendas predominantemente no sentido vertical.

Onde estão presentes Brasil?

As maiores áreas contíguas estão nos estados sulinos. No entanto, no Estado de São Paulo, extensas áreas são encontradas nos planaltos basálticos que se estendem até o Rio Grande do Sul. A área de ocorrência no Brasil é de aproximadamente 1,5%.

Resumo técnico:

Nitossolos são solos constituídos de material mineral, com 350 g kg-1 ou mais de argila, inclusive no horizonte A, que apresentam horizonte B nítico abaixo do horizonte A. O horizonte B ítico apresenta argila de atividade baixa ou caráter alítico na maior parte do horizonte B dentro de 150 cm da superfície do solo.

A policromia (variação de cor em profundidade no perfil do solo), conforme descrita abaixo, deve ser utilizada como critério adicional na distinção entre Nitossolos e Argissolos Vermelhos ou Vermelhos-Amarelos nas situações em que forem coincidentes as demais características.

Os Nitossolos praticamente não apresentam policromia acentuada no perfil e devem satisfazer os seguintes critérios de cores:

a) Para solos com todas as cores dos horizontes A e B, exceto BC, dentro de uma mesma página de matiz, admitem-se variações de, no máximo, 2 unidades para valor e/ou 3 unidades para croma*;

b) Para solos apresentando cores dos horizontes A e B, exceto BC, em duas páginas de matiz, admite-se variação de ≤ 1 unidade de valor e ≤ 2 unidades de croma*;

c) Para solos apresentando cores dos horizontes A e B, exceto BC, em mais de duas páginas de matiz, não se admite variação para valor e admite-se variação de ≤ 1 unidade de croma*.

Admite-se variação de croma de uma unidade a mais que a indicada para solos intermediários (latossólicos, rúbricos, etc), ou quando a diferença ocorrer entre o horizonte A mais superficial e horizonte(s) da parte inferior do perfil, situado(s) a mais de 100 cm da superfície do solo.

Símbolo: N

Solos de constituição orgânica

Perfil de Organossolo

Foto: Ademir Fontana. Indianápolis-MG. Depósitos orgânicos.

 

Formados por elevados teores de matéria orgânica, oriunda da deposição e acúmulo de resíduos vegetais, com ou sem mistura de materiais minerais. O acúmulo de material orgânico pode ocorrer em condições de drenagem livre, em altitude elevada e com baixas temperaturas, ou com forte restrição de drenagem, como nas baixadas ou depressões.

Possui elevados teores de carbono e coloração preta, cinzenta muito escura ou brunada, resultantes de acumulação de restos vegetais.

O material orgânico pode apresentar diferentes estágios de decomposição (fíbrico, hêmico e sáprico), conferindo ampla variação nos atributos químicos e físicos.

Onde estão presentes no Brasil?

Ocorrem de forma muito dispersa, em pequenas manchas, não constituindo áreas representativas em escalas pequenas.

Resumo técnico:

Organossolos são solos constituídos por material orgânico (conteúdo de carbono orgânico maior ou igual a 80 g kg-1 de TFSA), que apresentam horizonte hístico, satisfazendo os seguintes critérios:

a) 60 cm ou mais de espessura se 75 % (expresso em volume) ou mais do material orgânico consiste de tecido vegetal na forma de restos de ramos finos, raízes finas, cascas de árvores, etc., excluindo as partes vivas; ou

b) Saturação com água no máximo por 30 dias consecutivos por ano, durante o período mais chuvoso, com horizonte O hístico, apresentando as seguintes espessuras:

20 cm ou mais, quando sobrejacente a um contato lítico ou a material fragmentar constituído por 90 % ou mais (em volume) de fragmentos de rocha (cascalhos, calhaus e matacões); ou

40 cm ou mais quando sobrejacente a horizontes A, B ou C; ou

c) Saturação com água durante a maior parte do ano, na maioria dos anos, a menos que artificialmente drenados, apresentando horizonte H hístico com a seguinte espessura:

40 cm ou mais, quer se estendendo em seção única a partir da superfície do solo, quer tomado cumulativamente dentro dos 80 cm superficiais.

Símbolo: O

Solos com abrupto acúmulo de argila em subsuperfície e baixa permeabilidade

Perfil de Planossolo

Foto: José Coelho de Araújo Filho-CE. Quixadá-CE.
Produtos da decomposição de gnaises e granitos.

 

Apresentam textura predominantemente arenosa em superfície, com grande aumento de argila em subsuperfície e mudança textural abrupta ou transição abrupta com gradiente textural. São adensados em subsuperfície e extremamemto duros quando secos e frequentemente com estrutura prismática ou colunar em subsperfície.

A baixa permeabilidade em subsuperfície condiciona ciclos de redução e oxidação do ferro, propiciando as cores acinzentadas ou variegadas e mosqueados. De maneira geral observa-se um horizonte eluvial e de cor clara sobrepondo o horizonte subsuperficial.

Onde estão presentes no Brasil?

Esses solos ocorrem predominantemente em áreas de relevo plano ou suave ondulado, muito utilizados com arroz irrigado no Rio Grande do Sul e com pastagem na região Nordeste do país e no Pantanal. Ocupam aproximadamente 2% da área do país.

Resumo técnico:

São solos constituídos por material mineral com horizonte A ou E seguidos de horizonte B plânico. Horizonte plânico sem caráter sódico perde em precedência taxonômica para o horizonte plíntico. Em síntese, são solos constituídos por material mineral com horizonte A ou E seguidos de horizonte B mais pesado, hidromórficos ou não.

Símbolo: S

Solos com expressivo acúmulo e segregação de ferro

Perfil de Plintossolo

Foto: Manoel Batista de Oliveira Neto. Goiana-PE.

Sedimentos argilo-arenosos da Formação Barreiras.

 

Caracterizados por apresentar drenagem imperfeita e ciclos de redução e oxidação do ferro, levando a segregação do ferro e a formação da plintita (feição destacável da matriz do solo). A plintita um material brando, que quando submetido a ciclos de umedecimento e secagem pode se consolidar irreversivelmente formando a petroplintita (concreção).

As cores predominantemente cinzentas, vermelhas e amareladas no padrão variegado ou mosqueado e muitas vezes com moderado aumento de argila em subsuperfície.

São pobres em carbono orgânico e ricos em ferro, ou ferro e alumínio, com quartzo e outros materiais. Frequentemente são ácidos e com baixa reserva de nutrientes.

Onde estão presentes no Brasil?

Encontram-se em relevo plano e suave ondulado, em áreas deprimidas, planícies aluvionais e terços inferiores de encosta, situações que impliquem no escoamento lento da água do solo. As maiores extensões se encontram na região Amazônica (alto Amazonas do território brasileiro), Amapá, Ilha de Marajó, baixada Maranhense, norte do Piauí, Sudeste de Tocantins e Nordeste de Goiás, Pantanal Mato-Grossense e baixadas da região da Ilha do Bananal e em bordas de chapadas do Planalto Central. Ocupam aproximadamente 6% da área do território nacional.

Resumo técnico:

Plintossolos são solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte plíntico ou litoplíntico ou concrecionário, em uma das seguintes condições:

Iniciando dentro de 40 cm da superfície; ou

b) Iniciando dentro de 200 cm da superfície quando precedidos de horizonte glei ou imediatamente abaixo do horizonte A, E ou de outro horizonte que apresente cores pálidas, variegadas ou com mosqueados em quantidade abundante.

Quando precedidos de horizonte ou camada de coloração pálida (acinzentadas, pálidas ou amarelado-claras), estes deverão ter cores centradas nos matizes e cromas conforme os itens (a) e (b) definidos abaixo, podendo ocorrer ou não mosqueados de coloração desde avermelhadas até amareladas.

Quando precedidos de horizontes ou camadas de coloração variegada, pelo menos uma das cores deve satisfazer as condições dos itens (a) e (b) definidos abaixo.

Quando precedidos de horizontes ou camadas com com matriz de coloração avermelhada ou amarelada, mosqueados deverão ocorrer em quantidade abundante (> 20 % em volume) e apresentar matizes e cromas conforme itens (a) e (b) definidos abaixo.

a) Matiz 5Y; ou

b) Matizes 7,5YR, 10YR ou 2,5Y com croma menor ou igual a 4.

Símbolo: F

Solos expansivos e com alta saturação por bases

Perfil de Vertissolo

Foto: Sebastião Barreiros Calderano. Juazeiro-BA.
Calcário da Formação Caatinga.

 

Identificados pelo baixo grau de desenvolvimento pedogenético e altos teores de argila. Podem apresentar argilominerais 2:1, a qual confere alta capacidade troca catiônica e, expansão e contração, com expressiva movimentação da massa do solo.

Comumente observam-se fendas largas e profundas e, estrutura cuneiforme, formadas no período seco, assim como, pode ser verificado superfícies de fricção e micro relevo em superfície denominado de gilgai.

São de coloração acinzentada ou preta, sem diferença significativa no teor de argila entre a parte superficial e a subsuperficial do solo. São de elevada fertilidade química, relacionados aos calcários e sedimentos argilosos ricos em cálcio, magnésio e rochas básicas, mas apresentam problemas de natureza física, como baixa permeabilidade, textura muito pesada e drenagem lenta.

Onde estão presentes no Brasil?

Ocorrem, predominantemente, na zona seca do Nordeste, no Pantanal Mato-grossense, na Campanha Gaúcha e no Recôncavo Baiano, totalizando cerca de 2% da área do Brasil.

Resumo técnico:

Vertissolos são solos constituídos por material mineral com horizonte vértico entre 25 e 100 cm de profundidade e relação textural insuficiente para caracterizar um B textural. Além disso, devem atender aos seguintes requisitos:

a) Teor de argila, após mistura e homogeneização do material de solo, nos 20 cm superficiais, de no mínimo 300 g kg-1 de solo;

b) Fendas verticais no período seco com pelo menos 1 cm de largura, iniciando na superfície e atingindo, no mínimo, 50 cm de profundidade, exceto no caso de solos rasos, onde o limite mínimo é de 30 cm de profundidade;

c) Ausência de material com contato lítico, horizonte petrocálcico ou duripã dentro dos primeiros 30 cm de profundidade;

d) Em áreas irrigadas ou mal drenadas (sem fendas aparentes), o coeficiente de expansão linear (COLE) deve ser igual ou superior a 0,06 ou a expansibilidade linear é de 6 cm ou mais; e

e) Ausência de qualquer tipo de horizonte B diagnóstico acima do horizonte vértico.

Símbolo: V